Produto: ESTADO - ESPECIAL - 2 - 31/12/03 CompositeH2 -Produto: ESTADO - ESPECIAL - 2 - 31/12/03 CompositeH2 -
ANAPAULASCINOCCA,CIDAFONTESeELIZABETHLOPES
O
smaioresdesafiospolíti-cos do governo Lula em2004, após a aprovaçãodas reformas e a consolidaçãodo ajuste fiscal, estarão fora doCongresso. A sociedade vai co-braros resultados da tão anun-ciada recuperação da econo-mia, com crescimento e gera-çãodeempregos,alémdeinves-timentos na área social. E o de-sempenho do segundo ano daadministração será fundamen-tal no primeiro teste eleitoraldogoverno,comaseleiçõesmu-nicipaisem outubro.A estratégia do PT é elegermais de 400 prefeitos para setornarumpartidomaisrobustoecompetitivoesemanternopo-derem2006,naspróximaselei-çõespresidenciais.Porenquan-to,naopiniãodocientistapolíti-co e professorda UniversidadeFederal de Minas Gerais(UFMG) Fábio WanderleyReis,opartidoaindaestáemfa-sede aprendizado.Reiselogiaaatuaçãoortodo-xa na economia, mas adverteque será preciso conciliar essapreocupação com a agenda so-cial. Essa é uma marca, lembraele, que levou o partido ao co-mando do País. “Agora, o PTtem de fazerisso (
buscar resul- tados na macroeconomia
) semabandonar oque deu mar-ca ao partido.Ograndedesa-fio será o pró-prio PT man-ter a fidelida-de aos objeti-vos”,diz.Enquanto oPT pretendese firmarpoli-ticamente nosegundo anode governo, aoposição ten-tará mostrarque ainda é alter-nativa de poder. Acuado pelodiscurso pró-reformas que tevede assumir em 2003, o PSDBpromete sair desse embaraçopara assumir um comporta-mento mais oposicionista. En-traoanorevigoradocomaelei-ção de JoséSerra para ocomando dopartido,justa-menteoadver-sário de Lulana sucessãopresidencial.Uma referên-cia nacional,Serra podedar novo ru-mo ao PSDB,a d o t a n d ouma condutamaiscríticaeconsistente.“Mesmo com erros, o gover-no Lula ainda é uma alternati-va melhor do que o retorno doPSDBePFLaopoder”,dizolí-derdogovernonaCâmara,Al-do Rebelo (PC do B). Ele achaqueogovernoconseguirágerarempregos e investir neste ano.Isso se reverteria em votos. “Aeconomia ainda não está commusculatura suficiente paracorrer uma maratona”, provo-ca o deputado tucano EduardoPaes(RJ),certodequeogover-noagirá com cautelana econo-miaparanãopôremriscoaree-leiçãodeLula em2006.Para enfrentar o PSDB e oPFL nas urnas e se aproximarmais do centro político, o PTvaipegarcaronanoPMDB,de-tentordamaispoderosamáqui-napartidáriaequeapartirdes-te mês deve participar do pri-meiro escalão. Poderão ocorreracordoseleitoraiscomoumado-bradinhaPT/PMDBparaaree-leição da prefeita Marta Su-plicy, ou uma chapa do petistaPedroWilson,prefeitodeGoiâ-nia, com o deputado Luiz Bit-tencourt,doPMDB.
Reformas
– O presidente doPT,JoséGenoino,jáestáatuan-do nos bastidores para evitardisputas internas e, em segui-da, tentará ampliar a aliançacom os partidos aliados. “Sehouverguerralocal,vamosevi-tarquerespinguenaaliançana-cional”,dizele,ressaltandoqueas alianças só serão discutidasnoprimeirosemestredesteano.Paralelamente às aliançaseleitorais, o Congresso teráumaagendamenos traumáticaetrabalhosaem2004.Adiscus-são da reforma política estaráconcentrada na Câmara, massó entrará em vigor em 2006.“Nada será feito para pôr emrisco o que o governo consoli-dou na sua base política”, disseo deputado Paulo Rocha (PT-SP).Umtemapolêmicoéaree-leiçãodospresidentesdaCâma-ra e Senado, que desagrada aoPTe aosdemais partidos.A data do envio das refor-mas trabalhista e sindical é ou-tro tema sem convergência.Umaidéiaécuidardapartesin-dicalnesteano, deixandoosdi-reitos trabalhistas para depois.Outraédeixartudopara2005.Outrosprojetos,comoomar-coregulatórioeleidefalências,têm interesses na economia,mas não geram confrontos in-ternos. “Será um ano politica-mente melhore o governo terácondiçõesdefazerrealizações”,prevê o vice-líder do governona Câmara, Renildo Calheiros(PCdoB-PE).
A
s eleições municipais de2004 serão uma dasmaisdisputadasdosúlti-mostemposeasforçasquederi-varem do pleito deverão pavi-mentar o caminho das próxi-mas eleições presidenciais. Umdosprincipaispalcosseráacapi-tal paulista. OPT joga todas asfichas para garantir a reeleiçãoda atual prefeita, Marta Su-plicy, e a oposição – capitanea-da pelo PSDB do governadorGeraldo Alckmin – aposta nasalianças para vencer no maiorcolégioeleitoraldo País.Segundo a socióloga e analis-ta de pesquisas eleitorais Fáti-ma Pacheco Jordão, apesar daimportânciadopleito,sóumter-ço do eleitorado sabe hoje emquem votará para prefeito. “Oquadroestátotalmenteindefini-do”, afirma Fátima. De acordocomela,umadasnovidadesnes-saseleiçõeséque,aoladodaho-nestidade e da probidade admi-nistrativa dos candidatos, a re-novação é considerada essen-cial. “Onovo terá muitas chan-ces e não assusta mais”, aposta.Aseguir, a entrevista.
Estado – Qual o peso dodesempenho do governo fe-deral no próximo pleito mu-nicipal?Fátima Pacheco Jordão
–Vai ser menor do que se pen-sa. Menordo que o PSDB temesperança que seja, em ter-mos de mau desempenho. Emesmo que vá muito bem, co-mo deseja o PT, não será tãodecisivo. O que vai decidir defato é a performance dosatuais prefeitos e a maneiracomo irão propor o futuro dacidade. Os problemas locaissão os problemas reais. E oseleitores querem soluções bas-tantes concretas para a cida-de onde residem.
Estado – Como a senhoraclassifica a proposta doatual presidente do PSDB,José Serra, de federalizar odebate das eleições munici-pais?Fátima
– Acho que não vaifuncionar. É uma estratégiaequivocada. A federalizaçãonão funciona num pleito mu-nicipal,poisos debatese osan-seios dos eleitores são muitolocalizados. O que se pode fa-zeré um background federali-zado. Ou seja, utilizar o fede-ral apenas como referência,com o objetivo de discutir osproblemas locais.
Estado – Qual a impor-tância de São Paulo nessaseleições?Fátima
– A cidade de SãoPaulo é muito estratégicaporque as forças que se origi-narem desse pleito deverãopavimentar o caminho daseleições presidenciais de2006. Caso o PT consigamanter a performance daseleições municipais de 2000ou até melhorar o desempe-nho, crescem as condições dereeleição do presidente Lula.
Estado – E quais as condi-ções de o PT repetir, no anoque vem, a boa performancedas eleições de 2000?Fátima
– OPT entra com asmelhores condições possíveis.Nãotenhadúvidadisso.Caberáà oposição encontrar, de um la-do,asaliançasnecessáriasaesseembatee,deoutro,buscarcandi-datos que tenham condições deconstruir alternativas locais. Aestratégia que o PT pretendeadotarnesse pleito – de manteras atuais prefeituras que admi-nistra e conquistar outras cida-des estratégicas – está absoluta-mentecorreta.Foiessabasequedeumaisestabilidadeàcandida-turadeLulaàPresidência.
Estado – Apesar do motelocal, qual a importância dafigura do presidente Lulanesse pleito?
Fátima
– A personalidadedele é muito forte e o Lula estámuito bem avaliado pessoal-mente nas pesquisas, mais bemavaliado doque suaprópria ad-ministração,comíndicedeapro-vação em torno dos 70%. Comtodoessecarisma,alógicaéquefaça um tour pelo País, emapoioaseuscandidatos.Apesardeos assuntos serem locais, se opresidente mantiveros mesmosíndices deaprovação,cer-tamentevaifa-vorecer seupartido.
Estado –U m a d a sapostas doPT é a reelei-ção da prefei-ta Marta Su-plicy, na ca-pital paulis-ta. Qual asua análisedo desempenho da prefeita?Fátima
– A Marta em SãoPaulo não está bem avaliada.Apesardisso, ela tem um esto-que de votos de 20%a 25%, oque lhe dá boas chances de es-tarnosegundoturnodadispu-ta. Portanto, ela é uma candi-data muitíssimo forte.
Estado – O fato de o PS-DB ainda não ter um candi-dato em São Paulo pode pre- judicar a performance dopartido?Fátima
– Se o candidatofor escolhido como no passa-do,às vésperas daseleições, is-so será uma tragédia. E podeinfluirnegativamente.
Estado – Afigura do gover-nador Geraldo Alckmin po-derá ter alguma influência?Fátima
–Pode ter umpeso impor-tante, sobre-tudo porqueesse governotem, na cida-de,oquemos-trar. OPSDBnão está tãodesvalido.Mas precisater cautelacomasindefi-nições e bri-gas internas.Outros candidatos da oposi-ção também podem aparecer.Pinotti (
José Aristodemo, do PFL
) é um deles. Ele aparececom 5 a 6 pontos de intençãode votos nas pesquisas maisrecentes. Tuma (
senador Ro- meu Tuma, também do PFL
)tem cerca de 10. Erundina(
Luiza Erundina, do PSB
), no-me alternativo, tem entre 12 e17. O jogo não está ganho co-mo o PT pensa.
Estado – O que o eleitorespera de um candidato naseleições de 2004?Fátima
– A ética e a probi-dade administrativa aindasão imbatíveis. São qualida-des que nunca saem de pauta.O que poderá ocorrer é o focona questão da Segurança Pú-blica (mesmo as políticas dosetorsendo de responsabilida-de dos governo estadual e fe-deral).
Estado – Além dessas qua-lidades, o que mais o eleitorespera nessas eleições?Fátima –
O eleitoradoaposta na renovação. A po-pulação aprendeu muito nes-se processo e está buscandocoisas novas. O novo temchances nessas eleições e nãoassusta mais.
Estado – Com base nessaanálise, pode-se dizer que opleito municipal de 2004 es-tá totalmente indefinido?Fátima –
Sem dúvida. Pes-quisas recentes indicam queapenas um terço dos eleito-res escolhem espontanea-mente algum candidato. Emresumo, o quadro está total-mente indefinido para qual-quer candidato. Há tendên-cias, é claro, mas muita coi-sa pode acontecer até outu-bro.
(A.P.S. e E.L.)
Add a Comment