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30 Participação da comunidade na equipe de saúde da família é possível estabelecer um projeto comum entre trabalhadores e usuários

30 Participação da comunidade na equipe de saúde da família é possível estabelecer um projeto comum entre trabalhadores e usuários

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06/14/2012

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ARI   G O ARI   C
1
Escola de Enfermagem daUniversidade de São Paulo.Av. Dr. Enéas de CarvalhoAguiar 419, CerqueiraCesar, 05403-000, SãoPaulo SP. marinape@usp.br
2
Universidade de São Paulo,Escola de Enfermagem,Departamento deOrientação Profissional.
A participação da comunidade na equipe de saúdeda família. Como estabelecer um projeto comumentre trabalhadores e usuários?
The participation of the community in the teamof family health. How to establish a common projectbetween health workers and users?
Resumo
 
O artigo apresenta os resultados de pes-quisa qualitativa, cujo objetivo foi conhecer oquanto o trabalho em equipe de saúde da família favorece a participação da comunidade na cons-trução de um projeto assistencial. Material empí-rico foi obtido por meio de entrevista semi-estru-turada com trabalhadores e conselheiros de umaUnidade de Saúde da Zona Leste do Municípiode São Paulo, e documentos oficiais da Secretaria Municipal de Saúde, no período de 2001 e 2002.Utilizou-se a técnica de análise de conteúdo e ascategorias analíticas: participação, controle so-cial, trabalho em equipe e processo saúde-doença.Os depoimentos evidenciam três dimensões dis-tintas sobre participação: direito à saúde e cida-dania, assistencialismo e necessidade de capaci-tação dos conselheiros, e duas noções para o con-trole social, fiscalização e parceria. Os trabalha-dores destacam o trabalho em equipe para opera-cionalizar a saúde da família; no entanto, não in-cluem os usuários na dinâmica do grupo de tra-balho e no planejamento das ações. Os avançosna participação e no trabalho em equipe não ga-rantem ainda a construção de um projeto assis-tencial comum, o que deve constituir-se no pró- ximo passo.
Palavras-chave
Participação comunitária, Pro-grama Saúde da Família, Trabalho em equipe,Processo saúde-doença, Políticas de controle social
Abstract
The article presents the results of a qua-litative research, whose objective is to determinethe extent to which teamwork in family health fosters and the participation of the community ina health project, in light of the fact that healthcare is aimed at the population. Empirical mate-rial was obtained by means of a semi-structured interview with workers and advisors of a HealthUnit in the Eastern zone of the Municipality of São Paulo, and from official documents from theSecretariat of Health of the Municipality of SãoPaulo, in the period of 2001 and 2002. The tech-nique of content analysis and the following ana-lytical categories were utilized: participation, so-cial control, teamwork, and health-disease pro-cess. The interviews show three different dimen-sions about participation: the right to health and citizenship; the existence of assistencial services,and the need of capacitation of the members of thehealth councils. There are two notions for socialcontrol, i. e., auditing and partnership. Healthworkers emphasize teamwork as a means to make family health operational; however, they do not include the users in the dynamics of the teamwork and in the planning of actions. Advancements inthe participation and in teamwork still do not guarantee the construction of a common health project, which should be the focus of the next step.
Key words
 
Community participation, Family Health Program, Teamwork, Health-disease pro-cess, Social Control Policies
Maria Angélica Crevelim
1
Marina Peduzzi
2
323
 
   N  a  s  c   i  m  e  n   t  o ,   M .   S .   &   N  a  s  c   i  m  e  n   t  o ,   M .   A .   A .
324
Introdu
çã
o
Caracter
í
sticas peculiares do Programa Sa
ú
deda Fam
í
lia (PSF) parecem favorecer a integra-
çã
o entre comunidade e equipes de sa
ú
de dafam
í
lia,bem como a rela
çã
o trabalhador-usu
á
-rio.Neste sentido,destacam-se a introdu
çã
odos agentes comunit
á
rios de sa
ú
de (ACS) nasequipes,adscri
çã
o de clientela num territ
ó
riodefinido,atua
çã
o das equipes na
ó
tica da Vigi-l
â
ncia em Sa
ú
de e o trabalho em equipe com-posto por um m
é
dico,um enfermeiro,dois au-xiliares de enfermagem e quatro a seis agentescomunit
á
rios de sa
ú
de.O Programa Sa
ú
de da Fam
í
lia decorre dossucessos e dificuldades de outros modelos deorganiza
çã
o da aten
çã
o b
á
sica,dentre estes osDistritos Sanit
á
rios,os Sistemas Locais de Sa
ú
-de (Silos),o modelo Em Defesa da Vida (SilvaJr.,1998),a A
çã
o Program
á
tica em Sa
ú
de (Ne-mes,1990) e,no plano internacional,os mode-los de sa
ú
de da fam
í
lia,particularmente,de Cu-ba e Canad
á
.O PSF,implantado pelo Minist
é
rio da Sa
ú
-de,em 1994,vem sendo adotado em n
í
vel nacio-nal como estrat
é
gia de reorganiza
çã
o da aten
çã
o
à
sa
ú
de,partindo da mudan
ç
a do modelo daaten
çã
o b
á
sica.Conta hoje com 18.706 equipesde sa
ú
de da fam
í
lia na maior parte dos munic
í
-pios brasileiros (79,7%),atendendo 61.268.082pessoas (35,1%);a meta at
é
2007
é
ter 30.000equipes e atender 100 milh
õ
es de pessoas (70%)(Brasil,2003).O Estado de S
ã
o Paulo possui 2.047 equi-pes distribu
í
das na maioria dos munic
í
pios(67%),com cobertura de 18% da popula
çã
opaulista,num total de 6.863.353 pessoas aten-didas pelo programa.(Brasil,2003).De acordo com a Coordena
çã
o de Integra-
çã
o e Regula
çã
o do Sistema (SMS,2003),nomunic
í
pio de S
ã
o Paulo,dados de dezembro de2003 apontam para a exist
ê
ncia de 641 equipesde sa
ú
de da fam
í
lia,com mais de 6.000 profis-sionais envolvidos,atendendo
à
2.211.450 pes-soas,com cobertura de 22% da popula
çã
o local.O Programa Sa
ú
de da Fam
í
lia est
á
pauta-do,dentre outras diretrizes,no trabalho emequipe multiprofissional e na participa
çã
o so-cial/controle social.Entende-se que ambas asdiretrizes est
ã
o relacionadas
à
medida que de-correm e expressam as rela
çõ
es entre a popula-
çã
o de refer
ê
ncia e o servi
ç
o e a equipe de tra-balho,bem como em um plano ainda mais mi-crosc
ó
pico,as rela
çõ
es entre trabalhadores eusu
á
rios.Ambas as propostas,de participa
çã
osocial e do trabalho em equipe,sup
õ
em umprocesso de democratiza
çã
o das institui
çõ
es.Neste artigo,busca-se conhecer o quanto otrabalho em equipe da sa
ú
de da fam
í
lia favore-ce o envolvimento e a participa
çã
o da comuni-dade na constru
çã
o de um projeto assistencial co-mum,visto que a popula
çã
o de refer
ê
ncia
é
a des-tinat
á
ria do trabalho desenvolvido pela equipe.
Referencial te
ó
rico-conceitual
A no
çã
o de trabalho em equipe utilizada nestapesquisa vem precedida pela contribui
çã
o deMendes-Gon
ç
alves (1992) e outros pesquisa-dores que trazem para o campo da sa
ú
de o es-tudo do processo de trabalho.O autor citadodesenvolve estudos sobre a divis
ã
o do trabalhoem sa
ú
de para defender que a aten
çã
o
à
sa
ú
deplanejada e executada de forma a atingir o quese prop
õ
e,compreende uma s
é
rie diversificadade a
çõ
es para as quais se torna necess
á
rio umelenco diversificado de trabalhadores.Desta forma,
é
necess
á
rio conseguir o rela-cionamento consciente e coordenado de umcerto n
ú
mero de profissionais para que o con- junto do trabalho executado,o servi
ç
o de aten-
çã
o
à
sa
ú
de,constitua-se em um s
ó
movimentoem dire
çã
o a um s
ó
fim e n
ã
o na justaposi
çã
oalienada de certa quantidade de trabalhos des-conexos.Peduzzi (1998) desenvolve o conceito detrabalho em equipe como uma modalidade detrabalho coletivo,em que se configura a rela-
çã
o rec
í
proca entre as interven
çõ
es t
é
cnicas e aintera
çã
o dos agentes.Com base na teoria doagir comunicativo de J
ü
rgen Habermas,a au-tora destaca a dimens
ã
o da intersubjetividadedo trabalho,quer entre profissionais e usu
á
-rios,quer entre os pr
ó
prios profissionais.Pormeio da media
çã
o simb
ó
lica da linguagem ostrabalhadores que comp
õ
em a equipe podemefetivar sua intera
çã
o,a articula
çã
o das a
çõ
es ea integra
çã
o dos saberes especializados e co-muns no campo da sa
ú
de.Assim,o trabalho em equipe pressup
õ
e aintera
çã
o entre as pessoas envolvidas,que seposicionam de acordo para coordenar seus pla-nos de a
çã
o.Para Peduzzi (1998),a busca deconsenso com base na pr
á
tica comunicativa,is-to
é
,na comunica
çã
o orientada para o entendi-mento,permite a constru
çã
o de um projeto as-sistencial comum mais adequado
à
s necessida-des de sa
ú
de dos usu
á
rios,ao inv 
é
s de apenasreiterar o projeto t
é
cnico dado
a priori
.
 
 C i  
 ê   
n c i   a  &  S  a 
 ú  
 d  e  C  ol   e  t  i   v a  , 0  (   )   :  0  0  0 - 0  0  0  , 0  0  5 
325
A pr
á
tica de trabalho em equipe com a inte-gra
çã
o entre os profissionais e as interven
çõ
esexecutadas,em substitui
çã
o
à
mera justaposi-
çã
o das a
çõ
es e agrupamento dos agentes,podeser reconhecida apoiada nos crit
é
rios aponta-dos por Peduzzi (2001):a comunica
çã
o entre osagentes do trabalho,a articula
çã
o das a
çõ
es,oreconhecimento das diferen
ç
as t
é
cnicas entre ostrabalhos especializados,o questionamento dasdesigualdades estabelecidas entre os diversostrabalhos e o reconhecimento do car
á
ter inter-dependente da autonomia profissional.
À
me-dida que a equipe configura o trabalho cotidia-no nesta dire
çã
o,tende a construir um projetocomum que se torna o eixo em torno do qual osdiferentes agentes executam seu trabalho espe-cializado e integrado aos demais.As pesquisas e as interven
çõ
es sobre a equipede sa
ú
de abordam a din
â
mica entre os profissio-nais,visto que a no
çã
o de equipe,etimologica-mente,est
á
associada
à
realiza
çã
o de uma tarefaou de um trabalho compartilhado entre v 
á
riosindiv 
í
duos,que t
ê
m nessa tarefa ou trabalho umobjetivo comum a alcan
ç
ar (Peduzzi,1998).No entanto,na perspectiva da aten
çã
o inte-gral
à
sa
ú
de e da democratiza
çã
o das rela
çõ
esde trabalho e de intera
çã
o trabalhador e usu
á
-rio,a popula
çã
o,os grupos sociais e os usu
á
-rios s
ã
o concebidos como part
í
cipes dos pro-cessos e faz-se necess
á
rio aprofundar a com-preens
ã
o sobre sua participa
çã
o.Estudo recente sobre o PSF aponta a aus
ê
n-cia do usu
á
rio como protagonista de seu pr
ó
-prio viver e da produ
çã
o de seu cuidado com otrabalhador e a equipe,visto que ainda colocaa popula
çã
o fora do
â
mbito das decis
õ
es sobreo que lhe diz respeito (Matumoto,2003).Em uma proposta para a atua
çã
o da equipede sa
ú
de da fam
í
lia com foco na organiza
çã
odo cuidado com base nos problemas,que v 
ê
msendo veiculados pelo Minist
é
rio da Sa
ú
de epela Organiza
çã
o Pan-Americana da Sa
ú
de,tamb
é
m,aparece com destaque a rela
çã
o daequipe com a comunidade.O documento assi-nala que esta rela
çã
o introduz novas quest
õ
esde poder,concentradas tanto nos membros daequipe como em algumas pessoas da pr
ó
priacomunidade que se transformam em interlo-cutores privilegiados da equipe.A presen
ç
adesses mediadores comunit
á
rios pode ser en-tendida como uma maneira de facilitar a rela-
çã
o da equipe com a comunidade;por outrolado,ela cria uma nova estrutura de poder queinibe a participa
çã
o dos demais que ficaram fo-ra do c
í
rculo decis
ó
rio (Oliveira,2000).Quanto aos conceitos de participa
çã
o econtrole social,Carvalho
apud
Neder (2001)ressalta os distintos contextos socioecon
ô
mi-co-culturais em que emergem,pois essas defi-ni
çõ
es ou conceitos correspondem a uma va-riedade de enfoques pol
í
tico e ideol
ó
gicos e en-volvem diversas formas de compreens
ã
o da re-la
çã
o Estado e Sociedade e das maneiras de in-tervir nele.O controle social
é
a express
ã
o mais viva daparticipa
çã
o da sociedade nas decis
õ
es toma-das pelo Estado no interesse geral,suas mani-festa
çõ
es mais importantes s
ã
o o cidad
ã
o e ousu
á
rio no centro do processo de avalia
çã
o,deixando o estado de ser o
á
rbitro infal
í
vel dointeresse coletivo,do bem-comum (Santos &Carvalho,1992).Uma das formas de manifesta
çã
o do con-trole social exercida pelo usu
á
rio,cidad
ã
o e ad-ministra
çã
o diz respeito aos Conselhos de Sa
ú
-de em suas v 
á
rias modalidades de organiza
çã
o,os Conselhos Gestores de Unidade,os Conse-lhos Municipais e Estaduais de Sa
ú
de e o Con-selho Nacional de Sa
ú
de.Os Conselhos Gestores s
ã
o canais de parti-cipa
çã
o que articulam representantes da popu-la
çã
o e membros do poder p
ú
blico estatal empr
á
ticas que dizem respeito
à
gest
ã
o de bensp
ú
blicos,s
ã
o agentes de inova
çã
o e espa
ç
os denegocia
çã
o de conflitos (Gohn,2003).Al
é
mdisso,os Conselhos representam uma das for-mas de constitui
çã
o de sujeitos democr
á
ticos.Mas,s
ó
 
é
poss
í
vel compreender o teor dasa
çõ
es dos conselhos,inserindo-os no quadrode desenvolvimento hist
ó
rico de algumas for-mas de participa
çã
o da sociedade civil em pas-sado recente.Para Gohn (2003),na atualidade,
é
preciso entender o lugar atribu
í
do
à
s novasformas de participa
çã
o institucionalizadas,nosmarcos das distintas formas de rela
çõ
es gover-no-sociedade civil como o programa do Or
ç
a-mento Participativo,os f 
ó
runs e as plen
á
rias departicipa
çã
o popular.A possibilidade de elabora
çã
o de pol
í
ticasde inclus
ã
o dos setores exclu
í
dos social e eco-nomicamente da realidade brasileira,em pro-cessos de delibera
çõ
es e decis
õ
es dos destinosdas pol
í
ticas governamentais,recoloca o temada participa
çã
o na esfera p
ú
blica,assim comorep
õ
e a constitui
çã
o dos sujeitos para a cons-tru
çã
o de projetos democr
á
ticos.O tema da participa
çã
o
é
uma lente quepossibilita um olhar ampliado para a Hist
ó
ria.O resgate dos processos de participa
çã
o leva
à
slutas da sociedade por acesso aos direitos so-

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