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Sentenca - falsidade ideologica e uso de documento falso - principio da consuncao - rejeicao da prescricao virtual

Sentenca - falsidade ideologica e uso de documento falso - principio da consuncao - rejeicao da prescricao virtual

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PODER JUDICIÁRIO
 
JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
 
SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA
 
2ª VARA FEDERAL
 
ROGÉRIO ROBERTO GONÇALVES DE ABREU
 Juiz Federal
Processo n. 2005.82.00.011873-0
Ação penal pública
  Autor: MPF
Réu: Francisco de Assis Pinheiro Martiniano
 
S E N T E N
Ç
A
1
 
PENAL E PROCESSUAL
PENAL. PRESCRIÇÃO
VIRTUAL.
 
A admissão da tese da prescrição virtualcom base na pena mínima cominada depende d
oadiantamento de
considerações sobre a fixação da
pena.
É de se admitir prescrição virtual apenas combase na pena máxima cominada.
 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. FALSIDADE
IDEOLÓGICA E USO DE DOCUMENTO FALSO
(CP, artigos 299 e 304).
 
Utilização para fins de p
rova
perante o poder judiciário de documento
ideologicamente falsificado.
Aplicação do princípioda consunção
, ficando a falsidade absorvida pelouso do documento. Julgamento de parcial
procedência do pedido.
 
RELATÓRIO
 Tratam os presentes autos de
AÇÃO
 
PENAL PÚBLICA
promovida pelo
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
contra
FRANCISCO DE ASSIS PINHEIROMARTINIANO
, já devidamente qualificados nos presentes autos, dando
-lhe a
peça denunciativa como incurso nos artigos 299 c/c 304, ambos do Código
Penal brasileiro.Narra a
denúncia
(f. 03-
6) que o acusado inseriu informações falsas no
livro de ponto de empregados de sua empresa, apresentando-o perante a
1
 
Sentença tipo D, cf. Res. CJF n. 535/2006.
 
 
 
PODER JUDICIÁRIO
 
JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
 
SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA
 
2ª VARA FEDERAL
 
ROGÉRIO ROBERTO GONÇALVES DE ABREU
 
Juiz Federal
 
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2 de 10
 justiça do trabalho, com o objetivo de alterar a verdade sobre fato juridicamente
relevante.Esclarece o MPF que Heroni
des Noel Gualberto ajuizou reclamaçãotrabalhista em face do Posto de Combustíveis Irmãos Martiniano Ltda.,
localizado em Araruna/PB, de propriedade do denunciado, afirmando o
reclamante não haver recebido por horas extras e feriados trabalhados. Com
a
contestação, o acusado alegou a inexistência da sobrejornada, apresentandocartões de ponto do reclamante. Realizado exame pericial sobre os
documentos, constatou-
se que as anotações manuscritas sobre domingos eferiados não te
riam partido do punho de Heronides Noel Gualberto. Ao final, o juiz julgou procedente o pedido do reclamante, registrando que a falsidadeencontrada foi determinante para seu convencimento.
O MPF acrescenta em sua denúncia que, na fase de investigação pré
-processual, realizou-se ex
ame pericial documentoscópico e procedeu
-
se àoitiva do réu, vindo o mesmo a confirmar que lançou anotações referentes ahorários de entrada e saída do trabalho em relação ao citado reclamante,admitindo que as informações não eram verdadeiras.
 O MPF indi
cou duas testemunhas para oitiva em juízo.
 
Denúncia recebida
em 30/01/2008 (f. 08).
Interrogatório
do acusado (f. 31-4) e
defesa prévia
 
(f. 35) com indicaçãode quatro testemunhas para oitiva em juízo.
 
Inquirição da testemunha
Pedro Alexandre Nunes de Oliveira
(f. 56).
Inquirição da testemunha
Heronides Noel Gualberto
(f. 93-4).
Inquirição das testemunhas
Romualdo Macedo Ferreira
(f. 124-5),
José
Rivaldo da Silva Macedo
(f. 126-7),
Henrique Pereira da Costa Filho
(f.128-9) e
Jose Valque Anominondas
(f. 130-1). Aberto o prazo para requerimento de
diligências
, o MPF (f. 139) disse
que nada tinha a requerer. O acusado não se manifestou (f. 142).
 Em
alegações finais
:
 
 
PODER JUDICIÁRIO
 
JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
 
SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA
 
2ª VARA FEDERAL
 
ROGÉRIO ROBERTO GONÇALVES DE ABREU
 
Juiz Federal
 
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a) O MPF (f. 146-8) alega terem restado demonstradas autoria ematerialidade do crime,
pedindo assim a condenação do acusado nos termosda denúncia. Destaca que a materialidade foi provada pelos elementos
colhidos na fase inquisitorial e destaca que as testemunhas apresentadas pelo
réu não tinham conhecimento de como eram feitos os lançament
os no livro deponto.
b) Já a defesa de
FRANCISCO DE ASSIS PINHEIRO MARTINIANO
 
ale
gou o seguinte: não há provas nos autos de que o acusado tenha agido comdolo; o acusado preenchia os referidos cartões de ponto porque o reclamanteera analfabeto e não os
 
sabia preencher, além do que outras pessoas além doréu faziam tal preenchimento a pedido do reclamante;
uma vez que os fatos
ocorreram no ano de 2002, incidiria, na espécie, a prescrição virtual; o delito doart. 304, por aplicação do princípio da consunção, deverá absorver o delito doart. 299, não podendo o réu ser punido por ambos; ao acusado, em caso decondenação, deve ser aplicada a pena mínima. No mérito, pediu a absolvição
do acusado.
É o breve relato.
 
DECIDO.
FUNDAMENTAÇÃO
 
1) Sobre a alegação de prescrição virtual
 
O réu alega a incidência da figura da prescrição virtual, uma vez, sendofavoráveis as circunstâncias judiciais e legais de fixação da pena, a reprimendafinal não passaria de um ano e meio, o que implicaria em prazo prescricional
de
quatro anos. Como a denúncia foi recebida mais de cinco anos depois do fato,haveria a prescrição retroativa.
 
Ocorre que a prescrição virtual (ou em perspectiva) deve, a meu juízo,se pautar pelo máximo da pena em abstrato, revelando a completa ausênc
ia deinteresse de agir 
do MPF para o prosseguimento do processo. Não é o que
ocorre no presente caso. Baseando-
se na pena mínima, o réu pretendeprovocar uma antecipação da discussão sobre os dados para fixação da pena,de modo que o tema “prescrição” deixa de ser mera questão prejudicial para
tornar-
se autêntica questão de mérito.
 

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