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A RELEVÂNCIA DA AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A RELEVÂNCIA DA AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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A RELEVÂNCIA DA AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTILResumoA escola, por ser o primeiro agente socializador fora do círculo familiar da criança,torna-se a base da aprendizagem se oferecer todas as condições necessárias para que elase sinta segura e protegida. Assim, para que a criança tenha um desenvolvimentosaudável e adequado dentro do ambiente escolar, e conseqüentemente no social, énecessário que haja um estabelecimento de relações interpessoais positivas, comoaceitação e apoio, possibilitando assim o sucesso dos objetivos educativos.Palavras-chave: afetividade, aprendizagem, relações interpessoais, desenvolvimento.1 INTRODUÇÃO“As escolas deveriam entender mais de seres humanos ede amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elasm contribuído em demasia para a constrão deneuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, defantasias, de símbolos e de dores”.Cláudio SaltiniA criança deseja e necessita ser amada, aceita, acolhida e ouvida para que possadespertar para a vida da curiosidade e do aprendizado. E o professor é quem prepara eorganiza o microuniverso da busca e do interesse das crianças. A postura desse profissional se manifesta na percepção e na sensibilidade aos interesses das criançasque, em cada idade, diferem em seu pensamento e modo de sentir o mundo. No presente artigo pretende-se fazer uma abordagem sobre o tema da AFETIVIDADE NAEDUCAÇÃO INFANTIL, destacando alguns conceitos, teorias e enfatizando suaimportância no processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, na primeira parte,apresentar-se-á uma breve abordagem das teorias da Psicologia do Desenvolvimento, baseada principalmente em Piaget, dada a sua importância em relação ao tema. Numsegundo momento, serão dados alguns conceitos sobre afetividade. Por fim, entraremosno tema da afetividade na educação infantil, que é o cerne do presente artigo.2 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A PSICOLOGIA DODESENVOLVIMENTOPara que se possa compreender de forma mais ampla o tema da afetividade na educaçãoinfantil, entendemos que primeiramente faz-se necessário tratar rapidamente daPsicologia do Desenvolvimento Infantil, especialmente o desenvolvimento cognitivoestudado por Jean Piaget. A infância é uma etapa biologicamente útil, que se caracterizacomo sendo o período de adaptação progressiva ao meio físico e social. A adaptação,aqui, é “equilíbrio”, cuja conquista dura toda a infância e adolescência e define aestruturação própria destes períodos existenciais. E, conforme ensina o psicólogo JeanPiaget (1985), “educar é adaptar o indivíduo ao meio social ambiente”. Quando, então,se trata de educação infantil no contexto da educação moderna é preciso considerar quatro pontos fundamentais: a significação da infância, a estrutura do pensamento dacriança, as leis de desenvolvimento e o mecanismo da vida social infantil. Entra neste ponto o papel da psicologia na educação. Piaget afirma que:
[...] a pedagogia moderna o saiu de forma alguma da psicologia da criança, da mesma maneira que os progressos datécnica industrial surgiram, passo a passo, das descobertas dasciências exatas. Foram muito mais o espírito geral das pesquisas psicológicas e, muitas vezes também, os próprios métodos deobservação que, passando do campo da ciência pura ao da
 
experimentação, vivificaram a pedagogia (PIAGET, 1985, p.148).
Piaget foi um dos grandes estudiosos da Psicologia do Desenvolvimento; dedicou-seexclusivamente ao estudo do desenvolvimento cognitivo, quer dizer, à gênese dainteligência e da lógica. Ele concluiu pela existência de quatro estágios ou fases dodesenvolvimento da inteligência. Em cada estágio há um estilo característico através doqual a criança constrói seu conhecimento. Vejamos:Primeiro estágio
Sensório motor (ou prático) 0 – 2 anos: trabalho mental: estabelecer relações entre asações e as modificações que elas provocam no ambiente físico; exercício dos reflexos;manipulação do mundo por meio da ação. Ao final, constância/permanência do objeto.Segundo estágio
Pré-operatório (ou intuitivo) 2 – 6 anos: desenvolvimento da capacidade simbólica(símbolos mentais: imagens e palavras que representam objetos ausentes); explosãolingüística; características do pensamento (egocentrismo, intuição, variância); pensamento dependente das ações externas.Terceiro estágio
Operatório-concreto – 7 – 11 anos: capacidade de ação interna: operação.Características da operação: reversibilidade/invariância – conservação (quantidade,constância, peso, volume); descentração/capacidade de seriação/capacidade declassificação.Quarto estágio
Operacional-formal (abstrato) – 11 anos... A operação se realiza através da linguagem(conceitos). O raciocínio é hipotético-dedutivo (levantamento de hipóteses; realizaçãode deduções). Essa capacidade de sair-se bem com as palavras e essa independência emrelação ao recurso concreto permite: ganho de tempo; aprofundamento doconhecimento; domínio da ciência da filosofia. Quanto à afetividade, o psicanalistaSigmund Freud afirmava que os dados fornecidos pela psicanálise têm conseqüênciasimportantes para a compreensão das relações inter-humanas, principalmente ao mostrar que o objeto de relação é um objeto individual construído pelo mundo interno fantástico(de fantasia) variando com nossos investimentos e em função de nossa história e denossos estados afetivos (apud GOLSE, 1998). Pode-se ainda destacar os estudosrealizados por Henry Wallon, o qual não separou o aspecto cognitivo do afetivo. Seustrabalhos dedicam um grande espaço às emoções como formação intermediária entre ocorpo, sua fisiologia, seus reflexos e as condutas psíquicas de adaptação. A atuação estáestritamente ligada ao movimento, e as posturas são as primeiras figuras de expressão ecomunicação que servirão de base ao pensamento concebido, antes de tudo, como umadas formas de ação. Segundo Wallon, o movimento é a base do pensamento. É a primeira forma de integração com o exterior.3 AFETIVIDADE: ALGUNS CONCEITOS No Dicionário Aurélio (1994), o verbete afetividade está definido da seguinte forma:“Psicol. Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções,
 
sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, desatisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.” Portanto, aafetividade exerce um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, alémde influenciar decisivamente a percepção, a memória, o pensamento, a vontade e asações, e ser, assim, um componente essencial da harmonia e do equilíbrio da personalidade humana. Aliás, existe acentuada confusão terminológica em relação àafetividade e ao grande número de vocábulos associados ao seu conceito. Os estadosafetivos fundamentais são as emoções, os sentimentos, as inclinações e as paixões. A palavra emoção vem do latimmovere, mover-se para fora, externalizar-se. É a intensidade máxima do afeto. A emoção édefinida assim, pelo Dicionário Aurélio: “Psicol. Reação intensa e breve do organismo aum lance inesperado, a qual se acompanha dum estado afetivo de conotação penosa ouagradável”.4 A AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Na teoria de Jean Piaget, o desenvolvimento intelectual é considerando como tendodois componentes: o cognitivo e o afetivo. Paralelo ao desenvolvimento cognitivo está odesenvolvimento afetivo. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências,valores e emoções em geral. Já Vygotsky (apud LA TAILLE, 1992, p. 11), propôs aconstrução de uma nova psicologia, fundamentada no materialismo histórico e dialético.Aprofundou seus estudos sobre o funcionamento dos aspectos cognitivos, mais precisamente as funções mentais e a consciência. Vygotsky usa o termo função mental para referir-se a processos como pensamento, memória, percepção e atenção. Aorganização dinâmica da consciência aplica-se ao afeto e ao intelecto. Conforme LaTaille (1992, p. 76), Vygotsky explica que o pensamento tem sua origem na esfera damotivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esfera estaria a razão última do pensamento e, assim, uma compreensão completado pensamento humano só é possível quando se compreende sua base afetivo-volitiva.Apesar de a questão da afetividade não receber aprofundamento em sua teoria,Vygotsky evidencia a importância das conexões entre as dimensões cognitiva e afetivado funcionamento psicológico humano, propondo uma abordagem unificadora dasreferidas dimensões. Por sua vez, na psicogenética de Henry Wallon, a dimensão afetivaocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto doconhecimento (LA TAILLE, 1992, p. 85). Para este pensador, a emoção ocupa o papelde mediadora. O processo de desenvolvimento infantil se realiza nas interações, queobjetivam não só a satisfação das necessidades básicas, como também a construção denovas relações sociais, com o predomínio da emoção sobre as demais atividades. Asinterações emocionais devem se pautar pela qualidade, a fim de ampliar o horizonte dacriança e levá-la a transcender sua subjetividade e inserir-se no social. Na concepçãowalloniana, tanto a emoção quanto a inteligência são importantes no processo dedesenvolvimento da criança, de forma que o professor deve aprender a lidar com oestado emotivo da criança para melhor poder estimular seu crescimento individual. Noâmbito da educação infantil, a interrelação da professora com o grupo de alunos e comcada um em particular é constante, dá-se o tempo todo, na sala, no pátio ou nos passeios, e é em função dessa proximidade afetiva que se dá a interação com os objetose a construção de um conhecimento altamente envolvente. Como afirma Saltini (1997, p. 89), “essa interrelação é o fio condutor, o suporte afetivo do conhecimento”.Complementa o referido autor:
 Neste caso, o educador serve de continente para a criança. Poderíamosdizer, portanto, que o continente é o espaço onde podemos depositar nossas pequenas construções e onde elas tomam um sentido, um peso

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