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Cooperar, verbo infinito? Algumas facetas da cooperação internacional na atualidade.pdf

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Published by: Sérgio Botton Barcellos on Jul 11, 2014
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07/11/2014

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Cooperar verbo infinito? Algumas facetas da cooperação internacional na atualidade
“Claro, nós encorajamos toda ajuda que nos ajude à eliminar a ajuda. Mas de maneira geral,as políticas de ajuda têm frequentemente acabado por desorganizar, por minar nosso sensode responsabilidade no que diz respeito ao nossos próprios negócios no plano econômico,político e cultural. ós assumimos o risco de usar no!os m"todos para alcan#ar um bemestar. $%&'&(&, s)d, apud *+M+-+, /01
0
, tradu#2o li!re34.
+st5 sendo noticiado internacionalmente que o 6aiti tem sido desrespeitado em suaautonomia, tema tratado de forma detal7ada no document5rio &ssistance Mortalle. & reconstru#2odo país afetado em /0/ por um grande terremoto, onde mais de / mil pessoas morreram e maisde um mil72o e meio ficaram sem moradia, a qual incluiria obras de infraestrutura, moradias,reorganiza#2o produti!a, parece estar longe de terminar. Mas antes ainda dessa cat5strofe, a a#2o daMinusta7 $Miss2o das a#8es 9nidas para a estabiliza#2o no 6aiti3, de composi#2o ci!il e militar,criada em //1 pela :9 como uma miss2o de estabiliza#2o, " simbólica da perda de soberania deum país considerado ;subdesen!ol!ido;. + o terremoto que assolou esse país acabou abrindo uma brec7a para a ajuda internacional seinstalar
ad infinitum
. <erenciada por um consel7o da coopera#2o internacional, dirigido e planejadopor +9&, =ran#a e Canad5 e com o apoio militar majorit5rio do rasil
, essa assistência est5 sendodenunciada como fer indo a autonomia do país , que ainda se !ê com gra!es problemas anos após odesastre. &s notícias oficiais s2o contraditórias, pois apesar das :<s relatarem os a!an#os dacoopera#2o 7umanit5ria, os problemas se multiplicam> epidemias de cólera s2o relatadas pela popula#2o local como tendo sido trazidas junto com a Minusta7, a 5rea onde ocorreu o terremoton2o foi reconstruída, nem todos os desalojados foram realocados e muitas empresas estrangeiras seinstalaram no país em condi#8es du!id5!eis, gerando a rejei#2o da popula#2o . &l"m disso, a imprensa alternati!a mostra que o quadro político do 6aiti " inst5!el, com o combate a oposi#8esinternas e a ocorrência de elei#8es fraudulentas apoiadas pelas grandes potências.&o mesmo tempo, na ?frica, ao longo da 7istória, a presen#a de inter!en#8es e@ternas n2o "diferente, intercalando a#8es militares e de a#2o 7umanit5ria. & coopera#2o internacional se mostracomo a faceta 7umanit5ria de uma rela#2o de dependência, uma ferramenta importante nalegitima#2o da presen#a dos países europeus, asi5ticos e norte americanos, bem como a entrada dos“emergentes4, como o rasil e a C7ina, nos países c7amados de “subdesen!ol!idos4, “emdesen!ol!imento4 ou do %ul. Com isso, !emos que se e@istem formas e@plícitas de refor#ar anecessidade de ingerência e@terna, 75 tamb"m sutilezas que demoramos a compreender. Aarte
0 *embel", *. M. B7omas %anara> une conception endogDne du d"!eloppment. En> *embele, *. M.F %Glla, . %.F =aGe,6. $org.3.
 Deconstruire le discours neoliberal.
 %enegal> =ondation (osa -u@emburg) &rcade, /01. p. HIJKK.
 =ica claro, com esse e@emplo, que ao rasil, que ocupa atualmente a posi#2o de emergente, 75 espa#o para umimperialismo regional, operado na própria &m"rica e tamb"m na ?frica, importando, com j5 muito fizeram os paíseseuropeus os +9&, suas próprias contradi#8es.
 
essencial do jogo geopolítico, em que os países mo!em suas pe#as de uma maneira que parecemuito bene!olente aos ol7os do mundo, a inter!en#2o e@terna se materializa por uma s"rie de redesque incluem go!ernos e organiza#8es da sociedade ci!il, com a presen#a significati!a de agênciasda :rganiza#2o das a#8es 9nidas $:93 e :<s internacionais.Mas n2o se trata de dizer que o camin7o " dar as costas para a recorrência de condi#8es dedesigualdade social, como no caso dos países da ?frica e o 6aiti, ou considerar qualquer a#2o socialinternacional como neocolonialismo. & quest2o " dissol!er uma imagem ilusória de que a c7egadade projetos sociais resol!eria os problemas de países assolados n2o somente por guerras ecat5strofes naturais, mas tamb"m pela a#2o e@ploradora daqueles mesmos que dizem ajudar, mas narealidade afrontam as soberanias nacionais e em muitos casos fazem estudos e mapeamentos comrompante social. +sse utilitarismo nas ajudas 7umanit5rias n2o pode ser ignorado, sustentado n2oapenas por mediadores e@ternos aos “ajudados4, mas tamb"m por líderes locais que n2o têminteresse em perder seus pri!il"gios conquistados com as políticas colonialistas.&s 7ierarquiza#8es do desen!ol!imento, que podem oscilar entre países “desen!ol!idos4,“emergentes4, “subdesen!ol!idos4 e seus eufemismos, possuem fun#8es muito específicas no jogogeopolítico atual> mostram em quem o mundo de!eria se espel7ar. + para identificar os paísesdentro da 7ierarquia mundial do desen!ol!imento, 75 parLmetros específicos, com índiceseconômicos, políticos e sociais estabelecidos $AE, E*6, <ini etc.3 por quem est5 no topo dela. +ssaclassifica#2o rege tamb"m a configura#2o da ajuda 7umanit5ria, !oltada em especial aos ditossubdesen!ol!idos, pois se um país necessita de ajuda para tentar c7egar ao objeti!o de entrar para oclube dos países desen!ol!idos, " deles que ele precisaria receber ajuda.& ironia " que os países encai@ados na lista de subdesen!ol!idos geralmente possuemmuitas riquezas naturais como ouro, urLnio, ferro, madeiras nobres, reser!atórios de 5gua, al"m doinestimado petróleo, mas apesar da riqueza de recursos naturais, suas popula#8es sofremfrequentemente com a falta de elementos b5sicos para !i!er, como alimentos. *o ponto de !istapolítico, afirmam os neocolonizadores de plant2o, esses países n2o teriam as institui#8es e aestabilidade política para gerir de maneira soberana seus recursos. +ssa cren#a ou retórica de queeles n2o têm os elementos para gerir seus recursos ou a presen#a desses recursos le!a a uma press2opara que justamente as ausências $de estabilidade, de institui#8es, de qualidade de !ida dapopula#2o, de tecnologias, de metodologias3 sejam a principal justifica!a para a presen#a da“coopera#2o4. :utro caso recente em destaque internacional diz respeito à ig"ria. & a#2o do oo 6aram ,principalmente nesse país, mas tamb"m em outros quatro países da ?frica, justificou umainter!en#2o militar, dada a instabilidade política gerada por esse grupo e@tremista, após uma grandecomo#2o internacional em rela#2o ao sequestro de dezenas de meninas e mul7eres pelo oo
 
6aram. &pesar disso, n2o 75 men#2o à fonte de financiamento dessa organiza#2o na grande mídiainternacional, nem um detal7amento dos interesses internacionais em disputa nesse caso. Mas asequência dos fatos merece aten#2o> o sequestro das meninas e mul7eres aconteceu poucos mesesapós as elei#8es, que manifestaram a crise do país, e logo em seguida esse país se tornou um doscentros da inter!en#2o militar de países como os +9& e o (eino 9nido na regi2o, que tamb"mconta!a com um ass"dio crescente da C7ina. Bamb"m " importante considerar que a ig"ria " opaís mais populoso do continente, o oita!o produtor de petróleo no mundo e as suas e@porta#8esrepresentam 00 das importa#8es dos +9&. Mas " preciso conte@tualizar essa presen#a. o caso do continente africano, colonizadopelas potências europeias, principalmente =ran#a e (eino 9nido, mas tamb"m "lgica, &leman7a,+span7a, Aortugal e Et5lia, a d"cada de 0KN/ e I/ foi marcada pela independência da maioria dascolônias africanas mas, apesar disso, uma no!a forma de dependência rapidamente surgiu> acoopera#2o. o caso francês, relatado detal7adamente em relatório da :< %ur!ie, j5 no ano de0KI0 foi criado o Minist"rio da
 
Coopera#2o, que substituiu as a#8es do antigo Minist"rio dasColônias
O
. Com isso, a =ran#a se tornou a principal “parceira4 de suas antigas colônias, com acordos decoopera#2o econômica, militar, judici5ria, t"cnica, cultural, financeira, e@ecutados a partir de um!erdadeiro aparato de t"cnicos e consel7eiros franceses, en!iados aos no!os países para criarinstitui#8es, estabelecer programas de desen!ol!imento econômicos e formar go!ernantes locais. &administra#2o dos no!os go!ernos era formada basicamente junto às elites locais, sendo que o apoiolocal foi essencial para fortalecer esse sistema neocolonial, pois a soberania " e!ocada como sendocontemplada, mesmo que de maneira distante da realidade da grande maioria dos africanos. %e no período colonial as potências europeias j5 7a!iam imposto sua língua, moeda, sistemaadministrati!o e jurídico, a coopera#2o mante!e uma influência pri!ilegiada desses países na?frica. + mais do que isso, est5 colocada a imposi#2o de um modo de pensar e@terno $apesar dasenormes diferen#as sociais, culturais e cosmológicas3. %2o implementadas estruturas de +stado que j5 nascem corrompidas, burocratizadas e que estimulam modelos de desen!ol!imento que os paísesocidentais julgam ser os mais adequados aos países subdesen!ol!idos> fornecedores de mat"riaprima e dependentes da importa#2o de di!ersos produtos. Aara tanto, conta!am com o apoio de umamecaniza#2o desconte@tualizada e obras ineficientes, como as listadas por (en" *umond em seuli!ro, ;-P&frique noire est mal partie;, datado de 0KI, mas muito atual no que diz respeito àsdificuldades da agricultura e da industrializa#2o no continente.o caso da =ran#a, o sistema =ran#afrique $ou “=rance à fric4, ou seja, “=ran#a para oO
Aaralelo aos acordos oficiais de coopera#2o, Qacques =occart, o “%en7or ?frica4, indicado pelo <eneral *e <aulle,seria o respons5!el por coordenar as a#8es mais obscuras, como a incita#2o à guerra, a manipula#2o em elei#8es locais emesmo o afastamento de lideran#as.
 

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