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Bloco 2: Ficção cavaleiresca e bucólica. Trânsito para o Barroco Literatura portuguesa II 
2009/2010USC1
1. Géneros1.1. Novela de cavalarias
Giram à volta das aventuras dum cavaleiro, com cenas de amor e cenas deluta. No século XVI continua a ter sucesso
 Amadis de Gaula
ou obras inspiradas nele(
ciclo dos amadises
), mas também destaca o herói Palmeirim (
ciclo dos palmeiríns
).
1.2. Novelas sentimentais e amorosas
Estão baseadas sobre tudo na literatura italiana.
1.3. Novelas pastoris ou bucólicas
Começam neste momento e florescem no
Barroco
. Têm uma grandeinfluência da
literatura italiana
e também da
greco-latina
(Virgílio, Teócrito).Misturam a atenção pormenorizada a um cenário
primaveril
com cenas de
amor
.***
O desafio venturoso
é uma obra que supõe uma mistura dos três géneros.
1.4. Prosa moralista
1)
Cultivadores
:a)
Religiosos
, em especial pertencentes à Ordem dos Jerónimos.b)
Laicos
.2)
Influência
da
prosa moralista
da literatura
espanhola
:
Santa Teresa deJesus
.3)
Autores
:a)
Heitor Pinto
:
 Imagem da vida cristã
, obra em que se descreve o modelo dedoutrina a seguir pelos fieis. Teve uma influência considerável.b)
Amador Arrais
:
 Diálogos
.c)
Samuel Usque
1
:
Consolação das tribulações de Israel 
, obra com afinalidade de
consolar
os
 judeus
(expulsos de Espanha e de Portugalnaquela altura).
2. Autores2.1. Francisco Rodrigues Lobo2.1.1. Vida
É oriundo duma família de
cristãos novos
e forma-se em
direito
naUniversidade de Coimbra. Tem escrito dedicações a figuras importantes da politicaportuguesa da altura, mas
não
tem constância de que desempenhasse nenhum cargo
politico
. Tornou-se uma
figura mítica
por causa da sua
morte
no
Tejo
em estranhascircunstâncias, quando realizava uma viagem de Santarém a Lisboa.
2.1.2. Obra
2.1.2.1. Características gerais
1)
Influências
que recebe:a) Camões.
1
Era dono duma imprensa de Ferrara, na que também se editou
 Menina e moça
de Bernardim Ribeiro.
 
Bloco 2: Ficção cavaleiresca e bucólica. Trânsito para o Barroco Literatura portuguesa II 
2009/2010USC2
b) Góngora.2) É um autor
prolífico
e muito reapresentativo do Barroco, já que cultiva umagrande variedade de
géneros
:a)
Novela pastoril
.b)
Poesia bucólica
:

Éclogas
.

Romances
.c)
Poesia épica
.d)
Prosa didáctica
.3) É uma figura
ambigua
no que se refere à língua já que por uma parte amostra-se
nacionalista
e defensor do uso do português, mas por outra inicia e terminaa sua carreira com obras em
castelhano
. É preciso não olvidar que escrevedurante a
monarquia filipina
ou dualista, um momento no que era habitual obilinguismo entre os autores portugueses.
a)
Obras com elementos
nacionalistas
:
 A primavera
(crítica a Jorge deMontemor) ou
O condestabre.b)
Obras
não nacionalistas
:
 Jornada de Filipe II em Portugal 
(apologia damonarquia filipina)
 
2.1.2.2. Obras
1)
Primera y segunda parte de los romances 
:c)
Contido
:

É uma
colecção de romances
do gosto da época.

Abre-se com uma
carta aos romancistas portugueses
em que osconvida a escreverem romances e publica-los para
rivalizarem
com os
espanhóis
. Nessa carta faz referência a autores que considera os seusmestres: Sá de Miranda e Camões.

Composições predominantes
:

Romances mouriscos, ambientados em Al-Andalus, na culturamoçárabe.

Romances pastoris, de temática amorosa.

Personagens: destaca
Lereno
, um pastor que se considera um
 alter ego
 do autor por várias razões:

O
nome
de Lereno procede de
Leiria
, cidade de origem do autor.

Evoca
 
Leiria
e o rio
Lis
, da terra natal do autor, em muitas ocasiões.d)
Intertextualidade
:

Pastorelas
da literatura galego-portuguesa medieval.

Serranilhas
da literatura castelhana.e)
Difusão
: tem várias
reedições
, é um género que também se cultivava em
Castela
na época.2)
A primavera 
:a)
Estrutura
: é uma trilogia:

 A primavera
 ,
primeiro volume e o que lhe dá título à trilogia.
 

O pastor peregrino
.
 

O desenganado
.b)
Contido
:

Novela muito
bucólica
.
 
Bloco 2: Ficção cavaleiresca e bucólica. Trânsito para o Barroco Literatura portuguesa II 
2009/2010USC3

Importância da
 paisagem
, em especial da região da Beira litoral e daEstremadura portuguesa.

Tema da mudança
(amor > desamor), típico do género e simbolizadocom o rio (Tejo, Lis).c)
Língua
:
abandona
o
castelhano
, um feito que explica por uma razão denacionalismo a través da boca de
Lereno
(outra razão para considera-lo umalter ego do autor). Mesmo
critica
os
autores portugueses
que escrevemem castelhano (como Jorge de Montemor, autor de
 La Diana
)d)
Forma
:

Prosa
com
 composições poéticas
inseridas na novela que são cantadaspor
Lereno
(
Cantor do Lis
), ao que lhe é atribuído o status de herói.

Alternância entre a
medida velha
(mais popular) e a
medida nova
 (sonetos, elegias, canções...).3)
Éclogas
(10)
:a)
Influências
:

 As bucólicas
de
Virgílio
.

Camões
, a quem chega a parafrasear.b)
Forma
:
diálogo
entre pastores.c)
Contido
:

Temática diversa
, mas destaca a
amorosa
.

É frequente a aparição duma
personagem disfarçada de pastor
quegeralmente foge da corte por algum desengano amoroso.

Compromisso com a
vida no campo
como
modus vivendi
. Destaca afigura do
 rústico filósofo
, quer dizer, a consideração dos pastores comopessoas sabias por natureza e do seu modo de vida em contacto com a
natureza
como uma
idade de ouro
, longe da ambição e da cobiça.

Critica
ao
 auto-odio
dos portugueses, ligada ao espírito nacionalista.

Importância da
paisagem
(bucólica, rural). Aparece reflectido o centrode Portugal e a sua terra natal.4)
Épica:
O condestabre de Portugal Nuno Álvares Pereira 
:a)
Influências
:
Camões
.b)
Contido
:

Canta as glórias de
Nuno Álvares Pereira
, o herói da batalha de
Aljubarrota
(1385) e fundador da Casa de
Bragança
2
.

Tem um espírito
nacionalista
, de
reivindicação
da
independência
 nacional (num momento de dominação castelhana
3
).
2
Nuno Álvares Pereira foi o máximo apoio de D. João (filho ilegítimo de D. Fernando) na batalha deAljubarrota.Naquela altura, após a morte de
D. Fernando
, a independência de Portugal estava em perigo, já que a filhado rei,
D. Beatriz
, casara com o rei castelhano
D. Juan I
. No trono de Portugal estava a rainha regente
Leonor Teles
, mãe de D. Beatriz e viúva de D. Fernando, quem tinha a pretensão (junto com a sua filha e oseu genro) de unificar os reinos de Castela e Portugal, apoiada pela alta nobreza. Porém, a baixa nobreza e opovo não aprovavam isto e, liderados por
D. João
, lutaram pela independência, que conseguem e 1385 aoganhar a
batalha de Aljubarrota
.Considera-se
Nuno Álvares Pereira
o fundador da casa de Bragança já que a sua
filha
,
D. Beatriz
, casoucom um filho ilegítimo de D. João chamado
Afonso
, que foi o
primeiro duque de Bragança
.
3
As
dinastias
que houve em Portugal foram:1. Borgonha (Afonso Henriques D. Fernando)2. Avis (D. João I [filho de D. Pedro I]).3. Filipina (Filipe I, Filipe II e Filipe III)
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