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De uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilância participativa / From a web to another: the common's explosion and the rise of participatory surveillance

De uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilância participativa / From a web to another: the common's explosion and the rise of participatory surveillance

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Published by Henrique Antoun
RESUMO: A discussão sobre a transformação produzida pela Internet no modelo centralizado de produção e comunicação massiva remonta ao final dos anos 80 e início dos 90. Mas a discussão sobre o que será chamado de Web 2.0, por Tim O’Reilly (2005) emerge na virada do milênio quando o sítio, posteriormente transformado em livro, chamado Cluetrain Manifest - ainda sob o impacto da manifestação de Seattle de novembro de 1999 - resolve encarar o desafio de conversar sobre a mudança na comunicação e nos negócios a partir do surgimento de um público auto organizado e participativo. O consumidor tornara-se um usuário cada vez mais exigente, capaz de interagir e se comunicar através da Internet usando os mais diferentes tipos de dispositivos de comunicação.
RESUMO: A discussão sobre a transformação produzida pela Internet no modelo centralizado de produção e comunicação massiva remonta ao final dos anos 80 e início dos 90. Mas a discussão sobre o que será chamado de Web 2.0, por Tim O’Reilly (2005) emerge na virada do milênio quando o sítio, posteriormente transformado em livro, chamado Cluetrain Manifest - ainda sob o impacto da manifestação de Seattle de novembro de 1999 - resolve encarar o desafio de conversar sobre a mudança na comunicação e nos negócios a partir do surgimento de um público auto organizado e participativo. O consumidor tornara-se um usuário cada vez mais exigente, capaz de interagir e se comunicar através da Internet usando os mais diferentes tipos de dispositivos de comunicação.

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De uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilânciaparticipativa
 Henrique Antoun
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Introdução
A discuso sobre a transformação produzida pela Internet no modelocentralizado de produção e comunicação massiva remonta ao final dos anos 80 e iníciodos 90. Mas a discussão sobre o que será chamado de Web 2.0, por Tim O’Reilly(2005) emerge na virada do milênio quando o sítio, posteriormente transformado emlivro, chamado
Cluetrain Manifest 
- ainda sob o impacto da manifestação de Seattle denovembro de 1999 - resolve encarar o desafio de conversar sobre a mudaa nacomunicação e nos negócios a partir do surgimento de um público auto organizado e participativo. O consumidor tornara-se um usuário cada vez mais exigente, capaz deinteragir e se comunicar atras da Internet usando os mais diferentes tipos dedispositivos de comunicação. A mediação da publicidade ou dos grandes mídia estavasendo trocada pelas interações e recomendações obtidas através das redes sociais(Levine, Locke, Searls & Weinberger, 2000). A mediação tinha fugido da mão dosgrandes mediadores e agora estava embutida no código das interfaces através dos protocolos (Galloway, 2004), programas (Lessig, 1999) e agentes (Johnson, 2001), privilegiando os processos interativos de parceria informal dos sistemas
 peer-to-peer 
típicos das redes sociais (Bauwens, 2002; Minar & Hedlund, 2001).Antes da Internet ocupar o centro do debate comunicacional, havia se tornadoum lugar comum considerar o modelo indutivo hermenêutico da mídia de massa um padrão para o estudo da mediatização na sociedade contemporânea. O caráter hipnóticoda emissão de uma mensagem com freqüência intensa e amplamente distribuída, casa-secom a sua sonâmbula recepção de extensa ressonância, configurando uma massaestúpida que reproduz a disposição que lhe foi sugerida neste processo feito à base deredundância. Empiricamente isto se traduz pela repetição regular de idéias associadas,
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Professor Associado da ECO – UFRJ (1998) e pesquisador do núcleo principal do Programa de Pós-Graduação de Comunicação da UFRJ (2001), desenvolve pesquisa com Bolsa de Produtividade do CNPq(2007) no CIBERIDEA – Núcleo de Pesquisa em Tecnologia, Cultura e Subjetividade. Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa que o CNPq financia.1
 
expressões ou tipos de imagens através de diferentes meios concorrentes, gerando asensação de realidade amparada na familiaridade trazida pela regularidade da repetição(Deleuze & Guattari, 1980).O funcionamento deste modelo em um ambiente democrático implicou umrealinhamento de toda mídia feito pela televisão e uma transformação na organizaçãoempresarial das grandes corporações comunicacionais, similar ao modelo que funcionava na indústria de entretenimento. As fusões e aquisições dos anos 70 na esferadas grandes empresas de comunicação vão gerar as grandes redes corporativas globaisde informação, cujo novo gerenciamento se faz baseado nos interesses financeiros daempresa através da participação acionária de seus editores e da entrada do
marketing 
nocírculo de decio editorial. O compromisso das editorias com o
branding 
e alucratividade da rede empresarial corporativa ocasiona uma mega homogeneidade detemas e assuntos em escala global, alinhando a grade de notícias mesmo nas maisremotas localidades em um efeito de imitação em cascata. O tema da tirania dacomunicação (Ramonet, 1999) encontra nesse quadro sua fonte de inspiração embora ostradicionais críticos da comunicação de massa prefiram atribuí-lo às velhas vicissitudesdo imperialismo.A abordagem feita pela teoria da recepção e dos estudos culturais procuraabrandar uma visão apocalíptica deste fenômeno nos lembrando que ninguém podesonambular indefinidamente e mesmo um sonâmbulo precisa acordar de vez emquando. Esta teoria vai valorizar a capacidade do receptor de construir seus própriosnexos e significados fazendo uma leitura original do que lhe é enviado pelo emissor. O processo comunicacional seria de fato parte do processo cultural, tendo o receptor omesmo tipo de liberdade que um novo membro formado em alguma cultura. Dequalquer maneira uma liberdade de leitura e interpretação não é o mesmo que umaliberdade de construção e emissão. Mesmo o leitor mais ativo é ainda passivo na perspectiva da luta para produzir a informação capaz de transformá-lo em um sujeitocom atividade e autonomia. Sobretudo quando a homogeneidade da atividade editorialse presta à condução das guerras de informação que hoje orientam a competição na política e nos negócios (Kopp, 2000; Arquilla & Ronfeldt, 2001).O fato que sobressai é o quanto a teoria da recepção parece ingênua em face darealidade da guerra da informação que tem como um de seus fundamentos a disciplinado gerenciamento da percepção, sendo essencialmente o uso da informação paraconfundir, decepcionar, desorientar, desestabilizar e desbaratar uma população ou um
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exército adversário (Kopp, 2000). O importante nesta guerra é a inserção de falsidadesna percepção do adversário, prevenindo-se de que ele possa fazer o mesmo, e aadivinhação de seus segredos, garantindo um domínio na condução da ação pelo poder de decepção adquirido. Em termos gerais toda operação conduzida para explorar informações para obter uma vantagem sobre um oponente e para negar ao oponenteinformações que poderiam lhe trazer uma vantagem faz parte da guerra de informações(Kopp, 2000). Não há muitas dúvidas de que a massa é um alvo de mafuá para as grandes redesde comunicação e de que estas últimas são um meio indefeso para a resistência àsguerras de informação travadas diariamente através delas (Schwartau, 1995). Não sevive mais em sociedades de cultura unificada ou hegemônica cuja reprodução social sefaz através de processos culturais homogêneos, como supõe uma bolorenta hipóteseantropológica. Vive-se na fábrica social onde as populações lançam mão dos maisdiferentes processos culturais em conflito. Enquanto os diversos processos culturais procuram reproduzir os meios e modos de vida capaz de ampará-los, as populaçõesmisturam diferentes partes destes diversos processos misturando-as e recombinando-asem busca de sua autonomia (Negri & Hardt, 2001).A conversa no
Cluetrain Manifest 
realinhava toda essa temática, pensando acomunicação na Internet como uma profunda transformação nas relações entre público eempresas. O público estaria farto dos caras de pau risonhos que impulsionam a vendanas televisões e desconfiaria cada vez mais do que as empresas lhe endereçariam atravésdos canais de propaganda e
marketing 
. A Internet teria emponderado uma demanda de participação, produção e honestidade incompatíveis com as comunicações invasivas eunilaterais (Levine, Locke, Searls & Weinberger, 2000).
A proliferação do comum
A discussão sobre a Internet dos anos 90 envolvia o debate sobre o estatuto dascomunidades virtuais se eram comunidades “por assim dizerou reais e astransformações que o nascente espaço das páginas web traziam para esta realidade. Isto porque o modelo para entender as manifestações comunicacionais sediadas nociberespaço permanecia preso às hipóteses correntes para as mídias de massa irradiadas.Enquanto alguns teóricos vão querer ver no ciberespaço uma mera plataforma para odesenvolvimento da mídia de massa tradicional (Cole & Suman, 2000), outros vão ligar 
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