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Janeiro-Mar\u00e7o 2021
Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2021
Nesta madrugada, 1\u00ba de Janeiro de 2021, tr\u00eas minutos ap\u00f3s a meia-noite, o \u00faltimo
humano nascido no planeta foi morto numa briga de bar em um sub\u00farbio de Buenos Aires, com
a idade de vinte e cinco anos, dois meses e vinte dias. Se as primeiras not\u00edcias s\u00e3o verdadeiras,
Jos\u00e9 Ricardo morreu como viveu.
Sua distin\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que podemos chamar assim, era ser oficialmente o \u00faltimo ser
humano nascido, diferente de algu\u00e9m dotado de virtude especial ou talento, isso sempre foi um
problema para ele.
E agora est\u00e1 morto.
A not\u00edcia chegou \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha no programa das nove, da R\u00e1dio Estatal e eu a ouvi
por acaso.
Tinha me sentado para come\u00e7ar este di\u00e1rio, sobre \u00faltima metade da minha vida, quando
vi a hora e pensei que deveria ouvir as principais not\u00edcias no boletim das nove.
A morte de Ricardo foi a \u00faltima not\u00edcia e, depois, apenas um breve e cuidadoso
coment\u00e1rio e opini\u00f5es sem \u00eanfase pelo locutor, com sua voz sem emo\u00e7\u00e3o.
Mas, me pareceu ao ouvir, que era uma pequena justificativa adicional para come\u00e7ar o
di\u00e1rio hoje, o primeiro dia de um novo ano e meu q\u00fcinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio.
Quando crian\u00e7a, gostava desta data, apesar do inconveniente de se seguir logo ao Natal
e, por este motivo, receber sempre apenas um presente, n\u00e3o mais do que um, apesar das duas
celebra\u00e7\u00f5es.
Conforme come\u00e7ava a escrever, pensei que estes tr\u00eas eventos, o ano novo, meu
anivers\u00e1rio de cinq\u00fcenta anos e a morte de Ricardo, dificilmente justificavam macular as
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