Introdução
Os hóspedes que participam dos meus cursos na abadiaMünsterschwarzach constantemente me contam como o ritmo aoqual se entregam no convento lhes é benfazejo. Eles têm a impressãode que o modo como o tempo é utilizado lá faz sentido. E percebem oefeito salutar dos horários conventuais.Homens e mulheres, que ficam na hospedaria recebendoacompanhamento, sentem-se muitas vezes mais curados em umasemana do que por uma demorada terapia. Isso não dependesomente das pessoas que os acompanham na hospedaria. Na opiniãodos hóspedes, a participação na vida monástica inicia neles, oureforça, processos terapêuticos.Em sua vida cotidiana, após a hora de terapia, eles têm deretornar para a costumeira agitação. Aqui, na hospedaria, podem seentregar a um ritmo preestabelecido.Não precisam ponderar o que devem fazer, mas sim sedeixam enquadrar em uma estrutura que evidentemente tranqüiliza eritmiza sua alma.Nesta obra, não quero refletir sobre o tempo de umamaneira muito teórica.Isso já foi feito, de maneira excelente, por Karlheinz A.Geiszler, nos livros de sua autoria. A seus pensamentos, eu devoincentivos essenciais. Quero apenas contar como eu, no convento,vivo o tempo e como a tradição espiritual tem visto o tempo. O leitor,vivendo em outras circunstâncias, há de constatar, provavelmentedurante a leitura, que a sua experiência do tempo é outra. Porém,estou convencido de que o modo como os monges experienciam otempo, com uma cultura diferente, tem algo a dizer também apessoas que não vivem no mosteiro, e sim no mundo moderno.Espero que as experiências dos monges sirvam mesmo hoje,e exatamente hoje, de ajuda e inspiração para o maior número