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Esquerda, PS e Alegre
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Confusões e premeditações eleitorais
Alegre, candidato da esquerda?
Francisco Louça reafirmou (1) recentemente o apoio à candidatura deAlegre para Presidente da República, no que foi seguido pelasmanifestações de abertura do líder parlamentar do PS, Francisco Assis,naturalmente, como eco de Sócrates. E isso levanta desde logo trêsquestões:
 
Que se saiba os militantes do BE não foram ouvidos sobre oassunto. Embora seja uma questão interna ao BE, os autoresdestas linhas, não pertencendo embora a nenhum partido,sublinham a importância daquela proclamação para todas asesquerdas portuguesas e que essa relevância vai muito para alémde um apoio pontual a Alegre;
 
Depois, é caso para se perguntar se a eleição de um PR em geral,na putrefacta cleptocracia portuguesa é algo de fundamentalpara a redução do desemprego e da precariedade ou para orelançamento da luta social;
 
Em terceiro lugar saber se uma eventual eleição de um Alegrepara o cargo oferece alguma garantia de constituir um elementoque venha a contribuir para aquele relançamento da luta damultidão, contra Sócrates e o seu governo.Em Portugal, quase toda a produção legislativa e todas as medidas comimpacto social cabem ao governo, sendo limitada a capacidade deintervenção relevante do PR, de acordo aliás, com os desejos de MárioSoares, que decidiu instituir uma figura de PR com pouca possibilidade deintervenção, para prevenir os governos contra um novo Eanes. Portanto, sejaquem for o próximo PR a sua actuação a favor da multidão de trabalhadorese ex-trabalhadores é sempre problemática ou pontual.Por outro lado, há uma tendência na esquerda portuguesa de colocar os ovostodos na mesma cesta; isto é, colocar a contestação ao capitalismo, emtodas as suas formas, no limitado e enganador quadro institucional dademocracia de mercado em que se vive. Entende-se que o quadroinstitucional, nas suas várias instâncias – AR, Concertação Social, autarquias – deve ser subordinada à contestação popular, organizada, unida em torno deobjectivos concretos, suficientemente desobediente para incomodar ogoverno e isenta das pretensões hegemónicas dos maníacos do controlo domovimento popular.Alegre sempre foi um acomodado cacique do PS a quem Sócrates, em 2005,estragou um momento de glória ao preteri-lo a Soares, na pugna com
 
Cavaco. O ressaibo juntou-se ao célebre milhão de votos que terão sido maismotivados por uma lição a Soares e Sócrates, do que pela bem timbrada vozde Alegre. E ambos esses factores – o ressaibo e o milhão de votos - têm sidoogados desde então, com frases enigmáticas, caminhadas titubeantes, sinaisantagónicos, almoços “decisivos” com Sócrates e uma ou outra atitudedissonante na AR, mais para se valorizar junto de Sócrates do que comomanifestações de um projecto político que não existe, nem pela suacoerência, nem pelo seu carácter de esquerda. Tanto recusa votar na AR oCódigo do Trabalho, como aparece ao lado de Sócrates na campanha paraas legislativas em Coimbra. Junta-se a Louçã e a Carvalho da Silva noTrindade como combateu a eleição de um deputado do BE em Coimbra.Está claro, desde o princípio desta corte de Louçã a Alegre, que este nuncaabandonaria o PS, nem romperia com Sócrates, a despeito de ter mantidodurante muito tempo no ar a ideia de criar um partido, não se sabe seenlevado com o brilharete do tal milhão de votos ou se, por mera chantagemsobre Sócrates. E, quem tem ocultado isso, na esquerda, tem cometido umerro enorme, querendo lançar a esquerda a reboque de um cacique e do PS;como que a querer demonstrar que se encontra na Feira da Ladra, um originalde Modigliani.Para ser PR – seu sonho de fim de carreira cinzenta – Alegre sabe que paraganhar a corrida precisa do PS e de Sócrates, como precisa dos votos daesquerda. E, não lhe interessa concorrer apenas apoiado pela esquerdaporque isso não lhe traria as chaves de Belém e, uma vez que tendo comodesígnio pessoal ser PR, a ideia da unificação da esquerda é um instrumento enunca um objectivo. Por seu turno, Sócrates, sabendo que Alegre não éconsensual no PS e perante uma provável unidade PSD/CDS em torno deCavaco, pretende arregimentar o povo de esquerda. Para ganhar - rindo-sede uma esquerda bem comportada, bem falante mas, vesga – Sócrates aténão se importa nada de aparecer de braço dado, uma ou outra vez, comLouçã e/ou Jerónimo. Paris vale bem uma missa…Por outro lado, Alegre ao tornar-se um apoio de Sócrates, terá de o justificar muito bem (não se sabe como) para se não desacreditar, nem defraudar osmilitantes e simpatizantes que nele confiaram o seu voto, contra Sócrates eCavaco em 2005. Então, no seu início de reinado Sócrates ainda se nãorevelara no seu empenho criminoso contra os trabalhadores e a generalidadede quantos vivem em Portugal e Alegre não o seguiu, corajosamente. Hoje,quando Sócrates surge totalmente desmascarado como agente do capital émuito interessante, analiticamente, verificar o empenho de Louçã emmanifestar o seu apoio a Alegre, como candidato de Sócrates e em explicar porque razão se candidatou em 2005 contra Alegre. Porém, do ponto de vistada esquerda, de quem sofre as agruras da actuação do governo Sócrates, onegócio tem muito menos interesse.Em suma, se os partidos institucionais de esquerda não apoiaram em Alegre
 
quando este se apresentou a votos contra Cavaco e contra o candidato deSócrates, fará algum sentido qualquer apoio ao poeta quando este seapresentar como o candidato do PS e de Sócrates? Algo se passa no reino daDinamarca!O que pensa o inimigo Sócrates é importante mas, mais ainda, é a medidados ganhos para a esquerda, dos contributos dessa pugna, da eventualeleição de Alegre, para livrar os trabalhadores e os pobres dos impactos daconsolidação orçamental que vai durar anos. Recordam-se aqui os recadosdo FMI para o efeito e que para a dívida pública voltar a atingir os valoresaceitáveis para o FMI e o PEC (cerca de 60% do PIB) é preciso excedentesorçamentais de cerca de uma década; e para o efeito Sócrates ou qualquer facínora no seu lugar terão de aumentar impostos, reduzir pensões, aumentar a idade da reforma mantendo imune … a competitividade das empresas e arendabilidade dos bancos.Ora, apoiar Alegre é apoiar Sócrates e validar as malfeitorias que seprefiguram no horizonte próximo a não ser que nos queiram fazer rir àsgargalhadas dizendo que um Alegre como PR iria vetar as leis ditadas por Sócrates contra os trabalhadores, os desempregados, os pensionistas, ospobres. Apoiar Sócrates, ainda que indirectamente, através de Alegre élegitimar esse desacreditado carrasco e aldrabão, líder incontestado dadireita portuguesa. Que pensarão os votantes da esquerda se foremconvidados a votar numa máscara de Sócrates chamada Alegre? Louçã nãoequacionou estas questões quando soltou o dislate que constitui autênticafixação no seu cérebro?Sabe-se da existência de muitos submarinos dentro dos partidos de esquerdae nas suas orlas, ansiosos de uma união de facto com o PS, mesmo comSócrates, para ganharem lugares bem pagos no aparelho de Estado, napeugada do Pina Moura, do Lino, do Jorge Coelho, ou dessa espécie deRosenberg português, o Santos Silva. E, para isso, precisam de apresentar trabalho a Sócrates, de satelitizarem os seus próprios partidos em torno do PSe, para o efeito, o apoio a Alegre e as tentativas de arrastamento da massaeleitoral da esquerda é apenas um passo.Ninguém duvide, porém, que existem muitos militantes dos partidos deesquerda que não votarão em Alegre, se isso lhes for proposto, contribuindoassim para uma clarificação – absolutamente necessária à esquerda – sobre ocarácter do PS e dos caciques da esquerda. E se se não prefigurar umaalternativa credível para a esquerda, a abstenção ou a anulação do voto sãosempre opções viáveis.
O que é o PS?
O PS é um partido de direita, neoliberal, corrupto, anti-democrático e ainsistência dos caciques da esquerda - com a evidente influência na massa

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