Welcome to Scribd. Sign in or start your free trial to enjoy unlimited e-books, audiobooks & documents.Find out more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
5Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
A erosão do estado de direito na globalização e a ineficiência dos direitos humanos

A erosão do estado de direito na globalização e a ineficiência dos direitos humanos

Ratings: (0)|Views: 759|Likes:

More info:

Published by: coletivo cultural consciencia criativa on Dec 30, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/15/2013

pdf

text

original

 
 
 A EROSÃO DO ESTADO DE DIREITO NA GLOBALIZAÇÃO E A INEFICÂCIA DOS  DIREITOS HUMANOS E SOCIAIS 
(Luigi Bordin UFRJ)
“Os direitos humanos são sempre mais proclamados solenemente e sempre maisviolados, e isto porque o assuntos, somente, na pura “forma”do abstratouniversalismo judico diante do qual se encontra a exisncia em sua nudez.manipulável por poderes e aparatos não fundados sobre alguma efetiva democracia. A figura do homem em sua nudez é representada pelos refugiados que, aproam de formaclandestina às fronteiras dos paises ricos. Apesar dos proclames, esses indivíduos são privados de tutela e muitas vezes são expulsos depois de breves passagens por camposde acolhida que se parecem mais com os campos de concentração, enquanto mesmo sendo titulares de direitos, não possuem cidadania”
(P. Barcellona)
 A lógica jurídica......afirma com palavras a primazia da ordem jurídica como ordemabstrata, mas a nega nos fatos pois dá importância exclusivamente àquilo que vemrealizado na práxis. É a práxis contratual e comercial que constitui o tecido organizador da sociedade. [...] O destino da propriedade e da liberdade privada [....] cumpre-sedessa forma no moderno individualismo de massa, onde o poder de dispor da coisa éidentificado com a escolha do consumo. Tudo se torna possível quando as relaçõeshumanas estão suscetíveis de serem transformadas inteiramente em relações fundadas nodinheiro e na troca de mercadorias, e quando a autonomia do econômico consegueincorporar em si a capacidade da ciência e da técnica
(P. Barcellona)
“O universal jurídico, o princípio da igualdade formal, implica que a economia seapresente como um negócio privado que se entre sujeitos privados; subtrai à socialização o verdadeiro problema da vida: produzir o que serve para reproduzirmos
 .O direito igual (o universal jurídico da modernidade) é o direito da circulação de bense de riqueza, regulados pelo processo produtivo e pelo mecanismo do mercado.
[...] Aredução da complexidade não torna visíveis os problemas ligados à dificuldade da vida:o problema do sofrimento, do esvaziamento da identidade pessoal, o problema dasdiferencias sexuais, os jovens sem futuro e sem ocupação, a infelicidade difusa nascidades caóticas, os jovens que se suicidam pois no sistema do sucesso a todo custo não se aceita o fracasso”
(P. Barcellona)
 
INTRODUÇÃOO Direito sem sociedade na globalização
 A atual globalização econômica financeira põe em discussão os próprios pressupostos dodireito internacional clássico, isto é, a soberania dos Estados nacionais . Com a posta em prática dasmedidas neoliberais, os Estados nacionais foram reduzidos a formas de um poder enfraquecido e, pela ameaça dum poder internacional nas mãos de um número restrito de potências mundiais,renunciaram à imposição direita das próprias finalidades. Está em curso um processo de transiçãodo direito internacional, (surgido com a paz de Vestfalia em 1648 depois da guerra dos Trinta anos)a um “
novo direito cosmopolita
” e a passagem dum “
 Estado social 
” para um “
 Estado mínimo
2.
Tudo isso está corroendo as estruturas de proteção social pondo a vida dos sujeitos mais fracos aosriscos dum mundo dominado pela competição, pelo conflito e pela guerra, provocando o aumentoda insegurança e do medo.
1
 
A diferença entre os “
tratados de filosofia política e de direito
” de grandes juristas e os
 fatos,
(que a mídia nos põe cada dia diante dos olhos) deixam-nos perplexos. Com efeito, de um lado, juristas, afirmam a vigência dos direitos humanos como direitos fundamentais da civilização jurídica ocidental; todavia, de outro lado, uma massa de informações mostra que, na pratica,acontece o contrário. O conceito de
 Estado nacional 
, que tinha representado a forma de organizaçãosocial e o conceito de
 soberania
, que tinha individuado na democracia, enquanto governo do povo,a base do ordenamento jurídico, são, hoje, inutilizáveis para descrever e compreender as formas daatual globalização. Na realidade, nós estamos assistindo ao declínio do Estado nacional e àirrelevância do conceito de sociedade. Nesse ensaio, depois de um rápido olhar crítico sobre os processos reais da globalização, pretendemos mostrar como as maiores potências do mundo e as instituições internacionais por elasinfluenciadas se valem também da forma jurídica (da
Teoria Pura do Direito
de Hans Kelsen) paralegitimar suas relações de poder. Em outras palavras, o “
 formalismo jurídico
”, reduzindo o direito a puro procedimento técnico, favorece, na prática, as forças ecomicas vigentes das grandescorporações multinacionais e de seus interesses monetários. Com isso, o formalismo jurídico não sólegitima, mas também acoberta toda uma série de enormes desigualdades e injustiças sociais de quesão vítimas os pobres dos países ricos e os pobres e miseráveis do Terceiro mundo e do Sul domundo (emigrantes, refugiados, os sem documentos, sem terra, sem teto, sem emprego.....). Diantedessa alarmante situação, cabe a nós procurar elaborar uma lúcida análise das atuais contradiçõessociais, na esperança que os movimentos sociais de protesto contra os aspectos intoleráveis da atualglobalização, consigam articular ações práticas de contra cultura e contra poder.
1. A imposição autoritária duma verdadeira usura internacional
Em contradição com a retórica da globalização, as relações econômicas e financeirasglobalizadas marcam não tanto o progresso, quanto uma internacionalização da atividadeeconômica, isto é, uma intensificação das relações de troca entre economias que permanecem entresi substancialmente separadas de forma que as atividades econômicas, ao invés de dar vida a umúnico circuito global, tendem pelo contrário a organizar-se ao redor de três blocos (Américasetentrional, Europa ocidental, Ásia oriental e do Pacífico), cada um dos quais articulam um centroe uma periferia. De fato, as corporações multinacionais que hoje controlam sozinhas o 20 % da produção mundial e o 70% do comércio permanecem substancialmente ligadas aos respectivosmercados nacionais ou regionais, ao interior da tríade A pagar o preço maior duma economiamundial ulteriormente diferenciada e fragmentada são os mais pobres dos países pobres: aquelesque vivem com menos de um dólar ao dia, isto é, uma larga parte da população mundial
6.
O quadro da distribuição da riqueza em escala global é alarmante. Aos inícios dos anos 60 doséculo XX, o 20% mais rico da população mundial dispunha de uma renda trinta vezes superioresao 20% mais pobre. Hoje, o 20% goza da renda de acerca 66 vezes superiores àqueles da parte mais pobres da população mundial.
 No Brasil, o 20% mais rico da população se atribu,escandalosamente, o 70% da renda nacional, enquanto ao 20% mais pobre vai menos do 2%.
.
Adisparidade global aumenta ulteriormente: o 20% mais rico da efetiva população mundial édestinatário duma quota de riqueza pelo menos de 150 vezes superior àquela do 20% mais pobre.Segundo fontes das Nações Unidas, mais de um bilhão de pessoas, isto é, um quarto da populaçãomundial, vive em condições de pobreza absoluta nos paises economicamente atrasados. A pobrezaabsoluta é difusa nas áreas agrícolas, mas se concentra em formas particularmente degradantes nasgrandes periferias metropolitanas. As grandes potências industriais praticam complexas estratégiasde competição mercantilista entre os Estados. A abertura dos mercados é máxima nos setores onde aconcorrência global está a favor dos mais fortes e onde o protecionismo descrimina os paises maisfracos e com uma dívida externa crescente
.
Na verdade, é com uma substancial subordinação a essas tendências gerais da economiamundial que as máximas instituições econômicas internacionais (o Banco Mundial e o Fundo
2
 
monetário internacional, etc) operam distanciando-se das funções a elas atribuídas em 1944 com osacordos de Bretton Woods, ao ponto que nos últimos vinte anos essas subtraíram (furtaram!)imponentes quantidades de recursos financeiros aos paises pobres que se endividaram de formaincauta por causa da queda dos preços internacionais no decorrer dos anos 80 do século XX. O nívelinternacional, os preços das matérias primas não dependem de eventos naturais, mas das políticaseconômicas e militares dos paises industriais e das escolhas de mercado das corporações mais poderosas.
 Não é exagerado, pois, falar da imposição covarde de uma verdadeira e própria‘usura’ internacional.
Os paises industrialmente atrasados pagaram, em medi, taxas de juros de17% por empréstimos recebidos dos paises ricos através das instituições monetárias internacionais,enquanto estes últimos pagaram normalmente taxas de juros de 4%. A esse respeito, Joseph Stiglizafirma que
até aqui a globalizão teve efeitos devastadores sobre os paises em via dedesenvolvimento e, sobretudo, sobre os pobres que nestes paises moram
 
.
 No curso dos anos dosanos 90 do século XX, os paises pobres do sul do mundo deram aos paises ricos do norte em médiaacerca de 21 bilhões de dólares por ano. Além disso, o Fundo Monetário Internacional, sem algumatransparência de decisão, desenvolveu uma função de controle e de pressão sobre as economiasinternas de dezenas de paises gravemente endividados, através dos “
 programas de ajustamentoestrutural 
”.
2 Um governo paralelo (mafioso?) das instituições econômicas internacionais
Exercendo uma espécie de governo paralelo sobre as economias dos países emdesenvolvimento, o Fundo Monetário Internacional (FMI) os constrangem adotar políticaseconômicas de indiscriminada abertura ao mercado mundial
.
Por terem, estes países, economiasfrágeis, não só estão em desvantagem com respeito às economias mais fortes, mas são, também,obrigados a uma drástica redução dos investimentos sobre o desenvolvimento humano de suas populações. Daqui deriva um aumento do desemprego no interior destes países e o conseqüenteestímulo à emigração. Mas o risco mais grave, segundo Ulrich Beck, deriva dos setores mais fortesda economia globalizada, isto é, da
capacidade que as grandes empresas industriais e financeirastêm de subtrair-se aos tradicionais vínculos de solidariedade com as populações locais
. Aestrutura das grandes corporações é tal que podem escolher, como quiserem, onde produzir,mudando rapidamente as sedes geográficas funcionais aos próprios fatores de produção,
subtraindo-se, dessa forma, às normas do direito de trabalho contempladas nas constituições e àdisciplina tributária imposta pelos Estados nacionais.
Numa situação em que os capitais se movem com facilidade e sem controle de um âmbito jurisdicional a outro, na medida em que se procura impor a uma empresa multinacional uma taxamais rigorosa, ela pode deslocar o seu capital em áreas mais propícias. Ao mesmo tempo, namedida em que as tecnologias eletrônicas (automação, informática) aumentam a produtividade dasempresas multinacionais, tornam supérflua a força de trabalho não altamente qualificada. Vemafirmando-se, dessa forma, um capitalismo global, ‘
 pós-fordista’ 
e ‘
 pós-taylorista’ 
em condição dereduzir o custo do trabalho e dominando com isso os mercados. Na presença duma concorrênciacrescente e duma instabilidade econômica, o capitalismo global tende, pois, a se libertar da quasetotalidade dos tradicionais trabalhadores dependentes em troca de prestações de trabalho flexíveis (atempo determinado e parcial) que faz com que as empresas poupem muito dinheiro com o custo dotrabalho. Em outras palavras, as classes empresariais tendem de forma cínica a descarregar sobre ostrabalhadores dependentes os riscos e o peso da economia mundial. Os empresários visam somenteseus lucros sem dar importância às conseqüências humanas da precariedade do trabalho e da rendaindividual dos trabalhadores. Para eles, quem deve interessar-se dos trabalhadores é o Estado, o poder público. Mas, na mediada que o próprio Estado é forçado a praticar as políticas neoliberais,não pode, ao mesmo tempo, tutelar os direitos dos trabalhadores. Daqui deriva a ineficácia dessesdireitos propostos somente de maneira formal e o enfraquecimento da tutela sindical do trabalho
.
3

Activity (5)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads
profresende liked this
aldona8187 liked this

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->