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Sabrina 449 – Um rosto no espelho – AmandaCarpenter
 Aquele homem não a queria para esposa. Mas a desejava ainda para amante.
 Jéssica enfeitou-se para a festa com o vestido mais sexy de seu guarda-roupa de manequim. Naquela noite era tudo ou nada! Ou Damien voltava paraseus braços, completamente apaixonado, ou ficava para sempre com a garotaque pretendia casar-se por interesse! O rosto fascinante que o espelho refletia,era o de uma mulher segura, sensual, decidida, que não desejava ser apenas aamante de Damien Kant. Somente os olhos não escondiam a tristeza de quemteme perder o homem amado.
Copyright: Amanda Carpenter Título original: Rage Publicado originalmente em 1984 pela Mills & Boon Ltd., Londres, Inglaterra Tradução: Natércia Pereira Neves da SilvaCopyright para a língua portuguesa: 1987Editora Nova Cultural Ltda.Av. Brigadeiro Faria Lima, n.° 2000 — 3." andarCEP 01452 — São Paulo — SP — BrasilEsta obra foi composta na Linoart Ltda. e impressa na Divisão Gráfica da Editora Abril S.A.Foto da capa: RJB
Digitalização:SimoninhaRevisão:Simone R.
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Sabrina 449 – Um rosto no espelho – AmandaCarpenter
CAPÍTULO I
O céu estava cinzento e um tanto melancólico, a chuva batia forte noterraço. Dali se avistava, em dias mais claros, parte do bairro mais opulento eprivilegiado de Nova York e, mais além, o aglomerado de prédios da QuintaAvenida. Hoje, porém, nada se via, a não ser as grossas gotas que lavavam as janelas de estilo francês.No interior do apartamento de Jéssica King o clima era outro: ameno eagradável. Tudo ali sugeria riqueza e bom gosto: ela, os móveis, os objetosdecorativos que ornamentavam o ambiente, as telas a óleo valiosíssimas dasparedes. Sentado diante de Jéssica, na sala espaçosa e requintada, estava umhomem de aparência distante, totalmente absorto na contemplação dela.A beleza daquela mulher esplêndida mantinha cativos os olhos dele. A tezpálida possuía a delicadeza de uma pérola; o rosto clássico, oval e anguloso,ostentava um par de olhos quase dourados e ligeiramente amendoados que lhedavam um ar exótico. Jéssica sentia por Justin um grande afeto. Seu amigo beirava os quarentaanos, e os cabelos deles começavam a pratear nas têmporas. Nos cantos dosolhos de um azul intenso surgiam pequenas rugas quando ele sorria. Justin eraum homem bastante atraente. Tinha o rosto forte e decidido, um corpo atlético euma altura que ultrapassava um metro e oitenta. Seus olhos astutos nadadeixavam escapar.Embora se conhecessem há muito tempo e Jéssica soubesse bem que nãopodia esconder nada dele; não queria que seu amigo percebesse o que sepassava em seu íntimo naquele momento. Poderia ter se casado com ele quandosurgira a oportunidade, há quatro anos, mas ambos sabiam que isso pertencia aopassado. A atração que Jéssica uma vez chegara a sentir por Justin durara poucotempo. Hoje o considerava um homem maravilhoso e um amigo querido.Quando se conheceram, dez anos atrás, Justin era um jovem advogado. Jéssica havia acabado de chegar a Nova York, aos dezoito anos de idade, recém-saída do colegial no Estado de Vermont. Com um grupo de estudantes, todosseus amigos, havia tido problemas com a polícia durante uma passeata contra aguerra nuclear, e Justin os defendera em juízo. Foi quando se viram pela primeira
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Sabrina 449 – Um rosto no espelho – AmandaCarpenter
vez.A chuva continuava ininterrupta lá fora. Com o olhar perdido na janela, Jéssica não sabia o que mais a incomodava: se a chuva que não parava ou se elaprópria. Hoje era uma pessoa muito diferente da adolescente que Justinconhecera. Tornara-se modelo fotográfico de sucesso, talvez uma das mais bempagas do país.Que cara estranha, Jéssica! No que está pensando?Em nada. Ela desviou os olhos para a o bem cuidada queostentava num dos dedos um belo anel de safira.Está mentindo, minha amiga, e nós dois sabemos disso. Acha que nãopercebi que havia algo errado no momento em que atravessei aquela porta?Imediatamente Jéssica tentou mudar de assunto.Que dia horrível está fazendo hoje! Odeio chuva. Fico o tempo tododentro de casa, olhando no espelho e inventando rugas onde não existem.Você tem cada uma! Ninguém tem rugas aos vinte e sete anos.Vinte e oito, mas, por favor, não diga isso a ninguém. Não quero pensarque já estou chegando aos trinta.Mais cinco ou seis anos e foosamente ela teria que abandonar aprofissão. O aspecto financeiro da questão não a preocupava: tinha dinheirosuficiente. Mas as rugas seriam inevitáveis. Esforçou-se para dar um fim àquelespensamentos sombrios e retomou a conversa.Justin, você vai à festa de noivado da filha dos Trevor esta noite? Ouvidizer que será um grande evento social.Isso depende. Damien estará lá?Se essa chuva o passar, vamos acabar nos afogando aqui novigésimo quinto andar. Olhe só para o terraço! — disse Jéssica, desconversando.Captou o sinal de compreensão nos olhos pacientes de Justin e encarou-o. Denada adiantava tentar esconder-lhe qualquer coisa. — Querido, você conheceDamien. Muda de idéia a cada instante. Não posso dizer se ele irá à festa ou não.É um homem imprevisível, exceto talvez no que se refere a você. Para mim, é umverdadeiro quebra-cabeça.Não acho. Ele apenas quer ter certeza de que não porei os olhos emvocê outra vez. É um ciumento, Jéssica, isso é o que ele é. Damien é possessivo.
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