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AMOR E EXTASE
Antigua Kiss 
Anne Weale
"Eu te desejo", disse Ash, entrando no quarto como se tivesse todos os direitos domundo."E farei com que você me deseje também."Christie gelou. Apertou o cabo da escova com que penteava seus longos cabelosloiros, num gesto inconsciente de medo, sabendo exatamente o que ele queria dizer."Mas... mas você prometeu. Deu sua palavra.""Dei minha palavra de que não faria nada que você não quisesse. Garanto que vaigostar da nossa noite de núpcias. Não será como a do seu primeiro casamento.""Você não pode... Não pode estar falando sério!"Ash não se mexeu, mas uma chama inconfundível de desejo surgiu em seus olhosescuros."É inútil discutir com uma mulher que se considera frígida. Palavras nunca aconvencerão de que está enganada. Só há um jeito de convencê-la, minha noivinhamedrosa..."Uma história de amor, ciúme, sonho e desejo!
 
 
Digitalização JoyceRevisão CrystyCAPÍTULO I
No meio da noite, Christie acordou com um som que a princípio nãoreconheceu como a campainha da porta. Quando se deu conta do que era,levantou a cabeça para consultar o relógio na mesinha-de-cabeceira.Eram dez horas quando se deitara e agora passava um pouco da meia-noite, sem dúvida um horário inconveniente para alguém tocar a campainhadaquela forma insistente.Imaginando que poderia ser um dos vizinhos em alguma espécie deemergência, acendeu o abajur e saiu da cama, num pulo.O pijama, os chinelos confortáveis de pele de carneiro e o robe de lãrevelavam uma mulher que dava mais valor ao conforto do que à beleza. Umamulher que dormia sozinha.Entretanto, a fisionomia sonolenta refletida no espelho não era senil etampouco o que se poderia chamar de feiosa.Alguns anos atrás, antes dos acontecimentos que sufocaram suavivacidade, Christie era considerada uma beldade. Agora, aos vinte e quatroanos, conservava a pele fina e clara, os olhos verde-acinzentados e os lábioscheios. Mas o tempo e a vivência tiveram influência decisiva sobre suapersonalidade, tornando-a quase irreconhecível em comparação com a moçacheia de vida que fora no esplendor de seus dezenove anos.Enquanto atravessava o apartamento, acendendo luzes, ocorreu-lhe queo motivo daquele chamado insistente poderia não ser uma emergência, masuma tentativa de assalto. Por isso, abriu a porta sem tirar a corrente da trava desegurança, o que foi um alívio. O homem do lado de fora era um estranho.
O que o senhor deseja?A abertura estreita e a iluminação fraca do corredor impediram umavisão detalhada do homem alto, de ombros largos e pele morena como a dealguns dos alunos de Christie, de ascendência indiana. Só faltava o turbantepara ser um genuíno representante dos sikhs.
Sra. Chapman?
Sim.
 
Sou Ash Lambard. Seu cunhado e eu éramos meio irmãos. Talvezqueira examinar minha identidade...O estranho passou alguma coisa pelo vão da porta. Era um passaporte,aberto na primeira página, identificando o portador como Ashcroft Lambard.Aquele era o momento que Christie mais temia desde a abertura dotestamento, depois do acidente que matara sua irmã, seu cunhado e maisquatro pessoas.Com a casa de Paul hipotecada e o pagamento do seguro de vidaatrasado, sua herança consistia mais em dívidas do que em bens. Christie nãose preocupou com isso, importando-se apenas com o bem-estar do sobrinhoórfão.Foi a cláusula do testamento sobre a criança que a perturbou. CasoJane morresse, Paul confiava o filho não à cunhada, mas ao meio irmão, umhomem de quem não se sabia nada, a não ser que fora expulso de um colégiofamoso e mandado para o exterior.Nem Christie nem Jane conheciam Ashcroft Lambard, que, apesar deconvidado, não aparecera no casamento do meio irmão. O generoso chequeque lhes mandara como presente sugeria que a antiga ovelha negra da famíliatinha se dado bem no exterior. Mas também poderia ser que, como Paul, elefosse do tipo esbanjador e coincidisse de ter alguma economia ao receber oconvite de casamento.Christie tirou a corrente da trava de segurança e deixou-o entrar. À luzda sala, observou melhor o homem de pele bronzeada, acentuada por cabelose olhos escuros. Lembrava-se de ter ouvido qualquer comentário sobre a mãedele ser natural de algum lugar às margens do Mediterrâneo.O visitante entrou e estendeu a mão.
Desculpe tê-la tirado da cama, sra. Chapman, mas não podia perdertempo. Desembarquei no Aeroporto de Heathrow há uma hora e preciso partirdepois de amanhã. Como imaginei que amanhã fosse passar o dia todo foratrabalhando, achei melhor vir aqui agora.Apesar do frio intenso daquela última semana do semestre escolar,antes das férias de Natal, Ash não usava luvas e apertou a mão de Christiecom vigor.
Muito prazer, sr. Lambard
disse ela, um tanto embaraçada comaquela visita inesperada.
Se tivesse me avisado de que viria, poderia terpreparado um jantar...
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