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UFRJ Novo Constitucionalismo Latino-Americano

UFRJ Novo Constitucionalismo Latino-Americano

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Artigo sobre o Constitucionalismo Latino-Americano.
Artigo sobre o Constitucionalismo Latino-Americano.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIROFACULDADE NACIONAL DE DIREITOMONITORIA DE TEORIA DO ESTADOPROF: JOSÉ RIBAS VIEIRAMONITOR: VICENTE A. C. RODRIGUES
REFUNDAR O ESTADO
O Novo Constitucionalismo Latino-Americano
Introdução
Breve nota histórica, objetivo deste estudo e glossário
Texto I
Entrevista com Rubén Martínez Dalmau
Texto II
Notas sobre o preâmbulo e os 12 primeiros artigos da NCPE da Bolívia
Texto III
Dez características do Novo Constitucionalismo Latino-Americano
Apêndice
Gráficos e imagens
Referências
Para aprofundar o tema
Março de 2009
 
INTRODUÇÃO
 
Breve nota histórica
Quem visitasse a Venezuela no dia 27 de fevereiro de 1989 teria uma surpresa. A outrora“democracia modelo da América Latina” enfrentava uma gigantesca explosão de insatisfaçãopopular, a maior de sua história republicana e uma das maiores da história latino-americana.Literalmente, milhões de pessoas correram às ruas para protestar contra as condõeseconômicas e sociais do país, que sofria com a desvalorização de sua principal comódite, opetróleo. Nas palavras de um comentarista venezuelano, “Caracas viveu dias de Beirute(Maringoni, 2008), com protestos, saques e depredações. De fato, a revolta ficaria conhecida pelonome de “Caracaço”, embora essa denominação talvez não faça justiça às suas dimensõesnacionais (Jones, 2008).A resposta do governo Carlos Andrés Perez foi
manu militari 
e direcionada para os barrios,grandes aglomerados de população pobre que em muito lembram as favelas brasileiras. Omovimento foi, afinal, abafado no segundo dia de protestos, mas a repressão deixou um saldo depelo menos quinhentos mortos e centenas de desaparecidos, sendo que o total de assassinatospode ter sido muito maior (Jones, 2008). A fratura social estava exposta. “Esta foi uma reação dospobres contra ricos”, reconheceu Héctor Alonso López, político governista da Acción Democrática(AD). Perez ainda sobreviveria no cargo por mais alguns anos, mas o que tinha em mãos era umapresidência fantasma, sem legitimidade, que terminaria de forma inglória após um processo de
impeachment 
. Mudança mais profunda, o próprio Estado Liberal Democrático, moldado pelabonança petroleira da década de 1970, estava ruindo. As formas indiretas (delegadas) departicipação política encontravam-se desmoralizadas, vistas como artificialismos de meraaparência democrática, verdadeiramente a serviço das grandes petrolíferas e dos 3,5% dapopulação que não se encontravam em situação de pobreza ou de miséria
 
(Harnecker, 2003).Em contexto similar ao do Caracaço, inserem-se, também, a chamada “Guerra do Gás” (em2003, na Bovia) e os protestos ocorridos no Equador (2005). Reunidas, as três revoltaspopulares foram o estopim de um movimento judico batizado com o nome de “NovoConstitucionalismo Latino-Americano” ou
Un constitucionalismo sin Padres
”. Esse novoconstitucionalismo parece ter seu
marco zero
normativo com a promulgação da Constituição daRepública Bolivariana da Venezuelana (1999), desdobrando-se e desenvolvendo-se com as novasconstituições do Equador (2008) e da Bolívia (2009). Suas raízes históricas, contudo, são maisprofundas, e penetram séculos de história sul-americana e mundial.Nesse sentido, o novo constitucionalismo parte de postulados clássicos da teoriaconstitucional, repetindo, por exemplo, o tradicional catálogo de direitos de proteção individual.Por outro lado, procura superar o constitucionalismo clássico no que este não teria avançado,sobretudo no que se refere às possibilidades de articulação e releitura da categoria soberaniapopular, como condição necessária de legitimação das instituições e de gestão do próprio Estado.Indo mais longe, o Estado deverá ser refundado sobre os escombros das promessas liberais nãocumpridas, promovendo-se sua reconstrução a partir de uma “nova geometria do poder”.
 
Objetivos deste estudo
Como é possível observar, trata-se de tema extenso e recente, sobre o qual pouco materialrefletido foi escrito. No mesmo caminho, pela proposta introdutória da disciplina Teoria do Estado,o presente trabalho tem por modesto objetivo iniciar o mapeamento do tema, despertando acuriosidade do aluno da FND/UFRJ sobre os fenômenos do Estado e da Constituição, que serãoanalisados e debatidos de forma crítica, a partir de suas principais categorias, com destaque paraas discussões que envolvam o tema “soberania”.Para tanto, o trabalho foi estruturado da seguinte forma: no Texto I encontra-se umaentrevista com Rubén Martínez Dalmau, constitucionalista espanhol que assessorou os processosconstituintes venezuelano, boliviano e equatoriano. No Texto II, elegeu-se a análise do preâmbuloe dos doze primeiros artigos da Nova Constituição Política do Estado da Bolívia (NCPE), quecorrespondem ao Título Primeiro da Primeira Parte (“Bases Fundamentais do Estado”). Sobreesse ponto, um aviso importante: não se trata de uma desejável análise sistemática da NCPE,mas de breves comentários sobre pequena parte do texto constitucional, utilizando-se opensamento de autores como Denninger, Habermas e Canotilho, bem como do próprio Dalmau –o único a tratar diretamente do assunto. Ainda que de forma despretensiosa, procurou-se tambémfazer um contraponto com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, tomando-sepor base: a) o próprio texto constitucional; b) as pesquisas realizadas pelo constitucionalista JoséRibas, professor responsável pela disciplina Teoria do Estado na FND/UFRJ; c) algumas recentesmanifestações do Supremo Tribunal Federal. Já no Texto III foram propostas dez característicasdo Novo Constitucionalismo Latino-Americano, que devem ser lidas com reserva crítica. Ao final, otrabalho se completa com um apêndice, onde estão disponíveis algumas fotos e gráficos, e comuma seção dedicada às referências, bibliográficas ou não, do material utilizado.
Pequeno glossário
 
Estado:
ente dotado de Poder soberano, em tese incontrastável, localizado em um território(incluindo os territórios marítimo e aéreo), constituído por um povo, com o objetivo de cumprir umafinalidade coletiva, que pode ser expressa como o “bem comum”, o “viver bem”, a “felicidade” etc.Atualmente, também se considera que o Estado deve ser legitimado por um processo democráticoexercido pela cidadania.
Poder Soberano:
materializa-se no exercício da autoridade estatal (poder) sobre um dadoterritório. Em tese, é incontrastável, não podendo sofrer limitações. Tem como características ser 
imprescritível 
(é infinito no tempo),
inalienável 
(não pode ser repassado a outro ente),
indivisível 
(quando falamos em Poder Judiciário, na verdade estamos nos referindo à função judiciária) e

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