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O DEUS NA CAVERNA 
Este perl da história humana começou numa caverna,a caverna que a divulgação cientíca associa ao homem
das cavernas e na qual as descobertas práticas encontra-ram efectivamente desenhos arcaicos de animais. A segun-da metade da história humana, que foi uma espécie denova criação do mundo, também começa numa caverna.Há mesmo uma sombra desta fantasia no facto de tam-bém ali se encontrarem presentes alguns animais, porquese tratava de uma gruta que era usada como estábulo pelospastores das terras altas situadas em redor de Belém, queà noite continuam a conduzir o gado para buracos e gru-tas do mesmo género. Foi numa destas grutas subterrâne-as que um casal sem tecto se abrigou com o gado, quandoas portas das estalagens cheias de gente se lhes fecharamna cara; e foi aqui, sob os pés dos transeuntes, numa cavesituada debaixo do solo, que nasceu Jesus Cristo. Mas nes-ta segunda criação as raízes da rocha primeva e os cornosda manada pré-histórica foram efectivamente revestidosde simbolismo. Também Deus foi um homem das caver-nas, também Ele desenhou estranhas formas de criaturas,curiosamente coloridas, na parede do mundo; só que asgravuras que Ele desenhou ganharam vida.
 
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G. K. c
HEsTERTON
Uma enorme quantidade de lendas e de literatura, que
continua a aumentar e nunca terá m, repetiu e fez ressoar
as alterações que resultam desse paradoxo singular que fezcom que as mãos que tinham criado o sol e as estrelas fos-sem pequenas de mais para alcançar as enormes cabeçasdo gado. É sobre este paradoxo – quase que podemos di-zer: é sobre esta anedota – que se funda toda a literaturada nossa fé. Trata-se de uma anedota pelo menos pelo fac-to de ser algo que o cientista crítico não consegue com-
preender. Ele dedica-se a explicar laboriosamente a di
-culdade que nós sempre exagerámos, e que exagerámos
em tom de desao e de quase ridículo; entretém-se a con
-denar mansamente como improvável algo que nós sem-pre exaltámos, e que exaltámos quase como loucos, porser uma coisa incrível – por se tratar de algo que é bomde mais para ser verdade, mas que é mesmo verdade. De-pois de esse contraste entre a criação cósmica e a pequenainfância local ter sido repetido, reiterado, sublinhado, en-fatizado, exultado, cantado, gritado, berrado e proclama-do em milhares de cânticos, solenes e populares, de rimas,de rituais, de imagens, de poemas e de sermões ao povo,talvez possamos sugerir que não temos grande necessida-de de um crítico superior, que nos venha dizer que se tra-ta de um facto um tanto bizarro, em especial quando estecrítico levou algum tempo a perceber a piada, apesar deser ele próprio o autor dessa piada. Uma coisa, porém, se
pode armar aqui acerca deste contraste, desta combina
-ção de ideias, porque se trata de uma coisa que é relevantepara a tese geral deste livro. O género de crítico moderno
a que me rero mostra-se, de uma maneira geral, muito
impressionado com a importância da formação académicana vida de uma pessoa e com a importância da psicologiana formação académica. Trata-se daquele género de sujei-to que nunca se cansa de nos salientar que as primeiras im-pressões determinam o carácter, por via da lei da causali-
dade; e que ca muito nervoso quando o sentido da visão
de uma criança é envenenado pelas cores inadequadas de

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