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SISTEMAS AGROFLORESTAIS E A RECUPERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃODE ÁREAS DEGRADADAS EM AMBIENTES BIODIVERSIFICADOSIntrodução
O uso indiscriminado de áreas no processo de produção agrícola, emespecial de culturas anuais, tem conduzido à utilização de práticas de manejodo solo intensivas e não adaptadas muitas vezes às condições edafo-climáticastípicas em dadas regiões. Em conseqüência disso, a degradação física,química e biológica destes solos tem aumentado e o reflexo disso está naqueda crescente da produtividade, o que gera um elevado custo econômico eambiental.O sistema de produção de monocultivos tem sido responsável pelaperda de biodiversidade em todos os nossos biomas. A estratégia científica-agronômica que sustenta o atual modelo de produção agropecuária, parte dapremissa de que as terras devem ser “desocupadas” de sua vegetação naturalantes de se iniciar o plantio dos cultivos econômicos ou a introdução daspastagens e da pecuária. A simplificação dos agroecossistemas faz parte dalógica dos sistemas de produção convencionais. Este modelo leva, obviamente,a uma brutal redução da biodiversidade, o que tem resultado na perda deespécies nativas e no risco de extinção de muitas plantas e de animaissilvestres. A simplificação resulta, também, num crescente desequilíbrioecológico.Não é de hoje que os estudos sobre conservação dos solos mostram arelação direta entre as práticas convencionais e a falta de cobertura com aerosão dos solos. E isso ocorre mesmo que já se saiba que a agriculturaindustrial e a pecuária convencional causam mais danos que agriculturas epecuárias de base ecológica. Uma evidência clara é a diminuição dos níveis dematéria orgânica dos solos que são utilizados de forma convencional comoresultado de anos de práticas agrícolas equivocadas. As perdas de solos por erosão, além do prejuízo ambiental em si, se agravam quando se associa aodesperdício de recursos que foram investidos, como por exemplo, o calcário eos fertilizantes químicos aplicados nas lavouras.A Agroecologia, mais do que simplesmente tratar sobre o manejoecologico e com responsabilidade dos recursos naturais, constitui-se em um
 
campo do conhecimento científico que, partindo de um enfoque holístico e deuma abordagem sistêmica, pretende contribuir para que as sociedades possamconviver em harmonia com o meio ambiente no que condiz a produtividade.Na Agroecologia, é central o conceito de transição agroecológica,entendida como um processo gradual e multilinear de mudança, que ocorreráatravés do tempo. Esta mudança está na passagem de uma agriculturameramente explorativa e degradante para estilos de agriculturas queincorporem princípios e tecnologias de base ecológica.A recuperação de áreas degradadas vem sendo difundida, a um poucomais de 20 anos no estado de São Paulo. É algo muito recente que vem sendocada vez mais utilizado.A recuperação de áreas degradadas visa o re-estabelecimento doequilíbrio do meio ambiente. No Decreto Federal 97.632/89, entende-se por Degradação: “processos resultantes dos danos ao meio ambiente, pelo quaisse perdem ou se reduzem algumas de suas propriedades, tais como, aqualidade ou capacidade produtiva dos recursos ambientais”.A legislação federal define os sistemas agroflorestais como Sistemasde uso e ocupação do solo em que plantas lenhosas perenes são manejadasem associação com plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas, culturasagrícolas, forrageiras em uma mesma unidade de manejo, de acordo comarranjo espacial e temporal, com alta diversidade de espécies e interaçõesentre estes componentes.Dentro da sustentabilidade podem ser estabelecidos numa seqüênciade tempo, podendo reproduzir todo o equilíbrio de um ambiente natural comouma mata ou floresta e toda a sua biodiversidade.A utilização das técnicas de sistemas agroflorestais é de grandeimportância e já são praticadas por comunidades tradicionais e também vemsendo amplamente difundidas há bastante tempo. Compatibiliza as atividadessócio-econômicas e contribui significativamente para o aumento dabiodiversidade e vai de encontro a adequação à legislação ambiental.Os sistemas agroflorestais são importantes porque conciliam arecuperação florestal e as atividades agrícolas como requisito para odesenvolvimento sustentável (“Agenda 21 brasileira”, Ministério do MeioAmbiente).
 
Os sistemas agroflorestais aparecem como uma tentativa promissorade harmonizar as atividades da agricultura com os processos naturais da vidaexistentes em cada lugar em que atuamos, e representa grande potencial paraas regiões tropicais, naturalmente ricas em biodiversidade, por proteger ossolos das intensas chuvas e da insolação direta. A grande diversidade deprodutos, segurança alimentar, sustentabilidade ambiental, incremento dafertilidade do solo e redução gradativa nos custos de produção fazem daagrofloresta uma excelente opção como prática produtiva.
Contexto
Atualmente, a questão ambiental tem sido foco de atenção dacomunidade científica de diferentes países, subsidiando a formulação depolíticas que permitam conciliar a produção com a satisfação de necessidadeshumanas e a conservação e uso racional dos recursos naturais.A agricultura de grande escala se demonstra uma das principaisresponsáveis pela degradação ambiental através de desmatamentos,empobrecimento do solo, contaminação de recursos hídricos e outrosimpactos. Desta forma, a agroecologia surge como um novo paradigma frente aesse tipo de produção, e como uma crítica à racionalidade capitalista industrialaplicada à agricultura. Isto porque se apresenta como uma matrizinterdisciplinar, integradora, totalizante, holística, capaz de apreender e utilizar conhecimentos gerados em diferentes disciplinas científicas.O desmatamento e as queimadas por exemplo, são ainda práticascomuns no preparo da terra para a atividade agropecuária que, além dedestruir a cobertura vegetal, compromete a manutenção de populações dafauna silvestre, a qualidade da água, o equilíbrio do clima e do solo, o queimpõem preemente necessidade de recuperação dessas áreas, utilizando oplantio de espécies florestais nativas para atenuar alguns dos problemasambientais, como o aumento das áreas degradadas.Com isso, a adoção de práticas de manejo do solo torna-se obrigatória,sendo a manutenção e o incremento no teor de matéria orgânica um dosprincipais objetivos. Entre estas, a prática da cobertura e adubação verdeaparece como uma das mais viáveis e eficientes.
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