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Ressuscitação e salvação - Marcelo Gleiser - Física - Astrofísica

Ressuscitação e salvação - Marcelo Gleiser - Física - Astrofísica

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RESSUSCITAÇÃO E SALVAÇÃO
23-12-2007
+ Marcelo Gleiser 
MARCELO GLEISER,
é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo" 
A ciência esteve perto de realizar o mito de Frankenstein
Com a chegada do Natal, achei apropriado escrever sobre asrecentes descobertas científicas na área da genética que prometemrevolucionar o futuro. Não, o assunto não é células-tronco. Em2003, quando o genoma humano foi finalizado, cientistasdescobriram algo surpreendente: nossos corpos possuem restos detipos de vírus chamados retrovírus, fósseis de batalhasimunológicas travadas há bilhões de anos.Esses retrovírus são organismos extremamente primitivos: trata-seessencialmente de tiras de material genético circundadas por uminvólucro de proteínas. Não se pode nem dizer que sejam vivos.Parasitas, apenas se reproduzem quando conseguem invadir umacélula. Ali, fazem a única coisa que sabem fazer: inserir seus genesno DNA da célula de modo que, quando a célula se divide, eles vãocom ela de carona, espalhando-se cada vez mais, numa espécie decolonização celular. O HIV, o vírus causador da Aids, que é umretrovírus, já causou mais de 25 milhões de mortes.Os pedaços de retrovírus encontrados constituem 8% do genoma.Como comparação, apenas 2% são usados para produzir todas asproteínas que nos mantêm vivos. Esses fósseis genéticos contam ahistória da nossa evolução, das batalhas contra doenças quedefiniram nossa espécie. Recentemente, o cientista francês ThierryHeidmann ressuscitou um retrovírus que estava extinto haviacentenas de milhares de anos. Para tal, extraiu pedaços do vírus e,como num quebra-cabeças, reconstruiu sua estrutura genética. Ovírus, acordando de seu sono profundo, infeccionou ratos nolaboratório, comprovando sua eficiência. Nunca a ciência esteve tãopróxima de transformar o mito de Frankenstein em realidade.
 
A idéia de que cientistas possam ressuscitar doenças já extintasparece assustadora. Eu mesmo senti um calafrio quando li sobreisso pela primeira vez. Mas a razão para isso não é criar armasterríveis para subjugar a humanidade (se bem que o risco que issoocorra está sempre presente). Ao contrário, é usar os retrovíruspara curar doenças, a Aids entre elas.Por que chimpanzés carregam o vírus da Aids mas nunca contraema doença? Afinal, nosso genoma é praticamente idêntico ao deles.A diferença mais dramática é que os chimpanzés carregam emtorno de 130 cópias do retrovírus extinto Pan troglodytes (PtERV),enquanto gorilas têm 80 e nós nenhuma. Quatro milhões de anosatrás, esse vírus infectou chimpanzés e gorilas. Mas não temostraço disso no nosso genoma. Foi então que cientistas daUniversidade de Rochester, nos EUA, propuseram algorevolucionário: os processos evolutivos que nos protegeram doPtERV nos deixaram vulneráveis ao HIV.Em particular, parece que a chave está num gene que nós temos eos macacos também, chamado TRIM5 . Nos humanos, esse geneproduz uma proteína que destrói o PtERV. No macaco reso, elaprotege contra o HIV. Após ressuscitar o PtERV, os cientistasprovaram que a proteína produzida pelo TRIM5 pode proteger contra uma ou outra doença, mas não contra as duas ao mesmotempo.Quando nos separamos totalmente dos macacos, há 4 milhões deanos, desenvolvemos uma proteção eficiente contra o PtERV. Masessa proteção nos deixou vulneráveis ao HIV. O objetivo agora étentar desenvolver uma droga que atue do mesmo modo que aproteína que protege os macacos contra o HIV. Ou seja,ressuscitação e salvação à moda científica. [Para escrever esteartigo, inspirei-me na matéria de Michael Specter, "Darwin'sSurprise", publica na revista americana "The New Yorker", dia 3 deDezembro de 2007.]MARCELO GLEISER é professor de física teórica no DartmouthCollege, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo"Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2312200701.htm

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