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20 - OUTUBRO 2006
FERRUGEM
Combate comtecnologia de APLICAÇÃO
Custo para combater a mais terrível das doenças da soja é bastante alto.Por isso é importante fazer a aplicação correta do fungicida, sobretudoescolher o equipamento e o sistema mais adequados
 Eng°. Agr. Manoel Ibrain Lobo Júnior, consultor em tecnologia de aplicaçãolobo@pulverizador.com.br 
A
ferrugem asiática (
Phakopso-ra pachyrhizi
) é uma doençacausada por fungos que atacaseveramente a cultura da soja por todosos Estados do Brasil e em muitos outrospaíses da América do Sul, além dos Es-tados Unidos. É atualmente o fator bi-ológico com maior poder de limitar aprodutividade dessa cultura. Desde asafra de 2002 a doença já acumulaum prejuízo estimado em cerca deUS$ 10 bilhões à agricultura brasileira.Nas regiões onde a ocorrência da fer-rugem foi mais severa, foram necessá-rias até quatro aplicações de fungicidaspara o seu controle. As porcentagensde perdas provocadas na produção va-riam entre 30% a 80%.No Brasil, nos últimos anos houvesignificativos avanços no combate à fer-rugem por meio do uso de novas tec-nologias de informação, de produtosquímicos mais específicos e do desen-volvimento de novas tecnologias em equi-pamentos cujo objetivo é uma maior pre-cisão, rapidez e eficiência na realizaçãodo controle químico. Apesar dos inten-sivos trabalhos de pesquisa para o con-trole dessa doença, para a maior partedos especialistas o fato de que a elimi-nação completa dessa doença ainda estámuito longe de ser conseguida por meioda utilização de variedades resistentesou do combate com produtos quími-cos, pois a grande capacidade de mu-tação do fungo é reconhecida pelosmaiores especialistas da área.A grande dificuldade no controledessa doença, que rapidamente se alas-trou pelo País nos últimos anos de ma-neira avassaladora, está explicada pe-los muitos fatores que seguem:1
o
. — A ferrugem ataca a soja em
 
A GRANJA - 21
qualquer estágio do seu desenvolvimen-to fisiológico, desde a emergência daplanta do solo até o final do ciclo vege-tativo (ciclo aproximado de 120 dias).No início do desenvolvimento da cultu-ra, o controle químico é realizado commaior facilidade, pois as máquinas semovimentam com maior mobilidadedentro da cultura, ainda com pouco en-folhamento. Nessa fase inicial do ciclo,a proteção da planta é mais fácil por-que a deposição e a penetração do pro-duto químico são mais eficientes pelopouco número de folhas nas plantas epelo grande espaço entre elas.A época de ataque da doença maiscrítica para a cultura da soja acontecedurante o florescimento, pois, além dasplantas se encontrarem mais sensíveis,existe ainda uma maior dificuldade demovimentação das máquinas dentro dacultura, devido ao fechamento das en-trelinhas, por onde passam os pneus,pela grande quantidade de folhas. O fe-chamento da folhagem dificulta a mo-vimentação dos pulverizadores dentroda cultura, o que diminui o rendimentooperacional das máquinas resultando emperdas na produção devido ao atrasono controle químico da doença. Esseproblema é potencializado também peloincorreto planejamento e dimensiona-mento da área de plantio, levando-se emconsideração os nú-meros de máquinasque serão necessá-rias para o rápidocontrole químico detoda a cultura.Muitos produto-res dobram a áreade plantio, mas nãoaumentam o núme-ro de equipamentospara as operaçõesde pulverização des-sas novas áreas, re-sultando nas falhasde aplicações tardi-as e nas perdas da produção pela faltade controle imediato da doença. Os pul-verizadores terrestres, quando operamna cultura da soja nesse estágio de flo-rescimento, mesmo equipados comprotetores de plantas conhecidos como“abre plantas” (cropsavers), provocamtambém a derrubada das flores, dimi-nuindo ainda mais a produção. Uma ob-servação muito importante a ser consi-derada é o fato de a maior parte dosprodutos químicos aplicados ter a açãosistêmica de “cura e proteção” na plan-ta, onde o sentido de translocação doproduto dentro da planta é das folhasmais velhas para as mais novas.Essa característica dos fungicidassistêmicos faz obrigatória a deposiçãodas gotas nas folhas mais velhas para atotal proteção da planta. Caso a deposi-ção das gotas aconteça apenas nas fo-lhas mais novas (ponteiro das plantas),a planta de soja ficará protegida apenasnessa área, podendo acontecer a res-surgência da doença em toda a área dacultura, a partir das folhas velhas de umaúnica planta infectada.2
o
. — Um outro fator que dificulta ocontrole da doença é a identificação dosprimeiros sintomas da infestação da fer-rugem nas folhas, que se assemelha mui-to a outras pintas de outros tipos de do-enças fúngicas menos severas, e até mes-mo são bastante parecidas com algumasdoenças causadas por bactérias oportu-nistas. Essa dificuldade na identificaçãodos primeiros sintomas ocasiona a per-da do “timing” (o momento oportunodo controle), permitindo a disseminaçãoda doença através dos esporos, necessi-tando de aumento das doses e tambémde mais aplicações.Nos EstadosUnidos, a ferrugemasiática é considera-da e tratada como“arma biológica” e écombatida em nívelde penetração dosesporos, em que aestratégia é aplicar ocontrole químicoainda na fase de de-senvolvimento dofungo na planta in-fectada, através demonitoramentos di-ários das plantas uti-lizando microscópios, limitando ao má-ximo a doença para não atingir a fasereprodutiva de liberação dos esporos portoda a área da cultura de soja.3
o
. — A frase “prevenir é sempre me-lhor (e muito mais econômico) que re-mediar” deve ser seguida à risca, quan-do falamos em utilizar a tecnologia deaplicação na cultura da soja para o con-trole da ferrugem. Através do monitora-mento da doença em áreas próximas àsde soja, da previsão de condições ambi-entais propícias ao desenvolvimento daferrugem e analisando o histórico do seudesenvolvimento nessas áreas, é possí-vel programar as aplicações preventivasobjetivando a eficiência no controle quí-mico da ferrugem.A outra frase “quem chega primeirobebe água limpa” também poderá ser uti-lizada como estratégia de controle da do-ença na soja, pela escolha de cultivaresprecoces, objetivando diminuir a pres-são de esporos do fungo de outras áreasmais velhas e já infectadas pela doençapróximas da área a ser protegida. Nasgrandes áreas do cerrado brasileiro, osmeios mais eficientes de controle quí-mico na soja são realizados por grandespulverizadores terrestres, conhecidoscomo pulverizadores autopropelidos, etambém por grandes aeronaves agríco-las Air Tractor e Dromader. Ambos osmeios aplicadores, terrestres e aéreos,proporcionam a mesma eficiência nasaplicações dos agroquímicos no controleda ferrugem da soja, desde que seja fei-ta a formatação correta na regulagem ecalibração nesses equipamentos antesdas aplicações.
Atenção ao tamanho das gotas —
O segredo para conseguir a eficiência
 Lobo: ferrugem causa perdas quevaria entre 30% e 80% da produção
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FERRUGEM
no controle químico da ferrugemda soja é o controle do tamanhodas gotas a serem produzidas. Oobjetivo é sempre proporcionaruma densidade satisfatória de go-tas depositadas sobre o alvo e amaior penetração de gotas pos-síveis nas folhas mais velhas dasplantas, visando a uma melhoração sistêmica dos fungicidas,assunto já mencionado anterior-mente. Tanto os aviões agríco-las como os pulverizadores ter-restres devem ser equipados com tec-nologias em pontas e bicos de pulve-rização que produzam gotas que su-perem as mais adversas condiçõesmeteorológicas de temperatura alta eumidade do ar baixa do Cerrado bra-sileiro, reduzindo ao máximo o riscode perdas por deriva, evaporação e es-corrimento das gotas.Também no Cerrado brasileiro, asconstantes rajadas de vento são umfator limitante às aplicações, pois asgotas produzidas com tamanhos (diâ-metros) entre 150 a 250 micrômetros,muito utilizadas nas aplicações aéreas,são facilmente levadas pelo vento,mesmo em situações amenas de ven-to com velocidades entre 5 a 7 quilô-metros por hora. Essas gotas muitopequenas são levadas até distâncias in-determinadas, contaminando áreassensíveis próximas à área de aplica-ção. As gotas grandes (gotas com di-âmetro acima de 400 micrômetros)são menos suscetíveis às perdas porderiva, porém podem ser também per-didas pelo escorrimento das folhas.A característica das aplicações aére-as é a utilização de baixos volumes nasaplicações (8 a 15 litros por hectare),para maior rendimento possível das ae-ronaves, não sendo possível produzirgotas muito grandes, pois a pulveriza-ção não conseguiria produzir a densida-de necessária de gotas sobre as folhaspara a correta proteção da cultura de soja.A fim de evitar os riscos de perdas porderiva, novas tecnologias em sistemas,pontas e bicos de pulverização estão sen-do desenvolvidas para superar esses fa-tores limitantes, conferindo um maiortempo de vida à gota, desde a sua alturade liberação do bico (3 metros – aero-naves agrícolas; 0,5 metro – pulveriza-dores terrestres) até atingir o alvo bio-lógico.
Densidade —
Geralmente, a den-sidade de gotas necessárias para con-seguir um eficiente efeito biológico nocontrole químico da ferrugem está en-tre 40 a 70 gotas por centímetro qua-drado, depositadas sobre a folha de soja.As 40 gotas (DMV: 250-300 micrôme-tros) seriam necessárias quando foremaplicados produtos sistêmicos e as 70gotas (DMV: 200-250 micrô-metros) seriam ne-cessárias nocaso deaplicação de produtos de contato. Nocaso dos pulverizadores terrestres, jáexistem novas tecnologias em pontasde pulverização com indução de ar queproduzem gotas com tamanhos satis-fatórios para possibilitar uma melhor de-posição e penetração nas folhagensadensadas, levando em consideração adensidade necessária para o máximoefeito biológico.Essas novas pontas de pulverizaçãocom tecnologia de redução de deriva (sis-tema venturi) com jatos planos duplos(com ângulo de 60 graus entre eles) pro-duzem gotas grandes aeradas, mas queproporcionam uma boa cobertura sobreo alvo, pois explodem e se esparramamna superfície das folhas da soja sem omenor risco de escorrimento. Normal-mente, gotas com diâmetros maiores que400 micrômetros, produzidas por pon-tas convencionais, são perdidas por es-corrimento e vão diretamente para o solo,contaminando o lençol freático. No casodas aplicações aéreas, as novas tecnolo-gias em atomizadores rotativos (eólicose elétricos) estão possibilitando um mai-or controle sobre o tamanho das gotasproduzidas, conseguindo uma pulveri-zação com espectro homogêneo, queatenda às necessidades de densidade ecobertura, com tamanhos suficientes quesuperem as condições meteorológicasadversas.Estão sendo testados também novosprodutos adjuvantes que, adicionados àcalda de pulverização, possibilitam a di-minuição do risco da deriva e evapora-ção, conferindo um maior tempo de vidaà gota, aumentando as chances de con-seguir atingir o alvo biológico. Quandoa aplicação aérea é necessária a partir doflorescimento da cultura, o maior pro-blema dessa tecnologia, que utiliza bai-xos volumes (8 a 15 litros por hectare),é conseguir uma densidade de gotas queconsigam a penetração na folhagem aden-sada da soja. Nesses casos de maior fe-chamento da cultura da soja, o mais re-comendável são volumes maiores nasaplicações aéreas (30 a 40 litros por hec-tares) a fim de produzir um maior nú-mero de gotas e conseguir atingir as fo-
 Meios aéreos e terrestres propiciam a mesmaeficiência de aplicação Na aplicação aérea as novas tecnologias em atomizadores rotativos possibilitam maior controle sobre o tamanho das gotas
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Matéria técnica sobre a área de tecnologia de aplicação de agroquímicos e adjuvantes, de autoria do Eng. Agr. Manoel Ibrain Lobo Jr, especialista e consultor (lobo@pulverizador.com.br), publicada pela conceituada revista A GRANJA. Maiores informações: www.pulverizador.com.br

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