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Marx e a Educação - Nildo Viana

Marx e a Educação - Nildo Viana

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Texto sobre a concepção de educação em Karl Marx, comparando-a com outras concepções pedagógicas.
Texto sobre a concepção de educação em Karl Marx, comparando-a com outras concepções pedagógicas.

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Marx e a Educação
Nildo Viana
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Resumo: O artigo trata da concepção de educação em Marx, analisando o seu fundamento (ateoria da natureza humana), seu projeto educativo para uma nova sociedade, sua crítica daeducação burguesa e suas propostas concretas para prática educativa na sociedade atual.Também realiza uma análise de outras concepções de educação, denominadas como pedagogiainternalista e externalista, e, posteriormente, as compara com a concepção marxista, realizandouma abordagem crítica e apresentando as diferenças existentes.Palavras-Chave: Externalismo, Internalismo, Existencialismo, Marxismo, Educação,
Pretendemos, no presente texto, discutir a concepção marxista da educação, talcomo compreendida por Marx, e compará-la com algumas outras concepções, buscandoperceber suas reais diferenças. Iremos começar por uma análise das diversas concepçõesde educação que se desenvolveram historicamente. Obviamente, não iremos, nestebreve texto, apresentar detalhadamente cada uma das inúmeras concepções de educação,mas tão-somente apresentar os elementos fundamentais que as sustentam, seu núcleocomum e fundamental, e colocar alguns exemplos para o esclarecimento de quem são osrepresentantes de cada uma delas. Após isto, iremos observar a concepção de educaçãoem Marx e assim ver em que ela se diferencia das demais.Devemos deixar mais claro este objetivo e julgamos que Bogdan Suchodolski(1984) nos oferece uma grande contribuição para pensarmos as concepções deeducação. Segundo ele:
“Tentou-se variadíssimas vezes, como é sabido, efetuar uma classificação do rico patrimônio constituído pelo pensamento pedagógico moderno. Utilizaram-se vários princípios de classificação, o que tornou possível agrupar de vários modos autores, pontosde vista, correntes e posições. Delinearam-se assim quadros muito diversos da pedagogiamoderna. Esses quadros têm, sem dúvida, valor didático, pois ao classificá-los de modosdistintos evidenciaram-se múltiplos aspectos das diferentes posições pedagógicas; isto pode contribuir para a compreensão de um fato histórico, a saber: que as posições pedagógicas defendidas nunca foram homogêneas; no entanto, quer pela genealogia, quer  pelas suas repercussões, revelaram sempre numerosos elementos de contato. Assim, se percorrermos o extenso conjunto de pontos de vista e de posições pedagógicas tomandocomo referência princípios de classificação diferentes, dá-se uma boa lição deantiesquematismo e de pensamento analítico que mostra em que medida a realidade,aparentemente homogênea, é de fato variada” (Suchodolski, 1984, p. 15).
Suchodolski acrescenta que isto é insuficiente, pois é preciso ir além daclassificação das diversas concepções para compreender sua “problemática essencial”.Ora, partindo da problemática essencial das concepções de educação, iremos realizar
*
Sociólogo, Filósofo, Doutor em Sociologia/UnB; Professor da Universidade Estadual de Goiás. E-mail:nildoviana@terra.com.br; tel. 62 582-0238
 
uma nova classificação que, no entanto, não apresenta a mesma quantidade se ofizermos por seus aspectos superficiais. Suchodolski sugere, então, que o grande divisorde águas no pensamento pedagógico ocorre entre a pedagogia da existência e apedagogia da essência.Devemos reconhecer o mérito da abordagem de Suchodolski, mas a suadistinção entre pedagogia da essência e pedagogia da existência nos parece inadequada.Assim, iremos seguir as pegadas de Suchodolski até o momento de se pensar qual é o“problema essencial” das concepções de educação, sem utilizar sua classificação. Omotivo de discordarmos de sua divisão entre “pedagogia da essência” e “pedagogia daexistência” se encontra no fato de que ele encontra nela a oposição entre filosofia daessência e filosofia da existência (existencialismo), o que, do nosso ponto de vista, trazmais confusão do que solução, pois muitos pensadores que ele diz defender oexistencialismo em pedagogia, são, no fundo, essencialistas e vice-versa.Por isso temos que sugerir uma nova forma de classificação. Faremos isto nosinspirando no próprio Suchodolski. Aquilo que ele denomina “pedagogia da essência”se caracteriza principalmente por pensar que a educação ou o saber se dá através de umdesenvolvimento externo ao indivíduo, enquanto que, para o que chama de “pedagogiada existência”, isto ocorre via desenvolvimento interno. Daí o caráter “coletivista” e/ou“racionalista” que muitas vezes acompanha a primeira e o caráter “individualista” ou“romântico” que várias vezes acompanha a segunda. Portanto, as categorias-chave aquisão interno e externo. Por isso iremos dividir as concepções de educação em duasformações básicas: a pedagogia externalista e a pedagogia internalista. Elas coincidem,na maioria das vezes, com o que Suchodolski denomina pedagogia da essência epedagogia da existência, respectivamente, embora isto não ocorra em alguns casos.Além disso, a coincidência ocorre, em alguns casos, devido a fundamentos diferentesdos propostos por este autor.
A Pedagogia Externalista
A pedagogia externalista considera que o saber não é “inato” ao indivíduo, queele deve ser transmitido. Um indivíduo não aprende sozinho mas tão-somente através doensino. Logo, se estabelece uma distinção entre aquele que ensina e aquele que aprende,entre mestre-discípulo ou professor-aluno.As origens remotas desta concepção se encontram na filosofia antiga e Platão é onome de seu sistematizador neste período histórico. O contexto social em que istoocorre é o da ampliação da divisão social do trabalho e da formação de uma nova
 
camada social, a dos filósofos, que se dedicava exclusivamente ao trabalho intelectual.A concepção de educação em Platão é descrita de forma mais sistemática e clara em suaAlegoria da Caverna, na qual realiza a distinção entre o mundo das sombras (o mundodos sentidos, da experiência) e o mundo das luzes (da razão), sendo que este era“habitado” pelos filósofos (Viana, 2000). Sendo assim, as pessoas vivem naturalmenteno mundo das sombras, no reino da doxa (opinião) e para chegarem ao mundo dasluzes, ao reino do logos (razão) precisam da mediação dos filósofos.A pedagogia externalista reinou absoluta na sociedade feudal. A concepçãomedieval de mundo subordina a razão à revelação (Viana, 2000), mas mantém adicotomia platônica entre duas esferas da realidade: uma empírica, temporal; outraverdadeira, eterna (Suchodolski, 1984). Assim, os iniciados nas Sagradas Escrituras, osteólogos, são aqueles que possuem o saber verdadeiro e que podem transmiti-lo.Na sociedade moderna, a pedagogia externalista se desenvolveu sob as maisvariadas formas. O racionalismo renascentista e o iluminismo são algumas das formasassumidas pela pedagogia externalista. Podemos citar, no amplo conjunto derepresentantes da pedagogia externalista, nomes como os de Erasmo de Roterdam, JohnLocke, Comenius, Hegel, Kant, Durkheim, entre inúmeros outros. Vejamos o exemplode Comenius:
“Comenius tem (...) confiança na máxima latitude potencial da graça divina, oque, no plano educativo, significa que todos tem necessidade de educação e que em todos aeducação apropriada dá bons frutos. Para demonstrar o primeiro ponto, isto é, de que ‘ohomem sem instrução não pode passar de um bruto’, Comenius cita alguns casos de‘crianças selvagens’ (...). Quanto ao mais difícil assunto, ou seja que a educação frutifiquesempre e em todos, Comenius chega a assumir a posição mais radical (que é, pois, a únicasensata): só aos tarados da natureza, isto é, os idiotas e perversos, pode acontecer que aeducação não dê ajuda, se bem que conseguirá pelo menos ‘adoçar-lhes os costumes’. Atodos os outros, homens e mulheres, trata-se de fornecer a educação apropriada à sua posição e aptidões para que dêem frutos certos” (Abbagnano & Visalberghi, 1981, p. 381-382 v2).
John Locke, por sua vez, irá se basear em sua filosofia liberal para desenvolversua concepção de educação. Para ele, o homem é como uma “folha em branco” na quala cultura escreve seu texto (Locke, 1983). E o texto que deve ser escrito no homem éaquele que cria o
gentleman
, que deve ser instituído como a “base e a medida daeducação” (Suchodolski, 1984; Abbagnano & Visalberghi, 1981).Tomemos um último exemplo, o sociólogo Émile Durkheim. Este toma aeducação como um processo de socialização, de inserção do indivíduo na sociedade.Para ele, a educação é um meio que a sociedade utiliza para suscitar na criança um certonúmero de estados físicos, mentais e intelectuais exigidos pela sociedade política, bem

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