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Cuidado de Enfermagem Ao Portador de Esquizofrenia

Cuidado de Enfermagem Ao Portador de Esquizofrenia

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Rev Esc Enferm USP2006; 40(2):286-91
.
www.ee.usp.br/reeusp/
286
Primeiro episódio da esquizofrenia eassistência de enfermagem
Giacon BCC, Galera SAF.
FIRST EPISODE OF SCHIZOPHRENIA AND NURSING CAREPRIMER EPISODIO DE LA ESQUIZOFRENIA Y ASISTENCIA DE ENFERMERÍA
Bianca Cristina Ciccone Giacon
1
, Sueli Aparecida Frari Galera
2
RESUMO
A esquizofrenia é um dos prin-cipais problemas de saúde daatualidade, exigindo considerávelinvestimento do sistema de saúde.A intervenção no primeiro epi-sódio do transtorno oferece umaoportunidade única no tratamentoda esquizofrenia, influenciando nocurso da doença. O presente artigoconsiste em uma revisão crítica deliteratura cujos objetivos sãoexaminar o conhecimento sobre oprimeiro surto de esquizofrenia ediscutir a contribuição da enfer-magem na assistência. Foi utili-zada pesquisa bibliográfica emíndice informatizado de referên-cias. Os dados obtidos permitiramorganizar informações sobre oconceito geral de esquizofrenia,seu primeiro surto, tipos de inter-venções e a atuação de enfer-magem. Observamos que existepouca literatura brasileira rela-cionada ao primeiro surto esqui-zofrênico, na área da enfermagem,poucos serviços especializados edisponíveis e poucos recursossociais. Tal condição mostra anecessidade de estudos relacio-nados ao primeiro surto.
DESCRITORES
Esquizofrenia.Enfermagem psiquiátrica.Doença crônica.ujeres.
RESUMEN
La esquizofrenia es uno de losprincipales problemas de salud dela actualidad, exigiendo considera-ble inversión del sistema de salud.La intervención en el primer epis-odio del trastorno ofrece oportu-nidad única en el tratamiento dela esquizofrenia, influyendo en elcurso de la enfermedad. El pre-sente artículo consiste en una re-visión crítica de la literatura cuyosobjetivos son examinar el cono-cimiento sobre el primer episodiode esquizofrenia y discutir acercade la contribución de la enfermeríaen la asistencia. Fue utilizada lainvestigación bibliográfica eníndice informatizado de refe-rencias. Los datos obtenidos per-mitieron organizar informacionessobre el concepto general deesquizofrenia, su primer episodio,tipos de intervenciones y laactuación de enfermería. Observa-mos que existe poca literaturabrasileña relacionada a la primeraaparición de signos de esquizo-frenia, en el área de la enfermería,pocos servicios especializadosdisponibles y pocos recursos so-ciales. Tal condición muestra lanecesidad de estudios relaciona-dos al primer episodio.
DESCRIPTORES
Esquizofrenia.Enfermería psiquiátrica.Enfermedad crónica.
ABSTRACT
Schizophrenia is one of the mainhealth problems in current days,requiring considerable investmentfrom the health system. Interve-ning in the first episode offers aunique opportunity in the treat-ment of schizophrenia and influ-ences the course of the illness.This article consists of a criticalliterature review aimed at exa-mining knowledge on first epi-sode schizophrenia and dis-cussing the contribution of nur-sing care. A research was carriedout in bibliographical databases.The data collected made possiblethe organization of informationon the general concept of schi-zophrenia, its first episode, typesof intervention and nursingperformance. We found out thatin Brazil there are few studiesrelated to first episode schizo-phrenia in Nursing, few availablespecialized services, and fewsocial resources. This situationreveals the need for more studieson first episode schizophrenia.
KEY WORDS
Schizophrenia.Psychiatric nursing.Chronic disease.
 
Recebido: 25/06/2004Aprovado: 23/03/2005
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 VI   S Ã  O
 
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I  RA URA
Primeiro episódio da esquizofreniaPrimeiro episódio da esquizofreniaPrimeiro episódio da esquizofreniaPrimeiro episódio da esquizofreniaPrimeiro episódio da esquizofreniae assistência de enfere assistência de enfere assistência de enfere assistência de enfere assistência de enfermagemmagemmagemmagemmagem
1 Aluna do terceirosemestre de gradua-ção do curso deEnfermagem daEscola de Enfermagemde Ribeirão Preto daUniversidade de SãoPaulo (EERP/USP).Bolsista do Projetode Extensão Univer-sitária: Núcleo deEstudos e Recursosda Família.2 Professora Doutorado Departamento deEnfermagem Psiquiá-trica e Ciências Huma-nas da EERP/USP.sugalera@eerp.usp.br
 
Primeiro episódio da esquizofrenia eassistência de enfermagem
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Giacon BCC, Galera SAF.
Rev Esc Enferm USP2006; 40(2):286-91
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INTRODUÇÃO
A esquizofrenia é um dos principais problemas de saúdepública da atualidade, exigindo considerável investimentodo sistema de saúde e causando grande sofrimento para odoente e sua família. Apesar da baixa incidência, por seruma doença de longa duração, acumula-se, ao longo dosanos, um número considerável de pessoas portadoras des-se transtorno, com diferentes graus de comprometimento ede necessidades.A intervenção no primeiro episódio do transtorno ofere-ce uma oportunidade única no tratamento da esquizofrenia.Sabe-se que a demora na procura do tratamento tem umainfluência fundamental no prognóstico do paciente, poispode levar a uma ruptura significativa dos níveis psíquico,físico e da rede social do doente. O tempo de tratamentopara obtenção da remissão do quadro agudo também au-menta à medida que se sucedem os episódios psicóticos
(1)
.Dada a importância do transtorno psicótico, tanto para asaúde pública como para o indivíduo e sua família, a finalida-de deste artigo é a revisão de literatura sobre o primeiro surtoda esquizofrenia e a importância das ações de enfermagemneste momento. O estudo de revisão de literatura tem grandeimportância para a formação e apresentação do conhecimen-to em todas as áreas. Na formação do aluno de graduação emenfermagem, a revisão de literatura permite o aprendizado sobrebusca e leitura de textos na literatura científica e de comoorganizá-la para obter suporte teórico que oriente a prática daprofissão, no sentido do cuidado eficaz e de qualidade
(2)
.É importante descobrir quais intervenções podem con-tribuir no tratamento do primeiro surto esquizofrênico e comoessas cumprem o papel de ajudar o indivíduo e sua família ase colocarem frente aos seus problemas e estigmas associa-dos ao transtorno. Esta revisão deve, por conseqüência,refletir as vantagens da intervenção no primeiro surto e acontribuição da enfermagem nesse contexto. Dessa manei-ra, indicar como a enfermagem pode reduzir o sofrimentofísico e emocional das pessoas que estão vivenciando oprimeiro surto psicótico.
OBJETIVOS
Os objetivos desta revisão são:- Examinar o conhecimento sobre a esquizofrenia e oprimeiro surto em esquizofrenia.- Examinar o conhecimento sobre a intervenção no pri-meiro surto de esquizofrenia e sua eficácia.- Examinar o conhecimento da enfermagem sobre o pri-meiro surto em esquizofrenia, destacando a contribuição daprofissão nesta área.
MÉTODO
Trata-se de um estudo bibliográfico, através de livro-texto e levantamento de artigos científicos na base de da-dos: MEDLINE, CAPES, LILACS e DEDALUS. Para a loca-lização dos artigos foram usadas as seguintes palavras-cha-ves: esquizofrenia, primeiro episódio esquizofrênico, primeirosurto de esquizofrenia, enfermagem e esquizofrenia, famíliade esquizofrênico e os mesmos termos em inglês. Foramincluídos os artigos dos últimos quinze anos. A técnica uti-lizada foi a análise da bibliografia encontrada, que compre-ende a leitura, seleção, fichamento e arquivo dos tópicos deinteresse para a pesquisa em pauta. Foram encontradosdezessete artigos e uma tese de interesse para este estudo,os quais enfocam evolução histórica do conceito deesquizofrenia, curso e prognóstico, primeiro episódio e seuinício, atuação da enfermagem e tipos de intervenções osquais são apresentados no próximo item deste trabalho.
DESENVOLVIMENTO
 Esquizofrenia
A esquizofrenia é um transtorno causado por diversosfatores biopsicossociais que interagem, criando situações, asquais podem ser favoráveis ou não ao aparecimento do trans-torno. Os fatores biológicos seriam aqueles ligados à genéti-ca e/ou aqueles que são devidos a uma lesão ou anormalida-de de estruturas cerebrais e deficiência em neurotransmis-sores. Os fatores psicossociais são aqueles ligados ao indiví-duo, do ponto de vista psicológico e de sua interação com oseu ambiente social, tais como: ansiedade muito intensa, es-tado de estresse elevado, fobia social e situações sociais eemocionais intensas. Enfim, indivíduos com predisposiçãopodem desenvolver a doença quando estimulados por fato-res biológicos, ambientais ou emocionais
(3-4)
.A própria definição fala que é um transtorno de longaduração, durante o qual a pessoa experimenta períodos decrises e remissões que resultam em deterioração do funcio-namento do doente e da família, causando diversos danos/ perdas nas habilidades de todo o grupo. Por exemplo, dimi-nuição da habilidade para cuidar de si mesmo, para traba-lhar, para se relacionar individual e socialmente e para man-ter pensamentos completos
(5)
.Pessoas esquizofrênicas têm como característica a perdade associações de idéias, alucinações, afeto embotado, risoimotivado ou inapropriado, avoliação, alogia, delírios proe-minentes, deterioração global do funcionamento, associa-ções frouxas, desorganização da sintaxe, pensamento ilógi-co e, principalmente, pobre em acontecimentos
(3,5-7)
.Não existe um curso típico da esquizofrenia devido àgrande sintomatologia apresentada, que varia de indivíduo
 
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para indivíduo.
 
Somente 5% dos pacientes apresentam um sur-to na vida, e a maioria experimenta vários surtos, principalmen-te no início da doença. A variabilidade da evolução encontradaindepende dos sintomas apresentados no início da doença.
 Idade de início
A idade de início é tradicionalmente considerada comoum fator importante para o prognóstico. Quando a doençase inicia antes dos 20 anos, o prognóstico é pior. A idade deinício no homem é menor que na mulher, 15 a 25 anos e 25 a35 anos respectivamente. Esta diferença é explicada na lite-ratura com a seguinte argumentação: os rapazes sofremestresse mais cedo que as moças, que apresentam taxas dehormônios contínuas. Os hormônios femininos têm efeitosparecidos com os neurolépticos, por isso os sintomas apa-recem mais tardiamente, somente quando as taxas hormonaiscomeçam a diminuir
(5)
.O final da adolescência e início da vida adulta é uma fasebastante conturbada, pois envolve transformações físicas,emocionais e aquisição de novas responsabilidades e pa-péis, da pessoa, em seu ambiente social. O aparecimento dapsicose nesta época se dá, muitas vezes, pelapressão que o jovem sofre, dessas mudan-ças
(5)
.Hoje se sabe que a doença e a deteriora-ção iniciam-se anos antes das manifestaçõesclínicas mais características da psicose. A faseprodrômica se caracteriza por ansiedade, in-sônia, dificuldade de atenção e concentração,irritabilidade, deterioração da
 performance
edas atividades cotidianas, distúrbios do com-portamento, distanciamento social, comportamento desorga-nizado, paranóides alucinatórios, delírios menos freqüentesque alucinações. Os conteúdos dos delírios e alucinaçõesvariam de acordo com a idade de início da doença, nos mais jovens apresentam-se mais simples e fixos e nos mais velhosmais complexos
(1,8)
. Muitas vezes as pessoas que convivemcom o doente atribuem às mudanças observadas nessa fasecomo típicas da adolescência e ou de uma crise da idade adul-ta e por isso costumam não procurar ajuda especializada. Ge-ralmente a busca por ajuda ocorre somente quando os sinto-mas agudos aparecem.
 Formas de início
A esquizofrenia pode apresentar início agudo ou o insi-dioso, os quais possuem características distintas evoluindopara uma sintomatologia própria. O início agudo é caracteri-zado pelo aparecimento dos sintomas de forma abrupta, evo-luindo para uma deterioração se não tratados imediatamen-te. Tem como principal sintomatologia a regressão, a confu-são e a ansiedade que progridem para estado de pânico,episódios confusionais do delírio febril, excitação motora,insônia e atitudes catatônicas
(7-8)
.O início insidioso caracteriza-se por um desenvolvimen-to da psicose de forma mais amena, o desenvolvimentopsicomotor é normal, porém nos aspectos emocional e inte-lectual manifestam-se desvios extremos. Aparecem fenôme-nos dissociativos nas áreas da afetividade e da linguagem,fortes mudanças de humor, atos obsessivos e compulsivos,irritabilidade e hostilidade. Quando não ocorre intervençãoneste tipo de início, ele evolui para a deterioração do funci-onamento global e exacerbação aguda da psicose em umpróximo momento
(7-8)
.
Tratamento
Idealmente o atendimento de pacientes que estão viven-do o primeiro surto deveria se dar em locais especializados,como é o exemplo de um serviço existente em Ontário, Cana-dá, descrito em pesquisa
(9)
. No Canadá, é preconizada a pre-sença de um serviço especializado no atendimento do pri-meiro surto psicótico para cada 390.000 habitantes.Existe um intervalo de tempo entre o surgimento dos sin-tomas e a procura pelo tratamento. Este tempo pode influenci-ar no prognóstico. A demora na procura dotratamento pode indicar um mau prognóstico,pois os sintomas tornam-se mais intensos,implicando em maior tempo de tratamentopsicofarmacológico e com doses mais eleva-das. Por isso é recomendada a criação de ser-viços em saúde mental destinados ao atendi-mento de adolescentes e jovens, os quaispoderiam contribuir para detectar e tratar pre-cocemente o primeiro surto da esquizofrenia.A intervenção adequada envolve o trata-mento farmacológico, psicossocial e a inclusão da família.Deve-se fazer um diagnóstico diferenciado de cada pacien-te, respeitando sua individualidade
(9)
. A avaliação e a assis-tência devem ser feitas por uma equipe multiprofissional,composta no mínimo de médico psiquiatra, terapeutaocupacional, enfermeira com especialização em psiquiatria eassistente social
(1,9-10)
. A internação psiquiátrica deve serevitada, dando-se preferência para tratamento intensivo nacomunidade, durante a fase aguda, e seguimento nos doisanos seguintes com o objetivo de se prevenirem recaídas econtribuir na adaptação do doente e sua família nesse perí-odo considerado crítico
(11)
.
Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico no primeiro episódio daesquizofrenia consiste no uso de medicamentos antipsi-cóticos, chamados de neurolépticos. Existem dois tipos dedrogas antipsicóticas: os antipsicóticos típicos ou conven-cionais e os atípicos.Os antipsicóticos típicos ou convencionais são antago-nistas da dopamina e seu efeito resulta na diminuição dos
Somente 5% dospacientes apresentamum surto na vida,a maioriaexperimenta váriossurtos, principalmenteno início da doença

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tratar, tratar,tratar e não se cansar com esses pacientes porque nunca ninguem esperou uma patologia.
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