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A inconstitucionalidade do artigo 11 da LRF

A inconstitucionalidade do artigo 11 da LRF

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A INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 11 DA LRF (LC n. 101/2000)
1
 
Rogério Roberto Gonçalves de Abreu
2
 No exato teor de seu artigo 1.º, diz a Lei de Responsabilidade Fiscal (LeiComplementar n.º 101, de 04 de maio de 2000) ser seu objetivo principalestabelecer
“normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade nagestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição” 
, dizendo, nosrespectivos parágrafos, que tal responsabilidade na gestão fiscal
“pressupõe a ação
planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de 
afetar o equilíbrio das contas públicas” 
, aplicando-se a todas as entidades da União,dos Estados e dos Municípios.De fato, a Lei de Responsabilidade Fiscal visa, através de cogentesdisposições normativas de caráter nacional, obrigatórias a todos os entes estatais,sua administração direta e indireta, impor aos poderes públicos a adoção de umapolítica financeira voltada para a obtenção e manutenção do equilíbrio das contaspúblicas, abandonando-se a velha e viciosa prática de gastar mais dinheiro do que éarrecadado, sempre deixando a
“conta” 
para administrações posteriores, numafranca demonstração de péssima gestão administrativa. A educação do gestorpúblico em matéria financeira consiste em um dos objetivos das leis deResponsabilidade Fiscal e Crimes Financeiros, leis que tanta polêmica vêm causadocom seus rígidos dispositivos e severas punições.Entretanto, conquanto seja de fácil constatação a ótima intenção da Lei deResponsabilidade Fiscal, impossível negar que seus objetivos não podem seratingidos através da vulneração do texto constitucional que lhe dá supedâneo efundamentação, uma vez que se estaria negando a própria segurança jurídica
1
Última atualização: maio/2004.
2
Mestre em direito econômico pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Especialista em direitofiscal e tributário pela Universidade Cândido Mendes (UCAM/RJ). Juiz federal substituto na Paraíba.Professor de direito penal do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
 
 
2
 conferida pela Constituição Federal como corolário à adoção de um EstadoDemocrático de Direito. E a discussão constitucional encontra lugar na análise dedita lei em razão de nela se haver inserido, conforme se pretende demonstrar,dispositivo de flagrante inconstitucionalidade.Pode-se apreender da simples leitura do artigo 1.º da LRF, acimaparcialmente transcrito, ter a mesma, por amparo constitucional, as normas contidasno Capítulo II do Título VI do texto constitucional federal,os quais tratamprecisamente
“Das Finanças Públicas” 
, estabelecendo, em sua Seção I, disposiçõesacerca da elaboração de
normas gerais em matéria de finanças 
, bem como, em suaSeção II, normas diretoras para a elaboração dos
orçamentos públicos 
nas diversasesferas administrativas. Do conjunto de tais dispositivos é que se extrai ofundamento constitucional para a elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal,exatamente como afirmado em seu artigo introdutório.Tratando-se a LRF de uma lei complementar, e tendo aplicação direta a todosos entes da federação, fácil é concluir que se cuida de lei instituidora de
normas gerais em matéria financeira 
, nos moldes do que prelecionam os artigos 163 e 165, §9.º, da Constituição Federal. Por outras palavras, a Lei Complementar n.º 101, de 04de maio de 2000, tem seu fundamento constitucional nos dois dispositivosconstitucionais citados, os quais prevêem a adoção de lei complementar para aregulamentação de matérias cuja aplicação deve se estender a todos os entesestatais e, por isso mesmo, conhecidas pelo designativo de
normas gerais.
A Lei que atualmente estabelece normas gerais em matéria financeira é a Lein.º 4.320, de 17 de março de 1964. Trata-se de lei ordinária em sentido formal, eisque elaborada sob os moldes do processo legislativo ordinário ao tempo em que oordenamento constitucional pátrio não contemplava a espécie normativa da leicomplementar. Tal diploma fora recepcionado pela atual Carta Magna, não como leicomplementar (contrariando a doutrina de alguns), mas como lei ordinária cujamatéria somente pode ser tratada, sob a vigência da atual Constituição Federal, porlei complementar e, assim, a alteração da Lei n.º 4.320/64 apenas pelo processolegislativo qualificado (complementar) pode ser feita.
 
 
3
 A Lei de Responsabilidade Fiscal aparece, assim, como norma de ajuste,reforma e complementação ao modelo preconizado pela Lei n.º 4.320/64,introduzindo no ordenamento jurídico brasileiro
normas gerais em matéria financeira 
,igualmente baseadas no Capítulo II do Título VI da Constituição Federal. Mas surgea seguinte pergunta: por que tanta ênfase ao fundamento constitucional de ditasleis? A resposta é imediata: serão tais normas constitucionais que, atribuindo acompetência para a elaboração das normas gerais, ditarão os limites em quedeverão se pautar os legisladores na elaboração de tais normas. A extrapolaçãodesses limites constitucionais pelo Poder Legislativo implicará em contaminação doproduto legislado pela inexpugnável eiva da inconstitucionalidade.Analisando-se o teor dos dispositivos constitucionais contidos no Capítulo IIdo Título VI da Constituição Federal, precisamente onde preconizam a elaboraçãode normas gerais em matéria de finanças públicas, depara-se com seu artigo 163, oqual arrola, em seus incisos, as matérias sobre as quais deverá versar a leicomplementar editada pelo Congresso Nacional como fonte de normas geraisendereçadas a todos os entes estatais. Tal lei complementar haverá de tratar,segundo disposição constitucional, de finanças públicas, dívida pública interna eexterna, concessão de garantias por entidades públicas, emissão e resgate de títulosda dívida pública, dentre outras expressamente elencadas.Por sua vez, o artigo 165, § 9.º, da Carta Magna diz caber à LeiComplementar
“dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a
elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e 
da lei orçamentária anual” 
, bem como
“estabelecer normas de gestão financeira e
patrimonial da administração direta e indireta, bem como condições para a 
constituição e funcionamento de fundos” 
. Ambos os dispositivos acima citadostraçam, na Constituição Federal, competências em matéria de direito financeiro,exigindo sua exegese em consonância com o respectivo artigo 24, I e § 1.º, o qualpreconiza competência concorrente dos entes federativos para a edição de normaslegais sobre direito financeiro, cabendo à União, em tal competência concorrente,apenas o estabelecimento das chamadas
normas gerais 
.Por normas gerais é curial entender sejam aquelas que, por sua naturezaampla, pela importância da unificação normativa no que atine ao regramento

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