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A Magia Do Verbo- Annie Besant

A Magia Do Verbo- Annie Besant

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06/30/2010

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1
 Annie Besant
-
A Magia do Verbo
 
Embora Annie Besant tenha escrito, algures, que nenhum outro epitáfio para simesma desejava exceto o de que ela procurou seguir a Verdade, a sua figura é tãoimensa e luminosa, que os mais belos adjectivos, os mais inspirados epítetos lheforam consagrados por muitos dos que se puderam inteirar da sua natureza ímpar.Entretanto, para nós, a mais expressiva de todas as imagens deve-se a Charles Blech,
Secretário
-Geral da Soc. Teosófica de França no princípio do século: A Alma deDiamante. Annie Besant foi, sim, (um)a alma de diamante tão forte e tãodelicada, tão bela e tão resistente, brilhando intensamente em tantas e tantasfacetas
 
 Infância, Juventude, Casamento e Separação
 
Annie Wood nasceu em 1 de Outubro de 1847, em Londres, mas a sua ascendênciatinha uma forte componente irlandesa, raiz que sempre lhe agradou. Os avós pelaparte da mãe - mulher de grande sensibilidade - eram ambos irlandeses, o mesmoacontecendo pelo lado materno do pai - homem de sólida cultura humanista,matemático e professor de Francês, Alemão, Italiano, Espanhol e Português.O pai de Annie morreu dias depois de esta completar cinco anos. Iniciou-se entãouma época difícil para a mãe viúva, tanto do ponto de vista emocional, como
económico.
No entanto, aos oitos anos, quando (com o irmão Henry e a mãe) foiviver para Harrow, numa casa antiquíssima que se abria para um amplo jardim, deluxuriante arvoredo, Annie viveu um período feliz. Escreveu ela, na suaAutobiografia: "Não havia ali árvore a que eu não tivesse trepado, e uma delas, umfrondoso loureiro de Portugal, era a minha morada predilecta. Ali tinha o meu
dormitório e a minha estância, o meu estudo e a minha despensa. Nesta, guardava as
frutas que podia colher livremente das árvores e, no estudo, permanecia horas
sentada, com alguns dos meus livros favoritos".
 Entretanto, a Sra. Marryat, irmã de um conhecido escritor da época, ofereceu-
se
para providenciar a Annie uma educação esmerada. Tal foi aceite, emboraimplicasse que Annie passaria menos tempo com a mãe - uma decisão bem difícilvisto que, citando mais uma vez as palavras da nossa heroína, referindo-se à mãe, "omeu amor por ela era idolatria, e o seu por mim era devoção". Ainda que só se
reunindo nos períodos de férias, "o víncu
lo de amor entre nós duas foi tão tenaz quenada pôde rompê
-
lo".
 A Sra. Marryat tinha alma de educadora, do que beneficiava um conjunto crescentede raparigas e rapazes ("eu jogava críquete e sabia trepar como o melhor deles").Este último facto era inusual na época, como se sabe. Annie, cujo sentido dereverência, respeito, gratidão e lealdade foram exponenciais durante toda a vida,enalteceu aquela amiga: "Careço de palavras para expressar o que lhe devo, não
 
 
2
somente em conhecimentos mas, também, em amor pela sabedoria, que desdeentão viveu em mim como um constante estímulo para o estudo".O tipo de educação que recebia, tanto da mãe como da Sra. Marryat, acentuaram anatural religiosidade do carácter de Annie, para quem os sonhos místicos, as visõesde fadas e duendes, o entusiasmo ao ler os contos dos primitivos mártires cristãos -que sonhava viver por si mesma -, a citação dos textos evangélicos, eram muitomais sedutores do que os afazeres e os prazeres da vida terrena quotidiana. A suadevoção religiosa de então tinha o selo do arrebatamento e da generosidade quecaracterizaram toda a vida de Annie - ela só sabia ser autentica e seriamente, não
importando quais as circunstâncias ou campo de atividade.
 Tal veio a conduzir a que, aos 19 anos, sem jamais ter tido namoros ou nissopensado seriamente - pois seus ideais haviam sido "minha mãe e o Cristo" -, ficassenoiva do Reverendo Frank Besant, com quem casou um ano e três meses depois. Oseu futuro marido tomou como interesse amoroso uma convivência que, paraAnnie, mais não era do que a oportunidade de conversar sobre temas religiosos.Aturdida de surpresa quando Frank a pediu em casamento, permaneceu emsilêncio, envolta em sentimentos de culpa por haver dado azo à situação; taissentimentos, levados ao extremo, combinados com a esperança de que, como"esposa de um pastor, melhor do que de outras maneiras, teria oportunidade depraticar o bem", levaram-na a vencer a sua "aversão ao matrimonio" e a
comprometer
-se. Já noiva, tentou romper o compromisso mas não foi além datentativa, para não magoar a sua mãe, que considerava suprema desonra se a filhafaltasse à palavra dada. Assim, sem entusiasmo e sem preparação, casou (ou melhor,
deixou
-se casar). Leviandade e irresponsabilidade - pensarão alguns; conseq
uência
da diferente focalização dos seus interesses (que a tornou menos sagaz e despertapara as "coisas comuns") e de um escrúpulo, sentido de lealdade e de não magoarlevados ao extremo - pensamos nós. Um amigo de Annie, comentou a propósito,com extraordinária exatidão: "Como ela não podia ser noiva do céu, tornou
--
se
noiva do Senhor Frank Besant, que dificilmente seria um substituto adequado".De fato, não o foi. A aspereza miudinha de Frank suscitou em Annie Besant (A.B.)"primeiro, incrédula estranheza, depois uma torrente de lágrimas de indignação e,passado algum tempo, uma resistência orgulhosa, desafiadora, fria e rígida comoferro. A desenvolta rapariga, radiante, impulsiva, ardorosa, entusiasta, transformou-
se
- e bem rapidamente - numa grave, altiva e reticente mulher, que sepultava sobas profundidades do coração todas as suas esperanças, temores e desilusões". Assim,o único feliz resultado do casamento foram dois filhos (um rapaz e uma rapariga),unidos para sempre a Annie por um enlevado amor, e particípes, quando adultos,das nobilíssimas causas a que se consagrou. Tudo o resto, constituiu um tormentopara A.B., nomeadamente as visitas sociais de senhoras cujas conversas a"enfastiavam enormemente, e que eram tão indiferentes a tudo o que me enchia a
 
 
3
vida
- teologia, política, ciência - como eu o era às suas discussões sobre o noivo das
suas empregadas e as extravagâncias das suas cozinheiras".
 
 As Dúvidas Cruéis...
 
Rapidamente, entretanto, cruéis dúvidas de âmbito religioso a torturaram até à
s
fibras mais íntimas. Damos de novo a palavra à própria Annie Besant, queeloquentemente expressou o quanto isso podia significar: "Só por uma imperiosanecessidade intelectual e moral, uma mentalidade religiosa se sente arrastada para adúvida, porque ela representa uma comoção que faz sossobrar os fundamentos daalma e que tudo faz vacilar: nenhuma vida debaixo do vácuo céu, nenhuma luz naobscura noite, nenhuma voz a quebrar o mortal silêncio, nenhuma mão que seestenda, salvadora. Os frívolos de cérebro vazio, que nunca tentaram pensar, queaceitam as crenças como aceitam as modas (), na sua superficial sensibilidade eainda mais superficial mentalidade, não podem nem por assomo imaginar a angústiaque produz a mera penumbra do eclipse da fé e, menos a
inda, o horror da profunda
escuridão, em que a alma órfã grita no vazio infinito".Que dúvidas eram essas, que lhe tiravam o sono de muitas noites e a própriavontade de viver? Não eram as pequenas superficialidades sociais com que oschamados fiéis (na verdade alheios à vivência religiosa, salvo no sentido de, à
cautela, fazerem um seguro para o Céu e a Protecção Divina) se ocupam uma, duas,
três vezes na vida, ou que os media realçam dos discursos papais ou de outrasautoridades eclesiásticas; tão-
pouco
eram preocupações com a sua salvação pessoal
mas, sim, no essencial: "Pode, acaso, haver um castigo eterno depois da morte, como
sustentam as Igrejas? Existindo um Deus bom, como pôde criar a Humanidade,sabendo previamente (presciência divina) que a maioria dos homens sofreria parasempre as torturas do inferno? Existindo um Deus equitativo, como podia permitira eternidade do pecado, de maneira que o mal fosse tão duradouro como o bem?Como explicar os pontos de semelhança entre religiões mais antigas e oCristianismo, se havia sido educada na convicção de que este era a única religião
verdadeira, sendo falsas todas as outras?
 
Estes e outros problemas similares tocavam em pontos tão importantes e sérios para
Annie que (não encontrando resposta satisfatória, depois de exaustiva busca) lheimpediram de se continuar a considerar cristã ou sequer, como o marido pretendiaimpor, de participar em actos e cerimónias que pressupunham que o fosse. Diantedas mais sérias interrogações sobre o sentido da Vida, ela não podia fingir, nem parasi mesma nem para ninguém. (Anos mais tarde, ao renunciar ao materialismo,definiu a exigência que a verdade, fosse qual fosse, lhe suscitava, dizendo: " nãome atrevo a comprar a paz com uma mentira; imperiosa necessidade me induz adizer a verdade tal como a vejo, agradem ou não as minhas palavras, receba louvorou vitupério. Devo manter imaculada esta fidelidade ao verdadeiro, mesmo que me

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