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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
1
a
Quinzena de Dezembro de 2009Ano XXX - No. 1076 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual
CULTURAPág.08
Novo livro de OnésimoTeotonio de Almeida
CELEBRAÇÕESPág29
A Comunidade Macaense de Califórnia festejou no dia 22 de Novembro oDécimo Aniversário da existência da Regiâo Administrativa Especial deMacau com um banquete e baile no Restaurante Asian Pearl em Fremont.Participaram nesse evento histórico mais de quatrocentos macaenses econvidados.
TELEVISÃO
Macau - 10 anos depois
www.portuguesetribune.com www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net
FUNDAção PoRTUGUESA DE EDUcAção
TURLocK
 
Bolsas
d
Estudo
Página 2, 18 e 19
O escritor e professor da Universi-dade de Brown, nos EUA, OnésimoTeotónio de Almeida, procedeu aolançamento da sua obra “De Marx
a Darwin – a desconança das ide
-ologias”, em Ponta Delgada. A obrafoi lançada a 18 de Novembro, pelas21h30, na Biblioteca Pública e Ar-quivo de Ponta Delgada.A apresentação esteve a cargo deGabriela Castro e Berta Miúdo.
RECONHECIMENTOS:Em pé: António e George Martins; Monsenhor Ivo Rocha, Manuel PiresSentados: José Manuel Martins, Maria Freitas; Rute e Luís TeixeiraBOLSAS DE ESTUDO- Foram entregues 55 Bolsas de Estudo pela Fundação Portuguesa de Educação do Centro da California, em Turlock 
 
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1 de Dezembro de 2009
SEGUNDA PÁGINA
Year XXX, Number 1076, Dec 1, 2009
Falta de liderança
EDITORIAL
A
 proveito este espaço paravos falar do jantar anualda Fundação Portuguesade Educação do Centroda California, celebrando os seus 18anos de existência, realizado no Sa-lão de Nossa Senhora da Assunçãocom o propósito de entregar Bolsasde Estudos.O mestre de cerimónias da noite foiJoão Dias, um veterano destas an-danças. Reconheceram-se tambémdiversas entidades, tais como:
Empresários do Ramo da Agro-Pecuária
- Irmãos Martins (JoséManuel, António Luís e George), deHilmar.
Empresário do Ano
- Manuel Pires,de Modesto
Cidadão do Ano
- Monsenhor IvoRocha, de Tracy.
Alunos do Ano
- Luís e Rute Teixei-ra, de Turlock.
Educadora do Ano
- Maria Freitas,de Hilmar.Foram 55 as Bolsas de Estudo entre-gues a jovens prestes a singrar nosestudos universitários, para se tor-
narem competentes prossionais nas
artes e ciências que escolheram.O total de donativos deste ano foi de$23,000 dólares.A Fundação já distribuíu $175,947dólares em 439 bolsas de estudo.Diversas organizações da nossa Co-munidade e empresas do Vale qui-seram mais uma vez contribuir naajuda destas bolsas de estudo. O quenão compreendemos ainda muito bem, é porque razão um maior nú-mero de individualidades da nossacomunidade não fazem o mesmo, podendo assim o número de donati-vos aumentar exponencialmente.Dá ideia de se ter criado a ilusão deque sómente as nossas organizaçõese empresas é que devem dar donati-vos e não os próprios pais dos alu-nos, os amigos e tantos outros.Por outro lado, como membro destacomunidade custa-nos ver que todosos bolsistas, uma vez recebedoresdestes donativos, se esquecem daFundação e nem sequer participamna noite mais importante dela.Calculem que desde há 18 anos que aFundação dá bolsas. Deram-se pertode 500 bolsas até agora.Se todos eles pudessem colaborar com $20.00 cada um, teríamos umvalor de $10.000.00. Parece incrível-mente simples? É pura matemática. Não podemos acreditar que ninguém possa não dar $20.00 anuais parauma entidade que tem por objectivoajudar alunos a prosseguir os seusestudos.Caso o produto bruto dos donativosfosse substancial, poderiam as Fun-dações entregar bolsas de estudo devalores mais compatíveis com as ne-cessidades actuais dos alunos. Não podemos estar a exigir que asFundações, quer esta, quer a Luso-American Education Foundation,trabalhem tão árduamente, se nãotiverem a compreensão de toda acomunidade e de todos aqueles que
 beneciaram da sua ajuda.
Sentar-mo-nos numa cadeira e ver-mos as nossas organizações entrega-rem o que podem às Fundações e nósnão nos atrevermos a fazer o mesmo,
como indíviduos, ca mal, ca mes
-mo muito mal.Grão a grão enche a galinha o papo.O mesmo se aplica às nossas Funda-ções de Educação.Elas só poderão subsistir, se todos,mas todos, tivermos a compreensãode participar por muito pouco que possamos dar.O que conta é o gesto. A multiplica-ção dos gestos fará crescer a monta-nha.
 No nal da noite, o novo Cônsul-
Geral de Portugal em San FranciscoAntónio Costa Moura, falou (seteminutos apenas e tão só) para dizer que acabava de chegar, queria apren-der a relacionar-se bem com a co-munidade e criar uma solidariedademútua.
É sempre pena
que os artistas con-vidados para estes eventos (o mesmoacontece com as festas da LAEF)não possam exprimir a sua arte emfrente às trezentas ou quatrocentas pessoas presentes. Mal acabam osdiscursos, as pessoas vão-se embora. Não é verdade meus caros Zé Duartee Roberto Lino?Que pena...As crises são boas muitas das vezes para mostrar quemé que é lider, e quem é que faz o seu trabalho sem arte esem ciência. Na crise que estamos a atravessar, a Educação é das pri-meiras a sofrer os percalços das más decisões, quer dos políticos, quer mesmo dos educadores.As notícias que nos chegam do Sul da California àcercados brutais aumentos de 32% nas Universidades Estadu-ais, levam-nos a pensar que algo está mal, quando educa-dores que são pagos a peso de ouro (muitos deles ganhammais que o Presidente Obama) vão obrigar alunos a repen-sar o seu futuro.As cabeças bem pensantes desses educadores deveriamver o seu trabalho terminado e darem lugar a quem se inte-ressa verdadeiramente pela Educação e pelos seus alunos.E não me venham com a cantilena do costume, que isso sóse aplica a quem tiver X e Y de rendimento anual.A falta de liderança nota-se mais nestes tempos de crise.Quem não puder com ela que desista. Há tanta gente boaà espera da sua vez.
Anal o sistema dourado de um País que parecia ser o
mais feliz do mundo e onde a construção fazia inveja atodos os maiores países do mundo, não passou de uma mi-ragem.
Os belos edicios são verdadeiros mas o resto é tudo falso.
O Dubai está na bancarrota. Quem diria.O Dubai era o sonho de qualquer arquitecto moderno, por-que lá havia expectativas para todos os sonhos de grandesartistas.
Anal o Dubai não passava de uma miragem falsa onde
o dinheiro parecia nascer do mar e agora desapareceu naareia. O “homem” continua sendo uma grande “incógnita”em qualquer lugar onde esteja. jose avila
Crónicas do Perrexil
J.B.CastroAvila
Fundação Portuguesa 
 de Educação 
 
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COLABORAÇÃO
Nacompanhia
de São Martinho 
Tribuna da Saudade
FerreiraMoreno
O
dia 11 de Novembro assinala afesta litúrgica em honra de SãoMartinho.Até aqui, nada de novo. Noentanto, como há muitos São Martinhos,convém saber de quem se trata. P’ró de-vido esclarecimento, apresento o testemu-nho de Vitorino Nemésio incluído no seulivro “Jornal do Observador” (pgs. 187-190, Ed. 1974).“Pelo Martirológio Romano conto sete e,aliás, o livro omite o de Braga, tambémchamado de Dume. Entre eles, quatro bispos: de Tongres, de Vienne, de Tréves,de Tours; um papa, o primeiro do nome,mártir como o prelado de Augusta Trevi-sorum; o abade de Saintes e um diáconoe abade. Mas o que se festeja e interessaagora é o de Tours, o do gesto da capa ras-gada ao meio p’ra dar metade a um pobre.São Martinho é popular nas nossas para-
gens pelo Verão serôdio e pelos magustos.
Asceta e penitente, tornou-se paradoxal-mente como que o patrono dos bêbados,ou pelo menos dos pândegos”.
 Nemésio, depois de reectir na biograa
de S. Martinho, falecido em 397, concluique foi certamente a aura de santidade quelhe auferiu tamanha celebridade mundial.Seguidamente, Nemésio abre a pergunta:Mas será mesmo só este Martinho o queé festejado com castanhas a 11 de Novembro?Eis a resposta nemesiana: “Eu creio queà sua grande nomeada se veio sobrepor ade outro Martinho, o bracarense, abadede Dume, não longe da Brácara Augusta,quase dois séculos depois. Foi ele o autor de belos escritos morais compostos en-tre 561 e 573. A fama de S. Martinho deDume ultrapassou a do grande cenobitaS. Martinho de Tours, na disseminação de prodígios espirituais martinianos, que o povo galego-português se encarregaria deir misturando com práticas mais ou menos pagãs e de rotina antiquíssima (ritos decolheitas, mostos satíricos, superstições),até virem parar ao espicho do verdasco eao torno do maduro torrejão que rega ascastanhas do assador”.E Nemésio prossegue: “É ver a quantidadede terras e terreolas sob a invocação de S.Martinho que Portugal e Espanha têm, nacola das Saint-Martin de França. E a datade apelidos “Martins” (o que queria dizer,
na Idade Média, “lho de Martim”) que
enchem colunas e colunas das listas dosnossos telefones; muitos mais Martins queRodrigues, Fernandes, Simões, os outros patronímicos”.Assim, “desde São Martinho do Porto eSão Martinho da Cortiça, e São Martinhodo Bispo, até ao pequeno e alpestre São-Martinho de Anta, é um nunca acabar desão-martinhos de gente, não esquecendoainda que Martim e Martinho são formasdivergentes do mesmo prenome”.Àcerca de S. Martinho de Dume, arce- bispo de Braga, falecido em 579, conse-quentemente uma mão cheia de séculosantecedendo o estabelecimento da nacio-nalidade portuguesa, apraz-me transcre-ver as seguintes informações extraídas de“Butler’s Lives of the Saints”, Volume I,Edição 1988: “O historiador e hagiógrafoS. Gregório de Tours (538-594), nomea-do bispo de Tours em 573, considerou S.Martinho de Braga como um dos maioreseruditos do seu tempo. Após uma pere-grinação à Terra Santa, estabeleceu-se naGaliza, onde dominavam os Suevos e asheréticas doutrinas arianas, mas atravésda entusiástica pregação de S. Martinho aGaliza regressou ao Cristianismo.Tudo começou com a conversão do rei The-odomir e subsequente reconciliação entreArianos e Católicos renegados. Martinhoconstruiu vários mosteiros, destacando-seesse de Dume que serviu de centro p’rà suaevangelização de autêntico missionário.Era tanto o respeito e veneração dos mo-narcas suevos por S. Martinho que eles de-cidiram criar a sé episcopal de Dume (hojeMondoñedo), elegendo-o como primeiro bispo, adicionando ainda o título de Bispoda Família Real. No entretanto, Martinhomanteve sempre um espírito monástico,orientando os monges no cumprimento dedisciplina austera. Tempos depois, Marti-nho foi promovido à sé episcopal de Braga,com o título de metropolitano (arcebispo)de toda a Galiza.Além do seu notável trabalho como mis-sionário, Martinho prestou um brilhanteserviço à Igreja, distinguindo-se comoescritor. Entre as suas obras, salienta-seuma colecção de 84 cânones, merecendo particular referência a “Formula vitae ho-nestae” e “De correctione rusticorum”.A fechar, só tenho a acrescentar que S.Martinho faleceu em 579 no mosteiro deDume, e os seus restos mortais foram tras-ladados p’ra Braga em 1606. A sua festalitúrgica ocorre anualmente no dia 20 deMarço. Com respeito a ser natural da Pa-nónia (Hungria), aparentemente é simplesconjectura.
CORRECÇÃO
- No artigo da semana passada, no penúltimo parágrafo, ondese lê SANTA IRIA deve ler-se SANTARITA. As nossas desculpas.
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