A GRANJA - 21
qualquer estágio do seu desenvolvimen-to fisiológico, desde a emergência daplanta do solo até o final do ciclo vege-tativo (ciclo aproximado de 120 dias).No início do desenvolvimento da cultu-ra, o controle químico é realizado commaior facilidade, pois as máquinas semovimentam com maior mobilidadedentro da cultura, ainda com pouco en-folhamento. Nessa fase inicial do ciclo,a proteção da planta é mais fácil por-que a deposição e a penetração do pro-duto químico são mais eficientes pelopouco número de folhas nas plantas epelo grande espaço entre elas.A época de ataque da doença maiscrítica para a cultura da soja acontecedurante o florescimento, pois, além dasplantas se encontrarem mais sensíveis,existe ainda uma maior dificuldade demovimentação das máquinas dentro dacultura, devido ao fechamento das en-trelinhas, por onde passam os pneus,pela grande quantidade de folhas. O fe-chamento da folhagem dificulta a mo-vimentação dos pulverizadores dentroda cultura, o que diminui o rendimentooperacional das máquinas resultando emperdas na produção devido ao atrasono controle químico da doença. Esseproblema é potencializado também peloincorreto planejamento e dimensiona-mento da área de plantio, levando-se emconsideração os nú-meros de máquinasque serão necessá-rias para o rápidocontrole químico detoda a cultura.Muitos produto-res dobram a áreade plantio, mas nãoaumentam o núme-ro de equipamentospara as operaçõesde pulverização des-sas novas áreas, re-sultando nas falhasde aplicações tardi-as e nas perdas da produção pela faltade controle imediato da doença. Os pul-verizadores terrestres, quando operamna cultura da soja nesse estágio de flo-rescimento, mesmo equipados comprotetores de plantas conhecidos como“abre plantas” (cropsavers), provocamtambém a derrubada das flores, dimi-nuindo ainda mais a produção. Uma ob-servação muito importante a ser consi-derada é o fato de a maior parte dosprodutos químicos aplicados ter a açãosistêmica de “cura e proteção” na plan-ta, onde o sentido de translocação doproduto dentro da planta é das folhasmais velhas para as mais novas.Essa característica dos fungicidassistêmicos faz obrigatória a deposiçãodas gotas nas folhas mais velhas para atotal proteção da planta. Caso a deposi-ção das gotas aconteça apenas nas fo-lhas mais novas (ponteiro das plantas),a planta de soja ficará protegida apenasnessa área, podendo acontecer a res-surgência da doença em toda a área dacultura, a partir das folhas velhas de umaúnica planta infectada.2
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. — Um outro fator que dificulta ocontrole da doença é a identificação dosprimeiros sintomas da infestação da fer-rugem nas folhas, que se assemelha mui-to a outras pintas de outros tipos de do-enças fúngicas menos severas, e até mes-mo são bastante parecidas com algumasdoenças causadas por bactérias oportu-nistas. Essa dificuldade na identificaçãodos primeiros sintomas ocasiona a per-da do “timing” (o momento oportunodo controle), permitindo a disseminaçãoda doença através dos esporos, necessi-tando de aumento das doses e tambémde mais aplicações.Nos EstadosUnidos, a ferrugemasiática é considera-da e tratada como“arma biológica” e écombatida em nívelde penetração dosesporos, em que aestratégia é aplicar ocontrole químicoainda na fase de de-senvolvimento dofungo na planta in-fectada, através demonitoramentos di-ários das plantas uti-lizando microscópios, limitando ao má-ximo a doença para não atingir a fasereprodutiva de liberação dos esporos portoda a área da cultura de soja.3
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. — A frase “prevenir é sempre me-lhor (e muito mais econômico) que re-mediar” deve ser seguida à risca, quan-do falamos em utilizar a tecnologia deaplicação na cultura da soja para o con-trole da ferrugem. Através do monitora-mento da doença em áreas próximas àsde soja, da previsão de condições ambi-entais propícias ao desenvolvimento daferrugem e analisando o histórico do seudesenvolvimento nessas áreas, é possí-vel programar as aplicações preventivasobjetivando a eficiência no controle quí-mico da ferrugem.A outra frase “quem chega primeirobebe água limpa” também poderá ser uti-lizada como estratégia de controle da do-ença na soja, pela escolha de cultivaresprecoces, objetivando diminuir a pres-são de esporos do fungo de outras áreasmais velhas e já infectadas pela doençapróximas da área a ser protegida. Nasgrandes áreas do cerrado brasileiro, osmeios mais eficientes de controle quí-mico na soja são realizados por grandespulverizadores terrestres, conhecidoscomo pulverizadores autopropelidos, etambém por grandes aeronaves agríco-las Air Tractor e Dromader. Ambos osmeios aplicadores, terrestres e aéreos,proporcionam a mesma eficiência nasaplicações dos agroquímicos no controleda ferrugem da soja, desde que seja fei-ta a formatação correta na regulagem ecalibração nesses equipamentos antesdas aplicações.
Atenção ao tamanho das gotas —
O segredo para conseguir a eficiência
Lobo: ferrugem causa perdas quevaria entre 30% e 80% da produção
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Matéria técnica sobre a área de tecnologia de aplicação de agroquímicos e adjuvantes, de autoria do Eng. Agr. Manoel Ibrain Lobo Jr, especialista e consultor (lobo@pulverizador.com.br), publicada pela conceituada revista A GRANJA. Maiores informações: www.pulverizador.com.br