Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
36Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Textos de Ariovaldo Ramos

Textos de Ariovaldo Ramos

Ratings: (0)|Views: 3,346|Likes:
Published by Barros

More info:

Published by: Barros on Dec 04, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/21/2013

pdf

text

original

 
Consciência Bíblica
Pastor, o que a Bíblia diz sobre isto? Essa talvez seja a pergunta mais ouvida pelospastores, de modo geral. As pessoas querem direção, querem saber o que Deuspensa das coisas que as cercam e como Ele quer que elas vivam e respondam àsdemandas da vida, e o pastor é o interlocutor privilegiado para responder a essasquestões. E elas estão certas em querer saber, afinal, como já disse alguém: seDeus existe, ninguém pode viver de qualquer jeito. E o que é que diz a Bíblia? Saber responder a isso é o que chamo de ter consciênciabíblica. Friedmann, teólogo alemão, em seu livro, “O desaparecimento de Deus”, afirmaque a Bíblia conta apenas uma história. Ainda que não leia a Bíblia como Friedmannconcordo com a tese dele. É preciso ter um fio condutor para ler as escrituras, fioesse que dê o norte da leitura, de modo que o texto não seja tratado como umacolcha de retalhos, sem necessário nexo entre si. Bem desejar um fio condutor é compreensível, mas, existe, de fato, tal fio? Friedmann propõe um fio que desemboca no desaparecimento de Deus, ele propõeque o criador construiu um mundo de tal maneira, estabelecendo um “modusoperandi” que vai culminar na absência de Deus e, então, o vetor moral passará dapresença divina para a preservação do que a humanidade é e representa. É umaproposta com a qual não posso compactuar, mas, que revela uma consciênciabíblica por parte do autor, isto é, a partir dessa leitura da Bíblia ele está pronto pararesponder a qualquer pergunta que trate da natureza dos atos de Deus. É claro que, a partir do que estamos apresentando, o haveuma únicaconsciência bíblica, uma vez que não há uma única leitura bíblica, porém, o queestou advogando é que esta consciência deve ser buscada, pois é preciso estarpronto para dar a razão da esperança que há em nós (1 Pe 3.15). Essa busca pressupõe a existência de algum tipo de sistema, ainda que nãohermético, o que é, de fato, totalmente dispensável, mas, que tenha começo, meioe fim, o que contraria uma nova forma de fazer teologia, que trata o texto sacrocomo um apanhado de experiências que o m nenhuma obrigação de serelacionar entre si. Porém, como o próprio Friedmann teve de admitir, tratar aescritura dessa forma é condenar-se a um beco sem saída, por transformar o textoem uma referência sem nenhuma autoridade normativa, logo, sem nenhumaproposta de fato, de modo que tudo o que nele se poderá ver é uma apanhado dehisrias que, necessariamente, exigirá uma ideologia para conduzi-lo, onde aideologia é a verdade e o texto a ilustração. Eu gostaria de propor um fio condutor, que produzirá essa consciência bíblica, que éa relação entre graça e rebeldia. Proponho que só houve rebeldia por causa da graça, e que só houve graça para quea rebeldia não fosse o fim de tudo, e que a rebeldia só não foi o fim de tudo porqueo amor de Deus o comprometeu, o que o levou à graça, que só pôde existir porcausa do sacrifício, que inaugura a história antes da criação, que torna o pecadouma questão primeiramente existencial e só então moral, tornando o sofrimentomeramente humano e a existência um legado e não um direito, daí aprovisoriedade do planeta, de modo que toda a criação só poderia ser sustentadapela palavra do poder do Filho (Hb 1.3), e que milagre é o ambiente em queexistimos, todas as criaturas.
 
A Bíblia conta que houve uma rebelião comandada por um dos mais poderososanjos que Deus criou, e que a humanidade, seduzida por ele, aderiu à rebelião. Issolevou a humanidade viver sob o império das trevas, definiu a natureza humanacomo rebelde e mergulhou toda a criação num estado e ambiente de sofrimento. ABíblia, também, conta como Deus veio buscar para si a humanidade perdida, oquanto isso custou e como Deus encaminhou o processo de retomada do conceitode humanidade. Por detrás dessa história tem uma série de questões que só se explicam pela graça. Deus sabe de tudo antes que aconteça, logo, sabia da queda humana. Deus é justo,sabia que o crime do ser humano não podia ficar impune, e que Ele não poderiamanter-nos à revelia de nosso ato, e que isso comprometeria a existência de toda acriação, porque tudo foi orquestrado para que houvesse vida e a vida foiadministrada para que houvesse o homem. Deus é a base da existência, sabia quenossa decisão significaria a perda do direito de existir. Deus tem um propósito emtudo o que faz, sabia que nossa decisão nos levaria a ser o oposto do que propuserapara nós. Deus é juiz, sabia que o vivermos contrariamente ao seu propósito,significaria ser totalmente dominados pela maldade, o que acabaria por precipitarsobre nós o seu juízo, e tornaria inócua a manutenção de nossa existência. Daí depreendemos: Deus não criaria ninguém que não tivesse amado primeiro. Deus é amor que nãoprecisa de retribuição, logo, nossa queda não tinha o poder de provocar a suadesistência. Deus, o Filho se entregou ao sacrifício antes da criação do mundo,porque, como a queda do homem, por ser o ápice da criação, implicaria nadestruição de toda a criação, o que quer que tivesse de ser feito para impedir essedesfecho teria de acontecer antes do ato de rebeldia, a graça é o resultado dessesacrifício. A redenção veio antes da criação e a explica. A criação, por isso, é obrada graça. Deus comunicou a nós atributos que garantem nossa qualidade de vida,que impede que nossa natureza rebelde seja dominante, nos permitindo sobrevivero tempo suficiente para operacionalização da salvação, é isso que explica comogente que não teme ao Senhor consegue amar o próximo, a esposa, os filhos; comoconsegue ter senso do belo, do justo, do certo; essa graça é comum a todos, é agraça da manutenção, não da salvação, a graça da salvação é a graça especial. Agraça comum é a amostra pálida do que poderíamos ser se não tivéssemos caído, oser humano desfruta dela, mas é inconsciente dela, daí porque os homens pensamque são seus os méritos pelo bem e não temem nem são gratos ao Senhor; aindaque inconscientes da graça, só por causa da graça têm consciência de si, do outro edo que fazem e podem progredir e produzir progresso. A graça especial, que vemsobre aqueles a quem o Pai revela o Filho, lhes dá uma, ainda, pálida amostra doque serão, porém, eles já têm plena consciência da mesma, a graça especialrestaura a comunhão entre a Trindade e o ser humano. Sem a graça não haveriaexistência, porém, se a graça nos garantisse só a existência sem nos comunicar aqualidade que os atributos concedem, seríamos como Nabucodonosor quando, pordisciplina divina, viveu como uma besta fera, viveríamos num estado de totalmaldade e inconsciência. Tudo o que o ser humano tem de positivo em suapersonalidade, de talento e de possibilidades físicas, intelectuais e emocionais éfruto da graça, todo o ato pecaminoso do ser humano é fruto do mau uso da graça,uma vez que para pecar é preciso decidir e decidir é fruto da graça. Qualquer atode consciência no ser humano é fruto da graça e só é pecado se é ato deconsciência. Por isso todo pecado é indesculpável, porque é resultado do uso dagraça de Deus contra o Deus da graça; é usar das possibilidades da graça para darlugar à rebeldia. Por isso todo pecado, antes de ser moral é ontológico, pois, ato nocaminho da negação do que significa ser gente, é ato no caminho da rebeldia e, arebeldia por nos levar a tudo que é contrário a Deus, nos leva ao que é, pordefinição, antihumano. Todo sofrimento e impossibilidade humana e cósmica é frutoda queda, por isso o sofrimento é meramente humano, foi a queda que gerou oestado de sofrimento, logo, sofrer passou a fazer parte da condição humana, toda a
 
criação sofre por causa do homem, até o Criador sofre por causa do homem, aliás, oCriador foi o primeiro a experimentar o sofrimento. Deus pode usar o sofrimento,mas não é a sua causa. Deus, através de um povo, conduziu o processo desalvação, de modo que o que aconteceu antes da criação acontecesse na criação. Éassim que Deus trata a questão do mal, o mal, como entidade, não existe, o queexiste são criaturas maldosas, porque o mal é uma decisão, uma intenção, umcomportamento: para Deus acabar com o mal tem de acabar com os seresmaldosos, ele pode fazer isso pela aniquilação ou pela conversão, no caso doshomens Ele decidiu pela conversão. Deus não acabou com os anjos maus porqueeles estão sob nossa jurisdição e seremos nós que os condenaremos. Deus salva apessoa para formar a igreja, que é a retomada da humanidade, porque o homem àimagem e semelhança de Deus é um homem coletivo. Deus é uma família, crioualguém à sua imagem e semelhança, logo, criou outra família. O homem existe paraexpressar Deus e só o pode fazer se em comunidade. O diabo é apenas umacriatura qualquer criatura é finita enquanto o Criador é infinito. O finito éinfinitamente menor que o infinito. Qualquer criatura é infinitamente menor que oCriador e não pode ser comparada com Ele.O diabo, o mundo e a carne são inimigos da graça, a incredulidade e o nãoarrependimento são empecilhos à ação da graça.Um ser humano salvo é alguém com o caráter de Cristo, a libertação emocional e acomunhão com Deus e com o próximo. Uma vida salva é uma vida digna, ondetodos os direitos e todas as possibilidades permitidas pelos dons e talentos foramalcançados. Uma sociedade salva é uma sociedade que vive a plena comunhãoamorosa, fraterna e solidária da unidade, é o que deve viver a igreja local, e é o quedevemos tentar fazer da sociedade em geral, guardadas as devidas proporções. UmCosmo salvo é um Cosmo livre do sofrimento. Um planeta salvo é um novo céu euma nova terra, onde tudo é um grande e belo jardim, com tudo o que issosignifica, e onde a cidade o destoa; logo, ainda que a criação, como aconhecemos, seja provisória, pois, criada para conviver com a morte e as trevas. Temos responsabilidade ecológica para com ela, a responsabilidade de levá-la aoestado de jardim, dentro das possibilidades que lhe são dadas. Eis uma consciênciabíblica
SOFRIMENTO
Perguntaram a Robert de Niro, num programa de tv: - Se o céu existe, o que vocêgostaria que Deus lhe dissesse quando chegasse lá?Resposta: Se o céu existe, Deus terá muito o que explicar!Como muitas pessoas, inclusive cristã, ele estava indisposto com Deus por causa dosofrimento.
O sofrimento é coisa humana
Qual a gênese do sofrimento?"E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore queeu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterásdela o sustento durante os dias de tua vida " (Gn 3.17).

Activity (36)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
phill33 liked this
Robson Brito added this note
Graça
Guilherme Aquino liked this
Guilherme Aquino liked this
Jair Pires liked this
Arthur Fontenele liked this
Claudinei Araujo liked this

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->