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A Mistica Origem Do Zero_fim

A Mistica Origem Do Zero_fim

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A história da evolução humana está diretamente relacionada à história dos números, mais precisamente a capacidade do homem de criar símbolos, atribuir-lhes significados e transmitir esses conhecimentos para outros. A Matemática - a linguagem simbólica por natureza - é a expressão máxima da evolução intelectual humana, tendo no Zero um dos símbolos matemáticos mais significativos e um marco nessa história, pois é a tradução gráfica de uma idéia altamente abstrata e assustadora para muitos povos e culturas: o vazio, o nada. Mais do que falar da história da Matemática, este artigo trata igualmente de coisas do pensamento e de cultura, fenômenos essencialmente humanos.
A história da evolução humana está diretamente relacionada à história dos números, mais precisamente a capacidade do homem de criar símbolos, atribuir-lhes significados e transmitir esses conhecimentos para outros. A Matemática - a linguagem simbólica por natureza - é a expressão máxima da evolução intelectual humana, tendo no Zero um dos símbolos matemáticos mais significativos e um marco nessa história, pois é a tradução gráfica de uma idéia altamente abstrata e assustadora para muitos povos e culturas: o vazio, o nada. Mais do que falar da história da Matemática, este artigo trata igualmente de coisas do pensamento e de cultura, fenômenos essencialmente humanos.

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A mí(s)tica origem do Zero e a (r)evolução do Nada
Franz Kreüther Pereirafranzkre@hotmail.comSecretaria de Estado de Educação-SEDUC
Look at zero and you see nothing; but look through itand you will see the world. - R. Kaplan
Resumo:
A história da evolução humana está diretamente relacionada à história dos números, mais precisamente a capacidade do homem de criar símbolos, atribuir-lhes significados etransmitir esses conhecimentos para outros. A Matemática - a linguagem simbólica por natureza - é a expressão máxima da evolução intelectual humana, tendo no Zero um dossímbolos matemáticos mais significativos e um marco nessa história, pois é a traduçãográfica de uma idéia altamente abstrata e assustadora para muitos povos e culturas: o
vazio
,o
nada
. Mais do que falar da história da Matemática, este artigo trata igualmente de coisasdo pensamento e de cultura, fenômenos essencialmente humanos.
Palavras-chave:
História da Matemática, origem dos números, cultura. 
Apresentação
 Neste trabalho pretendo refletir sobre algumas questões a respeito do surgimento dozero, como por exemplo: “Por que demorou tanto para existir uma representação do nada?”(Kaplan. 200, p. 27); Será o zero a forma do nada? Há alguma relação entre a formacircular escolhida para representar o vazio e o zero? O zero pode ter sidodescoberto/inventado antes e mantido oculto por interesses herméticos? A construção doconceito de Zero contribui para a aprendizagem matemática?Aliamos, ainda, as hipóteses que norteiam esse artigo, a saber:
o zero surgiu como materialização de um processo não apenas matemático e com base em entes materiais - como o que ocorreu para o surgimento dos númerosnaturais;
a compreensão desse conceito, isto é, a idéia de
vazio/nada
não era somenteassustadora como inalcançável para a população antiga;
que um caráter divino/mítico atribuído ao zero pode ter contribuído decisivamente para retardar seu surgimento ou divulgação, e1
 
*
 
o zero exigiu do ser humano o desenvolvimento de novas estruturas cognitivas(subjetivas e culturais), sem as quais sua maturação seria impossível.Este artigo aproxima-se, de forma mui modesta, de uma disciplina designada pelaProfª. Dra. Teresa Vergani
1
de Matemática, Sociedade e Cultura-MSC. Esses três conceitosencontram-se tão imbricados, num sentido antropológico, que ao se lançar um olhar reflexivo sobre um deles, necessariamente enxergamos os outros; e ao fazer issoadquirimos mais um pouco de compreensão da nossa história universal. E “talvez nadaseja tão inovador como as raízes das coisas: uma abordagem intercultural das antigasrealidades para-matemáticas só se justifica se visar uma compreensão crítica do presenteorientada para uma intervenção latente no porvir” (Vergani. 1991, p.22).
O medo do nada
 Nas sociedades primitivas a tradição de transmitir oralmente os conhecimentostendo por base mitos, lendas, fábulas etc, era institucionalizada, entretanto observamos queem todas os mitos cosmológicos e antropogônicos (os que tratam da criação do mundo e dohomem) não falam no
nada
, no
vazio
. Parece-nos claro que
“la razón de este proceder esobvia: el hombre tiene horror al 
vácio
(grifo nosso)
y necessita de uma seguridad que el reconocimiento de esas tenieblas le impediría tener para actuar eficazmente em suambiente.”
(Sagrera. 1967, p.40). De fato, “na vida cotidiana, não nos apercebemos dessaunidade de todas as coisas; em vez disso, dividimos o mundo em objetos e eventosisolados” (Capra. 2000, p.103).Assim, num mundo completamente preenchido por coisas dinâmicas e visíveis,como seria possível ao homem mostrar o
vazio
, o
nada
? Essa “idéia de quantidade” nãoencontrava correspondente em suas representações visuais, táteis ou mentais. O fato de ele“não ter” era-lhe uma idéia bastante clara e facilmente transmissível para outros, oimpossível era associar essa “idéia” concreta de quantidade com outra, absurdamenteabstrata, o
nada
... até que surgiu o Zero.O zero também não encontrava lugar nas reflexões dos filósofos da antiguidade, damesma forma que “a noção de repouso absoluto, ou inatividade estava quase inteiramente
1
Teresa Vergani é licenciada em Matemática pela Universidade de Lisboa e doutora em Antropologia.
2
 
ausente da filosofia chinesa” (Capra. 2000, p.34). Mas os mestres e sábios antigosdebruçavam-se sobre tudo que lhes conduzisse à compreensão do ser e do não-ser, na busca de identificar diferenças, de estabelecer limites, de mensurar 
2
o real e o imaginário, ovulgar e o maravilhoso, o tangível e o intangível.Cronologicamente, o 1 foi o primeiro algarismo e o zero o último a compor aescada do progresso do ser humano, um progresso que o tem levado cada vez mais próximo do aniquilamento, do nada do qual tenta desesperadamente fugir, pois o homem éo único ser da natureza que tem consciência que vai morrer. Essa filosofia nos remete aofluxo constante e universal de todas as coisas, aos ciclos que regem todas as manifestações;e isso nos lembra a mensagem contida no símbolo do Yin e Yang:
quando Yin atinge seu ponto máximo cede lugar ao Yang; quando Yang atinge seu ponto máximo, cede lugar aoYin.
O zero eclodiu no momento em que o conceito de número havia atingido seuclímax (seu ponto máximo para a época), daí necessitava sofrer uma transformaçãoevolutiva, um morrer e um renascer (a forma de ovo reforça a analogia). Ele marca omomento da morte dos números e seu renascimento, reconfigurados em importância,símbolo e significado. Na pesquisa que realizamos em 2003, com estudantes de 5ª a série de uma escola particular em Belém, a aluna L.F. (6ª série-12 anos) apresenta uma bem elaborada concepção quando diz que o “zero é o começo de tudo, não só dos números,mas de tudo, pois tudo começa do zero, o que não começa do zero não começa, continua”.
A mí(s)tica origem do Zero
Lawlor (1996, p.20), atribui um poder revolucionário ao Zero ao afirmar que “com ozero, temos no início das mateticas modernas um conceito nurico quefilosoficamente é enganoso e que cria uma separação entre nosso sistema de símbolosnuméricos e a estrutura do mundo natural”, e esclarece que “a orientação teológica damentalidade hindu não permitiu que se colocasse o zero no início das séries. O zero foicolocado depois do 9. Não foi senão em finais do século XVI na Europa, o alvorecer da‘idade da razão’, quando o zero foi colocado na frente do 1, permitindo assim o conceitodos números negativos” (idem, p.19).
2
Esse medir que aqui me refiro não deve ser entendido como o conceito matemático, mas como a idéia ouresultado que subjaz quando comparamos duas coisas.
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