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1.DEFINIÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS PROFISSIONAIS

1.1.O QUE SÃO?

Acidente de Trabalho

É aquele que se verifica no local e tempo de trabalho e produza directa ou indirectamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.

Os acidentes de trabalho representam um tipo de saúde na comunidade, o meio ambiente e as condições de vida / trabalho.

A responsabilidade individual é importante na prevenção dos acidentes, uma vez que devido às suas consequências sociais e económicas, vão por em causa a solidariedade de toda a comunidade. Os acidentes podem acontecer em qualquer local e atingir todas as idades.

O conceito de acidente de trabalho tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, acompanhando a própria evolução das relações trabalho/saúde.

No ano de 1867, em Portugal foi editado o primeiro Código Civil, o qual consagra o reconhecimento e a reparação dos danos para a saúde do trabalhador provocados por acidente, desde que imputáveis ao empregador.

No ano de 1879 foi criado o mealheiro das viúvas e órfãos dos operários que morreram em acidentes de trabalho, pois era a forma de seguro para os acidentes de trabalho.

Em 1913 foi estabelecida uma responsabilidade patronal pelos acidentes de trabalho nas várias actividades, podendo ainda essa responsabilidade, ser transferida para as seguradoras.

Em 1936 foi publicada uma lei onde explicava o regime jurídico dos acidentes de trabalho e doenças profissionais.

Em 1965 foi revogada a lei citada anteriormente, com algumas alterações posteriores em 1979 e 1985.

Em 1997 houve a publicação de uma lei sobre o regime jurídico dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais, regulamentada por vários decretos de lei, sendo revogada mais tarde uma nova lei e toda a legislação complementar.

Acidente de Trabalho é na perspectiva de muitos autores um acontecimento não planeado, não desejado, inesperado.

O conceito de Acidente de Trabalho começa a generalizar-se como um acontecimento não planeado e não controlado no qual a acção ou reacção de um indivíduo resulta num dano pessoal ou na probabilidade de tal ocorrência.

Mas, para se identificar um acidente tem que se observar as suas verdadeiras causas e os seus efeitos.

Etiologia

Antes da Revolução Industrial atribuíam aos acidentes e às doenças a ira de Deus ou a forma de expiração dos seus pecados.

Assim, passam por fases pré-lógicas em que explicam os acidentes e as doenças como meras fatalidades.

As causas de um acidente podem ser consideradas como um conjunto de antecedentes que explicam a sua ocorrência.

Quando se analisa um acidente ficamos perante vários factores, onde há dificuldades em encontrar de maior valor (factores predisponentes, factores humanos individuais e factores técnicos). Segundo alguns estudos:

  • O acidente não é devido ao acaso, mas a uma série de factores, a maioria das vezes por manipulação incorrecta, o que poderia muito facilmente ser evitado.
  • A maioria dos acidentes acontece em situações não perigosas podendo ser evitado com o cumprimento das devidas precauções.

Os acidentes de Trabalho podem ocorrer em qualquer actividade humana e vários são os elementos que influenciam essa actividade, na maioria das vezes os chamados factores de risco.

Este acontecimento é constituído por aspectos negativos, indesejáveis em que se incluem os Acidentes de trabalho e as doenças profissionais.

Doenças Profissionais

As doenças que são causadas pelo exercício da profissão são designadas por doenças profissionais e deverão ser notificadas pela lei que regula a Medicina do Trabalho.

As doenças Profissionais devem estar incluídas na lista de Doenças profissionais, onde afecta um trabalhador que se tenha exposto ao respectivo risco no ambiente, condições e técnicas do trabalho que exerce.

As doenças profissionais decorrem da exposição a agentes físicos, químicos e biológicos que prejudicam o Ser Humano.

O trabalhador tem sempre razão desde que se prove que o desgaste do organismo, provocado pelas lesões corporais, perturbações funcionais, entre outras é consequência directa ou indirecta da actividade exercida no seu local e tempo de trabalho.

1.2.TIPOS DE ACIDENTES E DOENÇAS PROFISSIONAIS

Quando o ambiente de trabalho não é adequado às características e funcionamento da máquina humana, colocando-a em situações penosas, o que se pode observar é o surgimento de diferentes tipos de Doenças Profissionais.

A relação que existe entre o trabalho e a saúde é bastante complexa, por isso passo a descrever algumas das situações:

  • Quando as condições de trabalho ultrapassam os limites toleráveis do organismo, a probabilidade de provocar uma doença no trabalhador é significativa. Neste caso, têm-se uma Doença Profissional que, no sentido restrito, se define como uma doença devido a factores (físicos, químicos e biológicos) bem determinados do meio de trabalho. Como exemplo: a exposição a um nível elevado de ruído gera uma perda auditiva nos trabalhadores expostos.
  • O meio profissional pode também ter um papel importante, porém, associado a outros factores de risco do ambiente fora do trabalho ou do modo de vida do trabalhador, gerando as doenças do trabalho. Diversos estudos mostram a ocorrência de perturbações ao nível do estômago, do sono, do humor nos trabalhadores que têm turnos alterados. Os horários desencontrados, a dificuldade de trabalhar nos turnos da noite, no momento de maior fragilidade do organismo, podem influenciar o desenvolvimento destas patologias. Outros factores, não profissionais, ligados ao nível genético, ao estado de saúde ou aos hábitos de vida (alcoolismo e tabagismo) apresentam um papel importante no aparecimento e progresso de doenças.
  • Quando o homem trabalha num local onde se sente vocacionado para tal, em relação ás suas atitudes, limites e objectivos, este tem maiores probabilidades de não sofrer nenhum acidente de Trabalho, pois desempenha o seu trabalho com gosto. Neste sentido, o trabalho tem um poder estruturante em direcção á saúde mental do trabalhador. Quando de dá uma oportunidade ao trabalhador para este desempenhar o seu papel, está-se a contribuir de forma positiva para a sua satisfação e bem-estar.

Exemplos de Doenças Profissionais:

  • As lesões por esforço repetitivo (LER) são o conjunto de doenças que atingem os músculos, tendões e nervos superiores, devido ás exigências do trabalho e ao ambiente físico do mesmo. São inflamações provocadas pelas actividades de trabalho que exigem movimentos manuais repetitivos durante muito tempo. Há diversas doenças provocadas pelos esforços repetitivos (tenossinovite, tendinite, síndrome do túnel do carpo).
  • A perda auditiva – é a Doença Profissional mais frequente desde a Revolução Industrial, sendo provocada, na maioria das vezes, pelos altos níveis de ruído.
  • Bissinose – é uma Doença Profissional que atinge os trabalhadores que trabalham com algodão.
  • Pneumocarnose – é uma doença em que o sistema respiratório assimila as fibras das canas-de açúcar esmagadas.
  • Siderose – ocorre nas actividades desenvolvidas com limalhas e partículas de ferro, para quem trabalha com metal.
  • Asbestose – acontece aos trabalhadores que trabalham com amianto, correndo o risco de apanhar cancro.
  • Doenças devidas á inalação de vapores (vapores tóxicos como a benzina, tetracloreto de carbono, bissulfito de carbono e alguns álcoois) e poeiras (causam doenças como as silicoses, doenças pulmonares, infecções).
  • Dermatites Profissionais – doença das mãos e pele, devido aos dissolventes, certos ácidos e certos alcalinos.
  • Doenças respiratórias
  • Doenças cardiovasculares (hipertensão arterial)
  • Cancros
  • Problemas articulares e musculares
  • Alterações reprodutivas
  • Doenças mentais
  • Doenças neurológicas (depressão)
  • Alterações do sono

Existem inúmeras Doenças Profissionais que se caracterizam de acordo com os vários riscos que corre, podendo causar vários problemas ao organismo do Ser humano ou mesmo a morte. As Doenças Profissionais podem ser prevenidas se houver respeito pelos limites de tolerância de cada factor de risco, utilizando-se adequadamente os equipamentos de protecção individual e actuar de forma adequada sobre as causas e origem das várias doenças Profissionais.

As Doenças do Trabalho

As Doenças do Trabalho são resultantes das condições especiais de trabalho, não relacionadas com esta, e para as quais se torna necessária a comprovação de que foram adquiridas em decorrência do trabalho. Portanto, as doenças do trabalho, como nos demais factores de interferência da saúde, o trabalhador deve ser consciencializado sobre a importância de preservar a sua saúde. É preciso que ele esteja preparado ou predisposto a receber orientações, a utilizar os equipamentos de protecção individual e obedecer ás sinalizações e ás normas que têm como principal objectivo proteger a saúde.

Actualmente, estas doenças são verificadas com maior intensidade nas instituições de pequeno e médio porte, pois há uma certa negligência nas condições dos ambientes de trabalho, levando os trabalhadores a desenvolver Doenças do Trabalho com maior frequência.

Exemplos de Doenças do Trabalho:

  • Alergias respiratórias – provenientes de locais com ar-condicionado e sem manutenção satisfatória (principalmente na limpeza dos filtros onde circula o ar).
  • Stress – o stress nada mais é do que a resposta do organismo a uma situação de ameaça, tensão, ansiedade ou mudança, seja ela boa ou má, pois o corpo está a ser preparado para enfrentar o desafio. Isto significa que o organismo, em situações permanentes de stress estará praticamente o tempo todo em estado de alerta, funcionando em condições anormais.

As seguintes doenças não são consideradas Doenças do Trabalho:

  • A doença degenerativa;
  • A inerente ao grupo etário;
  • A que não produz incapacidade laborativa;
  • A doença endémica adquirida por habitantes de uma região, onde esta se desenvolve, não ser que exista a comprovação de que é resultante do contacto directo no ambiente de trabalho.

Consideram-se Acidentes Profissionais os que ocorrem:

  • No trajecto de ida e regresso para e do local de trabalho;
  • Na execução de serviços, espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito económico para a entidade empregadora;
  • No local de trabalho quando em frequência de curso de formação profissional ou, fora do local de trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal frequência;
  • No local de trabalho, quando no exercício do direito de reunião ou de actividades de representante dos trabalhadores, nos termos da lei;
  • Em actividades de procura de emprego durante o crédito de horas para tal concedido por leis aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em curso;
  • Fora do local ou tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos.

Os Acidentes e Doenças profissionais são um importante problema de saúde pública em todo o mundo. As estimativas da Organização Internacional de Trabalho (OIT), revelam a ocorrência anual de 160 milhões de Doenças Profissionais, 250 milhões de Acidentes de Trabalho e 330 mil mortes.

Um trabalhador é reconhecido como doente profissional, quando lhe é certificada a doença profissional pelo Centro Nacional com base no parecer dos peritos médicos competentes.

Existem diversos factores que estão na base dos Acidentes e Doenças Profissionais, entre os quais:

  • As restrições que a legislação dos acidentes progressivamente sofreu no conceito de acidente e doenças profissionais;
  • As restrições à concessão de benefícios;
  • A evolução silenciosa e demorada das doenças, dificultando a percepção do factor causal entre o trabalho e o acidente ocorrido;
  • A falta de conhecimento do procedimento correcto de notificação;
  • A ausência de um departamento de saúde ocupacional;
  • A pressão do trabalho ou do medo de que a ocorrência de uma exposição possa reflectir a falta de habilidade individual;
  • O facto da notificação ser um procedimento lento e complicado;
  • Quando alguns trabalhadores estão expostos as situações de risco, tais como as exposições ao vírus da hepatite C (ou mesmo ao HIV);
  • O desconhecimento dos profissionais de saúde para reconhecer o trabalho como uma possível causa para o agravamento do seu estado de saúde;
  • A falta de informação dos trabalhadores sobre os riscos ocupacionais aos quais estão expostos;
  • O pequeno número de organizações que defende este assunto do interesse de todos os trabalhadores.

2. SINAIS E SINTOMAS / DIAGNÓSTICO PRECOCE

O comprometimento de várias estruturas ossos, músculos, tendões e nervos, associados a execução das suas actividades profissionais ou apenas o comprometimento de uma ou outra estrutura, mas o que está bem claro é a relação com o motivo causal, ou seja, a actividade laboral e o uso incorrecto das estruturas orgânicas do corpo humano. Mas, a partir dos sinais e sintomas que uma pessoa apresenta é mais fácil de identificar as Doenças Profissionais presentes.

Como exemplo de sinais e sintomas a diagnosticar temos os seguintes:

  • Dor local
  • Dor reflexa em outros locais do corpo
  • Edema ou inchaço
  • Perda de força
  • Caimbras
  • Dormência e formigueiro
  • Dificuldade em dormir Após o aparecimento de sinais e sintomas relacionados com Doenças Profissionais é importante recorrer a um Diagnóstico Precoce.

O Diagnóstico Precoce é uma medida de prevenção secundária que pode ajudar a prevenir o aparecimento de “Doenças crónicas” relacionadas com os Acidentes e Doenças Profissionais.

O Diagnóstico Precoce baseia-se no seguinte:

  • Inquérito para a descoberta de casos na comunidade
  • Exames de admissão
  • Exames periódicos, individuais para a detecção precoce de casos
  • Exames de vigilância de saúde (anuais)
  • Isolamento para evitar a propagação de doenças
  • Participação de acidentes
  • Diagnóstico da lesão e tratamento
  • Tratamento para evitar a progressão da doença – limitação da incapacidade A Enfermeira de Medicina do Trabalho desempenha uma função muito importante no que compete aos cuidados necessários na prevenção dos acidentes, chamando a atenção para o cumprimento dos preceitos designados à protecção dos indivíduos.

Conclusão

No âmbito da disciplina Enfermagem da Saúde Comunitária, mas também do curso e mais tarde da profissão é fundamental um contínuo processo de aprendizagem nesta área, para que quando confrontados com situações reais e especificas se saiba actuar eficientemente tendo em conta o conjunto de conhecimentos que foram sendo adquiridos.

O conhecimento acerca dos Acidentes e Doenças Profissionais, permitiu-nos obter uma visão global e ao mesmo tempo aprofundada em relação aos problemas existentes no dia-a-dia dos trabalhadores.

Este trabalho deixou-nos bastante gratas, pois permitiu um substancial aumento do nosso lote de conhecimentos acerca dos Acidentes e Doenças Profissionais, verificando qual a importância da utilização das medidas de segurança para evitar os diversos acidentes e possíveis doenças e a importância do papel de enfermagem no que compete aos cuidados necessários na prevenção dos acidentes, evoluindo consequentemente como alunas e futuras profissionais de enfermagem.

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