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Ministério da Saúde
Direcção-Geral da Saúde
Circular Informativa
 
Assunto: GRIPE: VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE em 2006/2007 Nº: 40/DIR/GDATA: 21/09/06Para: Todos os médicos e enfermeirosContacto na DGS: Dr.ª Maria da Graça Freitas INSA: Dr.ª Helena Rebelo de Andrade
Destaques
 
para a época da gripe 2006/2007:
 
O objectivo principal, em 2006/2007, é aumentar a cobertura vacinal em:- Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;
 
- Doentes crónicos e imunodeprimidos;
 
- Profissionais de saúde.
 
A quota de vacinas contra a gripe destinada a cada país é limitada;
A prescrição da vacina deve ser criteriosa, prioritariamente às pessoasque mais dela beneficiam e de acordo com os critérios definidos napresente Circular;
 
A vacina contra a gripe sazonal não protege contra os vírus da gripeaviária.
 1. IntroduçãoA gripe
é uma doença viral aguda causada pelo vírus da
 
gripe, do qual se conhecem3 tipos – A, B e C. Apenas os vírus A e B causam doença com impacte relevante nasaúde pública. O vírus da
 
gripe do tipo A sofre variações antigénicas mais frequentesque o vírus do tipo B e é o principal responsável pelas epidemias mais graves,incluindo as pandemias.Segundo a Organização Mundial de Saúde, durante as epidemias anuais de gripe, ataxa de ataque global é de 5 a 10% na população adulta e de 20 a 30% nas crianças.O vírus é transmitido aos indivíduos susceptíveis através das secreçõesrespiratórias. O período de transmissão decorre desde 1 a 2 dias antes doaparecimento dos sintomas até 7 dias depois. As crianças mais pequenas e osimunodeprimidos tendem a eliminar o vírus durante períodos mais longos. Ascrianças que frequentam creches, infantários e escolas são as principaisdisseminadoras do vírus na comunidade.Após um período de incubação médio de 2 dias (1 a 5 dias), a doença manifesta-sede modo abrupto com febre, mialgias, cefaleias, mal-estar, tosse não produtiva, dor de garganta e rinite. Na maioria dos doentes, e na ausência de complicações, adoença evolui em 3 a 7 dias. A tosse e o mal-estar podem persistir por mais de 2semanas.
 
 
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A infecção atinge todos os grupos etários. No entanto, são os indivíduos com idadeigual ou superior a 65 anos e as pessoas com patologia crónica subjacente queapresentam maior morbilidade e letalidade, por agravamento da doença pré-existente e/ou pneumonia. A complicação mais comum da gripe é a sobreinfecçãobacteriana (por 
Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae
ou
 Staphylococcus aureus
), que é mais frequente em idosos e em pessoas comdoenças crónicas, sobretudo pulmonares e cardíacas. Nestes casos, é de ponderar aadministração simultânea da vacina contra
Streptococcus pneumoniae
. A pneumoniacausada pelo próprio vírus da
 
gripe é menos frequente mas tem uma elevadaletalidade.O diagnóstico definitivo da gripe baseia-se na identificação do genoma viral e/ou noisolamento do vírus.
2. Vigilância epidemiológica
 Devido à grande variabilidade antigénica que o vírus da gripe apresenta, aidentificação das estirpes circulantes em cada ano é fundamental para a vigilânciaepidemiológica da gripe e consequente conhecimento da epidemiologia da doença. AOMS gere um sistema de vigilância global, que integra a informação genética eantigénica actualizada dos vírus em circulação enviada pelos centros nacionais dagripe.Esta informação é fundamental para a recomendação anual sobre a composiçãoapropriada da vacina a ser comercializada em cada época de gripe, que se inicia, noHemisfério Norte, habitualmente entre Setembro/Outubro e termina em Abril/Maio doano seguinte.Em Portugal, a vigilância epidemiológica da doença está a cargo do InstitutoNacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), sendo operacionalizada através doCentro Nacional da Gripe (CNG) e do Observatório Nacional de Saúde (ONSA).A partir de 1990, a colaboração com a Rede Médicos-Sentinela e, desde 1999, comos Serviços de Urgência Sentinela, tornou possível assegurar e aperfeiçoar estavigilância através da caracterização clínica, epidemiológica e laboratorial da doença.Qualquer médico que detecte casos suspeitos de gripe, em particular no decurso deum surto, pode contactar o Centro Nacional da Gripe (telefone/fax: 21 752 64 55)para efeitos de diagnóstico laboratorial ou outros esclarecimentos, ou a Linha SaúdePública (808 211 311).
3. Vacinação
As vacinas são eficazes e seguras e a vacinação anual contra a gripe sazonal é amelhor forma de prevenir a doença e reduzir o impacte das epidemias. O principalobjectivo desta vacinação é evitar as formas graves e as complicações da gripe,reduzindo a incidência da doença grave e a mortalidade prematura.Em Portugal, desde 1989, são conhecidas estimativas da percentagem de indivíduosque declararam estar vacinados contra a gripe. Estas estimativas revelam que, paraa população em geral, nas épocas de 2004/2005 e de 2005/06, as percentagens depessoas vacinadas foram, respectivamente, de 15,4% e 19,1%, e nos indivíduos com65 e mais anos de 39,0% e 41,6%.
 
 
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 3.1 A vacina
A OMS recomenda que, para a época de 2006-2007 no Hemisfério Norte, as vacinastrivalentes contra a gripe contenham estirpes virais idênticas a:
A/New Caledonia/20/99(H1N1)
A/Wisconsin/67/2005(H3N2)
1
 
B/Malaysia/2506/2004
2
 As vacinas contra a gripe disponíveis em Portugal são inactivadas. Todas as vacinassão produzidas em ovos embrionados.A efectividade da vacina é variável de ano para ano e depende do grau deconcordância antigénica entre as estirpes contidas na vacina e as estirpes emcirculação, bem como da idade e imunocompetência da pessoa vacinada.Se houver concordância antigénica, nos adultos saudáveis, a vacina pode prevenir 70 a 90% dos casos de doença laboratorialmente confirmada. A vacinação dapopulação idosa não institucionalizada pode reduzir o número de internamentos em25 a 39% e a mortalidade global em 39 a 75% durante a época gripal. Nos idososinstitucionalizados a vacina contra a gripe pode reduzir os internamentos (por todasas causas) em 50%, o risco de pneumonia em cerca de 60% e o risco de morrer (todas as causas) em 68%. A efectividade da vacina em crianças em idade escolar ésemelhante à descrita para adultos saudáveis mas parece conferir menor protecçãoàs crianças mais jovens.Após a vacinação, o nível de anticorpos que confere protecção é atingido,geralmente, ao fim de 2 semanas (embora este período possa ser um pouco maislongo nas crianças vacinadas pela 1ª vez) e persiste por um período inferior a 1 ano.Nos idosos, os níveis de anticorpos podem descer abaixo do nível de protecção em 4meses. Como o pico da actividade gripal em Portugal tem ocorrido entre Novembro eFevereiro, a vacina, principalmente nos idosos e imunodeprimidos, deve ser administrada a partir de Outubro, podendo ser administrada durante toda a épocagripal.A vacina anual contra a gripe apenas protege contra a infecção pelas estirpes devírus da gripe humana contidos na vacina. Esta vacina não protege contra a infecçãopelo vírus da gripe A(H5N1), responsável pelas actuais epizootias em aves, nemcontra qualquer outra estirpe do vírus da gripe de transmissão zoonótica.As pessoas devem ser informadas de dois aspectos relacionados com a vacinacontra a gripe sazonal:
A vacina é inactivada, não contém vírus infecciosos e, por isso, não podeprovocar a doença;
Independentemente da administração desta vacina, podem ocorrer outrasinfecções respiratórias virais durante a época de gripe.
1
 
A estirpe A/Hiroshima/52/2005 é considerada idêntica a A/Wisconsin/67/2005(H3N2)
2
 
A estirpe B/Ohio/1/2005 é considerada idêntica a B/Malaysia/2506/2004
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