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Qual é a rotina de trabalho da empresa?
Rotina não existe. Na editoria de local, onde eu trabalho, a gente tem umfotógrafo que chega à 6 horas da manhã e fica até as 13 horas, mais ou menos. Temum repórter que chega à 7h, outro às 8h. O processo é escalonado, justamente parater repórter sempre, não ter aquele espaço no meio do dia sem ninguém. Aqui a gentetrabalha até 7 horas, mas nunca trabalhamos exatamente esse período
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sempre émais. Porém, claro que, às vezes, quando você quiser sair mais cedo para resolver seusproblemas, você sai. De manhã, umas 10 horas mais ou menos, fazem a reunião deabertura. É o seguinte, todos os editores e editores coordenadores se reúnem ediscutem mais ou menos o que tem no dia, o que tem na pauta, e já sinalizam desde aí uma aposta, como a gente chama, uma aposta para manchete. Essa aposta vai serdesenvolvida, se ela for de local, ela vai para a página 4, ou na 5, às vezes. Vocêsaprendem na faculdade que a página 3 é a mais importante porque estudos derecepção notam que o leitor tem uma tendência de olhar de cima para baixo, e ,quando abre, tende a olhar para a página direita. Para a gente, porém, a quarta é amais importante. A 5 é o complemento da 4 ou da editoria local. Essa discussão é feitaàs 10h, e já se tem a noção. Às vezes eu chego à tarde e fico com a manchete, por ummotivo ou por outro. Ai o repórter que está com a manchete sai, junto com umfotógrafo, às vezes mais que um e ai vai se desenvolvendo. À tarde, por volta das 17horas, acontece outra reunião dessa mesma turma. Geralmente os mesmos editores,porém de fechamento. Os editores e coordenadores fecham a primeira edição. E nessareunião, cada um discute o que tem em cada editoria. Já se discute o fechamento do jornal em si.
O Repórter e “defensor dodiploma”
Valmar Hupsel Filho
nosrecebeu na sede do Jornal A Tarde,onde trabalha, entre a correria dabusca pelas notícias e as paradas naredação. Valmar tem 32 anos,graduou-se em Jornalismo pela FIB nofinal de 2006 e veste a camisa do ATarde desde 2007, já tendo passadopor diversos cadernos, e hoje fazendoparte do caderno Local. Além disso, éAssessor de Imprensa da AssembléiaLegislativa, atuando nesta tambémcobrindo as sessões para o DiárioOficial.
 
 
As escolha da cobertura de cada repórter é feita de forma aleatória ou temalguém que pauta?
Depende. Hoje, eu fico um pouco mais livre. São raros os dias que eu pego umapauta, normalmente eu sugiro uma, que, aliás, é uma sugestão que dou para vocês. Orepórter que não pauta é pautado. O editor, na maioria das vezes, é uma pessoa maisexperiente, faz a apuração na internet e tal, mas o repórter também faz essa apuraçãoe conversa com as pessoas na rua. Isso é sugestão de pauta quase todos os dias.A pauta surge desde o gari que conversa com você até o prefeito que soltaalguma coisa ou no site que você vê ou no acompanhamento diário da notícia. Àsvezes você recebe informações mais não consegue contextualizá-las. Às vezes vocêtem uma bomba. Mas se você não estiver acompanhando o noticiário e ver que aquilonão foi dado, não vale nada.A pauta surge de diversas maneiras. Às vezes cai nos seu colo, no email oufuçando mesmo, ligando para pessoas, procurando na internet. Ou é encontrando narua mesmo. Surge da forma de você vê, pelo seu faro jornalístico, que tem algumascoisas absurdas. É o feeling. Porque você não é jornalista quando bate ponto aqui edeixa de ser quando sai. Não tem como. Você acaba condicionando o seu pensamentodessa forma. O teu olhar crítico, tudo. Uma postura, inclusive, ética.*fala sobre a cartilha e tal*Você acaba vendo a realidade de outra forma e fica policiando sua posturatambém. Se você fizer merda, está indo de encontro com o que está pregando. Apauta surge de qualquer lugar. Aqui no jornal, a função do pauteiro foi abolido. Eu atépeguei essa época.
Há pontos na cidade onde os jornalistas fazem as suas coberturas?
Depende. Antes isso existia, mas foi abolida. Um repórter que cobria aassembléia legislativa, a pauta dele era ir pra lá. Lá ele ficava. Isso mudou. A gente nãofica em um determinado campo para conseguir uma informação de última hora.Normalmente, quando você cobre política. Eu tenho até a minha agenda aqui, tenhoanotado, no papel impresso, com o telefone fixo e celular de todos os deputados e detodos os vereadores. Quando você faz a cobertura da câmara, por exemplo, você játem essa relação, já trocou idéia com vários deputados e vereadores. E, naturalmente,essa é uma vantagem para a gente aqui no jornal que, muitas vezes, as fontes segurampara o maior veículo. É meio que uma negociação também, a fonte dá o material e etc.Mas isso depende da situação. Por exemplo, o Correio já furou a gente duas vezes nasemana passada, por conta de uma fonte só. Algum repórter, algum editor, tem umafonte muito boa, privilegiada, no complexo penitenciário de Mata Escura e eles deramo furo do documento de livro de conduta do Ravengar e depois deram que ele cobravapor proteção também. É uma fonte só que acaba conseguindo a notícia em primeiramão. Esse é o nobre do jornalismo, você dar uma informação que ninguém tem. É aquestão da relação com a pauta que é muito delicada.
A questão do
off 
é muito importante no jornalismo. Ela também é bastantedebatida. Às vezes você tem informações que não podem ser publicadas...
 
... A questão é de ética do repórter. O cara me pediu
off 
, é claro que háinformações e informações. Mas acho que essa questão é importante ser respeitada.Porque muitas vezes você não publica aqui, mas logo depois você vai ter umainformação privilegiada e, não necessariamente, nem tudo aquilo que você apura éaquilo que você publica. Você apura mais informações do que publica. Certasinformações você precisa comprovar com documentos. Às vezes você publica umacoisa e o processo tá ali. Eu mesmo acho que sou recordista de processos em funçãodisso (risos). Quando você faz uma denúncia, o cara tem o total direito de se sentirlesado. Então precisa fundamentar essa informação em
off 
. É mais a questão dofeeling do repórter mesmo de dizer se publica ou não. É geralmente complicado.Político adora um
off 
. São informações que servem para você apurar, não publicar. Elesvão soltando algumas pistas para você investigar. São fontes privilegiadas que sabemde coisas que até Deus duvida.
Como são feitas as coberturas de notícias inesperadas?
De várias formas. Acontece via jornal, acontece via internet. Tem sites quecobrem acontecimentos do dia, fazendo aquelas notinhas do dia, de plantão. Temcertos lugares onde você acha informação. Por exemplo, choveu pra caramba, liga praSucom. Pode ligar pra Sucom 10 vezes naquele dia, você tem novidade. Diariamente orepórter que é responsável pela ronda, ele fica solto e sem pauta. Ele liga para acentral de comunicações da polícia militar, a central (PM, civil e bombeiros), verifica setem informação do homicídio que aconteceu agora, do balanço do dia. Enfim. Aspróprias pessoas ligam para o jornal. E muitas vezes acontece de você estar na rua e ascoisas acontecerem. Ou você estar na rua e alguém te ligar dizendo para ir a algumlugar porque aconteceu tal coisa, porque aqui na redação alguém recebeu ainformação de alguma forma. Se tiver com o fotógrafo, a sorte é ainda maior.
Vocês costumam circular pela cidade em busca de notícia?
Sair para circular não. No movimento Polícia Legal a pauta era você circular pelarua e ver como está a questão da segurança, se os módulos estavam com policiais. Eufiz isso, circulamos em bairros periféricos.
Quais são os recursos usados pelos jornalistas e eles são suficientes?
Carro, motorista e fotógrafo. Fotógrafo sempre é insuficiente. É uma brigadiária, várias vezes você chega e não tem fotógrafo nem carro. O jornal passou por umprocesso de enxugamento na redação e hoje a gente tem menos fotógrafo e repórterdo que a gente tinha há um tempo atrás e o jornal continua do mesmo tamanho e faza cobertura da mesma forma. Mas também, imagina que se tiver 10 a mais, sobra. Masé uma equação que é meio complicada, porque tem dias e horários mais complicadosaqui. Mas falta, sempre. É raro um dia que sobra. É um recurso complicadíssimo.
Vocês costumam sair sem a identificação?
Depende da pauta. Há algumas pautas que saímos sem identificação, é bom. Euprefiro sair com identificação. É a sua segurança que tá ali. Mas tem vezes que não tem jeito, por exemplo um homicídio não sei onde. Talvez muita gente não saiba, mas hámuitos lugares em Salvador que você não entra. Então, você ta identificado, você tem

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