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INTELIGÊNCIA MERCADOLÓGICA – O LIVRO QUE NÃO FOI ESCRITO
Por Gutemberg B. de Macêdo
“Todos nós nascemos com a capacidade de pensar criticamente, mas,como qualquer outra habilidade, ela deve ser estimulada e aperfeiçoadacom a prática. O pensamento crítico exige uma infra-estruturaintelectual que, à semelhança da estrutura de aço de uma construção,deve ser montada aos poucos, para dar-lhe formato e sustentabilidadedefinitivos”.
“Think”, Michael R. Legault, editor do National Post, pág. 45ou apaixonado por bons livros desde a infância. Começo o meu dia detrabalho às cinco horas da manhã. Diariamente, sem exceção, reservo emmédia três horas para a leitura. Nos finais de semana, essa carga horária ésubstancialmente maior: de seis a oito horas. Leio compulsivamente sobrediferentes áreas do saber humano – direito, história, filosofia, teologia, ética,antropologia, mitologia, política, religião, ciência, psicologia, administração geral,marketing, recursos humanos, finanças, governança corporativa,sustentabilidade do planeta, liderança, etiqueta social e empresarial, carreiraexecutiva, coaching mentoring, biografias etc. Faço isso porque, além de ser umgrande prazer me debruçar sobre essas fontes de conhecimento, o meu trabalhoexige que eu me mantenha bem informado e persiga novos saberes todos osdias. Aprendi com o Mestre Salomão que
“O conhecimento prolonga os anos devida” 
e que
“Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquireconhecimento; porque melhor é o lucro que ela dá do que o da prata, e melhor asua renda do que o ouro mais fino. Mais preciosa é do que pérolas” 
(Provérbios3.13-15). E, ainda mais, como frisou Samuel P. Newman (1835) no seu trabalho,Elements of Political Economy “O homem para conduzir alguns ramos denegócio”, deve ter muito conhecimento, tanto do estado do mundo em geralcomo dos detalhes de empregos e empreendimentos particulares”.
S
Minha biblioteca é eclética e atende a todos os gostos. Profissionais assistidospela Gutemberg Consultores em seu processo de transição de carreira ou decoaching executivo sabem de minha devoção aos livros e a determinação quetenho na busca de novos saberes. Não saberia viver um único dia de minha vidasem ler um bom livro e aprender algo novo. Tenho bons motivos paraempreender tarefa tão prazerosa, saudável e rica: a leitura de bons livros ampliaos meus conhecimentos, enriquece o meu vocaburio, aprimora a minhacomunicação falada e escrita, fortalece os meus argumentos, rejuvenesce o meucérebro, proporciona uma sensação de liberdade inigualável, me ensina a pensarcriticamente e a verbalizar minhas opiniões sem medo de censuras ou críticas. E,não menos importante, ela me capacita a “dialogar” com os mortos e os maisrenomados sábios que já existiram ao longo da história da humanidade.Aprendi muito cedo em minha vida que o homem que não lê não tem qualquervantagem sobre aquele que não sabe ler, e que
“A crítica é o fenômeno do pensamento criativo” 
, como ponderou o historiador Bert James Loewenberg.Infelizmente, a arte de pensar de maneira inteligente, objetiva, profunda,perspicaz e independente está morrendo cada vez mais rápido em nossos dias.Em geral, muitos preferem a superficialidade. É um tipo de epidemia que assolaaté mesmo renomados jornalistas, acadêmicos, cientistas, emprerios,executivos, consultores, professores e estudantes, entre outras pessoas. Muitos
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são acusados de plágio pela imprensa: Chris Anderson, autor do livro “Free”;Suzana Doblinski, consultora e autora de “Será que pega bem” (Revista Exame);William Swanson, executivo norte-americano autor de “Swanson”s UnwrittenRules of Management. Recentemente, a Universidade de S.Paulo abriu umainvestigação para apurar um suposto plágio da reitora Suely Vilela Sampaio emais dez pessoas. (R7 notícias, 4 de novembro de 2009) e Terra.com 4 denovembro de 2009).No Brasil, essa realidade é mais crítica e preocupante: 74% dos brasileiros nãocompreendem o que lêem. E se não compreendem o que leem, como podempensar com isenção e indepenncia? Como podem se indignar diante dasverdadeiras aberrões do dia-a-dia da vida nacional e exercerem a suacidadania? É impossível. É mais provável que sejam influenciados pelosespertalhões de plantão, sejam eles professores, consultores, líderes religiososou políticos com objetivos distorcidos de seus verdadeiros papéis. É sabido queonde homens e mulheres não verbalizam livremente suas posições, não democracia. A democracia não se faz apenas com o voto depositado na urna acada quatro anos, mas também com o direito de ir e vir, de falar livremente esem ter medo de mordaça.Esse fenômeno ocorre até mesmo em nações desenvolvidas como os EstadosUnidos. O relatório,
 
“Writing: A Ticket to Work... or a Ticket Out” 
, trouxe entresuas conclusões uma informação devastadora:
“Aproximadamente um terço dasempresas afirmou que apenas um teo ou menos de seus empregados(diretores) sabia escrever clara e objetivamente” 
 
(Think, obra citada, pág. 16). Agrave crise atual norte-americana é fruto da ignorância coletiva e do fechamentoda mente, principalmente, nas universidades e nas empresas. Sugiro que o leitorleia os livros
“O Homem Medíocre” 
de José Ingenieros e
“A Cultura Inculta” 
deAllan Bloon.Quando os indivíduos abdicam de pensar criticamente e se orientam apenaspelos conselhos transmitidos
“a receita pronta, a rmula gica para osucesso” 
por gurus de plantão, geralmente eles terminam muito mal. O mesmoocorre com empresas e nações. Segundo Legault,
“a única coisa gerada pelocrescente desejo pelo caminho mais fácil e livre de raciocínio é uma massacrítica de resultados nefastos”:
 
“Piora nas habilidades em ciências, matemática, leitura e resolução deproblemas em todos os níveis do ensino;
Crescente mero de professores que sequer é capaz de explicar,claramente, uma tarefa, e menos ainda ensinar de forma eficientedisciplinas difíceis como matemática e inglês;
A gritante alienação automática dos americanos de acordo com certa linhaideológica, qualquer que seja o assunto ou o problema;
O declínio alarmante da saúde de milhões de norte-americanos, cujo corponão faz mais do que seguir o declínio da capacidade crítica da mente”.(Think, obra citada, pág. 24).Qualquer semelhaa com a realidade brasileira o é simplesmente puracoincidência. É ignorância planejada, proposital e “incurável”. Sugiro que o leitorleia o livro
“O Mundo Assombrado pelos Demônios” 
do astrônomo norte-americano Carl Seagan. Vale a pena refletir principalmente sobre o que ele diz nocapítulo 21,
“O Caminho para a Liberdade”,
(págs. 343-366). Procure perceber aforça libertadora do pensamento livre, crítico e da busca do conhecimento.
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Cultivo ao longo dos últimos seis anos o hábito de preparar resenhas sobrediferentes livros através de coluna na revista Você S.A. Movido pelo sentimentode busca de novos saberes, adquiri recentemente o livro,
“InteligênciaMercadológica – A Inteligência que Gera Negócios e Oportunidades de Trabalho” 
,do consultor empresarial José Augusto Minarelli. Infelizmente, ao lê-lo criteriosa ecriticamente, senti uma sensação de vazio intelectual.Reconheço que não é nada fácil fazer uma crítica sobre uma obra, qualquer queseja o seu autor. E quando o autor é um colega de profissão, essa missão setorna ainda mais difícil. Tenho plena consciência de que muitos virarão as costasem repúdio a minha posição ao escrever e publicar este trabalho. Isso não meintimida ou me constrange. Pelo contrário, me desafia, visto que é muito fácilnadar a favor da correnteza como um pedaço de madeira apodrecida ou umagarrafa plástica vazia. Prefiro o caminho feito pelos salmões que sobem rioacima. Prefiro os caminhos menos trilhados.
“Prefiro os que me criticamporque me corrigem aos que me bajulam porque me corrompem”
comoapropriadamente escreveu Santo Agostinho. Com essa minha posição em mente,quero propor ao leitor que acompanhe minha análise crítica do livro
“InteligênciaMercadológica” 
e julgue por si mesmo se elas são procedentes ou não. Começodestacando algumas citações escritas pelo autor:
“Este livro nasceu da prática, e não de elucubrações teóricas. Tudoo que descrevo aqui se originou do contato e da observação de pessoas como você,”
 
(Inteligência Mercadológica, Introdução, pág. XIV).Uma leitura, mesmo que rápida e superficial do livro, revelará ao leitor queo livro é calcado e estruturado com base nas seguintes obras:
“Marketingde Serviços: a Empresa com Foco no Cliente” 
de Valarie A. Zeithaml e Mary Jô Bitner;
“Princípios de Marketing” 
 
de
 
Philip Kotler e Gary Armstrong
;“Administração de Marketing” 
de Philip Kotler,
“Inteligência – Um ConceitoReformulado” de Howard Gardner,
renomado psicólogo da Universidade deHarvard;
“O Poder da Persuasão” 
de Robert B. Cialdine e “Você é a suamelhor marca” de Jussier Ramalho. Não se trata, portanto,
“da prática, docontato e da observação de pessoas”,
 
como afirma o autor.No caso das histórias relatadas no livro, quase todas elas não têm qualquerrelação aparente com a sua vivência no assessoramento a diretores egerentes de empresas.A bem da verdade e da integridade intelectual, o livro
“InteligênciaMercadológica” 
o existiria sem os autores acima citados. Eles omencionados 60 vezes aproximadamente e suas idéias reproduzidas demaneira extensiva e em algumas situações, transcritas
Ipsis litteris
oufraseadas de maneira diferente como comprovaremos ao longo destetrabalho.Eis alguns exemplos do que afirmo:
1.
As três primeiras páginas do livro
Inteligência Mercadológica,
são umsumário espelhado dos capítulos 1 e 2 do livro,
Inteligência – UmConceito Reformulado,
de Howard Gardner, com uma agravante: a Tabela 1.1
Inteligência – não é uma adaptação, como afirma o autor,
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