Vive-se um contexto de “globalização” econômica (leia-se mundialização docapital), de fragmentação do mundo do trabalho e de subordinação dos EstadosPeriféricos
a políticas de ajuste econômico impostas por conglomerados econômicos degestão “internacional”. A lógica e as estratégias do mercado globalizado impuseram aosEstados Nacionais a “quebra de soberania” (IANNI, 1997; SANTOS, 1997).Há um incremento paroxístico da concentração de renda e da crise social, sendoo aumento do desemprego, da “informalização” e da violência, associado aoinvestimento político na quebra de garantias trabalhísticas historicamente conquistadase no enfraquecimento dos espaços de representação dos trabalhadores, algumas de suasfaces mais visíveis.As grandes empresas, as grandes corporações, estão se tornando espaços decirculação e de acumulação de Capital mais importantes do que as próprias fábricas. Jáé muito difícil contar o número de empresas “virtuais” que se abrigam na Internet. Vive-se, segundo Santos (1997), a “época dos signos”. Nesse contexto, pode-se tambémdiscutir, como fazem vários autores (CODO & SAMPAIO, 1995; SELIGMANN-SILVA, 1994
a
; SILVA
et al
., 1995; ANTUNES, 1995), a emergência de tecnologiassofisticadas de dominação, controle e alienação
−
tais como automação, círculos decontrole de qualidade, terceirização, etc. – e suas relações com a dimensão dasubjetividade.Exclusão, vulnerabilidade e desfiliação (CASTEL, 1995, 1999) são conceitos erealidades; são discurso-materialidade. Para Foucault (1996: 9), “a produção dodiscurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos,dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade”. Nesse sentido, e considerando que o discurso não é apenas
representação
de lutas ou dedominações mas também
algo
porque e através do que se luta,
entender as diferenteslógicas discursivas em dimensão histórica e política (RODRIGUES, 1997) éfundamental para aqueles que pretendam pensar e resolver – seja em que nível for - osmais diversos problemas que se apresentam quando o que está em jogo são ascomplexas relações entre sofrimento, prazer e trabalho na sociedade contemporânea.
1
Não acreditamos que seria contradição falar em Estados “Periféricos” no atual contexto demundialização da Economia. As desigualdades persistem; os países pobres continuam pobres e ocupando posições desfavoráveis no diagrama global que representa as relações políticas e econômicasinternacionais no mundo contemporâneo.2