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Hannah Arendt Da Violencia

Hannah Arendt Da Violencia

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original

 
H
ANNAH
A
RENDT 
D
A
V
IOLÊNCIA
© 1969 / 1970 
 T 
ÍTULO
 
ORIGINAL 
:
On Violence 
 T 
RADUTOR
:
Maria Claudia Drummond 
P
UBLICAÇÃO
 
DA
 
EDITORA
© 1985 
 
Í
NDICE
C
APÍTULO
I 3C
APÍTULO
II 15C
APÍTULO
III 25A
PÊNDICES
 38N
OTAS
 462
 
C
APÍTULO
I
Essas reflexões foram provocadas pelos acontecimentos e debates dos últimos anos, vistos nocontexto do século XX, o qual tornou-se de fato, conforme predissera Lênin, um século de guerras erevoluções. Portanto, um século da violência que atualmente se acredita seja seu denominadorcomum. Há, entretanto, um outro fator na situação atual o qual, embora previsto por todos, tempelo menos importância igual. O progresso técnico dos instrumentos da violência alcançou agora oponto onde objetivo político algum poderia corresponder ao seu potencial de destruição ou justificaro seu emprego real em conflitos armados. Portanto, a guerra – árbitro definitivo e impiedoso nosconflitos internacionais – perdeu muito de sua eficácia e quase que todo o seu glamour. O xadrezapocalíptico que se desenrola entre as superpotências, isto é, entre aquelas que se movimentam nosníveis mais altos de nossa civilização, está sendo jogado de acordo com a regra “se qualquer um dosdois ‘vencer’, é o fim de ambos”;
1
é um jogo que não apresenta qualquer semelhança com quaisquer jogos que o precederam. O seu objetivo racional é a dissuasão e não a vitória; e a corridaarmamentista, não mais uma preparação para a guerra, somente se justifica agora argumentando-se que mais e mais dissuasão é a melhor garantia da paz. Para a indagação de como poderemos umdia desembaraçar-nos da óbvia insanidade dessa situação, não existe resposta.Uma vez que a violência distinta do poder, foa ou vigor necessita sempre deinstrumentos (conforme afirmou Engels há muito tempo atrás)
2
, a revolução da tecnologia, umarevolução nos processos de fabricação, manifestou-se de forma especial no conflito armado. Aprópria substância da vioncia é regida pela categoria meio/objetivo cuja mais importantecaracterística, se aplicada às atividades humanas, foi sempre a de que os fins correm o perigo deserem dominados pelos meios, que justificam e que são necessários para alcançá-los. Uma vez queos propósitos da atividade humana, distintos que são dos produtos finais da fabricação, não podem jamais ser previstos com segurança, os meios empregados para se alcançar objetivos políticos sãona maioria das vezes de maior relevância para o mundo futuro do que os objetivos pretendidos.Ademais, ao passo que os resultados das ações humanas escapam ao controle dos seusatores, a violência abriga em seu seio um elemento adicional de arbitrariedade; em lugar algumdesempenha a fortuna, boa ou má sorte, papel mais decisivo nas atividades humanas do que nocampo de batalha, e essa intromissão do inesperado não desaparece quando é chamado de“acontecimento fortuito” e é considerado cientificamente suspeito, e nem poderia ser eliminadoatravés de simulações, cenários, teorias, e outros artifícios. Não existe certeza no que diz respeito aessas questões, nem mesmo uma certeza final de destruição mútua sob certas e calculadascircunstâncias. O mero fato de que aquelas pessoas que se dedicam ao aperfeiçoamento dos meiosde destruição atingiram finalmente um nível de desenvolvimento técnico onde o seu objetivo, a lutaarmada, chegou a ponto de desaparecer em sua totalidade em virtude dos meios à sua disposição
3
,parece um irônico lembrete dessa imprevisibilidade que a tudo permeia, e que encontramos nomomento em que nos aproximamos dos domínios da violência. A razão principal por que osconflitos armados ainda existem, não é nem um desejo secreto de morte da espécie humana, ou umirreprimível instinto de agressão, nem, finalmente, e mais plausivelmente, os sérios perigos3

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