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 Diário da República, 1.a série — N.o 14 — 19 de Janeiro de 2007 
encontrem a beneficiar de prestações de desemprego, coce e melhorar a qualidade das aprendizagens. É neces-os limites mínimo e máximo da coima são elevadossário, por isso, que o Estatuto da Carreira Docente dos para E 400 e E 2500, respectivamente, sem prejuízoEducadores de Infância e dos Professores dos Ensinosdo disposto no número seguinte.Básico e Secundário seja, antes de mais, um instrumento3 — Os montantes da coima previstos no númeroefectivo de valorização do trabalho dos professores eanterior são reduzidos para metade nas situações emde organização das escolas ao serviço da aprendizagemque a entidade empregadora fundamente o desco-dos alunos.nhecimento da situação através da apresentação deO Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de
uma das declarações previstas no artigo 2.o-C.
Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secun-4 — Sem prejuízo da responsabilidade criminal quedário (adiante designado abreviadamente por Estatutoao caso couber, as falsas declarações dos beneficiáriosda Carreira Docente), aprovado pelo Decreto-Leirelativas à sua situação perante o sistema de segurança
n.o 139-A/90, de 28 de Abril, e depois substancialmente
social, designadamente no âmbito da relação jurídica
alterado pelo Decreto-Lei n.o 1/98, de 2 de Janeiro, prestacional, previstas na alínea a)don.o 2do
cumpriu a importante função de consolidar e qualificar 
artigo 2.o-C, constituem contra-ordenações puníveis
a profissão docente, atribuindo-lhe o reconhecimentocom coima de E 100 a E 700.social de que é merecedora. Contudo, com o decorrer do tempo e pela forma como foi apropriado e aplicado,acabou por se tornar um obstáculo ao cumprimento da
Artigo 11.o-B
missão social e ao desenvolvimento da qualidade e efi-ciência do sistema educativo, transformando-se objec-
Sançãoacessória
tivamente num factor de degradação da função e daÀs entidades empregadoras que beneficiem da acti-imagem social dos docentes. Para tanto, contribuiu emvidade profissional de trabalhadores que se encon- particular a forma como se concretizou o regime detrem a receber prestações de desemprego, nos casos progressão na carreira que deveria depender do desen-em que não comuniquem a sua admissão aos serviçosvolvimento das competências e da avaliação de desem-de segurança social ou, tendo-o feito, não os incluam penho dos professores e educadores. Contudo, a formaçãonas declarações de remunerações, e tendo em contacontínua, em que o País investiu avultados recursos,a gravidade da infracção, pode ser aplicada, simul-esteve em regra divorciada do aperfeiçoamento das com-taneamente com a coima e por período até dois anos petências científicas e pedagógicas relevantes para ocontado a partir da decisão condenatória definitiva,exercício da actividade docente. Do mesmo modo, aa sanção acessória de privação do acesso a medidasavaliação de desempenho, com raras excepções apenas,de apoio à contratação e a regimes especiais de isen-converteu-se num simples procedimento burocrático,ção ou redução da taxa contributiva global.»sem qualquer conteúdo. Nestas condições, a progressãona carreira passou a depender fundamentalmente dodecurso do tempo, o que permitiu que docentes que
Artigo 3.o
 permaneceram afastados da actividade lectiva durante
Entrada em vigor
a maior parte do seu percurso profissional tenham che-
O presente decreto-lei entra em vigor no 1.o dia útil
gado ao topo da carreira.
do 2.o mês seguinte ao da sua publicação.
À indiferenciação de funções, determinada pelas pró- prias normas da carreira, veio associar-se um regimeVisto e aprovado em Conselho de Ministros de 9 deque tratou de igual modo os melhores profissionais e Novembro de 2006. — José Sócrates Carvalho Pinto deaqueles que cumprem minimamente ou até imperfei-
Sousa — Pedro Manuel Dias de Jesus Marques.
tamente os seus deveres. Nestes termos, não foi possívelexigir dos professores com mais experiência e maior Promulgado em 6 de Janeiro de 2007.formação, usufruindo de significativas reduções das suasPublique-se.obrigações lectivas e das remunerações mais elevadas,que assumissem responsabilidades acrescidas na escola.
O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.
Pelo contrário, permitiu-se até que as funções de coor-denação e supervisão fossem desempenhadas por docen-Referendado em 8 de Janeiro de 2007.tes mais jovens e com menos condições para as exercer.O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto deDaqui resultou um sistema que não criou nenhum incen-
Sousa.
tivo, nenhuma motivação para que os docentes aper-feiçoassem as suas práticas pedagógicas ou se empe-nhassem na vida e organização das escolas.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Por estes motivos, o Governo interpretou a neces-sidade de uma profunda alteração do Estatuto da Car-reira Docente como um imperativo político que cumpre
Decreto-Lei n.o 15/2007
através do presente decreto-lei. Em primeiro lugar, tra-ta-se de promover a cooperação entre os professores
de 19 de Janeiro
e reforçar as funções de coordenação, pois o seu tra- No Programa do XVII Governo Constitucional rea-balho, para que produza melhores resultados, não podefirma-se a noção de que os educadores e professoresser atomizado e individualizado. Sendo impossível orga-o os agentes fundamentais da educação escolar.nizar as escolas com base na indiferenciação, é indis-O trabalho organizado dos docentes nos estabelecimen-pensável proceder à correspondente estruturação da car-tos de ensino constitui certamente o principal recursoreira, dotando cada estabelecimento de ensino de umde que dispõe a sociedade portuguesa para promovercorpo de docentes reconhecido, com mais experiência,o sucesso dos alunos, prevenir o abandono escolar pre-mais autoridade e mais formação, que assegure em per-
 
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Diário da República, 1.a série — N.o 14 — 19 de Janeiro de 2007 
manência funções de maior responsabilidade e que cons- prova de avaliação de conhecimentos, enquanto requi-titua uma categoria diferenciada. Em todas as outrassito pvio à candidatura aos procedimentos de recru- profissões mais qualificadas e designadamente nas quetamento de pessoal docente, e estabelecem-se novasconstituem corpos especiais da Administração Pública,regras para a observância de um período probatório,a norma é a diferenciação, expressa em categorias fun-realizado sob supervisão e acompanhamento de um pro-cionais, às quais estão geralmente associadas dotaçõesfessor mais experiente.específicas nos respectivos quadros de pessoal. Em con-Para além da alteração do Estatuto da Carreiraformidade com estes princípios, a carreira docente pas-Docente, o presente decreto-lei altera o regime jurídicosará a estar estruturada em duas categorias, ficandoda formação contínua de professores, de modo a asse-reservado à categoria superior, de professor titular, ogurar que a formação não só não prejudica as actividadesexercício de funções de coordenação e supervisão.lectivas, mas contribui efectivamente para a aquisiçãoPara acesso a esta categoria, estabelece-se a exigênciae desenvolvimento de competências científicas e peda-de uma prova pública que, incidindo sobre a actividadegógicas que sejam relevantes para o trabalho dos docen- profissional desenvolvida, permita demonstrar a aptidãotes e particularmente para a sua a actividade lectiva.dos docentes para o exercício das funções específicasSem prejuízo dos objectivos enunciados, contempla-seque lhe estão associadas.um regime transitório de integração na nova estruturaSendo indispensável estabelecer um regime de ava-da carreira que tem em consideração os direitos dosliação de desempenho mais exigente e com efeitos nodocentes que nela se encontram providos.desenvolvimento da carreira que permita identificar,Foram observados os procedimentos decorrentes da promover e premiar o mérito e valorizar a actividade
Lei n.o 23/98, de 26 de Maio.
lectiva, o presente decreto-lei introduz um novo pro-Assim:cedimento que, tendo em conta a auto-avaliação do
 No desenvolvimento da Lei n.o 46/86, de 14 de Outu-
docente, não assenta exclusivamente nela. Nesse pro- bro (Lei de Bases do Sistema Educativo), alterada pelascedimento, a responsabilidade principal pela avaliação
Leis n.os 115/97, de 19 de Setembro, e 49/2005, de 30
é cometida aos coordenadores dos departamentos cur-
de Agosto, e nos termos da alínea c)don.o 1do
riculares ou dos conselhos de docentes, assim como aos
artigo 198.o da Constituição, o Governo decreta o
órgãos de direcção executiva das escolas que, para aseguinte:atribuição de uma menção qualitativa, terão de basear-senuma pluralidade de instrumentos, como a observaçãoCAPÍTULO Ide aulas, e de critérios, entre os quais o progresso dosresultados escolares dos alunos, ponderado o contexto
Disposições gerais
sócio-educativo. No sentido de assegurar que se trata de uma avaliação
Artigo 1.o
efectivamente diferenciadora, determina-se, em termossemelhantes aos do regime aplicável aos funcionários
Objecto
e agentes da Administração Pública, a existência de cincomenções qualitativas possíveis e uma contingentação dasO presente decreto-lei altera o Estatuto da Carreiraduas classificações superiores que conferem direito ados Educadores de Infância e dos Professores dos Ensi-um prémio de desempenho. Os resultados da avaliaçãonos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei
n.o 139-A/90, de 28 de Abril, alterado pelos Decretos-
serão expressos bienalmente e, portanto, não estarãoassociados aos momentos de possível progressão na car-
-Leis n.os 105/97, de 29 de Abril, 1/98, de 2 de Janeiro,
reira, nem por isso deixando de ter efectivas consequên-35/2003, de 17 de Fevereiro, 121/2005, de 26 de Julho,cias para o seu desenvolvimento.229/2005, de 29 de Dezembro, e 224/2006, de 13 deA definição de um regime de avaliação que distingaNovembro, bem como o regime jurídico da formaçãocontínua de professores, aprovado pelo Decreto-Leio mérito é condição essencial para a dignificação da
n.o 249/92, de 9 de Novembro, e alterado pelos Decre-
 profissão docente e para a promoção da auto-estima
tos-Leis n.o s 207/96, de 2 de Novembro, e 155/99, de
e motivação dos professores, satisfazendo desse modo10 de Maio.um dos objectivos expressos no Programa doXVII Governo Constitucional. Para o mesmo fim concorrea integração no Estatuto da Carreira Docente de uma
Artigo 2.o
nova codificação de direitos e deveres que consagra,
Alteração ao Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância
em termos inovadores, os direitos à colaboração, à con-
e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário
sideração e ao reconhecimento da autoridade dos pro-fessores pelos alunos, suas famílias e demais membros
Os artigos 1.o,2.o,4.o,5.o,8.o,9.o , 10.o, 11.o, 12.o ,
da comunidade educativa, e especifica os seus deveres
13.o, 14.o, 15.o, 17.o, 22.o, 23.o, 24.o, 25.o, 26.o , 27.o , 28.o ,
relativamente aos diferentes agentes e parceiros dessa
30.o, 31.o, 32.o, 34.o, 35.o, 36.o, 37.o, 38.o, 39.o , 40.o , 41.o ,
comunidade. No respeito dos direitos laborais dos
42.o, 43.o, 44.o, 45.o, 46.o, 47.o, 48.o, 49.o, 54.o , 56.o , 57.o ,
docentes, estabelecem-se também regras mais exigentes
59.o, 61.o, 62.o, 63.o, 64.o, 65.o, 66.o, 67.o, 68.o , 69.o , 70.o ,
no sentido do cumprimento integral das actividades
71.o, 72.o, 73.o, 74.o, 76.o, 77.o, 78.o, 79.o, 80.o , 82.o , 83.o ,
lectivas.
84.o, 85.o, 86.o, 87.o, 91.o , 94.o, 100.o, 101.o, 102.o, 103.o ,
As alterações introduzidas pelo presente decreto-lei
108.o, 109.o, 110.o, 111.o, 115.o, 119.o , 132.o, 133.o, 134.o
e 135.o, todos do Estatuto da Carreira dos Educadores
no Estatuto da Carreira Docente visam ainda estabe-lecer condições mais rigorosas para o ingresso na car-de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e
Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 139-A/90,
reira, assegurando que aqueles que obtêm provimento
de 28 de Abril, alterado pelos Decretos-Leis n.os 105/97,
definitivo em lugar do quadro preenchem, sem margem para dúvidas, todos os requisitos para o exercício dade 29 de Abril, 1/98, de 2 de Janeiro, 35/2003, de 17 profissão docente. Com esse objectivo, introduz-se umade Fevereiro, 121/2005, de 26 de Julho, 229/2005, de
of 00

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