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A bela da noiteJane Porte
Jane Porter 
A BELA DA NOITE
Digitalização: Ju
Resumo
A princesa Joelle Ducasse deve se casar com um desconhecido, mesmo sabendo que ocasamento será sem amor. Assim, num ato de rebeldia Joelle decide passar umatórrida noite com um estranho. Mas, por tramas do destino, ele é, na verdade, oprincipe Leo Borgarte – seu futuro marido!
 
A bela da noiteJane Porte
PRÓLOGO
Palácio Ducasse, Porto, Melio 
A princesa Joelle Ducasse examinou a carta lacrada que deixou na escrivaninha doavô. Enviara cópias idênticas às irmãs, Nicolette, em Baraka, e Chantal, na Grécia.Subitamente o envelope com o selo dourado do pacio pareceu gubre naescrivaninha do avô.
Ficaria tão magoado,
pensou, sentindo as lágrimas brotarem.
Ele não compreenderia.
Entretanto, nem ela entendia por que tamanho desespero para fugir de Meíio, e daatenção da imprensa. Mas nunca julgou agradável viver na berlinda e, desde a morteda avó, tudo piorou. Piorou muito.A mídia não lhe concedeu a privacidade do luto. Documenta vam cada aparição, asvisitas semanais ao túmulo da avó, o fulgor das lágrimas ao deixar o cemitério real.Não sobrava tempo para disfarçar o sofrimento. Nem a perplexidade.A morte da avó deflagrou dores que deviam estar sepultadas den tro dela desde ofalecimento dos pais, há 18 anos. E aquelas fotos nos tablóides, as reportagenssensacionalistas, "Morte da Rainha Astrid Abala Princesa Caçula", só agravaram a suaconfusão.Na realidade, não sabia o que sentir. Tampouco sentiu. Nos úl timos seis meses,desde o funeral da avó, esgotara toda emoção, toda coragem.Como viveria uma vida pública quando sequer sabia quem era?Joelle apanhou o envelope, os dedos roçaram o antigo mata- borrão de couro, hámais de cem anos na família, e lágrimas inundaram-lhe os olhos.Joelle amava o velho mata-borrão, o charmoso gabinete do avô, tudo no ancestral
 
A bela da noiteJane Porte
palácio de pedras calcárias, e compreendia por que devia casar e permanecer aqui ―Nic casou com o sultão e não retornaria a Melio, e Chantal desposou um plebeu gregoe ele não iria se tornar rei todavia ela não cogitava assumir maisresponsabilidades, sem primeiro recobrar a compostura.O palácio parecia tão vazio sem a avó, pois mesmo adorando o avô, era ela quemsempre a aconselhava. E sem a avó aqui, não lograria suportar. Suportar a solidão e aincerteza do futuro, embora Joelle soubesse que era hora de superar a perda.Mesmo que significasse enfrentar a tristeza sozinha.Joelle largou a carta onde estava.
Desculpe-me, Vovô.
Você só vai passar um ano fora, disse a si mesma, encaminhan do-se à porta. Voltaráem 12 meses, casará com o Príncipe Luigi Borgarde e a vida continuará conforme oplanejado.Contudo, seis horas, depois ao acomodar-se no assento de um pequeno avião europeu,de óculos escuros e chapéu enterrado na cabeça, ainda tentava afugentar a culpa econcentrar-se no lado positivo do que havia feito.Teria 12 meses para prantear a morte da avó, sem ser alvo dos
paparazzi.
E por um breve instante Joelle desejou viajar como princesa ― esquivando-se pelossalões privativos e escondida pelos ombros largos dos seguranças e guardas deaeroporto.Contudo o problema não era esse, concluiu Joelle, puxando o co bertor felpudo atéos ombros. Era impossível ser a Princesa Joelle sem as câmeras, a vigilância e osprotocolos reais. E, como Princesa Joelle Ducasse, todos gostariam de saber tudo aseu respeito.Mas sabiam apenas o que a mídia informava.Ignoravam o quanto ansiara por uma chance. Por liberdade.
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