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R o n z a n i , T . M . & S i l v a , C . M .
Introdução
A Atenção Primária à Saúde (APS) caracteriza-sepor ações preventivas e de promoção da saúdefísica, social e psicológica. Nesse sentido, “a aten-ção à saúde deixa de ser vista como meramentecurativa, individual e isolada do contexto social”
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,para assumir proporções mais amplas, capazesde promover a integralidade das ações em saúde.O Programa Saúde da Família (PSF) destaca-se entre as estratégias de saúde por ser uma tenta-tiva de transformar as práticas da atenção à saú-de e o trabalho dos profissionais que nele atuam,sendo, até mesmo, considerado a alavanca para atransformação do sistema como um todo
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.Como estratégia inerente à atenção primária, guar-da como propósito, além de centrar a atenção nasaúde e dar ênfase à integralidade das ações, foca-lizar o indivíduo como um sujeito integrado àfamília e à comunidade
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.Desde sua criação, o PSF é uma estratégia quevem se estendendo por todo o território nacional.Entretanto, o crescimento do número de equipesnão implica, necessariamente, uma alteração realdas tradicionais formas de atenção à saúde ouuma estratégia de promoção de eqüidade. Senna
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discute que, devido à tradição clientelista e paterna-lista da política nos municípios brasileiros, o PSFpode estar sendo implantado como mero mecanis-mo de barganha política que envolve prefeitos,vereadores e população. Outro motivo para a ade-são ao PSF pelos municípios é o incentivo finan-ceiro dado pelos governos federal e estadual. Alémdisso, as políticas de descentralização no contextoneoliberal - em que surge o PSF - contribuem paraque o governo federal meramente transfira paraas unidades periféricas suas responsabilidades pelasaúde
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, cabendo a ele apenas a função de planejaras ações, enquanto aos estados competiria con-trolar e aos municípios executar
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.Uma das especificidades que chama a atençãona proposta inicial do PSF diz respeito à atuaçãodos profissionais. Além da capacidade técnica, osparticipantes das equipes precisam se identificarcom uma proposta de trabalho que, muitas ve-zes, demanda criatividade, iniciativa e vocação paratrabalhos comunitários e em grupo
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. Portanto, oPSF exige uma mudança estrutural na formaçãoe nas práticas dos profissionais de saúde, que devecomeçar nos centros formadores
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.Importante também é saber como a popula-ção adscrita às equipes de PSF avalia o atendimen-to oferecido, de modo a repensar as práticas pro-fissionais ou intervir sobre a forma de organiza-ção dos serviços, visando seu aprimoramento
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.Considerando as colocações acima, o presen-te artigo tem como objetivo caracterizar o PSF apartir do auto-relato dos gestores, profissionaise usuários de dois municípios do estado de Mi-nas Gerais. Analisou-se especificamente a visãoque profissionais de saúde, gestores e usuáriostinham sobre esta estratégia, bem como se estapercepção corresponde às propostas pensadaspara o PSF como um instrumento de real modi-ficação da atenção à saúde.Para isso, foram realizadas entrevistas comos profissionais de saúde e gestores que contem-plavam as seguintes dimensões: formação pro-fissional, objetivos do PSF, atuação dos profissi-onais das equipes e dificuldades encontradas nocotidiano do trabalho desenvolvido. Aos usuá-rios foi questionada a satisfação com o PSF, bemcomo a organização do sistema de saúde nomunicípio.
Metodologia
Participantes e procedimento
Foram entrevistados uma secretária munici-pal de saúde e dois coordenadores do PSF (umde cada município), 14 profissionais de saúde e118 usuários das áreas de abrangência de quatroUnidades de Saúde da Família (USF) dos muni-cípios de Rio Pomba e Santos Dumont, MinasGerais. Foram incluídas no estudo as duas USFdo município de Rio Pomba e sorteadas duasunidades no município de Santos Dumont. Emcada equipe, foi sorteado um agente comunitá-rio de saúde para representar a categoria na pes-quisa. As entrevistas com os profissionais e ges-tores foram realizadas no próprio local de tra-balho.Com relação aos usuários, foram escolhidos,através de sorteio do domicílio cadastrado nasUSF, cinco usuários por microárea das unidadespesquisadas, tendo sido estabelecido como crité-rio que o entrevistado fosse maior de 18 anos. Aentrevista foi realizada no próprio domicílio.Rio Pomba é um município com populaçãoestimada em 17.283 habitantes e conta com noveestabelecimentos de saúde, sendo seis públicos.Já Santos Dumont tem 47.935 habitantes e pos-sui, ao todo, dezenove estabelecimentos de saú-de, dos quais onze são públicos. Ambos têm umaunidade hospitalar filantrópica com parte dosleitos disponíveis ao SUS
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.Os municípios foram escolhidos por se trata-rem de cidades de pequeno porte na Zona da Mata