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USO DO COPINHO NO ALOJAMENTO CANGURU

USO DO COPINHO NO ALOJAMENTO CANGURU

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126
Rev CEFAC, São Paulo, v.10, n.1, 126-133, jan-mar, 2008
USO DO COPINHO NO ALOJAMENTO CANGURU
Cup-Feeding in Kangaroo Mother Care 
Vívian Passos Lima
(1)
, Adriana de Medeiros Melo
 
(2)
RESUMOObjetivo:
avaliar o manejo das mães no uso do copinho e analisar os aspectos que interferem paraadministração dessa técnica.
Métodos:
a amostra foi composta de 30 binômios mãe/bebê. O estudodesenvolvido foi transversal de correlação. Foram realizadas coletas nos prontuários das mães e dobebê, executada uma observação das mães ofertando a dieta no copinho e aplicado um questionáriocom perguntas sobre o uso do copo. A análise dos resultados foi realizada por meio do programa
software 
estatístico,
 
SPSS 13.0. Aplicou-se testes de estatística descritiva, mais especi
camente adistribuição das freqüências e das percentagens relativas de cada dado observado. Em relação àassociação entre as variáveis estudadas foram utilizados os seguintes testes: teste Qui-Quadrado,com nível de signi
cância de 5% (p
0,05) e o teste de Correlação Bivariada com o grau de correla-cionamento linear de Spearman (R), utilizando o nível de signi
cância de 5% (p
0,05).
Resultados:
há relação signi
cante da postura do bebê, posição do copo, volume administrado e orientação dospro
ssionais de saúde às mães sobre o uso do copinho.
Conclusão:
o copinho pode ser manejadopelas mães, mas estas necessitam de orientações sobre o uso da técnica pelos pro
ssionais desaúde; principalmente em relação ao cuidado com a posição do copo e volume de leite.
DESCRITORES:
Leite Humano; Métodos de Alimentação; Recém-Nascido; Prematuro
(1)
Fonoaudióloga; Otorhinus – Centro de Fonoaudiologia,otorrinolaringologia, patologias alérgicas e respiratórias;Centro Auditivo Widex; Especializanda em Audiologia Clí-nica pelo Instituto Alfa Unidade II.
(2)
Fonoaudióloga; Professora Auxiliar da Disciplina Aborda-gem Terapêutica em Motricidade Oral do Departamento deFonoaudiologia da Universidade Estadual de Ciências daSaúde de Alagoas; Mestranda em Saúde da Criança e doAdolescente pela Universidade Federal de Pernambuco.
INTRODUÇÃO
A política de saúde materno-infantil no Brasil tempriorizado ações de promoção, proteção e apoio aoaleitamento materno (AM), por ser uma estratégiafundamental para a redução da mortalidade infantile melhoria da qualidade de saúde da população
1
.No entanto, as taxas de prevalência estão muitolonge de atingir as recomendações da OrganizaçãoMundial da Saúde (OMS), que preconiza o aleita-mento materno exclusivo (AME) por seis meses eda manutenção da amamentação após a introdu-ção de outros alimentos até os dois anos de vidaou mais
2
.Uma forma bem e
ciente para estimular a ama-mentação natural é através do Método Mãe Can-guru, de
nido pelo Ministério da Saúde como sendo
uma assistência neonatal de contato pele a peleprecoce entre o recém-nascido (RN) de baixo pesoprematuro e sua mãe, permitindo maior participaçãodos pais no cuidado com seu
lho
3
; além de propor-cionar redução da morbidade e mortalidade infantis;benefícios psicoafetivos e neurossensoriais, rela-cionados à prática do AM e respostas
siológicasmais satisfatórias
3-6
. Este método é desenvolvidoem três etapas: a primeira em unidades de terapiaintensiva neonatal ou de cuidados intermediários; asegunda no alojamento canguru; e a terceira após aalta hospitalar, nos ambulatórios de seguimento
4,5
.O AME con
gura-se quando a criança recebesomente leite materno, diretamente da mama ouextraído desta, e nenhum outro líquido ou sólido,com exceção de gotas ou xaropes de vitaminas,minerais e/ou medicamentos quando necessários
7
.A amamentação exclusiva é especialmente indi-cada para recém-nascidos (RNs) de baixo pesoou peso insu
ciente, já que estes necessitam demaior aporte energético e biodisponibilidade denutrientes para recuperação do estado nutricionale proteção contra possíveis infecções
8
. Dentre osinúmeros benefícios comprovados cienti
camente,a amamentação fortalece o vínculo mãe-bebê, for-nece valores nutricionais indiscutíveis, propicia o
 
Uso do copinho em alojamento canguru
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Rev CEFAC, São Paulo, v.10, n.1, 126-133, jan-mar, 2008
aumento de anticorpos e ganho de peso, além deproporcionar a harmonia do sistema estomatog-nático
9
.Tal fato é explicado visto que durante a amamen-tação o bebê realiza uma ampla abertura mandibu-lar para que ocorra um vedamento labial adequado,em que a parte anterior dos lábios com eversão ea língua se apóia na gengiva inferior, curvando-separa cima. Dessa forma, ocorre a pressão negativaformada por movimentos da mandíbula associadosaos movimentos dos lábios, bochechas e coxins degordura. A mandíbula realiza um ciclo de movimen-tos: o abaixamento para a abertura da boca, protru-são mandibular, elevação e compressão dos seioslactíferos e a retrusão
10
.Entretanto, em algumas situações, o AME nãopode ser realizado, como nos casos de crianças quenecessitam de suplementação; sendo necessárioadministrar a dieta com um método alternativo
11
. Amamadeira é o método mais comum de suplemen-tação, porém evidências cientí 
cas mostram queseu uso interfere signi
cativamente na amamenta-ção, pois os bicos de mamadeira podem ter impactonegativo no desenvolvimento do comportamento desucção do lactente
12
. A exposição ao uso de bicosarti
ciais diminui o tempo de aleitamento materno edo contato mãe-bebê, além de favorecer o apare-cimento de diversas patologias gerais de saúde efonoaudiológicas
13
.Diante disso, o copinho vem se tornando ummétodo freqüente de alimentação de RNs nos ber-çários incentivada pela Iniciativa Hospital Amigoda Criança
14
por ser uma técnica alternativa dealimentação, utilizada inclusive em alguns casosde fracasso inicial com o aleitamento no peito,tal como acontece em alguns RNs que não coor-denam os re
exos de sucção e deglutição com arespiração nos primeiros dias de vida. O principalobjetivo desta técnica é promover um método arti
-cial de alimentação seguro para os recém-nascidospré-termo (RNPTs) de baixo peso, até que
quemaptos o su
ciente para realizarem a amamentaçãoexclusiva no peito
15
.O procedimento de administração do leite como uso do copinho deve ser realizado da seguintemaneira: a mãe/cuidador deve segurar o bebê emestado de alerta, envolvendo-o em um lençol paraque o leite não seja derramado pela movimentaçãode seus membros superiores. O RN deve estar sen-tado ou semi-sentado no colo da mãe ou do cuida-dor. Posteriormente, deve-se encostar a borda docopinho no lábio inferior do bebê, inclinando-o atéque o leite toque o seu lábio inferior. Aguardar queo bebê retire o leite, sorvendo-o; e em seguida odegluta. Não é necessário derramar o leite na bocado RN
16,17
.As vantagens da alimentação no copinho são:o bebê determina seu próprio consumo, referenteao tempo e a quantidade; dispende pouca energia;estimula o desenvolvimento e a coordenação dosre
exos de sucção e deglutição; estimula a secre-ção da saliva e das lipases da língua, tornando adigestão do leite materno mais e
ciente e é ummétodo fácil de oferta da dieta
15
. Os movimentosde língua e da mandíbula realizados durante o usodo copinho são similares aos movimentos neces-sários para o sucesso da amamentação, e seu usodesenvolve os músculos responsáveis por essesmovimentos, além de promover uma experiênciaoral positiva reduzindo o tempo de uso de sondaorogástrica (SOG) e facilitar o desenvolvimento darelação entre o prematuro e sua mãe e/ou pai
18
. Asdesvantagens são: o bebê costuma babar; pode serque pela facilidade substitua a amamentação natu-ral; pode haver formação de bolhas no leite
15
e ocuidador pode despejar o leite diretamente na bocada criança,
cando esta susceptível a engasgos easpirações
18
.Durante a alimentação por copinho, os RNPTsapresentam inicialmente um movimento de lam-bida, observando a protrusão da língua para obtero leite, ação vital para o sucesso da amamentação,visto que a habilidade de distensão da língua é fun-damental para a extração do leite dos ductos mami-lares. Posteriormente, este movimento vai sendosubstituído pelo movimento de sorver
15
. Enquantose alimentam com copinho, os RNPTs podem con-trolar os movimentos de sorver, a respiração émais fácil de ser coordenada e a deglutição ocorrequando o recém-nascido estiver apto para realizaresta função
19
.A ação de sorver é o movimento predominanterealizado pelos RNPTs para obtenção do leite. Nãoocorre a protrusão da língua durante essa ação, poisa cavidade oral encontra-se parcialmente fechada,podendo ocorrer mecanismo parecido com o deno-minado “confusão de bicos”
20
.Há grande controvérsia na literatura quanto àe
cácia do uso do copinho como método alternativode alimentação, principalmente no que se refere aomecanismo de “confusão de bicos”, conceituadocomo uma di
culdade dos neonatos em exibir umacon
guração oral correta, em dominar a técnica eo padrão de sucção necessário para o sucesso daamamentação depois da exposição a mamadei-ras e outros bicos arti
ciais
14,21
. Porém, pode-seobservar que a técnica do copinho é proveitosa eefetiva e que permite uma posterior amamentaçãoao peito bem sucedida sem que ocorra a confusãode bicos
22
.O aleitamento materno continua sendo ométodo de alimentação mais adequado para lac-
 
128
Lima VP, Melo AMRev CEFAC, São Paulo, v.10, n.1, 126-133, jan-mar, 2008
tentes, porém o uso do copo é recomendável nosmomentos de impossibilidade da amamentação,pois, em estudo com o recurso da eletromiogra-
a de superfície, a musculatura ativa em ambosos métodos (masseter, temporal e bucinador) é amesma com a vantagem de não provocar a “con-fusão de bicos”
23
.Apesar dos inúmeros benefícios do AM, os indi-cadores do Sistema de Informação da AtençãoBásica (SIAB) revelam que a proporção do AME noano de 2003, até os 04 meses de idade, no Brasil éde 62,3%; na região nordeste de 57,5% e no Estadode Alagoas de 49,9%
24
.Para a saúde coletiva as principais situaçõesque facilitam o desmame precoce são a utilizaçãoda mamadeira juntamente com as fórmulas de leitearti
ciais
17
. Há outros fatores também relacionadosao desmame precoce: grau de escolaridade da mãe,idade e trabalho maternos, urbanização, condiçõesde parto, incentivo do cônjuge e de parentes
25
.Diante do baixo índice de AME até os 6 mesesno Estado de Alagoas registrado pela OMS em 2003de 49,9%, este trabalho tem como objetivo avaliar omanejo das mães com o uso do copinho e analisaros aspectos que interferem para a administraçãoadequada dessa técnica.
MÉTODOS
A pesquisa foi desenvolvida na Enfermaria Can-guru da Maternidade Escola Santa Mônica (MESM)em Maceió-AL, que é uma Instituição de referênciapara todo o Estado, visto que atende gestantes dealto risco pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e éa única maternidade a possuir a referida enferma-ria. A coleta de dados foi realizada no período dedezembro de 2005 a maio de 2006.O estudo envolveu 30 binômios mãe/bebê deRNPTs de baixo peso, com o tipo de estudo trans-versal de correlação. Foram realizadas entrevistascom as mães que se adequavam aos seguintes cri-térios de inclusão: mães de RNPTs de baixo peso,admitidas no Alojamento Canguru da MESM, osquais estavam recebendo dieta via oral com uso docomplemento no copinho.A pesquisa foi explicada verbalmente às genito-ras e o Termo de Consentimento Livre e Esclare-cido foi entregue e assinado. Em seguida, foi exe-cutada a coleta de dados nos prontuários da mãe edo recém-nascido, no que se refere à idade e esco-laridade das mães, número de gestação anterior,idade gestacional corrigida do bebê, e volume dadieta administrado no dia da coleta.No momento em que as mães estavam ofere-cendo a dieta via oral através do copinho para oRN na enfermaria canguru, as pesquisadoras rea-
lizaram uma observação da postura da mãe, pos-tura do bebê e da posição do copo, analisando seesses critérios encontravam-se adequados ou ina-dequados, ou seja, durante a alimentação com ocopinho, seria necessária que a posição do copoestivesse levemente inclinada sobre o lábio inferiorcom o bebê delimitando seu próprio consumo, amãe deveria estar com uma postura ereta e comapoio nos membros inferiores e o bebê sentado ousemi-sentado no colo da dela. Além de observarritmo/velocidade, pausas e escape prematuro deleite durante a alimentação do RN.Após a oferta da dieta, foi aplicado um ques-tionário às mães, constituído por perguntas sobreorientações dos pro
ssionais da saúde, conhe-cimento quanto à técnica do copinho e tempo deadministração desta pela mãe, para que fossemanalisadas as percepções que elas possuem sobreo uso do copinho, assim como a importância destepara seu bebê.Este Projeto foi analisado e aprovado pelo Comitêde Ética em Pesquisa da Universidade Estadual deCiências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), no dia27 de outubro de 2005, com o protocolo número458, e pela comissão de ética do núcleo de ensinoe pesquisa da MESM.A análise dos resultados foi realizada por meiodo programa
software 
estatístico,
 
SPSS 13.0 (
Sta- tistical Package for the Social Sciences 
). Aplicou-setestes de estatística descritiva, mais especi
camentea distribuição das freqüências e das percentagensrelativas de cada dado observado. Em relação àassociação entre as variáveis estudadas foram uti-lizados os seguintes testes: teste Qui-Quadrado,com nível de signi
cância de 5% (p
0,05) e o testede Correlação Bivariada com o grau de correlacio-namento linear de Spearman (R), utilizando o nívelde signi
cância de 5% (p
0,05).
RESULTADOS
A primeira variável analisada foi a idade dasmães. Observou-se que 30% das mães possuemidade entre 15 e 19 anos, 36,6% encontram-seentre 20 a 29 anos e 33,3% estão na faixa etáriaentre 30 e 39 anos de idade. Quanto ao nível deescolaridade das mães, apenas 3,3% completaramo ensino superior, 6,6% possuem o ensino supe-rior incompleto, 26,6% apresentam o ensino médiocompleto, 46,6% possuem o ensino fundamentalincompleto e 10% não são alfabetizadas.Metade das mães, 50% teve gestação anterior,sendo 26,6% apenas uma e 23,3% mais de umagestação. No que se refere ao tempo de adminis-tração, em dias, da dieta no copinho pela mãe, maisda metade da amostra, 80%, administram a dieta

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