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Conflitos - Livre iniciativa - Livre concorrencia - Intervencao no dominio economico

Conflitos - Livre iniciativa - Livre concorrencia - Intervencao no dominio economico

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Exame sobre temas relacionados à livre iniciativa, livre concorrência e à intervenção no domínio econômico.
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LIVRE INICIATIVA, LIVRE CONCORRÊNCIA E INTERVENÇÃO DO ESTADONO DOMÍNIO ECONÔMICO
Rogério Roberto Gonçalves de Abreu
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1. INTRODUÇÃO: O JULGAMENTO DO RE 422941
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DESTILARIA ALTOALEGRE X UNIÃO.
No final do ano de 2005, o Supremo Tribunal Federal terminou o julgamento de um interessante caso que tratava da possibilidade de seresponsabilizar a União por danos causados em razão da prática de atos deintervenção no domínio econômico. Tratava-se do Recurso Extraordinário n.422941, interposto pela Destilaria Alto Alegre contra acórdão do SuperiorTribunal de Justiça que deu provimento a recurso especial da União contradecisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.A Destilaria Alto Alegre promoveu uma ação de indenização em faceda União, pedindo a reparação dos prejuízos que teria suportado em razão dafixação de preços do setor sucro-alcooleiro, por ato administrativo federal, emdesacordo com os valores apurados e sugeridos pelo antigo Instituto do Açúcare do Álcool
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IAA. A promovente sustentou que o tabelamento feito pela Uniãoem desacordo com os critérios técnicos da apuração pelo IAA lhe teria causadodanos indenizáveis, pedindo assim a respectiva reparação.O pedido foi julgado procedente em primeiro grau e a decisão foimantida em grau de recurso no tribunal. A União interpôs recurso especial e,dando-lhe provimento, o Superior Tribunal de Justiça reformou o acórdão doTRF para afastar a condenação. O STJ reconheceu que a União teria agido
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Mestre em direito econômico pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Especialista emdireito fiscal e tributário pela Universidade Cândido Mendes (UCAM/RJ). Juiz federal substitutona Paraíba. Professor de direito penal do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
 
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dentro das prerrogativas que possui para intervir no domínio econômico,podendo legitimamente fixar os preços do setor sucro-alcooleiro em valoresinferiores aos sugeridos pelo IAA. Do exercício legítimo da intervenção estatalna economia não poderiam decorrer danos indenizáveis à empresapromovente.Inconformada, a Destilaria Alto Alegre interpôs recurso extraordináriocontra a decisão do STJ. No final de 2005, o Supremo Tribunal Federal julgoudefinitivamente a questão, confrontando dois grandes postulados da ordemeconômica na Constituição. De um lado, colocou-se o poder que tem a Uniãode intervir no domínio econômico. De outro, a garantia constitucional àliberdade de iniciativa, que seria frustrada se o poder público inviabilizasse aexploração econômica do negócio pelo particular.Do caso acima descrito, observa-se que não houve contestação dalegitimidade de a União intervir no domínio econômico, inclusive através dafixação dos preços do setor sucro-alcooleiro (o que era permitido até queResolução do Ministério da Fazenda, com autorização da legislação pertinente,houvesse determinado a liberação integral dos preços). A abordagem nãoprocurou limitar o exercício da intervenção. A questão se resumiu àaveriguação da ocorrência de prejuízo individual e concreto a um agenteeconômico privado como conseqüência da intervenção estatal na economia,bem como à correspondente possibilidade de responsabilização civil daentidade interventora.A natureza singular do conflito constitucional que se coloca na decisãodo Supremo Tribunal Federal, em decisão que se apresenta paradigmática, nosinspirou na realização do presente trabalho. Seguindo na mesma esteira, ecomo forma de tornar mais clara a exposição do assunto, decidimos fazer aapresentação e a apreciação de outras situações concretas em que o conflitoconstitucional acima retratado toma lugar. O exame desses conflitos,principalmente, será o objeto do presente trabalho.A solução dada pelo Supremo Tribunal Federal ao RE 422941 e aexposição de outros problemas concretos com base constitucional econômica,
 
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além de alguma proposta de solução aos casos apresentados (à guisa de umasimples tentativa de contribuição) serão apresentadas ao final.Até lá, é indispensável explicar as bases em que se assentam oscânones constitucionais em conflito.
2.
A EXISTÊNCIA DE UMA “CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA”
NO BRASIL
A partir do final da Primeira Guerra Mundial, com a Europaabsolutamente devastada e o povo em situação de penúria, os Estadoscomeçaram uma mobilização pela alteração de suas bases constitucionais,revendo a posição liberal que assumia seu constitucionalismo até então. Eranecessário garantir prestações positivas à população. As Constituições quesurgiram a partir do grande conflito passaram a prever direitos sociais, típicos
direitos de prestação 
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, fundados no princípio da igualdade (direitos de segundadimensão)
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. As Constituições que passaram a incluir em seu texto essesdireitos de conteúdo prestacional positivo, de que são exemplos a mexicana de1917 e a alemã de 1919, foram batizadas de
econômicas
.A primeira Constituição brasileira que positivou direitos sociais em seutexto, na linha da Constituição alemã, foi a de 1934, que incluiu um capítulodedicado à disciplina da Ordem Econômica e Social, no que foi seguida por
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“As Constituições elaboradas após o final da Primeira Guerra Mundial têm algumas
características comuns
 –
particularmente, a declaração, ao lado dos tradicionais direitosindividuais, dos chamados direitos sociais ou direitos de prestação, ligados ao princípio daigualdade material que dependem de prestações diretas ou indiretas do Estado para seremusufruídos pelos cidadãos. Estas novas Constituições são consideradas parte do novo
„constitucionalismo social‟ que se estabelece
em boa parte dos Estados europeus e em algunsamericanos. Em torno nestas Constituições, adjetivadas de sociais, programáticas ou
econômicas, vai se dar um intenso debate teórico e ideológico.” (BERCOVICI, Gilberto.
Constituição econômica e desenvolvimento: 
uma leitura a partir da constituição de 1988. SãoPaulo: Malheiros, 2005).
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SARLET, Ingo Wolfgang.
A eficácia dos direitos fundamentais.
6.ed. rev. atual. e ampl. PortoAlegre: Livraria do Advogado, 2006. pp. 56 e ss.

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