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Perspectivas Da Geografia Agraria 22

Perspectivas Da Geografia Agraria 22

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GEOGRAFIA AGRÁRIA: perspectivas noinício do Século XXI
1
 
Ariovaldo Umbelino de Oliveira
2
 
“Penso que cumprir a vida Seja simplesmente Compreender a march  Ir tocando em frente...
 1. INTRODUÇÃO
Discutir as perspectivas que se põem para a Geografia Agrária abre espaços paradiscussões profundas sobre os rumos que este campo de investigação da ciência geográficaem particular, e das análises sobre o campo vem trilhando neste início de século XXI. Odebate e o confronto das idéias é também, função básica da produção acadêmica e dareflexão intelectual. Abrir a discussão sobre as múltiplas dimensões que envolvem asanálises sobre o campo significa mergulhar no debate político, ideológico e teórico. Assim,tratarei a temática ponderando as contradições vividas pelo campo no Brasil e no mundoatual e, o estado da arte da Geografia brasileira.Gostaria de deixar claro de início que as transformações recentes ocorridas naconfiguração territorial do mundo e do Brasil nas duas últimas décadas, revelam que omundo transformou-se. Revelam também, que o Brasil transformou-se. O capitalismomonopolista mundializado adquiriu novos padrões de acumulação e exploração, e, é estanova feição que muitos chamaram de modernidade, pós-modernidade, etc. Como se sabe, arealidade é a única referência para se submeteràdiscussão nossas concepções teóricas.Como tenho insistido em meus textos
4
, todos estamos inseridos no turbilhão domundo da modernidade. Uns engajam-se no
establishment 
, outros criticam-no. Uns fazemda ciência instrumento de ascensão social e envolvimento político, outros procuramcolocar o conhecimento científico a serviço da transformação e da justiça social. Não setrata, pois, de encontrar de forma maniqueísta, o que está certo ou errado. Trata-se isto sim,de construir as explicações das diferenças, demarcá-las e revelá-las por inteiro. Este debatetem que ser feito através das necessárias reflexões sobre a práxis e tem que dar conta dautopia para pensá-la como instrumento que permita a construção da liberdade, daautonomia e do compromisso social no interior da prática universitária.
1
Texto apresentado na mesa redonda “Perspectivas da Geografia Agrária” no II Simpósio Nacional de Geografia Agrária/ I SimpósioInternacional de Geografia Agrária – “O Campo no Século XXI”, realizado em São Paulo, 05 a 08/11/2003.
2
Professor Titular do Departamento de Geografia - FFLCH-USP
3
Almir Sater e Renato Teixeira “
Tocando em Frente
”.
4
Oliveira, AU. “A Geografia Agrária e as Transformações Territoriais Recentes no Campo Brasileiro” in Novos Caminhos daGeografia”, Ed. Contexto, São Paulo, 1999, (org) Ana Fani Alessandri Carlos, p.63 a 110.
 
2. AS PESQUISAS EM GEOGRAFIA AGRÁRIA E AS CORRENTESFILOSÓFICAS DO PENSAMENTO
5
 A Geografia moderna, como a maioria das ciências humanas, nasceu no séculoXIX, sob a égide do debate filosófico entre o
positivismo
, o
historicismo
e por certo ainfluência da
dialética
. Penso que estas três correntes filosóficas de pensamento estão naformação das raízes do pensamento geográfico moderno. Os trabalhos de Manuel Correiade ANDRADE e Horácio CAPEL iluminam nesta direção. Manuel Correia deANDRADE
6
aponta para aexistência de uma Geografia libertária representada pelos trabalhos de Elisée RECLUS
7
e Piotr KROPOTKIN
8
. Já CAPEL
9
faz referência a umgeógrafo anarquista marginalizado na história do pensamento geográfico.Assim, estou assumindo uma posição crítica em relação a autores que tratam desteperíodo da história da Geografia qualificando-o como Geografia Tradicional, como é o caso de Antonio Carlos Robert MORAES
e Ruy MOREIRA
. Esta expressão, não ajudarevelar a raiz historicista da Geografia, e não abre possibilidades para compreensão doimportante debate entre o materialismo e o idealismo nas ciências humanas,particularmente no século XIX. Em 1978, já apontava para esta questão na Geografia.Mais do que camuflar o debate esta posição contribuiu para que os geógrafoscontinuassem, na maioria das vezes, "geografizando" esta discussão sob o signo do debatedeterminismo versus possibilismo. Este debate geografizado, em primeiro lugar, retira adiscussão do campo da filosofia, onde ela deve ser feita, e remete-a a análise da realidade(relação entre a sociedade e a natureza) vista quase que exclusivamente, entre geógrafos.Em segundo lugar, remete a origem da Geografia exclusivamente, ao positivismo. Emterceiro lugar, a meu juízo, continua desconhecendo a possibilidade de existência de umaterceira raiz do pensamento geográfico, construída sob influência da dialética.O debate filosófico travado no século XIX tinha como centro a possibilidade dasciências humanas possuírem estatuto científico próprio, e era esta discussão que opunhapositivistas e historicistas e ambos a aqueles influenciados pelo pensamento hegeliano.Este rico debate deve ser entendido agora no interior de uma visão social de mundoentendida como perspectiva de conjunto, como a estrutura categorial, como o estilo depensamento socialmente condicionado, que como todos sabemos pode ser ideológico ouutópico. Não se trata, pois de opor ciência a ideologia, ou de opor ideologia a utopia, temosque articular estas formas sociais de pensar o mundo, e entendê-las historicamente, comopropõe por exemplo, Michael LÖWY
.O positivismo que teve em Auguste COMTE
um de seus principais pensadores,como uma doutrina da neutralidade axiológica do saber, estava fundado em um conjuntode premissas que estruturaram "
um 'sistema' coerente e operacional que entende que : 1). A sociedade é regida por leis naturais, isto é, leis invariáveis, independentes da vontade eda ação humana; na vida social, reina uma harmonia natural. 2). A sociedade pode, portanto, ser epistemologicamente assimilada pela natureza (o que classificaremos como"naturalismo positivista") e ser estudada pelos mesmos métodos,
 démarches
(método,modo de evolução, trajetória) e processos empregados pelas ciências da natureza. 3). Asciências da sociedade, assim como as da natureza, devem limitar-se à observação e à
5
Idem.
6
ANDRADE, Manuel Correia, "Geografia - Ciência da Sociedade", ed. Atlas, São Paulo, 1987, p. 56.
7
RECLUS, Elisée "La Geografia al servicio de la vida (Antologia)"por Colectivo de Geógrafos, Barcelona, Ed. 7 1/2, 1980.
8
KROPOTKIN, Pietr, "Ouvres", FM/Petite Collection, Maspero, Paris, 1976
9
CAPEL, Horácio, "Filosofia y ciencia en la Geografia contempránea", Barcanova, Barcelona, 1981.
10
MORAES, Antonio Carlos R. "Geografia - pequena história crítica", Ed. Hucitec, São Paulo, 1981.
11
MOREIRA, Ruy, "Geografia", Ed. Brasiliense, São Paulo, 1981.
12
LÖWY, Michael "As Aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen" Ed.Busca Vida - 5a. edição, São Paulo, 1991.
13
COMTE, Auguste "Curso de filosofia Positiva" Coleção Os Pensadores, Abril Cultural, São Paulo, 1978
2
 
explicação causal dos fenômenos, de forma objetiva, neutra, livre de julgamentos de valor ou ideologias, descartando previamente todas as prenoções e preconceitos".
 
A difusão destas idéias, particularmente do postulado de uma ciênciaaxiologicamente neutra, apareceu também, fora do quadro estrito do positivismo,alcançando mesmo o historicismo e o marxismo. Este fenômeno revela antes de tudo, umacerta
 dimensão positivista
no interior de vertentes destas escolas de pensamento. Não custalembrar que embora o positivismo tenha surgido como utopia crítico-revolucionaria daburguesia antiabsolutista tornou-se ainda no século XIX, uma ideologia conservadoraidentificada com a ordem industrial/burguesa estabelecida. Este postulado da neutralidadevalorativa das ciências humanas conduziu, inevitavelmente, à negação, ou, a que osseguidores ignorassem o condicionamento histórico-social do conhecimento. Por outrolado, reforçou sua base doutrinária na objetividade/neutralidade científico-social. Pareceóbvio, insistir que o movimento neopositivista na Geografia, ou seja, o empirismo lógico,manteve praticamente, intactos estes postulados básicos, sobretudo este daobjetividade/neutralidade.Assim, a história do pensamento geográfico na Geografia Agrária, não foi, emhipótese nenhuma, diferente a influência desta corrente de pensamento, sobretudo, na suaversão atual, teórico-quantitativista, está claramente presente entre os geógrafos queestudam o campo. O artigo"Renovação da Geografia Agrária no Brasil" in "Simpósio ARenovação da Geografia"
publicado pela AGB-Associação dos Geógrafos Brasileiros em1973, e o livro "Geografia da Agricultura" publicado pela DIFEL em 1984, de autoria deJosé Alexandre FILIZOLA DINIZ
, é um ótimo exemplo desta corrente, na versão doempirismo lógico.O historicismo por sua vez, como escola de pensamentofundada na Alemanha tevecomo um de seus principais pensadores Wilhelm DILTHEY
. Esta escola que nasceu nointerior do idealismo defendendo a autonomia do estatuto científico das ciências humanas,admitia que:
"1)- Todo fenômeno cultural, social, ou político
é histórico
e
 não
pode ser compreendido senão através
 da
e
 na
sua
 historicidade
. 2)- Existem diferenças fundamentais entre os fatos naturais e os fatos históricos e, conseqüentemente, entre asciências que os estudam. 3)- Não somente o objeto da pesquisa está imerso no fluxo dahistória, mas também o sujeito, o próprio pesquisador, sua perspectiva, seu método, seu ponto de vista."
O historicismo está, pois, na raiz filosófica daquilo que os geógrafos chamam de
possibilismo
. Também, não é demais lembrar que a discussão sobre a região na Geografiatem que passar necessariamente pelo historicismo. Entretanto, agora, o historicismoressurge como uma espécie de neo-historicismo. Movimento que aparece também, nointerior do marxismo, e que via de regra, além de manter os princípios basilares dohistoricismo, ou seja, o conservadorismo, incorre quase sempre na
"tentação
 reducionista
 (da História, sobretudo como método), ou ao menos na ausência de articulação precisa esem equívoco entre o condicionamento social do pensamento e a autonomia da práticacientífica"
 
.A história do pensamento geográfico na Geografia Agrária também foi fortementeinfluenciada, pelo historicismo. O excelente capítulo "Metodologia da Geografia Agrária"do livro "Geografia Agrária do Brasil" de Orlando VALVERDE. é talvez, uma espécie demarco histórico, na história da Geografia Agrária no Brasil. VALVERDE, a meu juízo,
14
LÖWY, Michael "As Aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen" Ed.Busca Vida - 5a. edição, São Paulo, 1991,p. 17.
15
"Simpósio A Renovação da Geografia", AGB/SBPC, Rio de Janeiro, 1973.
16
FILIZOLA DINIZ ,José Alexandre, "Geografia da Agricultura", DIFEL, São Paulo, 1984.
17
DILTHEY, Wilhelm, "Introducctin a las ciencias del espiritu", Fondo de Cultura Economica, Mexico, 1949 e "Teoria de la concepciondel mondo" Pannco 63, Mexico, 1944.
18
LÖWY, Michael, op. cit. p.63/4.
19
(LÖWY, Michael op. cit., p. 139)
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