• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
Download
 
XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA29 DE MAIO A 01 DE JUNHO DE 2007 - UFPE – RECIFE (PE)GT 06: “DEMOCRACIA E DESIGUALDADES SOCIAIS”.DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO EM ROBERT DAHLASSIS BRANDÃO (assis.brandao@uol.com.br)UFPE
 
1
Dahl: Desenvolvimento e Democracia
Assis Brandão (*)
I.
 Introdução.
 A relação entre igualdade e democracia é um tema clássico da teoria política focadopor autores os mais diversos, desde Aristóteles, passando por Montesquieu, Marx,Tocqueville, Dahl, dentre tantos. A relação entre desenvolvimento e democracia é umatemática mais moderna que tem em Lipset, no final dos anos 50 e início dos 60 do séculopassado, o seu mais destacado teórico. Os autores que pensaram a primeira dessas relaçõesnormalmente o fizeram tendo em vista salientar a natureza positiva do nexo entre igualdadee democracia. É verdade que em Tocqueville esse nexo se apresenta de maneira sobremodomais complexa, máxime em suas preocupações com certas tendências liberticidas daigualdade. Também predominantemente positiva é a percepção dos teóricos que sedebruçaram sobre a relação entre desenvolvimento e democracia, com Lipset à frente,mesmo que neste campo o nível de complexidade seja bastante grande, pois odesdobramento histórico da reflexão sobre ela abriu-se, como bem o destacou FernandoLimongi (1997:18), para tendências também pessimistas.Lipset, em “Some Social Requisites of Democracy: Economic Development andPolitical Legitimacy”, afirma que “talvez a mais ampla generalização vinculando sistemaspolíticos a outros aspectos da sociedade tem sido que a democracia é relacionada ao estadodo desenvolvimento econômico” (1959:75). Quanto mais desenvolvida a sociedade doponto de vista econômico, mais próxima ela estaria da democracia, e quanto menosdesenvolvida, mais distante estaria dessa forma de governo, de maneira que as sociedadesatrasadas viveriam sob governos ditatoriais e as desenvolvidas, sob democracias. Oprocesso de modernização, definido pela transição das sociedades tradicionais para asmodernas, seria coroado pelo advento de formas democráticas de governo.Segundo o autor (Lipset,1959:75), para testar essa hipótese, foram criados váriosíndices de desenvolvimento, tais como riqueza, industrialização, urbanização e educação.Ele afirma (1959:80), no entanto, que, muito embora esses “índices tenham sido
-----------------------------------------(*)
Assis Brandão
é professor de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da UFPE.
 
2apresentados separadamente, parece claro que os fatores (que os constituem) são tão inter-relacionados que formam um fator comum”. O teste, assim, seria para verificar algo, emsua visão, mais ou menos evidente, ou seja, que as sociedades desenvolvidas, porapresentarem um alto nível de industrialização, urbanização, educação e riqueza – sendo,por isso, modernas -, também seriam democráticas.A “teoria da modernização” tendia a perceber o processo histórico de desenvolvimentodas sociedades atrasadas como similar ao das sociedades desenvolvidas. Aquelas seguiriamo mesmo caminho dessas, de maneira que haveria uma repetição do processo dedesenvolvimento em temporalidades distintas. As sociedades desenvolvidas eram figuradascomo o futuro das atrasadas e estas como o passado daquelas. As atrasadas tinham osmesmos atores, perspectivas e dinâmica histórica das adiantadas, apenas teriam vindohistoricamente depois.A história, no entanto, esteve longe de adequar-se à teoria. Nenhum Procusto seriacapaz de recortá-la de acordo com o figurino da “teoria da modernização”. Pensá-la assimseria empobrecê-la ao limite. E ela mostrou-se sobremaneira mais complexa. Atemporalidade era, de fato distinta, mas não podia ser percebida apenas como umatemporalidade física, no sentido de que uma nação se desenvolvera algumas décadas - oualgo assim - antes de outra, porém como uma temporalidade social, em que o tempo dedesenvolvimento do capital é um fator preponderante para a observação da relação entre asnações, dos atores políticos no âmbito dessas nações, de suas perspectivas históricas eassim por diante. Salienta-se aqui a diferença.Isso não significa, entretanto, que a “teoria da modernização” tenha se equivocado emrelação ao desenvolvimento de todos os países. De fato, alguns deles, de desenvolvimentocapitalista original, transitaram do tradicional ao moderno, coroando esse processo com ademocracia. Essa, contudo não é uma regra. Até porque não existem regras dedesenvolvimento histórico. Nações de desenvolvimento capitalista tardio com freqüênciadesenvolveram-se sem democratizarem-se. Exemplos clássicos dessas últimas são aAlemanha e a Itália, em que floresceram o nazismo e o fascismo respectivamente. Não éque não tenha havido desenvolvimento, é que esse ocorreu sob formas repressivas deorganização política.
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...