O século XV e início do século XVI foram muito importantes, no que concerne aocrescimento da tradição ocultista clandestina. Os mouros, que haviam invadido a Espanha donorte da África, nos séculos X e XI, chegando a atingir áreas do sul da França, até seremexpulsos pelos reis cristãos, haviam introduzido, na Europa, os ensinamentos secretos dasescolas de Mistérios árabes e do sistema místico judaico, conhecido como Cabala. No início doséculo XVI, houve uma renovação do interesse nos gnósticos, e a filosofia hermética tambémera bem conhecida pelos estudantes dedicados às ciências ocultas.Em 1600, um manuscrito grego constituindo em uma cópia quase completa do CorpusHermeticum, o compêndio padrão do hermetismo, chegou às mãos de um monge contratadopela família italiana dos Médici para localizar manuscritos raros. O patrão do monge, Cosmosde Médici, fez com que o manuscrito fosse traduzido, tendo sido publicado em 1463.A sua publicação marcou a grande revivescência ocultista do período, que culminariacom o florescimento da Renascença, quando artistas, escritores e poetas, inspirados pelopaganismo clássico, produziram as grandes obras de arte e literatura, tão altamenteestimadas, atualmente, como os tesouros espirituais e materiais da cultura européia.Também durante esse importante período cultural da história ocidental, a existênciade uma das mais influentes sociedades secretas da tradição esotérica foi revelada para omundo externo. Essa sociedade tinha como o seu derradeiro objetivo restabelecer os antigosMistérios em uma forma que, diferentemente da heresia maniqueísta e da Ordem Templária,fosse publicamente aceitável. Os mais antigos escritos sobre essa sociedade, conhecida comoa Fraternidade ou Ordem Rosa-cruz, começaram a circular na Europa em torno do ano de1605. Eles faziam parte de um manuscrito denominado A Restauração do Templo Decaído dePalas, e formam a mais antigas constituição da Ordem conhecida. Uma história dos rosa-cruzes foi escrita por um autor desconhecido, em 1610, mas só foi impressa quatro anosdepois. Intitulava-se Fama Fraternitais e se constituía de uma história legendária afirmandoque a Ordem fora fundada já no século XIV por um místico alemão de uma famíliaaristocrática.Esse místico, conhecido somente pelo seu pseudônimo de Cristian Rosenkreutz, aindamenino, havia sido internado, pelos seus pais, em um mosteiro. Ele se rebelou contra osufocante autoritarismo da vida clerical, aproveitando a chance, que um monge mais velholhe ofereceu, de viajar ao Oriente Médio. O seu companheiro faleceu a caminho, em Chipre,mas o jovem prosseguiu viagem até Damasco. Ali, tornou-se aluno de um grupo de adeptoscabalistas que viviam na cidade. Rosenkreutz acabou retornando à Europa, detendo-se nonorte da África, onde na cidade de Fez, estudou com oculistas árabes, e na Espanha Moura.Durante os seus estudos em Fez, o jovem monge aprendeu a arte mágica de evocar osespíritos elementais, sendo instruído nos segredos da alquimia ou transformação do chumboem ouro.O fato de Rosenkreutz ter viajado, extensamente, pelo Oriente Médio, estudando comadeptos árabes do ocultismo, sugere fortemente que os rosa-cruzes estavam familiarizadoscom os ensinamentos do Sufismo. Idries Shah, grande Mestre sufi, comparou-os à sociedadesecreta sufi, fundada em Bagdá no século XII, denominada Caminho da Rosa. Ela foi fundadapor um mestre sufi, Abdelkadir Gilani, cujo símbolo pessoal era uma rosa vermelha. Essegrupo sufi, assim como os rosa-cruzes, praticavam a alquimia como uma metáfora datransformação espiritual da matéria em espírito.Retornando à Alemanha, Rosenkreutz prosseguiu os seus estudos ocultistas, isolando-sepor cinco anos para realizar rituais mágicos e operações alquímicas. No fim desse período deisolamento, ele decidiu informar ao mundo seu novo conhecimento, e Rosenkreutz possuíaambições políticas, acreditando que as artes e ciências européias achavam-se em um estadode decadência.Segundo a sua crença, somente por uma injeção de inspiração espiritual a culturaeuropéia poderia ser salva da completa degradação moral. Com esse fito, Rosenkreutz tentou