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23 O Programa Saúde da Família segundo profissionais de saúde, gestores e usuários

23 O Programa Saúde da Família segundo profissionais de saúde, gestores e usuários

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O Programa Saúde da Famíliasegundo profissionais de saúde, gestores e usuários
Brazil’s Family Health Programaccording to healthcare practitioners, managers and users
Telmo Mota Ronzani
1
Cristiane de Mesquita Silva
2
1
Departamento dePsicologia, Instituto deCiências Humanas,Universidade Federal deJuiz de Fora. CampusUniversitário, BairroMartelos. 36036-900. Juizde Fora MG.telmo.ronzani@ufjf.edu.br
2
Fundação Oswaldo Cruz.
23
MA S I   VR S RHM S 
Abstract
Objective: 
To examine perceptionsamong Healthcare Practitioners, Managers and Users of Brazil’s Family Health Program (FHP)in two municipalities in Minas Gerais State, Bra- zil.
Methodology: 
Semi-structured interviewswith the Practitioners and Managers focused on: professional training, Family Health Programgoals, teams and difficulties encountered in themunicipalities; Users responded to a structured questionnaire in households registered with four healthcare units in these municipalities, selected through a random draw.
Results: 
Practitionersreported that: the requirements for a good teaminclude the personal attributes of its members;they are not satisfied with the FHP organization; prevention is its main goal. Managers ranked intervention at the family level as its main bene- fit, also mentioning health promotion, educationand assistance as other important aspects. Usersindicated that: community health agents are themost outstanding professional category; special-ists are required in the FHP; most respondentsare not engaged in any health-related activitiesother than consultations; specialized services are preferable to the FHP.
Conclusion: 
There aredifferent expectations among all those involved inthe FHP, which may undermine the effectivenessof its services.
Key words
Family health care, Healthcare prac-titioners, Managers, Users
Resumo
Objetivo: 
 Analisar a percepção dos profissionais de saúde, gestores e usuários sobre oPrograma Saúde da Família (PSF) de dois mu-nicípios de Minas Gerais, Brasil.
Metodologia: 
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadascom os profissionais e gestores com os temas: for-mação profissional, objetivos do PSF, equipes edificuldades do programa no município. Foi uti-lizado um questionário estruturado, usandocomo critério de inclusão o sorteio de domicílioscadastrados em quatro unidades dos municípios.
Resultados: 
Os profissionais relataram que: osatributos pessoais de seus membros são o requi-sito para uma boa equipe; há insatisfação com aorganização do PSF; a prevenção é o principalobjetivo do PSF. Os gestores destacaram que omaior benefício do PSF é a intervenção junto às famílias. Citaram também a educação, a assis-tência e a promoção da saúde como pontos im- portantes do PSF. Os usuários revelaram que: oagente de saúde representa a categoria profissio-nal de maior destaque; a presença de especialis-tas no PSF é necessária; a maior parte dos entre-vistados não participa de atividade extra-con-sulta; o serviço especializado é preferível ao PSF.
Conclusão: 
Os envolvidos na proposta do PSF têm expectativas diferentes quanto à estratégia,o que pode afetar a efetividade do serviço.
Palavras-chave
Saúde da família, Profissionaisde saúde, Gestores, Usuários
 
24
   R  o  n  z  a  n   i ,   T .   M .   &   S   i   l  v  a ,   C .   M .
Introdução
A Atenção Primária à Saúde (APS) caracteriza-sepor ações preventivas e de promoção da saúdefísica, social e psicológica. Nesse sentido, “a aten-ção à saúde deixa de ser vista como meramentecurativa, individual e isolada do contexto social”
1
,para assumir proporções mais amplas, capazesde promover a integralidade das ações em saúde.O Programa Saúde da Família (PSF) destaca-se entre as estratégias de saúde por ser uma tenta-tiva de transformar as práticas da atenção à saú-de e o trabalho dos profissionais que nele atuam,sendo, até mesmo, considerado a alavanca para atransformação do sistema como um todo
2,3
.Como estratégia inerente à atenção primária, guar-da como propósito, além de centrar a atenção nasaúde e dar ênfase à integralidade das ações, foca-lizar o indivíduo como um sujeito integrado àfamília e à comunidade
4
.Desde sua criação, o PSF é uma estratégia quevem se estendendo por todo o território nacional.Entretanto, o crescimento do número de equipesnão implica, necessariamente, uma alteração realdas tradicionais formas de atenção à saúde ouuma estratégia de promoção de eqüidade. Senna
5
discute que, devido à tradição clientelista e paterna-lista da política nos municípios brasileiros, o PSFpode estar sendo implantado como mero mecanis-mo de barganha política que envolve prefeitos,vereadores e população. Outro motivo para a ade-são ao PSF pelos municípios é o incentivo finan-ceiro dado pelos governos federal e estadual. Alémdisso, as políticas de descentralização no contextoneoliberal - em que surge o PSF - contribuem paraque o governo federal meramente transfira paraas unidades periféricas suas responsabilidades pelasaúde
6
, cabendo a ele apenas a função de planejaras ações, enquanto aos estados competiria con-trolar e aos municípios executar
7
.Uma das especificidades que chama a atençãona proposta inicial do PSF diz respeito à atuaçãodos profissionais. Além da capacidade técnica, osparticipantes das equipes precisam se identificarcom uma proposta de trabalho que, muitas ve-zes, demanda criatividade, iniciativa e vocação paratrabalhos comunitários e em grupo
4
. Portanto, oPSF exige uma mudança estrutural na formaçãoe nas práticas dos profissionais de saúde, que devecomeçar nos centros formadores
8
.Importante também é saber como a popula-ção adscrita às equipes de PSF avalia o atendimen-to oferecido, de modo a repensar as práticas pro-fissionais ou intervir sobre a forma de organiza-ção dos serviços, visando seu aprimoramento
9
.Considerando as colocações acima, o presen-te artigo tem como objetivo caracterizar o PSF apartir do auto-relato dos gestores, profissionaise usuários de dois municípios do estado de Mi-nas Gerais. Analisou-se especificamente a visãoque profissionais de saúde, gestores e usuáriostinham sobre esta estratégia, bem como se estapercepção corresponde às propostas pensadaspara o PSF como um instrumento de real modi-ficação da atenção à saúde.Para isso, foram realizadas entrevistas comos profissionais de saúde e gestores que contem-plavam as seguintes dimensões: formação pro-fissional, objetivos do PSF, atuação dos profissi-onais das equipes e dificuldades encontradas nocotidiano do trabalho desenvolvido. Aos usuá-rios foi questionada a satisfação com o PSF, bemcomo a organização do sistema de saúde nomunicípio.
Metodologia
Participantes e procedimento
Foram entrevistados uma secretária munici-pal de saúde e dois coordenadores do PSF (umde cada município), 14 profissionais de saúde e118 usuários das áreas de abrangência de quatroUnidades de Saúde da Família (USF) dos muni-cípios de Rio Pomba e Santos Dumont, MinasGerais. Foram incluídas no estudo as duas USFdo município de Rio Pomba e sorteadas duasunidades no município de Santos Dumont. Emcada equipe, foi sorteado um agente comunitá-rio de saúde para representar a categoria na pes-quisa. As entrevistas com os profissionais e ges-tores foram realizadas no próprio local de tra-balho.Com relação aos usuários, foram escolhidos,através de sorteio do domicílio cadastrado nasUSF, cinco usuários por microárea das unidadespesquisadas, tendo sido estabelecido como crité-rio que o entrevistado fosse maior de 18 anos. Aentrevista foi realizada no próprio domicílio.Rio Pomba é um município com populaçãoestimada em 17.283 habitantes e conta com noveestabelecimentos de saúde, sendo seis públicos.Já Santos Dumont tem 47.935 habitantes e pos-sui, ao todo, dezenove estabelecimentos de saú-de, dos quais onze são públicos. Ambos têm umaunidade hospitalar filantrópica com parte dosleitos disponíveis ao SUS
10
.Os municípios foram escolhidos por se trata-rem de cidades de pequeno porte na Zona da Mata
 
25
 C i   ê n c i   a  & S  a  ú  d  e  C  ol   e  t  i   v a  , 3  (   )   :  3 - 3  , 0  0  8 
de Minas Gerais, embora com tempo de implan-tação do PSF diferenciado (aproximadamente oitoanos no caso de Rio Pomba e um ano e quatromeses para Santos Dumont). De acordo com es-tudo realizado por Machado
et al.
11
, a introduçãodo Piso da Atenção Básica permitiu que os muni-cípios de pequeno porte de Minas Gerais ampli-assem a rede de serviços da Atenção Básica, espe-cialmente com a implantação de equipes de PSF.Nesse sentido, esses dois municípios foram esco-lhidos para analisar se o tempo de implantaçãopoderia ser apontado como um fator que influ-encia na visão dos profissionais de saúde, usuári-os e gestores sobre o Saúde da Família.
Instrumentos
De modo a caracterizar o PSF a partir da pers-pectiva dos envolvidos no contexto desta estra-tégia, foram utilizados roteiros de entrevista es-pecíficos para cada grupo.Entre os profissionais e gestores, foram utili-zados roteiros de entrevista, nos quais consta-vam perguntas referentes à formação profissio-nal, aos objetivos do PSF, à atuação da gestãomunicipal frente ao PSF, à descrição que fazemdas atividades desenvolvidas pelos profissionaisda equipe, aos critérios definidores de uma boaequipe de saúde da família e às dificuldades de talestratégia no município estudado.Os usuários da área de abrangência das equi-pes de saúde da família responderam a um ques-tionário cujas perguntas contemplaram temasreferentes à satisfação do usuário em relação àequipe e ao programa e comentários sobre o sis-tema de saúde no município.
Análise dos dados
Para a análise das entrevistas, foi utilizadocomo método a Análise de Conteúdo do tipotemática-estrutural
12
. os dados obtidos como questionário foram analisados no softwareestatístico SPSS, versão 11.0. Foram realizadasanálises estatísticas descritivas e inferenciais dasvariáveis.A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Éticaem Pesquisa da Universidade Federal de Juiz deFora e todos os participantes assinaram a umTermo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Resultados
Profissionais de saúde
Os profissionais entrevistados tinham expe-riência média de três anos e nove meses em PSF,sendo que os de Rio Pomba trabalham, em mé-dia, há três anos na unidade, enquanto os de San-tos Dumont atuam há dez meses. Três dos pro-fissionais com ensino superior fizeram pós-gra-duação, sendo uma em Saúde da Família. O prin-cipal campo de atuação dos ACS antes do PSFera o comércio.No que se refere à formação, os relatos indi-cam que os profissionais com níveis de ensinosuperior e técnico tiveram formação prática vol-tada essencialmente para o contexto hospitalar,enquanto os agentes comunitários não haviamtrabalhado anteriormente no setor saúde. Amdisso, os entrevistados demonstraram insatisfa-ção com a formação, tendo sido a prática citadacomo fonte principal de aprendizado.Quanto à pretensão de continuar trabalhan-do com PSF, foi relatado o interesse em prosse-guir com a atividade. As principais razões paratal foram: satisfação com o trabalho desenvolvi-do, proximidade com a população, crença no PSFcomo uma estratégia de mudança do setor saúdee possibilidade de adquirir mais conhecimentona área. Apesar disso, alguns profissionais comcurso superior anseiam por fazer cursos de espe-cialização ou trabalhar em áreas especializadas.Dentre as razões para a escolha do PSF comocampo de atuação profissional, a oportunidadede emprego foi citada como o principal fator porACS e auxiliares/técnicos de enfermagem. en-tre os enfermeiros, o interesse pessoal pela pro-posta do programa foi a principal razão mencio-nada. Por outro lado, quando perguntados sobreos motivos que levaram os colegas de equipe aoptar pelo PSF, os ACS foram os profissionaismais citados: o fator referido como motivadorpara sua escolha foi a oportunidade de emprego.Um dos entrevistados citou a possibilidade de as-censão social do ACS através deste trabalho:
Comonão tem serviço, muitos vieram de função, assim,de empregada doméstica. Aí arrumou uma coisamelhor. Quer dizer, subiram de nível, né? Eu nãoacho que seja totalmente por vocação
[ENF C].Quando perguntados sobre as atividades de-senvolvidas na rotina de trabalho, os médicosapontaram essencialmente o trabalho clínico (con-sultas e visitas domiciliares). Apenas duas refe-rências foram feitas ao trabalho de educação emsaúde, mas, ainda assim, realizado através de pa-

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