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Como garantir a continuidade do negócionas mãos da família?
 
Por Federico Amory (*)
 
egundo recente pesquisa realizada pelo IBGE, as empresasfamiliares respondem por um pouco mais de 50% do PIB no Brasil, daí agrande importância que se lhes deveria atribuir para o reaquecimento daeconomia no país. No entanto, parece que no lugar de facilitar e estimular sua permanência e crescimento no mercado, a situação se complica comimpostos cada vez mais altos, além das elevadas taxas de juros a que têmque se submeter. Isso somente vem confirmar o famoso estigma deautodestruição que continua sendo uma ameaça, agravado pelo empirismodos novos empreendedores.
 
Esperamos que esta situação sejatransitória, mas, mesmo que não seja,não deve ser desculpa para tolerar aincompetência, pois isso existe,namesma intensidade,em quase todas asempresas do país. Em pesquisa queestamos realizando, já deu paraperceber que pelo menos 78% dasempresas familiares têm a preocupaçãode garantir a continuidade do negócionas mãos da família, principalmente depois que o líder-fundador completaseus 40 anos de idade, ou quando sua saúde começa a ficar debilitada; noentanto,são poucas as empresas que se preparam para garantir umatransição tranqüila, sem brigas e discussões desgastantes, o que em algunscasos termina em divisões de bens, inimizades e até morte.Temos diversas experiências neste tipo de trabalho, porém, atendendosugestões de alguns empresários,vamos procurar compartilhar com nossosleitores e amigos,algumas lições aprendidas que,dosadas com seu
 
conhecimento e experiência da área, poderão evitar que sua organização caiano mesmo erro.Em primeiro lugar,é importante compreender que a sucessão é um processo,  o qual tem início, mas praticamente não tem fim, pois a preocupação deveser permanente, como um preâmbulo à melhoria contínua no desempenho daorganização. Portanto, não deve ser considerada como um programa, ou umato isolado que de repente a direção decidiu implantar. Uma excelente formade ilustrar essa recomendação é considerando-a como os alcoólicos anônimosfazem para se manter longe da bebida: a ameaça existe e é permanente.
 
Em segundo lugar, existe uma fortetendência a procrastinar esse tipo dedecisão, já que ela não é uma situação queexige nossa atenção agora; pode ficar paradepois. Por outro lado, ela gera umdesconforto emocional que sabotaqualquer pretensão de sair do círculovicioso da mediocridade.
 
O melhor é enfrentar a situação o maisbreve possível, antes que pegue todomundo de surpresa. Vamos iniciar comconversas simples entre os membros dogrupo familiar sobre quando, onde,como ecom quem poderia continuar a empresa.Não espere a situação ser totalmente favorável para pedir ajuda, esta podenão chegar tão cedo. Lembre-se que além dos imprevistos originários naempresa, existem os imprevistos vindos do grupo familiar, os quais são muitodifíceis de serem resolvidos, pois têm uma forte dose de valor emocional.
 
Essa situação se agrava mais quando sua organização ainda está no nível de “administração tipo bombeiro”, pois nesse contexto mal sobra tempo para asurgências, imagine para as coisas realmente importantes, como é o caso dacontinuidade do negócio nas mãos da família.
 
Todos os membros da família devem ter presente e muito claro que, para tersucesso neste processo, é necessário garantir uma renda para o fundador oucasal de fundadores. Caso contrário, correm o risco de trabalhar, construirum belo plano e depois desmoronar todinho.
 
Os candidatos a sucessores não poderão jamais ser pressionados a aceitar.Evidentemente que essa atitude tem que ser estritamente voluntária.
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