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noticiasmagazine
06.DEZ.2009
independente
Coração
TEXTO
Sarah Adamopoulos
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FOTOGRAFIA
Bruno Grilo
Luís Soares,Suarez,vai tudo dar à mesma pessoa:um rapaz alentejanode 25 anos que nos idos de 1990 se ligou à cultura
 hip hop
enquanto an-dava pelas ruas de Beja com os amigos a tentar perspectivar futurossem ter de «papar disto».
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«Isto» é uma sociedade dominada pelos mo-delos americanos a que aponta o dedo,atribuindo-lhes as culpas pelo mal--estar da generalidade.
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Uma voz,o vazio.
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Uma explicação para arevolta dos que não compreendem a que raio de mundo vieram parar.
PERFIL
DIZER AS VERDADES
Num dos temas do disco agora disponibiliza-do na internet (e apenas), o músico diz pre-cisar de um «motivo que motive a sua vida»,um objectivo, coisa infelizmente comumnestes estes tempos desencantados, que a to-dos pesam, mas talvez mais (e com maiorgravidade e consequência) aos jovens. Diz--se (canta-se) desiludido, cansado da «falsi-dade e da hipocrisia» dos que olham para elecomo um «puto malcriado, um falhado ouum parasita».Alguns por vezes da mesma idade, porém «denariz empinado», apesarde entregues a vidas mornas, que na verdadenão escolheram – muitas vezes reproduto-ras de modelos comprovadamente gerado-res de disforias. Jovens tornados incapazesde correr riscos, muitos amedrontados pelotrabalho precário e pelos contratos sociaisque a era liberalíssima instituiu, negando-lhes as oportunidades – de realização pes-soal, de ascensão social, etc. Que vidas são es-tas?Não as escolhemos...Retrato duro masrealista, este que os temas de Suarez fazemdo país «vendido aos espanhóis» e reverenteperante uma União Europeia muito alheada das questões da preservação identitária dasnações (onde Suarez não consegue venderdiscos cantados em português).
HIP HOP ACÚSTICO
Mas se já se sabia que o
hip hop
é desde osseus momentos fundadores uma cultura dereacção, usada pelos mais desfavorecidos edescontentes como arma de arremesso con-tra o que vai mal na sociedade, o trabalho deSuarez não deixa de surpreender, porquevem de um lugar português (o Alentejo) on-de, apesar de todas as resistências da histó-ria política e social recente, os cantares e osdizeres assentam essencialmente nas tradi-ções locais rurais, porque Suarez é um poe-ta, talentoso com as palavras que usa para fa-lar de assuntos mais vastos do que os do seubairro (ou, neste caso, da sua terra), assuntosque interessam a todos, e que ele expõe deforma crua mas sem perder a poesia, aquientendida como o encantamento, o sortilé-gio, que salva da amargura demasiada – só[lhe] restam as palavras para continuar, dizLuís Soares, que no entanto não se reclama nem
rapper 
, nem poeta, nem escritor, masapenas um «gajo que escreve merdas con-soante o seu humor»; e, por fim, porque mu-sicalmente
 Blue Note
é muito diferente doque estamos habituados a ouvir em matéria de
hip hop
. Trata-se de um trabalho acústico,cheio de instrumentos e sonoridades ines-peradas que transformaram alguns dos te-mas do disco anterior,
Visão de Um Estranho
[2007], noutra coisa, «num segundo filhomuito especial».
IDENTIDADES MUSICAIS
Um filho que não é apenas diferente emtermos musicais, já que
 Blue Note
foi feitono pressuposto verificadíssimo de que fa-zer um disco para vender é hoje em dia uma ilusão cheia de amarguras para colhermais à frente. É nos concertos que um artis-ta pode esperar retorno financeiro, já queaos antigos compradores de música se su-cederam, como todos bem sabemos, os
downloaders
– é esse o costume hoje inscri-to nos hábitos de consumo dos mais jovensem particular, para quem o acesso univer-sal e gratuito à música é um dado que a des-regulação do mercado discográfico trazida pela internet tornou adquirido. Assim pen-sou e melhor fez Suarez, que disponibili-zou na rede o seu trabalho para 
download
.Mas apesar do desassombro, o músico ecompositor independente que canta con-tra as editoras e as rádios não se esquece delembrar aos interessados que um discocontinua a ser uma aventura dispendiosa para quem o faz e produz. Se a internet per-mite facilmente a cada um construir iden-

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