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Inteligências Múltiplas e Prática Escolar

Inteligências Múltiplas e Prática Escolar

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Published by Elias Celso Galveas
No quadro das inteligências múltiplas, no universo do ser humano, você pode considerar, até mesmo, que um indivíduo possua, nos mais variados graus, todas elas. Pode ser que haja uma tendência (ou predominância) para uma ou outra forma, mas, quando se trata de analisar a inteligência, além do contexto, sempre há de se considerar o conjunto, de modo que uma pessoa considerada inteligente tende a possuir todas as formas de inteligência, só que, naturalmente, umas serão mais desenvolvidas que outras, de acordo com as inclinações, experiências de vida e preferências particulares do indivíduo.
No quadro das inteligências múltiplas, no universo do ser humano, você pode considerar, até mesmo, que um indivíduo possua, nos mais variados graus, todas elas. Pode ser que haja uma tendência (ou predominância) para uma ou outra forma, mas, quando se trata de analisar a inteligência, além do contexto, sempre há de se considerar o conjunto, de modo que uma pessoa considerada inteligente tende a possuir todas as formas de inteligência, só que, naturalmente, umas serão mais desenvolvidas que outras, de acordo com as inclinações, experiências de vida e preferências particulares do indivíduo.

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INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E PRÁTICA ESCOLAR
Entrevista com o professor Elias Celso Galvêas. 
(1) Ao considerar a "Teoria das Inteligências Múltiplas", quais são, basicamente, os tipos deinteligência que você, como profissional, é capaz de detectar?
Logo que eu tomei conhecimento da existência de "Howard Gaardner", passei a entender que, naformulação de sua "Teoria das Inteligências Múltiplas", ele inicialmente considerava sete diferentesinteligências. Eram elas: 
a) Lingüística (que é verbal):
refere-se às pessoas voltadas para a fala, para a escrita, de maneirageral, para as áreas de Humanas. 
b) Lógico-Matemática
que, como o nome diz, trata das pessoas numéricas – que possuem facilidade emlidar com os números e, de maneira geral, com o raciocínio lógico. 
c) Espacial:
diz respeito ao indivíduo que tem facilidade em se colocar e se deslocar no espaço; estámuito relacionada, por exemplo, ao jogador de futebol e ao esportista, de forma geral. 
d) Sinestésico-Corporal:
que também está ligada à coordenação motora, aos sentidos, à expressãocorporal... 
e) Musical:
refere-se a pessoas que, muitas vezes, pensam cantarolando. Sabe aquele aluno que tem ohábito de estudar fazendo uma “musiquinha” para poder decorar o tema de estudo? Este aluno certamentepossui uma inteligência musical. 
f) Intrapessoal:
diz respeito ao indivíduo voltado para si mesmo, e sua habilidade para resolver suasquestões interiores. 
g) Interpessoal:
refere-se ao indivíduo com grande capacidade de comunicação – o que apresentacaracterísticas de grande comunicador. Um presidente do Grêmio Estudantil (ou o seu relações públicas), por exemplo, precisa muito deste tipo de inteligência. Obs.: as letras (f) e (g) correspondem às
"inteligências pessoais"
. Esta foi a classificação primeira da qual tomei conhecimento. Como este conceito é dinâmico, hoje, eu jásei que Gaardner considera nove inteligências, e não mais as antigas sete. Atualmente, ele considera asseguintes espécies de inteligências. 
(a) Existencial:
do ser como pessoa integral. Uma visão que, de certa forma, abrange, de maneiracontingencial, as demais inteligências, bem como todo contingencial existencial da história de vida do aluno. 
(b) Naturalista:
do indivíduo que revela maior inclinação pela natureza, pelas Ciências Naturais. Aquelealuno que gosta de colecionar objetos, pesquisar a vida animal e dissecar animais. 
(c) Pictórica:
da pessoa voltada para a parte artística. Esta vocação que a pessoa possui para a música,para as artes Cênicas, ou para as artes Plásticas. 
(d) Inter e Intrapessoal:
aquela que Gaardner continua chamando da mesma forma – que são as
"inteligências pessoais"
. 
(e) Espacial:
também com a mesma denominação anterior. 
(f) Corporal:
que diz respeito, mais especificamente, às habilidades sensoriais e motoras. 
(g) Verbal:
que corresponde à lingüística.E, enfim: 
(h) A Matemática:
que se refere à inteligência lógica e numérica. Estas são as nove inteligências que Gaardner considera atualmente, pelo que tenho notícia. Como istomuda muito, e os estudos vão sendo cada vez mais aprofundados e avançados, pode ser até que, hoje, ele já considere quinze inteligências; mas ainda não se tem conhecimento sobre este fato.Você me pergunta como sou capaz de detectar, como profissional, os tipos de inteligência. Quando já se
 
exerce há algum tempo esta profissão, ou seja, quando se convive, na prática, diretamente com os maisvariados tipos de alunos, lidando com estes conceitos há muitos anos, nós, professores, vamos, aos poucos,nos familiarizando com as tendências dos alunos. Desta forma, ficamos aptos a reconhecer o aluno que tema inteligência lingüistica mais aguçadas - que são os alunos que procuram, no segundo grau, normalmente aárea de Humanas; ou outro que tenha a inteligência Lógico-Matemática mais apurada, mais desenvolvida -que vai procurar a área de exatas.Nós, pedagogos, certamente somos pessoas que possuímos uma inteligência muito forte na área dalingüistica, que é a verbal. Com certeza, por isto, sou pedagogo e, pelo mesmo motivo, vocês escolheraestudar "Pedagogia". Vocês se encontram mais nessa área, porque têm mais facilidades para matérias queestejam relacionadas com a área de Humanas, ou seja, História, Geografia, Filosofia, etc. Via de regra, aspessoas que procuram um curso de pedagogia, são, de modo geral, pessoas que se afinam com a área deHumanas. Conseqüentemente, são indivíduos que têm a ver com as matérias, com as disciplinas querequerem leitura, interpretação, escrita, oratória – e que, por outro lado, não precise calcular (ou raciocinar analiticamente) com muita freqüência. Contudo, nada impede que a pessoa tenha duas ou mais inteligênciasmais apuradas - mesmo que em áreas aparentemente antagônicas, ou seja, humanas e exatas.Outro aspecto que se percebe com clareza diz respeito ao aluno que apresenta uma inteligência musicalmuito desenvolvida. Normalmente, são alunos que, no colégio, gostam de participar de festivais de música,de compor músicas e formar bandas. Isto não significa, portanto, que toda pessoa com uma inteligênciamusical desenvolvida está destinado ser no futuro necessariamente um grande músico. Por exemplo, eu nãosou músico (mas tenho a música como hobby), mas, mesmo assim, eu e alguns amigos meus somospessoas que temos a inteligência musical bastante desenvolvida: temos bom ouvido, temos ritmo, gostobastante refinado para músicas, etc. Particularmente, toquei guitarra por muitos anos (e, de vez em quando,ainda “arranho” um som), mas não me dediquei à música como profissão.Então, a questão da inteligência múltipla não quer dizer que a pessoa, pelo resto davida, só vá fazer aquilo. O que mostra isto na prática é que, muitas vezes, você só costumamos valorizar um aspecto do aluno – onde ele é realemente bom – para que, dessa forma, sua auto-estima cresça para que ele se sintainteriormente motivado a obter, também, um bom desempenho em outras questões – onde ele,provavelmente, poderia ter um pouco mais de dificuldade. 
2. Como ocorre na prática o tratamento, por parte da escola, das diversas manifestações dainteligência do aluno, num ambiente de diversidade e pluralidade étnico-culturais?
Creio que, na prática, tanto a escola quanto o educador, assim como eu, juntamente com toda minhaequipe técnica, tentamos valorizar e respeitar as múltiplas inteligências de um indivíduo, de um aluno –mesmo quando a grade curricular do aluno tenda a ir contra este processo.Infelizmente, em plena era do conhecimento, da informação, nós pertencemos a um sistema educacionalque ainda não nos permite trabalhar plenamente o assunto das "Inteligências Múltiplas". Porém, enquanto aescola for uma instituição ideologicamente formada por educadores que realmente encarem o processo de"ensino-aprendizagem" como um processo muito mais amplo, ou seja, que vai muito além do conteúdo deum currículo, sempre tenderemos a valorizar, no aluno, todas as suas aptidões, para que o mesmo tenha umdesenvolvimento holístico harmonioso, sempre visando a formação de indivíduos equilibrados - no tocante aodesenvolvimento cognitivo e emocional.Entretanto, principalmente a partir do final do ensino fundamental, este processo de tentativa de respeitoàs inteligências múltiplas deixa de ser privilegiado, não sendo prioritariamente propiciado, por dois motivosbásicos: 1. pela própria fragmentação do conhecimento gerado pela própria organização didática de uma gradecurricular que, além de privilegiar excessivamente disciplinas de natureza científicas, faz com que as mesmassejam apresentadas como saberes “impostos” aos alunos que, por sua vez, passam a assimilá-las comoconteúdos isolados do conhecimento, privilegiando apenas um tipo de inteligência (geralmente o Lógico-Matemática), em detrimento das demais; e2. quando chega o temido “Vestibular”, este mesmo aluno - que já foi bombardeado com uma série de
 
conhecimentos inúteis e fragmentados - passa a ser cobrado de uma forma básica, genérica, padronizada,fato que irá contribuir para que o aluno, “adestrado” pela escola, fique muito ocupado (alienado) no sentido arealizar uma escolha profissional mais “acertada”, deixando de se levar em conta, naquele momentoimportante de sua vida, a sua formação integral, ou seja, toda a bagagem existencial que o aluno porta comopessoa, como ser humano, etc. - pois tudo isto tende a ser ignorado.Portanto, com certeza, o "Vestibular" não está aí para avaliar o aluno segundo as "Teorias dasInteligências Múltiplas": ele precisa ser mais prático a fim de dar conta da análise da cultura geralfragmentada, assimilada por uma massa de alunos “formada” em um determinado instante. Na hora do alunofazer o Vestibular, ele tem que dar conta da Matemática, da Física, da Química, da Biologia, da LínguaPortuguesa... Desta forma, no sistema em que vivemos, a análise individual do aluno, segundo uma ou outravertente teórica, geraria um problema, posto que temos que seguir as orientações básicas do sistemaeducacional brasileiro - com currículos ainda muito conteúdista e pouco flexíveis.Assim, ainda é utópico dizer que a "Teoria das Inteligências Múltiplas" é inteiramente aplicada em todasas escolas, pois na prática, não é assim que acontece. Tenta-se aplicar, mas temos que nos dar conta deuma coisa maior que é a realidade prática, ou seja, o que acaba sendo o objetivo principal do aluno: apreparação para o “Vestibular”.Mas ainda acho que a escola pode auxiliar na questão do desenvolvimento das potencialidades dosalunos, tanto em nível de ensino fundamental quanto de ensino médio, trabalhando os pontos onde elespodem render mais, a fim de que possam crescer integralmente, dentro de um ambiente adequado eharmonioso que a escola é capaz de proporcionar.Por tudo isto, quando você me pergunta sobre como se trabalhar os alunos dentro de um ambiente dediversidades étnicas e culturais, eu não vejo problema algum. Creio que a escola, ao lidar com este ambienteonde imperam as diferenças, ainda pode trabalhar tentando desenvolver as áreas onde o aluno pode render mais, a fim de que ele possa, no final, desenvolver-se de maneira integral e global. Porém, infelizmente,mesmo que se chegue a fazer um trabalho brilhante neste sentido, o ensino médio - que desemboca no“Vestibular” -, pelas próprias razões práticas já especificadas, não tenderá a acompanhar este processo. O que acontece se a gente consegue trabalhar o aluno puxando por onde ele pode nos dar mais?Certamente, ele vai lucrar adiante, pois, pelo menos, será um indivíduo mais centrado e ciente de suascapacidades, pois já trabalhou com pessoas que souberam valorizar o seu potencial - ao invés de impor a eleconhecimentos estranhos ao seu universo interior. Acredito que, como pessoa, ele se encontrará mais prontoa interagir com o mundo. Mas, na verdade, este tipo de tratamento diferenciado (personalizado) ainda não étotalmente considerado no nosso sistema, pois é muito mais fácil (e mais cômodo) deixar as coisas comoelas já estão estruturadas. 
3. O que deve fazer o professor, na sua prática docente, para evitar a possibilidade deestereotipação do aluno, como, por exemplo, conferir ênfase àquele que possui um tipo deinteligência “Lógico-Matemática” mais desenvolvida?
Na prática docente, é um verdadeiro crime pedagógico quando se estereotipa, de qualquer forma queseja, um aluno. O professor deveria evitar se dirigir especificamente a um aluno, em detrimento aos demais.Por exemplo, um professor de matemática não deve ter preferência por um aluno, ou um grupo de alunos, edar aula somente para aquele aluno ou aquele grupo de alunos. Ele não pode, em hipótese alguma,menosprezar o aluno que não tem a mesma habilidade matemática, comparando-o com outro que,porventura, a tenha. Então, na prática, no seu dia a dia, o professor tem que ser suficientemente cuidadoso,a fim de dar, a cada aluno - seja qual for o tamanho da turma - a atenção individual que cada um necessita.Mesmo isto sendo difícil de ser feito, este é o verdadeiro mérito e desafio de um educador. Isto é tão difícilque o professor capaz de fazer isto estará desempenhando um papel muito além que de professor propriamente: ele estará agindo, em todos os sentidos, como um verdadeiro educador.Por isto, acho que o país necessitava possuir professore-educadores muitos bem preparados esocialmente valorizados - não apenas no sentido da remuneração. Isto por que o papel do educador, dentro

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" Ninguém ignora tudo.Ninguém sabe de tudo. Todos nós sabemos alguma coisa.Todos nós ignoramos alguma coisa.Por isso aprendemos sempre." Paulo Freire
Izabela Costa Souza added this note|
Que os ventos da felicidade soprem em sua direção hoje e sempre. Beijos de sua mãe.
Suelene Felix added this note|
Muito bom!!!
Cleiner Malta added this note|
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