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Brasileira +Bosi.a.

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HISTÕRIA CONCISA. DA LITERATURA BRASILEIRA. ALFREDO BOSI
(Da Universidadede S. Paulo) EDITORA CULTRIX. 2 ' edição. 5 imprcssão. MCMLXXVDireitos Reservados. EDITORA CULTRIX LTDA. Rua Conselheiro Furtado, 64o, 6",fone 278-4o11.Impreseo no Brasil. Frinied In BraxslI N D I G EI. CONDIÇAO COLONIALLiteratura e situação, 13.Textos de informação, 15.A carta de Caminha, 16.Gândavo, 18.O "Tratado" de Gabriel Soares 2O.A informação dos jesuítas, 21.Anchieta, 22.Os "Diálogos das Grandezas do Brasil", 27.Da Crônica à história: Frei Vicente,II. ECOS DO BARROCOO Barroco: espírito e estilo, 33. O Barroco no Brasil, 39. A"Prosopopéia" de Bento Teixeira, 41. Gregório de Matos, 42.Botelho de Oliveira, 44. Menores, 47. A prosa. Vieira, 47. Prosaalegórica, 51. As Academias, 52.III. ARCÁDIA E ILUSTRAÇAODois momentos: o poético e o ideológico, 61. Cláudio Manuelda Costa, 6o. Basílio da Gama, 72. Santa Rita Durão, 75. Árca-des ilustrados: Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Silva Alvarenga, 78.Da Ilustração ao Pré-romantismo, o9. Os gêneros públicos, 92.IV. O ROMANTISMOCaracteres gerais, 99. A situação dos vários romantismos, 99.Temas, 1O1. O nível estético, 1O4. O Romantismo oficial noBrasil. Gonçalves de Magalhães, 1O6. Pôrto-Alegre 1O9. A histo-riografia, 1O9. Teixeira e Sousa, 111. A poesia. Gonçalves Dias,114. O romantismo egótico: a 2' geração,12O. tLlvares de Azevedo,121. Junqueira Freire, 124. Laurindo Rabêlo, 125. Casimiro deAbreu,127. Epígonos,12o. Varela 129. Castro Alves,132. Con-dores, 137. Sousândrade, 137. A ficção, 139. Macedo, 143. Ma-nuel Antônio de Almeida,145. Alencar,14o. Sertanistas: BernardoGuimarães, Taunay, Távora, 155. O teatro, 163. Martins Pena,163. Gonçalves Dias, 167. Alencar, 16o. Agrário de Meneses,Paulo Eiró, 169. A consciência histórica e critica, 171. Tradiciona-lismo,172. Radicalismo,174. Permanência da Ilustração. J. Fran-cisco Lisboa, 175.V . O REALISMOUm nôvo ideário, 181. A ficção, 18o. Machado de Assis,193.Raul Pompéia, 2O3. Aluísio Azevedo e os principais naturalistas,2O9. Inglês de Sousa, 214. Adolfo Caminha, 216. O Naturalismoe a inspiração regional, 217. Manuel de Oliveira Paiva, 218. Na-turalismo estilizado: "art nouveau", 219. Coelho Neto, 222. Afrâ-nio Peixoto, 23O. Xavier Marques, 231. O regionalismo comoprograma, 232. Afonso Arinos, 234. Valdomiro Silveira, 236.Simões Lopes Neto, 23o. Alcides Maia, 24O. Hugo de Carvalho
 
Ramos, 241. Monteiro Lobato, 241. A Poesia, 244. O Parna-A CONDIÇoO COLONlAL#Literatura e situaçãoO problema das origens da nossa literatura não pode formu-lar-se em têrmos de Europa, onde foi a maturação das grandesnações modernas que condicionou tôda a história cultural, masnos mesmos têrmos das outras literaturas americanas, isto é, a partir da afirmação de um complexo colonial de vida e de pen-samento.A colônia é, de início, o objeto de uma cultura, o "outro"em relação à metrópole: em nosso caso, foi a terra a ser ocupa-da, o pau-brasil a ser explorado, a cana de açúcar a ser culti-vada, o ouro a ser extraído; numa palavra, a matéria-prima aser carreada para o mercado externo ( 1 ) . A colônia só deixa deo ser quando passa a sujeito da sua história. Mas essa passa-gem fêz-se no Brasil por um lento processo de aculturação do português e do negro à terra e às raças nativas; e fêz-se com na-turais crises e desequih'brios. Acompanhar êste processo na es-fera de nossa consciência histórica é pontilhar o direito e o avêssodo fenômeno nativista, complemento necessário de todo comple-xo colonial ( z ) .Importa conhecer alguns dados dêsse complexo, pois foramricos de conseqüências econômicas e culturais que transcenderamos limites cronológicos da fase colonial.Nos primeiros séculos, os ciclos de ocupação e de explora-ção formaram ilhas sociais ( Bahia, Pernambuco, Minas, Rio derodapé( 1 ) Para a análise em profundidade do fenômeno colonial, reco-mendo a leitura dos ensaios de J: P. Sartre ("Le colonialisme est un syr tème", in Les Temps Modernes, n" 123) e de Georges Balandier ("Socio-logie de la dépendance", in Cahiers Internationaux de Sociologie, vol. XII,1952). V. a Bibliografia final dêste volume onde são arrolados algunscstudos brasileiros já "clássicos".( 2 ) V. Afrânio Coutinho, A Tradição Af ortunada, José OlympioEd., 196o, onde o crítico estuda o fator "nacionalidade" em vários momen-tos ds critics brasileira.13Janeiro, São Paulo), que deram à Colônia a fisionomia de umarquipélago cultural. E não só no f acies geográfico: as ilhas de-vem ser vistas também na dimensão temporal, momentos suces-sivos que foram do nosso passado desde o século XVI até a In-dependência. p aís em subsiste-Assim, de um lado houve a dis ersão do p ( * ) amas regionais, até hoje relevantes para a históre onsável pelode outro, a seqüência de influxos da Europa, p paralelo que se estabeleceu entre os momentos de além-Atlânticoe as esparsas manifestações literárias e aztísti.cas do Brasil-Coló-nia: Barroco, Arcádia, Ilustração, Pré-Romantismo . . .Acresce que o paralelismo não podia ser rigoroso pela óbviarazão de estarem fora os centros primeiros de irradiação men-
 
tal. De onde, certos descompassos que causariam espécie a umestudioso habituado às constelações da cultura européia: coexis-tem, por exemplo, com o barroco do ouro das igrejas mineirase baianas a poesia arcádica e a ideologia dos ilustrados que dácôr doutrinária às revoltas nativistas do século XVIII. Códi-gos literários europeus mais mensagens ou conteúdos já colo-niais conferem aos três primeiros séculos de nossa vida espiritualum caráter lv'brido, de tal sorte que parece uma solução aceitá-vel de compromisso chamá-lo luso-brasileiro, como o fêz AntB-nio Soazes Amora na História da Literatura Brasileira ( ** ).Convém lembrar, por outro lado, que Portugal, perdendo aautonomia politica entre 15oO e 164O, e decaindo verticalmen-te nos séculos XVII e XVIII, também passou para a categoriade nação periférica no contexto europeu; e a sua literatura, de-ois do clímax da épica quinhentista, entrou a girar em tornode outras culturas: a Espanha do Barroco, a Itália da Arcádia,a Fran a do Iluminismo. A situação afetou em cheio as inci- pientes letras coloniais que, já no limiar do século XVII, refle-tiriam correntes de gôsto recebidas "de segunda mão". O Bra-sil reduzia-se à condição de subcolônia . . .A rigor, só laivos de nativismo, pitoresco no século XVII e já reivindicatório no século seguinte, podem considerar-se o di-rodapé(*) No ensaio Uma Interpretaiãá d pLásrregiõesBbásileirasidnaMoog da ênfase ao ilhamento cultura as esmntados certos exageros, a tese é plenamente sustentável (V. o es do,datado de 1942, agora incluido em Temas Brasileiros de diversos autores,Rio, Casa do Estudante do Brasil, 196o).( ** ) S. Paulo, Ed. Saraiva, 1955.14visor de águas entre um gongórico português e o baiano Bote-lho de Oliveira, ou entre um árcade coimbrão e um lfrico mi-neiro. E é sempre necessário distinguir um nativismo estático,que se exaure na menção da paisagem, de um nativismo dinâ-mico, que integra o ambiente e o homem na fantasia poética ( Ba-sílio da Gama, Silva Alvarenga, Sousa Caldas ) .O limite da consciência nativista é a ideologia dos inconfi-dentes de Minas, do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recifc. Mas,ainda nessas pontas-de-lança da dialética entre Metrópole e Co-lônia, a última pediu de empréstimo à França as formas de pen-sar burguesas e liberais para interpretar a sua própria realidade.De qualquer modo, a busca de fontes ideológicas não-portuguê-sas ou não-ibéricas, em geral, já era uma ruptura consciente mmo passado e um caminho para modos de assimilação mais dinâ-micos, e pròpriamente brasileiros, da cultura européia, como sedeu no periodo romântico.Resta, porém, o dado preliminar de um processo colonial,que se desenvolveu nos três primeiros séculos da vida brasilei-ra e condicionou, como nenhum outro, a totalidade de nossasreações de ordem intelectual: e se se prescindir da sua análise,creio que não poderá ser compreendido na sua inteira dinâmica

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