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Jose Knust - Por Uma Historiografia Realista e Objetiva

Jose Knust - Por Uma Historiografia Realista e Objetiva

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Jose Knust. Por Uma Historiografia Realista e Objetiva: uma abordagem a partir das contribuições de Martin Bunzl e Chris Lorenz.
In: Scientiarum Historia. 1º Congresso de História das Ciências e das técnicas e Epistemologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008. p.741-752
Jose Knust. Por Uma Historiografia Realista e Objetiva: uma abordagem a partir das contribuições de Martin Bunzl e Chris Lorenz.
In: Scientiarum Historia. 1º Congresso de História das Ciências e das técnicas e Epistemologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008. p.741-752

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Categories:Types, Research, History
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Scientiarum Historia –UFRJ / HCTE 
1º Congresso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia 
 –UFRJ / HCTE –22 e 23 de setembro de 2008
Por uma Historiografia Realista e Objetiva: uma abordagem a partir dascontribuições de Martin Bunzl e Chris Lorenz.
José Ernesto Moura Knust
In:
Scientiarum Historia 
. 1º Congresso de História das Ciências e das técnicas e Epistemologia.Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008. p.741-752
Palavras Chave:
Epistemologia da História, Realismo, Objetividade Científica.
Introdução
Nas últimas décadas do século passado, tornou-sehegemônica na Epistemologia da História aperspectiva pós-moderna. Autores como HaydenWhite, Frank Ankersmit e Michel Foucaultpromoveram uma reviravolta nos princípios quenorteavam a produção do conhecimento histórico.A concepção de Verdade como constituída a partirdas relações de poder, formulada por Focault,tornou-se muito influente. A verdade seria de fato o"conjunto das regras segundo as quais se distingueo verdadeiro do falso e se atribui ao verdadeiroefeitos específicos de poder"
1
. Isto significou, paraos teóricos da História que reivindicam Foucault, a“denúncia” do caráter instrumental da historiografia,isto é, o conhecimento histórico não seria construídomeramente no interesse de análise imparcial dopassado, mas sim com objetivos políticos,econômicos e ideológicos específicos. Tal afirmaçãonão é uma novidade na Teoria da História, sendorecorrente desde Marx. Porém o argumento éradicalizado. Antes se afirmava que os historiadorespossuíam interesses e que estes eram refletidos naescolha de temas e argumentos; agora se afirmariaque tais interesses são
completamente 
determinantes na reconstrução do passado e,principalmente, que são relações de poder quedeterminam a aceitação de uma interpretação comoverdadeira ou não, sendo sua relação com arealidade do fato estudado em si peso algum.Porém, como apontamos, as idéias foucaultianastrazidas para a Epistemologia da História não eramestranhas a esta. Por isso, a influência maisdrástica, que levou as bases da Epistemologia daHistória para mais longe de seus pressupostostradicionais, foi a influência da teoria literária.Teóricos da Literatura como White e Ankersmitpassaram a se interessar em como os historiadoresproduziam seus textos. Obviamente, por se trataremde autores oriundos dos estudos literários, muitaênfase foi dada a questão formal dos textos –isto é,estes autores tinham interesse na produção dasexplicações historiográficas enquanto produtodiscursivo, argumentativo, e não como pesquisametodologicamente embasada. Desta forma, com ainfluência destes autores nas discussões acerca daEpistemologia da História, houve um deslocamentodo debate nesta área do conjunto da Epistemologiadas ciências em geral para as discussões dentrodos círculos da Teoria Literária.Muitos teóricos da história passaram, então, atentar mostrar como a construção dos textos peloshistoriadores depende muito mais das estratégiasdiscursivas, dos tropos do discurso, do que dapretensa pesquisa histórica. A argumentação nestesentido se baseia na premissa de que a linguagemnão é um meio satisfatório de descrição darealidade, existe um abismo intransponível entrerealidade e linguagem
2
.A partir da associação destas duas linhas deargumentação, de um lado Foucault, de outro Whitee Ankersmit, surgiu o que poderíamos chamar dehistoriografia pós-moderna. Na defesa deste novoparadigma chegou-se ao limite de afirmar que aHistória simplesmente nada tem a nos dizer sobre opassado e deve ser vista apenas como um artefatoliterário que pretende substituir tal passado, que éirrecuperável
3
.Este paradigma, por seu aspectorelativista,acabou criando o que ainda se percebe como umacrise da Epistemologia da História. Se o que senecessita para explicar a produção dos textos peloshistoriadores é a análise de suas estratégiasdiscursivas, e não a sua pesquisa histórica, aEpistemologia passaria a ser, como apontaAnkersmit,
a posteriori 
e não
a priori 
. Isto é, aEpistemologia estaria na análise dos trabalhos(discursos) produzidos, e não mais como base daprodução de tais trabalhos
4
. Disto resulta o que opróprio Ankersmit chama de desepistemologizaçãoda História, pois uma Epistemologia
a posteriori 
étudo, menos uma verdadeira Epistemologia.Durante todo o período de hegemonia doparadigma pós-moderno surgiam vozes deconfrontação (sendo um dos focos mais importantesde resistência o marxismo). Porém, oestabelecimento do pós-modernismo na Teoria daHistória parecia irreversível. Apenas a partir demeados da década de 90 uma substancial crítica aopós-modernismo passou a fazer eco em toda acomunidade acadêmica. Atualmente não podemosmais falar em uma hegemonia pós-moderna,mesmo com toda a importante influência que
 
Scientiarum Historia –UFRJ / HCTE 
UFRJ –Scientiarum Historia –1º Congresso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia –RJ / 2008
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autores desta linha ainda possuem, devido à força eà ressonância que ganharam as críticas apressupostos fundamentais de tal paradigma.Porém, um novo paradigma ainda não foi construídona História. A crítica ao pós-modernismo nãopretende que a Epistemologia da Históriasimplesmente volte ao estado anterior ao “girocrítico”. Muitas das questões colocadas pelo pós-modernismo são fundamentais (por mais quecritiquemos as respostas que tal paradigmapretendeu dar a tais questões). Pode-se dizer quese perdeu a ingenuidade perante o texto. Aingenuidade sobre a imparcialidade do produtor doconhecimento também foi combatida (sendo queeste ponto já era alvo de críticas muito antes dosurgimento do pós-modernismo).Nosso objetivo neste artigo é apontar algumasdas possíveis contribuições de dois importantesestudiosos da Epistemologia da História para aconstrução de um futuro novo paradigma para aHistória. São eles ofilósofo Martin Bunzl e ohistoriador Chris Lorenz.Analisaremos como estes dois autores secolocam frente às questões levantadas pelaepistemologia da História e como eles reconfiguramconceitos fundamentais para a construção de umparadigma realista e objetivista da História – reconfiguração essa necessária justamente pelasquestões pertinentes levantadas pela crítica pós-moderna.Ambos os autores tem como ponto comum adefesa de uma abordagem da Epistemologia queleve em consideração a prática da construção doconhecimento histórico. Nenhum dos dois sepretende pragmatista ao extremo de pensar a teoriacomo mera descrição de como a prática se dá.Ambos sabem que a teoria coloca problemas alémdaqueles postos pela prática. Porém, ambosconcordam que a prática permite
insights 
fundamentais para a resolução de questões chavesda teoria.
Martin Bunzl: a epistemologia sob a
 
luz da prática historiográfica
Martin Bunzl acredita que na prática é muito difícilnão ser um objetivista
5
. Porém, isso não faz daprática historiográfica necessariamente
positivista 
 – é necessário separar o joio do trigo dentro dasposturas objetivistas. A partir disto, Bunzl pretendemostrar como a prática historiográfica pós-modernareestrutura os princípios teóricos da epistemologiapós-moderna.A partir da crítica à teoria da história do pós-moderno Arthur Danto, Bunzl pretende reavaliar aquestão da seletividade do conhecimentohistoriográfico. Danto acredita que a compreensãototal do passado é impossível e isto não émeramente resultado de o nosso conhecimentosobre ele ser indireto e parcial. Na verdade, o queimpede a compreensão do passado é o fato de aHistória ser essencialmente narrativa, e umanarrativa significa necessariamente inclusão eexclusão de elementos. Além disso,o passado, paraDanto, não é fixo. O conhecimento do passadodepende das relações entre os fatos do passado eos fatos posteriores, e como não temosconhecimento do futuro, o passado torna-se fluido,com o acontecimento de novos fatos queestabelecem novos fatos no passado
6
.Bunzl critica Danto em diversos níveis. Primeiro,afirma que nem toda história é necessariamentenarrativa (e este é um ponto de debate comum entrepós-modernistas e seus críticos). Além disso, aestranha concepção de passado fluído édesnecessária, sendo mutável nosso conhecimento,nossa percepção sobre tal passado, e não opassado em si
7
.Porém, ainda resta abordar a problemática daseletividade, que Bunzl reconhece comodesafiadora. Porém, ele acredita que oshistoriadores possuem uma estratégia válida desuperação desta problemática: o estudo do“horizonte de possibilidades” dos atores históricos.Isto é, o objeto de estudos dos historiadores passa aser fixo e a seletividade é a dos próprios atoreshistóricos. Desta forma, a experiência dos atoreshistóricos precisa ser entendida como um dos focoscentrais da abordagem historiográfica. Esta posiçãovai de encontro a posições basilares pós-modernasque acreditam que a abordagem historiográfica nãoconsegue, não pode e nem deve partir de outroenfoque que não seja a “experiência” do próprioprodutor do conhecimento historiográfico
8
.Não deixa de ser interessante o fato de Bunzl, parapolemizar com o pós-modernismo, buscar oconceito de “experiência” proposto pelo historiadormarxista Edward Thompson em sua crítica aossetores marxista que pretendiam uma totalsupremacia da teoria frente à empiria
9
.O problema desta estratégia, como o próprio Bunzlreconhece, é o fato de os historiadores lidarem comobjetos que vão além de tais “horizontes depossibilidades”.Analisando a obra de Joan Scott, Bunzl mostracomo as preocupações teóricas em mostrar alinguagem como agente histórico em si sãodeturpadas pela prática historiográfica da própriaautora. Isto ocorre pelo fato de a teoria de Scottpreconizar uma abordagem “localista” dareferencialidade lingüística. Isto é, para Scott, umconceito só possui validade dentro de sua própriahistoricidade e contextualização. Qualquer tentativade generalização deturparia seu uso. Porém, JoanScott é das mais importantes historiadorasfeministas. Como conciliar tal posição prática comaquela posição teórica? A categoria “Mulher”, dentroda lógica pós-estruturalista de Derrida, é nada mais
 
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que uma categoria social construída sem qualquerreferencialidade natural, sendo seu conceitocompletamente dependente do contexto na qual elesurge. A reivindicação de bandeiras determinadasaparece como incompatível com a própriaepistemologia pós-moderna
10
.Isto nos leva à abordagem da teoria pós-modernado conhecimentoproposta por Foucault. Bunzl iniciasua argumentação mostrando como um historiadorque reivindica os pressupostos teóricosfoucaultianos, no caso Jeffrey Weeks, pode naverdade utilizar-se de elementos da teoria deFoucault, mas continuar partilhando de umaconcepção tradicional da escrita da História, poiscontinua partilhando preocupações com acausalidade, noção rejeitada por Foucault. Tal
modus operandi 
é bastante criticável, pois aosmanter certas concepções tradicionais da práticahistoriográfica, ignoram-se elementos fundamentaisda teoria foucaultiana
11
. E são estes quepretendemos analisar agora.Bunzl afirma que a noção de regimes de verdade,e as concepções foucaultianas de conhecimento elinguagem colocam um sério desafio ao discursointelectual. Foucault identifica duas “tradiçõesfilosóficas”, uma tradicional, a Filosofia Analítica,que pretende construir bases para o conhecimento;a outra, uma postura filosófica cuja preocupaçãocentral é o que ele identifica como “ontologia dopresente” ou “ontologia de nós mesmos”.Frente a tais posturas de Foucault, Bunzl identificaduas possibilidades de interpretação. A primeira,mais comum, é a interpretação “forte”, queinterpretaria as afirmações de Foucault no sentidodeste acreditar que a Filosofia Analítica tradicional éuma quimera. A outra interpretação, “fraca”, seria ade que Foucault, apesar de uma desconfiançaacentuada, vê a Filosofia Analítica tradicional comouma possibilidade séria. O grande problema dainterpretação “forte”, amplamente apontado peloscríticos de Foucault, seria o risco de auto-refutação.Se todo o conhecimento produzido é relativo àsestruturas lingüísticas, práticas discursivas epolíticas de verdade, a própria afirmação disto porFoucault estaria submetida aos mesmoscondicionantes, tornando-a tão relativa e circunscritacomo qualquer outra. Bunzl acredita que todas astentativas de interpretes favoráveis à Foucault queoptam pela interpretação “forte” de contornar estaauto-refutação são falhas. E isto ocorre, para Bunzl, justamente por que o próprio Foucault trabalha comconceitos tradicionais da Filosofia Analítica deverdade e referencialidade em suas obras. Ou seja,Foucault estava consciente das limitações de seuprojeto epistemológico. Desta forma, a interpretação“fraca” deve ser a privilegiada na abordagem eutilização da teoria de Foucault. De maneira geral,os historiadores trabalham com esta interpretação“fraca” quando estão em suas pesquisas. Porém,quando passam à reflexão sobre teoria, adotamuma interpretação“forte”, que, como se apontou, éproblemática
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.O problema maior surge quando passamos para aquestão da causalidade histórica. A metodologiaproposta por Foucault, a “arqueologia”, é contrária àconcepção de causalidade. Porém, ao fazertrabalhos históricos, Foucault não consegue fugirdesta concepção. A prática historiográfica éincompatível com a negação da causalidadehistórica. Bunzl acredita que não háincompatibilidade necessária no estudo(preconizado por Foucault) dos discursos históricoscom o estudo (tradicional na historiografia) dascausalidades históricas. A conjunção destas duaspreocupações não era exatamente a intenção deFoucault, porém é a prática historiográfica possível apartir dos
insights 
de Foucault. Por fim, isto significaque umahistoriografia influenciada pelas teorias deFoucault não precisa ser necessariamente anti-realista
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.O mesmo não acontece, segundo Bunzl, com ainfluência de Derrida. De maneira geral, oshistoriadores que trabalham com tal referênciateórica selecionamelementos de tal filosofiacompatíveis com a prática historiográfica e ignoramo sistema filosófico desconstrucionista em suaplenitude pois este é totalmente incompatível com aprática historiográfica. Por exemplo, o uso da “leituradas margens”, metodologia desenvolvida peloDesconstrucionismo, para o estudo de grupossubalternos a partir de textos produzidos pelas elitespossui uma potencialidade enorme, mas é utilizadaa partir de princípios historiográficos tradicionais,como a concepção de causalidade histórica
14
.Por fim, Bunzl aborda a contribuição teórica doantropólogo cultural Clifford Geertz. A interpretaçãodas culturas segundo Geertz deve ser feita partir danoção de rede de significados e a partir de uma“descrição densa”. Os comportamentos humanosseriam completamente dependentes dossignificados que possuem cada uma de suasatitudes. Tudo na sociedade, cada pequena ação,teria significado cultural. Desta forma, a análisesocial deixa o nível dos indivíduos e se coloca nainstância dos significados socioculturais. Comodemonstra Bunzl, esta percepção é completamentedependente da noção de regras sociais. Porém,para situações sociais nas quais não há regrasexplícitas, apenas implícitas –e estas são a maioriados casos –a abordagem geertziana perde poderexplicativo. E isto ocorre justamente por talabordagem não dar a atenção necessária aosprocessos de construção e reconstrução designificados, que só podem ser entendidos no nívelde ação dos indivíduos
15
.Com tudo isto percebemos quais sãoas trêspreocupações fundamentais de Martin Bunzl. Eleacredita que uma historiografia realista (que é,grosso modo, a única possível, sendo, pelo menos,o sentido que todas as tentativas de construção do

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