Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
3Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
A Confiança como Domínio Básico de Vulnerabilidade

A Confiança como Domínio Básico de Vulnerabilidade

Ratings: (0)|Views: 290 |Likes:
Published by Glivo Books
Um dos traços que caracterizam o ser humano é a incerteza, a consciência da grande vulnerabilidade que a ameaça permanentemente a nossa existência. (Para fazer download e imprimir, acessem www.gustavobravo.com/blog.html)
Um dos traços que caracterizam o ser humano é a incerteza, a consciência da grande vulnerabilidade que a ameaça permanentemente a nossa existência. (Para fazer download e imprimir, acessem www.gustavobravo.com/blog.html)

More info:

Published by: Glivo Books on Jan 26, 2010
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF or read online from Scribd
See more
See less

10/25/2012

 
A Confiança como DomínioBásico de Vulnerabilidade
Um dos traços que caracterizam o ser humano é aincerteza, a consciência da grande vulnerabilidade que aameaça permanentemente a nossa existência.
 
Por GustavoL. Bravo _____________________________________
 
Gustavo L. Bravo formado em Comunicação Social com ênfase em Propaganda e Marketing, pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV Management e Filósofo  
De acordo com o filósofoalemão Martin Heidegger(1889-1976), os sereshumanos enfrentam o mundoa partir de determinadasdisposições que definem otipo de relação queestabelecemos com ele. Umadessas disposiçõesfundamentais é a confiança.Segundo Heidegger, um dostraços que caracterizam o serhumano é a incerteza, aconsciência da grandevulnerabilidade que ameaçapermanentemente a nossa existência. Assim sendo, a confiança é uma emocionalidade queexpressa o nível que adquire essa sensação de vulnerabilidade. Quando há confiança, sentimo-nos mais seguros, mais protegidos e menos vulneráveis. Quando não há confiança, asameaças parecem crescer, temos a sensação de que corremos perigo, de que estamosexpostos a riscos maiores.A falta de confiança aumenta o temor. Quem não sente confiança costuma habitar no medo.Esse medo é provocado, na maioria dos casos, pelo rompimento de uma aliança, um pacto,baixa auto-estima e consequentemente insegurança. Os acontecimentos, as ações de outraspessoas adquirem proporções ameaçadoras. Sinto, com base em experiências anteriores, queelas poderiam me causar danos e comprometer minha integridade. Se um determinado bairro
 
na vizinhança não me inspira confiança, a partir de certa hora da tarde, é porque,possivelmente, sinto que, à medida que aumenta a escuridão, aumenta com ela o risco de queme assaltem. Se vejo uma pessoa se aproximar e sinto que ela não me inspira confiança,possivelmente é porque é porque tenho a sensação de que poderia me agredir, de que nãoestou seguro perto dela, de que corro o risco de que me cause danos, de que, ficando pertodela, posso me ferir.Quando digo que
tenho confiança no Gabriel
, com isso, possivelmente, estou expressandoque penso que Gabriel, ao agir, saberá
tomar conta
de mim, saberá identificar as minhasinquietudes e as levará em consideração em seu comportamento. Ele faz com que eu me sintacuidado e protegido. Se disser, ao contrário, que
Rebeca não me inspira confiança
, talvezesteja expressando que, ao seu lado, não me sinto seguro, não me sinto cuidado por ela etenho a sensação de que posso ser afetado por seu comportamento. De acordo com Goethe,desconfiar sempre é tão errado quanto confiar sempre. Assim sendo, o discernimento emconfiar é uma necessidade para mantermos nossa confiança em alta. É necessáriodiscernimento em confiar nas pessoas, pois cada indivíduo tem uma qualidade especial epersonalidade própria, assim como organizações em geral.A ausência de confiança reforça a vulnerabilidade. A ausência de confiança é um sinal dealerta, um aviso de um eventual perigo. Tenho a sensação de que a minha integridade podeestar em jogo, mas, ao contrário, quando sinto confiança, sinto-me seguro. Se uma pessoa meinspira confiança, tenho a impressão de que saberá
tomar conta de mim
, de que sepreocupará com as coisas que a mim importam e levará em conta minhas inquietudes.Acredito, por exemplo, que essa pessoa, ao agir, vai considerar as conseqüências que suasações poderiam me impor e procurará, portanto, não me causar danos. Meu bem-estar será,para essa pessoa, um critério a considerar, no momento em que tenha que decidir por umcurso de ação ou outro.Em um nível básico, muito primário, aconfiança ou a falta dela são indicadoresemocionais de vulnerabilidade. Se meperguntam porque digo que algo oualguém não me inspira confiança, épossível que eu responda que não sei, queé algo que sinto, talvez uma sensação noestômago. Muitas vezes, acontece deconfiarmos ou desconfiarmos de alguémsem que possamos explicar exatamentepor quê. É uma sensação geral.
Sentimos
confiança, assim como
sentimos
desconfiança, mas, seja comofor, nos damos conta de como isso diminuiou aumenta sensação de vulnerabilidade.
De acordo com Goethe,desconfiar sempre é tão errado quantoconfiar sempre. Assim sendo, o discernimentoem confiar é umanecessidade paramantermos nossaconfiança em alta.
 
Toda emocionalidade pode ser construída em termos de juízos e, dessa forma, pode serobservada e examinada a partir do domínio da linguagem. Vamos observá-la por meio dosdiferentes juízos nos quais a confiança pode ser reconstruída.A relação entre emocionalidade e juízos é mais estreita. Quando estou na emocionalidade daconfiança, tendo a fazer determinados juízos. Quando, ao invés, sucedem-se determinadosacontecimentos, quando se executam determinadas ações que me levam a fazer juízosassociados à emocionalidade da confiança, descobrimos que começamos a sentir confiança.Essa relação entre emocionalidade e juízos é o que nos abrirá as portas para intervir, paraadiantar, por exemplo, o desenho de espaços de confiança.A relação entre emocionalidade e juízo é tão próxima que, a rigor, a confiança pode serconsiderada como um fenômeno que mostra duas caras, duas dimensões, duas possibilidadesde abordagens. Podemos entrar nela tanto a partir da emocionalidade como a partir dos juízose, por tanto, da linguagem. De uma forma ou de outra, as duas dimensões estarão semprepresentes.A vida nos expõe a infinitas
contingências
, a coisas que podem acontecer e que não podemosprever. Nunca estamos de todo seguros. A vida nos obriga ao movimento, e isso sempreimplicará riscos. Sempre haverá ameaças à nossa espreita, assim como possibilidades quepoderiam se abrir.
A confiança e a falta de confiança nos falam da maneira como encaramos o futuro, em função dos eventos perigosos que este nos possa trazer. Elas definem, portanto,nossa relação básica com o futuro.
A confiança define, também,
uma relação particular com o mundo.
Partindo da confiança ouda desconfiança, situamo-nos no mundo de uma maneira diferente. Mais: elas constituemmundos distintos. Se duas pessoas se relacionam com o mundo, uma com confiança e a outracom desconfiança, elas vivem em mundos radicalmente diferentes.A confiança, também,
é um grande solvente do medo
, um solvente do temor às inúmerascoisas que podem acontecer. Com confiança, eu abro meus braços para os outros, delegotarefas certas, coloco minha pessoa e minhas possibilidades em outras mãos. Com confiança,aposto que nada de mal acontecerá. A
confiança sempre implica uma aposta
, pois nada megarante segurança. Nada elimina as contingências. Só o que se pode fazer é reunir elementospara apostar em um ou outro sentido.A aposta que fazemos não é insignificante. Obteremos resultados distintos se apostarmos naconfiança ou na desconfiança, às vezes positivos, outras vezes negativos. Sem dúvida éimportante aprender a apostar melhor, a calcular melhor os riscos e evitar confiar quando nãofor adequado. É importante aprender a prudência, aquela competência que nos ajuda adiscernir quando se pode confiar e quando é preferível desconfiar.

Activity (3)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Islandcores liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->