Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
35Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Direito Constitucional_Aula 02 - Normas Constitucionais

Direito Constitucional_Aula 02 - Normas Constitucionais

Ratings: (0)|Views: 4,256 |Likes:
Published by jairo2003

More info:

Published by: jairo2003 on Nov 28, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/25/2013

pdf

text

original

 
CURSOS ON-LINE – DIREITO CONSTITUCIONAL – CURSO REGULARPROFESSOR GUSTAVO BARCHET
 
www.pontodosconcursos.com.br
 
1
AULA 02: NORMAS CONSTITUCIONAIS
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Muito se discutiu e ainda se discute no que toca à imperatividade ou cargacogente das normas jurídicas, ou seja, sua aptidão para impor-se aos seusdestinatários e obrigar-lhes a conduzir-se nos termos por ela determinados.Uma adequada compreensão da matéria parte de duas premissas básicas:(a)
toda e qualquer norma jurídica possui imperatividade
, potencial jurídico para impor-se aos seus destinatários, produzindo efeitos jurídicossobre as relações jurídicas da qual participam; (b) a imperatividade
não semanifesta com a mesma intensidade
em todas as normas jurídicas, ouseja, as normas jurídicas, conforme sua categoria, possuem
grausdiversos
de imperatividade.Nesse contexto, são duas as categorias básicas em que se dividem asnormas jurídicas: as normas
cogentes
e as normas
dispositivas
.As normas
cogentes
possuem imperatividade em grau absoluto, no sentidode que impõe aos seus destinatários independentemente de sua anuência.É, no caso, de nenhuma valia a vontade do sujeito: basta que a situação emconcreto da qual ele participe amolde-se à hipótese em abstrato prevista nanorma jurídica, e esta incide automaticamente, disciplinando a relação jurídica.Como subespécies de normas cogentes temos as normas
preceptivas
, queobrigam a uma certa conduta; e as
proibitivas
, que vedam determinadocomportamento.Ilustrando a exposição, trazemos o art. 1.245 do Código Civil/2002,segundo o qual: “Transfere-se entre vivos a propriedade mediante oregistro do título translativo no Registro de Imóveis”.É exemplo de norma cogente preceptiva, pois obriga seu destinatário acerto comportamento. Nos seus termos, todo aquele que desejar adquiriruma propriedade (imóvel) deverá necessariamente levar a registro o títulotranslativo, pois só tal conduta o torna efetivamente proprietário,integrando o imóvel ao seu patrimônio. Não basta ao interessado, no caso,a posse de um contrato de compra e venda e dos comprovantes depagamento do valor acordado. A propriedade só se transfere, o imóvel só setorna seu, se levar tal contrato, com a prova da quitação, a registro noRegistro de Imóveis.Pode-se citar, como segundo exemplo, o art. 426 do Código Civil/2002, quereza: “Não poderá ser objeto de contrato a herança de pessoa viva”.Trata-se, aqui, de uma norma cogente proibitiva, fulminando a validade dequaisquer contratos desta natureza. A todos, portanto, é vedada celebraçãode contratos cujo objeto seja a herança de pessoas ainda vivas, sendoabsolutamente nula qualquer disposição contratual em sentido contrário.
 
CURSOS ON-LINE – DIREITO CONSTITUCIONAL – CURSO REGULARPROFESSOR GUSTAVO BARCHET
 
www.pontodosconcursos.com.br
 
2
As normas
dispositivas
, por sua vez, são aquelas que estabelecem umaregra, mas permitem que seus destinatários disponham de forma diversa danela estabelecida. É o caso, por exemplo, do art. 427 do Código Civil/2002,que dispõe: “A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário nãoresultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias docaso”.Segundo o dispositivo, se alguém (proponente) faz uma proposta decontrato a outrem (aceitante), regra geral vincula-se a ela, se a outra parteconcordar com a proposta nos termos originalmente formulados. Esseefeito, todavia, pode ser sustado pelo proponente, se este, ao elaborar aproposta, ressalvar expressamente que se reserva o direito de desistência(ou quando o contrário resultar da natureza do negócio ou de circunstânciasdo caso, como consta no dispositivo).Como se percebe, o art. 427 estipula uma regra para dada situação(proposta de contrato), disciplinando seus efeitos jurídicos (vinculação doproponente à sua proposta). Permite, entretanto, que a parte estabeleçaefeito diverso (não se vinculando à proposta apresentada), mediante suamanifestação de vontade (ressalvando que não se vincula à proposta).Temos aqui, então, uma típica norma dispositiva: regula dada situação, masapenas no silêncio das partes participantes da relação jurídica. Ela incide,pois, de forma supletiva, regulando a relação jurídica frente à omissão daspartes em disporem de forma diversa daquela nela estipulada.Perceba-se que a norma dispositiva goza de imperatividade, apenas emgrau menor que a norma cogente. Esta incide sempre, independentementede vontade das partes, ao passo que a norma dispositiva pode ter suaincidência afastada pela vontade individual. Contudo, se não houver talmanifestação de vontade, regrando a relação jurídica em termos diferentesdo estipulado na norma dispositiva, ela incide integralmente. E esta é,precisamente, sua imperatividade.Concluímos, então, reforçando as duas afirmações antes formuladas: toda equalquer norma jurídica é imperativa, mas varia o grau de imperatividadeconforme o tipo de norma jurídica de que se trate, se cogente oudispositiva.Tal conclusão aplica-se em tudo e por tudo às normas constitucionais, comoveremos a seguir.A doutrina constitucional italiana, analisando o tema, num estágio inicialdividiu as normas constitucionais em duas categorias: normas
preceptivas
 e normas
programáticas
, assim consideradas as normas constitucionaisque instituem programas de ação para o Estado.Tal concepção foi inicialmente elaborada reconhecendo efeitos jurídicosdistintos às duas categorias de normas constitucionais: os impositivos(imperativos) e os meramente indicativos, aqueles aplicáveis às normaspreceptivas, e estes, às normas programáticas.Posteriormente, tal concepção evoluiu, de forma que a doutrina italianapassou a reconhecer que
todas as normas constitucionais
, qualquer queseja sua natureza e seu conteúdo,
são detentoras imperatividade
,produzindo efeitos jurídicos sobre seus destinatários e regulando asrelações jurídicas que constituem seu objeto. Assim, uma visão inicial, quevislumbrava as normas programáticas como simples orientações de
 
CURSOS ON-LINE – DIREITO CONSTITUCIONAL – CURSO REGULARPROFESSOR GUSTAVO BARCHET
 
www.pontodosconcursos.com.br
 
3
conduta, sem maior efeito vinculante para os Poderes Públicos, evoluiu parauma construção teórica em que essa espécie de norma não consiste apenasnum aconselhamento, sendo também um comando, uma determinação aser obedecida pelo ente estatal.Reconhecido o fato de que as normas programáticas, tais como aspreceptivas, são detentoras de imperatividade, partiu a doutrina italianapara o estabelecimento das diferenças entre uma e outra categoria denorma constitucional, arquitetando tais diferenciações a partir de trêsaspectos: os destinatários, o objeto e a natureza dessas normas.Quanto aos
destinatários
, seriam programáticas as normas dirigidas aolegislador, encarregado da elaboração da legislação infraconstitucional, epreceptivas, as endereçadas ao magistrado e aos cidadãos em geral. Emtermos gerais, tal distinção afigura-se correta, pois as normasprogramáticas destinam-se precipuamente ao legislador, a quem cabedisciplinar os programas a serem executados pelo Estado. Não há como senegar, todavia, que de forma indireta elas também alcançam os demaisagentes estatais, e mesmo aos cidadãos em geral, uma vez que elesestarão sujeitos à legislação editada em obediência à norma programática.Com relação ao
objeto
, seriam programáticas aquelas que recaíssem sobrea atuação do Estado e preceptivas as direcionadas ao indivíduo, seja pararegular suas relações jurídicas com o Estado, seja para disciplinar suasrelações privadas.Quanto à
natureza
, programáticas seriam as normas caracterizadas porum elevado grau de abstração, de imprecisão ou mesmo de imperfeição,isto é, normas que não possuíssem todos os elementos estruturaisnecessários à plena definição de seu conteúdo, e que não prescrevessemsanções específicas para sua inobservância, requerendo, para sua plenaaplicação, o trabalho do legislador infraconstitucional. Já as normaspreceptivas seriam as normas dotadas de todos os elementos estruturaisnecessários à deflagração imediata e integral de seus efeitos.Vista as diferenças propostas pela doutrina italiana entre as normasprogramáticas e as preceptivas, retornando ao ponto principal até aquiabordado, podemos concluir que toda e qualquer norma constitucional, pelosó fato de compor o estatuto fundamental do Estado, independente dequaisquer outras considerações, goza de imperatividade, produzindo, emmaior ou menor grau, efeitos jurídicos sobre seus destinatários.Prosseguindo na matéria, é indispensável a percepção de que a Constituiçãoé composta de duas modalidades básicas de dispositivos – princípios enormas -, que apresentam diferenças quanto aos tipos de efeitos jurídicosproduzidos. Para a análise desta diferença recorreremos às lições de GabrielDezen Junior.Ensina o Professor que os
princípios constitucionais
, por sua maiorsubjetividade e generalidade ou, de outro modo, menor concreção edensidade semântica (comparativamente às normas), permitem amplaspossibilidades de interpretação e aplicação, o que lhes confere um tempo devida superior ao das normas, destinando-se precipuamente a direcionar otrabalho do legislador no momento de elaboração da norma e a servir comoparâmetro de verificação da compatibilidade da legislação ordinária com aConstituição, em especial com os próprios princípios constitucionais.

Activity (35)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Suellen Correa liked this
rguilhen liked this
Eduardo Ilha liked this
Eduardo Ilha liked this
Jorge Santos liked this
Thalita Daiane liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->