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PROCESSOS DECISÓRIOS NOS PEQUENOS MUNICÍPIOS
Marcelo Antônio Maia de SiqueiraEngenheiro ArquitetoMestre em Urbanismo
1.INTRODUÇÃO
Em outro artigo(
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), procuramos apresentar de forma geral a tipicidade dosmunicípios de pequeno porte no Brasil.Ali comentamos que os municípios de pequeno porte se encontram numgrande desafio, diante do grande movimento de descentralização mundial eparticularmente nacional que os vem empurrando para o enfrentamento de suaspróprias questões.Destacamos que isto ocorre à revelia da capacidade destes municípios nocampo financeiro-tributário, no campo institucional-administrativo e no campo sócio-político.Este artigo procura abordar especificamente esta última questão, a nossover, central para o efetivo desenvolvimento destas localidades.Discutimos inicialmente questões relativas às relações do Estado com asociedade, tema básico para compreensão contemporânea de dinâmicas decisórias.Em seguida detalhamos alguns pontos desta dinâmica que desde alguns anos estãono centro do debate: novos atores sociais e novas estratégias de gestão local,fenômenos recentes que vem reconfigurando o cenário político-decisório. Por fimtecemos considerações em torno da questão da prática democrática e os rumosdesta prática em direção ao seu aprofundamento ou aperfeiçoamento. Semprepartindo de um cenário maior e das afirmativas vigentes para relativizar para ouniverso dos pequenos municípios.
2.RELAÇÕES ESTADO E SOCIEDADE
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“A Realidade dos Pequenos Municípios no Brasil”
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Estado e sociedade não são entidades ou campos estanques ou isolados,sendo muitas vezes difícil delimitar seus contornos precisos. O Estado está ligado deinúmeras formas a grupos de interesse da sociedade. O insulamento de suasestruturas burocráticas varia no tempo de órgão para órgão. Porém, apesar deinterpenetradas, são esferas distintas (MARQUES, 2000).Várias linhas de estudo tem se desenvolvido para entender estas relações.A primeira delas é aquela da tradição pluralista norte-americana, tambémchamada de visão clássica. Para esta escola a agregação de interesses acontecerianos partidos políticos ou então na forma de lobbies e grupos de pressão sobre ocongresso e/ou sobre agências governamentais. Por trás destas ações estariaprincipalmente o poder econômico, dos diferentes setores do capitalismo produtivo ouespeculativo, mas também o poder político de certos grupos importantes, comocertos sindicatos (MARQUES, 2000).Uma segunda análise é fruto de uma revisão das teorias clássicas. Deacordo com ela, os grupos de interesse agem de forma menos atomizada e atuariamatravés de redes complexas de ligações entre instituições e indivíduos, explorando ospontos convergentes. As fronteiras entre os grupos e empresas e entre público eprivado não seriam tão delimitadas como acredita a visão pluralista (MARQUES,2000).A terceira linha é aquela da tradição marxista. Coerente com sua rígidavisão da sociedade de classes, não percebe claramente a questão da permeabilidadedo Estado através das redes de ligações pessoais, e entende que a influência dasempresas sobre o Estado é considerada como garantida pela estrutura da sociedadee da economia capitalista, sendo o Estado constituído per si voltado para estesinteresses. Mesmo quando avançam para dentro de um debate sobre autonomiarelativa do Estado, em que este teria um caráter de classe indireto, via mediação,entendem que se mudam os mecanismos de conformação o mudaram osresultados finais. Explicam a influência do privado no estatal através de mecanismosestruturais: o maior poder do capital devido à proximidade existente entre elitesestatais e capitalistas; a ão coletiva e as muitas estratégias de busca dahegemonia; a depenncia estrutural do Estado ao capital; e os processos deseletividade estrutural das poticas para benefício dos setores influentes. Os109- 109 -
 
aspectos mais importantes desta análise estariam no destaque para os capitais comoatores fundamentais e aos interesses como motivações imprescindíveis para acompreensão das políticas do Estado (MARQUES, 2000).A quarta vertente é a dos Neoinstitucionalistas. Esta escola preserva a visãoda importância e insulamento das instituições estatais, mesmo em uma sociedadecapitalista, mas trazem a tona outros atores, as estratégias dos agentes e asarticulações entre instituições. Para estes, a efetividade das ões do Estadodepende de seus laços com a sociedade. Entendem que para compreendedetalhadamente o insulamento, a autonomia e a permeabilidade seria necessáriodesagregar o estado e analisar os inúmeros atores nas ltiplas arenas dasociedade. Podemos dizer que ao contrário da visão clássica e da sua revisão, queidealizam muito o Estado e enxergam apenas um vetor de interesses a partir dosgrupos privados e direcionado para o Estado, esta outra visão percebe outro vetor emsentido contrário, buscando cooptar o setor privado para os interesses políticos, numcomplexo jogo de trocas (MARQUES, 2000).Outra contribuição para este estudo seria a “literatura corporativista”,baseada na experiência européia dos grandes acordos, com a formação de pactostripartite entre Estado, capitais privados e trabalhadores, em nível nacional, servindode sustentação política dos Estados de Bem Estar na Europa. Posteriormente, outrosestudos analisaram acordos do nero de natureza sub-nacional ou setorial,chamado de “meso-corporativismo”. Este debate exerceu forte influência sobre aliteratura brasileira. As propostas de pacto social estavam na ordem do dia na décadade 1980, havendo inclusive a instalação das câmaras setoriais, e parecem querer ressuscitar na atualidade através das intenções do governo de Luiz Inácio Lula daSilva (MARQUES, 2000).No Brasil, alguns autores têm contribuído para uma melhor compreensãodos aspectos particulares da nossa sociedade. Fernando Henrique Cardoso revelouos “anéis burocráticos”, tendo sido esta a mais importante contribuição nacional aotema. Percebeu que o planejamento ou inércia estatal do período populista no Brasil(1945-1964) eram mecanismos políticos para suplementação dos interesses privadose que estes interesses fluíam através de “teias de cumplicidade pessoais”, sendoestas teias diferentes de lobbies, pois são mais difusas e mais orientadas por 110- 110 -
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