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PARA UMA ALTERNATIVAPARA UMA ALTERNATIVAPARA UMA ALTERNATIVAPARA UMA ALTERNATIVA: :
UMA OUTRA ESCOLA, UMA OUTRAUMA OUTRA ESCOLA, UMA OUTRAUMA OUTRA ESCOLA, UMA OUTRAUMA OUTRA ESCOLA, UMA OUTRACARREIRA DOCENTE, UMA OUTRACARREIRA DOCENTE, UMA OUTRACARREIRA DOCENTE, UMA OUTRACARREIRA DOCENTE, UMA OUTRAAVALIAÇÃO AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO 
 
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PARA UMA ALTERNATIVA:UMA OUTRA ESCOLA, UMA OUTRA CARREIRA DOCENTE, UMA OUTRAAVALIAÇÃO
A necessidade e a urgência de responder aos desafios concretos que a luta dosprofessores coloca aos movimentos tem-nos impedido de reflectir sobre outras urgências,quiçá mais profundas, que se prendem não com a “espuma dos dias”, mas com a substânciade que é feito o sistema educativo em Portugal. Quando nos lançam o desafio de apresentar alternativas às leis actuais, temo-nos quase sempre escudado no silêncio ou em afirmaçõesgenéricas, expondo-nos assim à objecção de que estamos neste combate com uma posturameramente destrutiva, sem algo de positivo para propor. A eventual injustiça desta crítica,quando a medimos com o escasso tempo de que dispomos para fazer face às várias frentesque nos solicitam, não lhe retira, porém, pertinência. E uma pertinência tanto maior quantosabemos que, entre nós, está longe de haver um défice de compreensão crítica e de análisepenetrante sobre as necessidades do ensino no nosso país, sobre as virtudes e os fracassosda escola pública e sobre a distribuição justa das responsabilidades relativas ao estado a quese chegou. É tempo, pois, de apresentar algumas linhas de orientação que, devidamentearticuladas e desenvolvidas, poderão lançar as bases para a construção de uma alternativaglobal à arquitectura legislativa com que o governo de José Sócrates projectou minar a poucaconsistência que, muito graças ao trabalho abnegado dos professores, ainda restava à EscolaPública.O texto que agora expomos não pretende delinear em detalhe uma proposta abrangente,ainda que aponte para alguns aspectos de pormenor sem os quais a reforma que urge fazer ficará suspensa no vazio. Contudo, mais do que isso, consideramos fundamental que asugestão dessa reforma seja sustentada por uma ideia de escola e de ensino para o nossopaís. Justamente a ideia que falta ao Ministério da Educação. De facto, se procurarmos naprodução legislativa com que o Estado tem brindado os estabelecimentos de ensino, é em vãoque encontraremos uma filosofia de escola com um mínimo de solidez, de coerência ou deintencionalidade apostada em responder aos graves problemas que afectam o sistemaeducativo. Pelo contrário, vemos um discurso empenhado em projectar a figura do “bode
 
 2expiatório” sobre o elo aparentemente mais fraco de uma relação de poder assimétrica – oprofessor face ao aparelho de Estado – e em perpetuar os piores vícios do sistema, desta feitacom uma variante particularmente perversa: montar mecanismos coercivos que convertamdefinitivamente os professores em proletários diplomados, arregimentados para servir umapolítica demagógica cujo fim último será fabricar sucesso escolar fraudulento, bom paraornamentar estatísticas europeias e para ilustrar as maiores piruetas retóricas, mesmo queseja nula a sua projecção no plano dos conhecimentos realmente interiorizados pelapopulação estudantil. Se nada travar este processo, ficaremos no meio das ruínas de umacerta noção de escola pública. Porém, acreditamos ser possível equilibrar o projectodemocrático de inclusão social com um ensino de rigor e de exigência, partindo do princípiode que só assim o sistema educativo poderá contribuir para a correcção das assimetriassociais e para a emergência de cidadãos criativos e críticos.Julgamos que a imensa força gerada pela luta dos docentes é capaz de criar condiçõespara uma mudança profunda no modo como a escola e o ensino têm sido geridos eentendidos em Portugal. E consideramos que, neste aspecto, os movimentos independentesde professores podem dar voz a uma reflexão de qualidade que, desta feita, não parta dosagentes tradicionais – os pedagogos que povoam as estruturas do Ministério, principaismentores das maiores aberrações que se têm abatido sobre o sistema de ensino deste país.Para dar seguimento a essa finalidade, é uma nova ideia de escola o que aqui trazemos, naconvicção de que só com base nela fará sentido pensar a reestruturação da carreira docente ea avaliação do desempenho.Temos consciência de que várias das propostas que aqui trazemos são discutíveis, se nãomesmo polémicas. Queremos, acima de tudo, suscitar o debate que urge fazer sobre a EscolaPública, sobre o sistema de ensino e as práticas lectivas que desejamos para o nosso país,um debate que entendemos necessário para responder aos desafios que hoje se colocam àsociedade portuguesa. Esta é, pois, uma proposta aberta e exposta à discussão pública,certamente susceptível de alterações e melhoramentos, feita com princípios e convicçõesfirmes, mas onde também perpassam interrogações e perplexidades, muitas das quaispercorreram o debate interno na APEDE que acompanhou a elaboração deste texto.
1. UMA OUTRA IDEIA DE ESCOLA E DE ENSINO
Defendemos uma escola democrática pautada por um ensino que valorize conhecimentos,competências e valores, dentro de uma cultura de responsabilização e de exigência,considerando que só dessa forma se pode assegurar que todos os estudantes,
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