desenvolvimento, a saúde e a sobrevivência de muitas vítimas. As vítimas sesentem indefesas, vulneráveis, com medo e vergonha, o
que favorece orebaixamento de sua auto-estima e a vitimização continuada e crônica.Em todo o
mundo milhões de estudantes deixam de comparecer às aulas por medo de sofrer
bullying.
Somente nos Estados Unidos, 160
mil
estudantes nãocomparecem
(página 9)
às aulas diariamente por causa do
bullying.
No Brasil, nãotemos dados quantitativos que nos possibilitem esse conhecimento, porém sabemosque o
índice de absentismo e alto. O
bullying
interfere no processo de aprendizageme no desenvolvimento cognitivo, sensorial e emocional. Favorece o
surgimento deum clima escolar de medo e insegurança, tanto para aqueles que são alvos comopara os que assistem calados às mais variadas formas de ataques. O baixo nível deaproveitamento, a dificuldade de integração social, o
desenvolvimento ouagravamento das síndromes de aprendizagem, os altos índices de reprovação eevasão escolar têm o
bullying
como uma de suas causas.Essa forma de violência, muitas vezes interpretada como "brincadeiraspróprias da idade", traz uma série de prejuízos, que se refletem não apenas noprocesso de aprendizagem e socialização, mas, sobretudo, na saúde do indivíduo.Diariamente, milhares de estudantes em nosso país procuram atendimento medicoapresentando sintomas psicossomáticos - dores de cabeça e de estomago, febre,diarréia, vômitos, alergias, taquicardia -, transtornos do sono e do apetite, estresse,depressão, além de inúmeras doenças, inclusive de ordem psiquiátrica.Muitos daqueles que são vítimas de
bullying
por um período prolongado detempo manifestam tendências suicidas ou dão cabo à própria existência. Outrostantos reproduzem a vitimização contra terceiros ou integram-se às gangues com ointuito de revide. Alguns, após anos de sofrimentos, chegam ao limite de suas forçase, não suportando mais as humilhações que lhes são imputadas, entram armados naescola, protagonizando grandes tragédias.Nos Estados Unidos, dos 37 tiroteios que ocorreram em escolas, dois terçosdos autores cometeram seus crimes como vingança por causa da vitimização
bullying.
Columbine e Virgínia Tech são exemplos de instituições onde o
bullying
levou a conseqüências lamentáveis. Em ambos os casos, os protagonistas eramridicularizados na escola e excluídos do convívio social. Ao todo, foram 45 mortos edezenas de feridos, além de inúmeros traumatizados necessitando deacompanhamento psicológico (ver a resposta à pergunta 39, no Capitulo 3). NoBrasil, o
bullying
foi responsável pela tragédia de Taiúva, pacata cidade do interior paulista, onde um jovem obeso foi motivo de chacota durante toda a sua vidaacadêmica. Não suportando mais as humilhações, ele abriu fogo contra
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estudantes que estavam no pátio de recreio, feriu seis deles, a vice-diretora daescola e um funcionário, suicidando-se em seguida (ver a resposta à pergunta 40,no
Capi
tulo 3). Também em Remanso, no interior baiano, um jovem matou duaspessoas e feriu três, em decorrência de anos de ridicularizarão. Sua intenção erasuicidar-se, porém foi possível desarmá-lo.Muitos
bullies
(aqueles que praticam
bullying),
sejam meninos ou meninas,demonstram desde a infância suas habilidades de intimidação. Com o
passar dotempo, e sem intervenção, esse comportamento se fortalece e solidifica,comprometendo a aprendizagem de valores humanos, como a tolerância, asolidariedade, o
respeito às diferenças, a compaixão. Vários, quando adultos,praticam a violência doméstica e o
assédio moral no trabalho. Outros se envolvemem delinqüência, usa de drogas e criminalidade.Alguns fatores propiciam o
bullying,
sua banalização e legitimização: atitudes
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