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Caracterização de Neossolos Flúvicos

Caracterização de Neossolos Flúvicos

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Caracterização de Neossolos Flúvicos, Cambissolos e Cupinzeiros Associados Utilizados na Agricultura de Subsistência do Médio Jequitinhonha-MG
D. F. F. SIMÕES1(1), J. C. KER2(2), M. P. F. FONTES3(3), A. C. U. CORRÊA4(4), E. A. ARAÚJO5(5)
RESUMO – A agricultura de subsistência no Médio Jequitinhonha é desensenvolvida praticamente sem a utilização de nutrientes e, ou corretivos. As produções “satisfatórias”, em clima bastante seco e com chuvas concentradas de outubro a abril, são atribuídas a “for
Caracterização de Neossolos Flúvicos, Cambissolos e Cupinzeiros Associados Utilizados na Agricultura de Subsistência do Médio Jequitinhonha-MG
D. F. F. SIMÕES1(1), J. C. KER2(2), M. P. F. FONTES3(3), A. C. U. CORRÊA4(4), E. A. ARAÚJO5(5)
RESUMO – A agricultura de subsistência no Médio Jequitinhonha é desensenvolvida praticamente sem a utilização de nutrientes e, ou corretivos. As produções “satisfatórias”, em clima bastante seco e com chuvas concentradas de outubro a abril, são atribuídas a “for

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Categories:Types, Research, Science
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Caracterização de Neossolos Flúvicos, Cambissolos e CupinzeirosAssociados Utilizados na Agricultura de Subsistência do MédioJequitinhonha-MG
D. F. F. SIMÕES1
(1)
, J. C. KER2
(2)
, M. P. F. FONTES3
(3)
, A. C. U. CORRÊA4
(4)
, E. A. ARAÚJO5
(5)
 
RESUMO
– A agricultura de subsistência no MédioJequitinhonha é desensenvolvida praticamente sem autilização de nutrientes e, ou corretivos. As produções“satisfatórias”, em clima bastante seco e com chuvasconcentradas de outubro a abril, são atribuídas a “forçada terra”, como dizem os pequenos agricultores,sugerindo a fertilidade natural mais elevada dos solos.Desta forma, este trabalho objetivou avaliar química,física e mineralogicamente solos localizados em meiaencosta de áreas graníto-gnássicas (Cambissolos – P4,P5, P7 e P9) e Cambissolos de cupinzeiros,relacionados à fase murundu (P6 e P8), além deNeossolos Flúvicos (P1, P2 e P3), na planície aluvialde riacho afluente, e do próprio rio Jequitinhonha.Todos estes utilizados com agricultura de subsistência,por longo tempo, no distrito de Pasmado, município deItaobim-MG, com o escopo de avaliar a fertilidadenatural destes solos e as possíveis fontes de nutrientes,tanto na TFSA como nas frações areia e silte. Osresultados obtidos indicaram solos bastantediferenciados química e fisicamente, com predomíniode solos eutróficos ou epi-eutróficos, à exceção do P3(Neossolo Flúvico), P4 e P5 (Cambissolo Háplico), queapesar de distróficos não são álicos. Os teores de Ca
2+
,Mg
2+
encontram-se de médios a bons para a maioriadas plantas cultivadas, com exceção do P4. Os teoresde K
+
e P variaram, também, de médios a bons, e os deNa
+
não foram suficientes para caracterizar quaisquerdos solos como sódicos ou solódicos. A mineralogiadas frações areia e silte mostraram-se similares, sendoencontrados quartzo, K-feldspato, plagioclásio e mica,que aparecem como principais fontes de K
+
, Mg
2+
eCa
2+
. Os teores de cátions trocáveis constatados nestasduas frações corroboram esta afirmativa. OsCambissolos de murundus (P6 e P8), caracterizaram-sepelos valores mais elevados de Ca
2+
, P e MO dasuperfície até profundidades maiores, indicandoimportante atividade biológica pretérita (páleo-cupins).Os resultados das análises químicas de rotina apontampara prováveis respostas à adubação fosfatada,nitrogenada e, talvez, potássíca, nos solos estudados. Odéficit hídrico é, talvez, o principal fator limitante aouso agrícola dos solos. Mesmo no período chuvoso sãocomuns veranicos mais longos.
Introdução
Localizada no nordeste de Minas Gerais e inseridana área do Polígono das Secas, a região do MédioJequitinhonha é tida como uma das mais secas e pobresdo Estado [1]. A região contempla amplos chapadões, comdomínio de Latossolos Vermelho-Amarelos sob cerrado, eáreas dissecadas com relevo movimentado, onde o climaquente e seco e a superficialidade de rochas granitóides, existosas do Grupo Macaúbas, propiciaram a formação desolos bastante diferenciados, não sendo raros aqueleseutróficos e mesmo com argila de alta atividade [2].Garimpo, pastagem extensiva, agricultura desubsistência, artesanato com argila, etc. são as principaisatividades econômicas da região, particularmente nas áreasdissecadas e com relevo mais movimentado, contempladasneste trabalho. Destacam-se os cultivos de mandioca, milhoe feijão, além de hortaliças diversas nas chamadas “roçasde barranca”, bem próximas ao rio, em que a água para“irrigação” é transportada nas costas e em latas, ou élançada diretamente do rio na cultura, com o auxílio deprato ou outra vasilha amarrada em vara de pau. Nasbaixadas aluviais verificam-se, também, pequenas lavourasde cana-de-açúcar, capineiras, pomares desordenados demanga e coco-da-bahia.Normalmente os agricultores utilizam um manejobastante rudimentar nos cultivos de subsistência, compreparo do solo, plantio, capinas e colheita cominstrumentos manuais. A tração animal quase não éutilizada. O fogo é, ainda hoje, uma prática de manejocomum, tanto para a limpeza de áreas (“amanso”) comopara a incorporação de nutrientes via cinzas. A erosão épreocupante e resulta da cobertura parcial do solo pelacaatinga em áreas declivosas.Acredita-se que a produtividade das culturas, sem o usode nutrientes e corretivos, e dita como “satisfatória pelosagricultores”, está relacionada à boa fertilidade natural dossolos, o que parece de acordo com Sumner [3], quebaseando-se em vários trabalhados desenvolvidos em solosde climas semi-áridos destaca que quantidadesconsideráveis de minerais primários intemperizáveis(feldspatos, anfibólios, micas etc.), tendem a manter altasatividades de íons cálcio, magnésio e potássio em solução.A pobreza é grande, a renda familiar é complementadapor aposentadorias, programas sociais como bolsa escola,cerâmica artesanal (importante papel da mulher) emigração temporária, sobretudo de homens, para a colheitade café no sul e no cerrado de Minas, e da cana-de-açucarem São Paulo, principalmente.Foi objetivo deste trabalho avaliar física, química emineralogicamente Cambissolos e nurundus associados eNeossolos Flúvicos utilizados na agricutura de subsistênciaem Itaobim-MG, sob condições de sequeiro.
Palavras-Chave:
solos; cupinzeiros; agriculturafamiliar
 
 
Material e métodos
A. Caracterização da Área
A área de estudo localiza-se no distrito de Pasmado,comunidade rural situada cerca de 17 km do municípiode Itaobim (Vale do Jequitinhonha-Minas Gerais). Oclima, de acordo com a classificação de Köppen, é dotipo Bsw com precipitação anual inferior a 1000 mm, eíndice pluviométrico médio de 705 mm [4,5]. Alitologia é composta basicamente por rochas graníticas- Água Boa [5].Foram selecionados nove perfis de solosrepresentativos da área, compreendendo 3 NeossolosFlúvicos (P1, P2, e P3), 4 Cambissolos Háplicos (P4,P5, P7 e P9) e 2 Cambissolos Háplicos (P6 e P8), estesúltimos coletados em camadas, a cerca de 10 metros doP7 e do P9, em murundus seccionados ao meio(cupinzeiros descolonizados). Todos os solos sãoutilizados com agricultura de subsistência típica doVale do Jequitinhonha (milho, feijão, mandioca, etc.).
B. Caracterização dos solos
As determinações físicas consistiram de análisetextural e de argila dispersa em água [6].As análises químicas constaram de pH em água e emKCl 1 mol L
-1
. Os teores de Ca
2+
, Mg
2+
e Al
3+
foramextraídos com solução de KCl 1 mol L
-1
e quantificadospor espectrofotometria de absorção atômica e portitulação em NaOH 0,025 mol L
-1
, respectivamente. K
+
 e Na
+
foram extraídos com solução de HCl 0,05 mol L
-1
e quantificados por fotometria de chama. O fósforodisponível foi extraído com a solução Melich-1 edeterminado por colorimetria [6].A análise mineralógica foi realizada nas frações areiae silte, e seus componentes mineralógicos determinadospor difratometria de raios-X [7].
Resultados e discussão
A. Características físicas
Os solos estudados apresentam texturas variadas(Tabela 1). Esta variação é marcante nas camadas dosNeossolos Flúvicos, que apresentam textura média. Atextura dos Cambissolos variou de média a argilosa,com tendência de maiores valores de argila nohorizonte B, sem, contudo, caracterizar um horizonteBt. A erosão diferencial de argila parece a melhorexplicação para este fato. A expressiva participação dafração areia, a mineralogia da fração areia e silte, alémdas relações silte/argila mais elevadas, sugeremintemperização não muito acentuada nos Cambissolos.Isto é explicado pelas condições climáticas secas equentes na área.
B. Características químicas
Apesar da similaridade morfológica dos solos,particularmente os Cambissolos, verificou-se diferençaquanto à soma e saturação por bases nos solosestudados (Tabela 1). Enquanto os Neossolos Flúvicos,com exceção do P3, e parte dos Cambissolos, inclusive osde cupinzeiros, mostraram-se eutróficos, os CambissolosP4 e P5 revelaram-se distróficos, mas não álicos. Além domaterial de origem, é provável que estes últimos solos, porencontrarem-se em áreas de meia encosta, susceptíveis aerosão, os processos de perda tenham sido mais intensos,ocasionando a distrofia.Em todos os solos, os teores de Ca
2+
e Mg
2+
encontram-se de médios a bons, para a maioria das plantas cultivadas[8], nos horizontes superficiais, à exceção do CambissoloP4. É interessante destacar a tendência dos maiores teoresde Ca
2+
e P, nas camadas dos Cambissolos de murundus,sugerindo grande ciclagem destes elementos, no passado(os murundus não estão mais colonizados). Os teores de K
+
 também variaram de médios a bons nos horizontessuperficiais. Estes resultados indicam prováveis respostasàs adubações fosfatadas potássicas e, certamente,nitrogenadas nestes solos, mesmo considerando as reservasde alguns destes elementos nas frações areia e silte (Fig. 1).Os teores de Na
+
não se mostraram elevados em nenhumdos solos estudados, portanto, não se enquadrando comosódicos ou solódicos em níveis categóricos mais baixos,especialmente os Neossolos Flúvicos [9].Destaca-se aqui, o fato da obtenção de valoresconsideráveis de íons trocáveis nas frações areia e silte dosCambissolos, incluindo aqueles dos murundus (Tabela 2).Isto demonstra a contribuição destes íons na CTC, e queresulta em valores elevados de CTC corrigida para argila(solos Ta), e não condizentes com a mineralogia da fraçãoargila.
C. Características mineralógicas
A difratometria de raios-X das frações areia e silte dehorizontes selecionados dos solos estudados mostrou apresença de quartzo, feldspato, plagioclásio e mica (Fig. 1),principais fontes de K
+
, Mg
2+
e Ca
2+
nestes solos. A médiafertilidade natural dos solos e esta reserva são os prováveismotivos da utilização destes solos, por décadas, com aagricultura de subsistência, sem o uso de nutrientes ecorretivos. A produtividade de milho na faixa de 500 kg ha
-1
(informação obtida na Emater de Itaobim-MG), é muitobaixa, indicando que a adubação pode ser uma dasalternativas para a obtenção de melhores safras e lucros.
Agradecimentos
Os autores agradecem ao CNPq e FAPEMIG peloapoio financeiro.
Referências
[1]
 
MINAS GERAIS, Secretaria de Estado do Planejamento eCoordenação Geral 1994. Perfil sócio-econômico da região deplanejamento IX Jequitinhonha/Mucuri. Belo Horizonte,. v. 9, 144p.[2]
 
CAMPOS, J. C. F. 1998. Solos geomorfologia e evolução dapaisagem no Alto e Médio Jequitinhonha, Minas Gerais. Tese deMestrado, Curso de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas,UFV, Viçosa.[3]
 
SUMNER, M. E 1995. Sodic soils: new perspectives. In: NAIDE,R.; SUMNER, M. E. & RENGASEMY, P. (Eds.). Australian sodicsoils: distribution, properties and management. East Melbourne:CSIRO. p.1-34.
 
 
[4]
 
ANA. Agência Nacional das Águas. 2001 [Online]. Sistema deinformaçoes hidrológicas.Homepage: http://hidroweb.ana.gov.br/ [5]
 
CPRM. Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. 2003.Mapa geológico de Minas Gerais. BeloHorizonte:CPRM/COMIG. Escala 1:1.000.000. Meio Digital.[6]
 
EMBRAPA. 1997. Centro Nacional de Pesquisa de Solos.Manual de métodos de análise de solo. Rio de janeiro, RJ.212p.[7]
 
WHITING, L. D. & ALLARDICE, W. R.1986. X raydiffraction techniques. In: KUTER, A. (Ed.).Methods of soilanalysis. Part 1. Physical and mineralogical properties. 2 ed.Madison. American Society of Agronomy. p.331-362.[8]
 
CFSEMG. 1999. Comissão de fertilidade do Solo do estado deMinas Gerais. Recomendações para o uso de corretivos efertilizantes em Minas Gerais. 5 ap. 359p.[9]
 
EMBRAPA. 1999. Centro Nacional de Pesquisa de Solos.Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de janeiro:EMBRAPA solos. 412p.

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